28.8.09

Para ser Ilustrador Parte 5 - últimos detalhes

Esse texto, que foi criado para ser o final da série, seria, a princípio o mais fraquinho de conteúdo ao meu ver superficial, no entanto eu demorei muito para poder realizá-lo porque, analizando mais friamente, eu percebi que o ponto final daquilo que pensamos ser um ilustrador pleno, dono de seu próprio negócio, vai muito além dos limites que englobam as técnicas de traço e arte final, embora existam muitas coisas voltadas para esse quesito em nosso texto.

Essa é a parte aonde o caldo "entorna", aonde a maioria dos ilustradores emperram por se acharem geniais demais, talentosos demais e em 99,9999% dos casos, eles simplesmente começam a deixar esse pontos de lado, achando muito trabalhoso, muito além daquilo que ele realmente "gostam" de fazer, revelando um lado obscuro do ilustrador, que é aquele cara que na verdade nunca foi muito chegado em pegar no breu, se sente ofendido quando as pessoas dizem "essa aí não trabalha, só desenha..." mas foge a qualquer indicativo complementar ao seu grande amor da vida, que é desenhar. Nem que seja para o seu próprio bem.

O resultado disso é que 99,9999% dos ilustradores reclamam da vida, do mercado, dos clientes, dos contratos, dos colegas de profissão, da economia, da modernidade, do tradicionalismo e continuam trabalhando e agindo de maneira a dar motivos para que a reclamação continue.

Eu vou começar a lista final pelo óbvio ululante e terminar pelo não tão óbvio assim, mas que deveria ser.

1-Trabalho no computador- Hoje em dia, trabalhar sem computador é um risco por dois grandes motivos: 1º o preconceito que as pessoas tem com quem não trabalha com computador e 2º o fascínio que o computador oferece às pessoas tirando elas da capacidade de avaliar com realidade o valor que o trabalho realizado no computador tem. Eu coloquei como item apenas do último estágio de formação porque principalmente na sociedade brasileira, as pessoas tem uma tendência a achar que as novidades tecnológicas são melhores do que realmente são e acabam prejudicando e muito o processo de aprendizado que é lento, fruto de esforço e dedicação, e até hoje não existe no universo qualquer método comprovado de formação que exima do aprendiz esse tipo de esforço, e o computador justamente atrai as pessoas por ser uma coisa a princípio fácil de se usar, que qualquer um tem acesso e que não exija exatamente muito esforço para aprender a se utilizar. Atualmente os programas mais indicados para se trabalhar e que eu irei colocar numa ordem de aprendizado por questões lógicas (similaridade com as técnicas tradicionais) são os seguintes:

1-1- Painter- é o programa que mais se assemelha aos materiais reais. Com ele você encontra materiais virtuais similares aos materiais reais, mas terá uma certa dificuldade de adaptação, pois esses materiais não se comportam de maneira totalmente semelhante, tendo parâmetros de regulagem, coisa que um material tradicional não possui, além de proporcionar uma melhor mistura de técnicas e materiais.

1-2- Photoshop- é um programa criado a princípio para retoque de imagem, como um auxiliar para fotógrafos, mas que hoje possue recursos muito poderosos para se trabalhar com ilustração. No entanto ele já não é tão semelhante aos materiais tradicionais quanto o Painter, mas é bem mais fácil de se conseguir resultados com um certo impacto visual do que se trabalhando com o Painter. Embora essa característica possa parecer uma vantagem, no que diz respeito ao aprendizado costuma ser uma verdadeira armadilha, pois quem está aprendendo pode muitas vezes desanimar de trabalhar com um Painter para trabalhar apenas no Photoshop e acaba perdendo um elo maior com materiais e técnicas reais, que farão muita falta na hora do ilustrador, já como profissional, se impor como um alguém com plenitude de domínio técnico e artístico.

1-3- Illustrator- é especializado em trabalhos vetoriais, que é um tipo de trabalho que se distancia e muito do tradicional. É também um tipo de programa que apresenta um resultado visual relativamente fácil de se obter e que exige um esforço relativamente fácil, e que assim como no caso do Photoshop, essa facilidade acba sendo mais prejudicial na hora da formação do que benéfica. O trabalho vetorial com o envolvimento que a pessoa acaba tendo, vai se mostrando um mundo novo, oferecendo toda uma gama de possibilidades gráfica, por isso o trabalho no Illustrator sendo aprendido depois dos softwares indicados antes pode potencializar ainda mais a capacidade de realização de trabalhos em técnicas e estilos complexos.

1-4- Flash - é um programa que foi criado para se fazer animações e jogos para web, mas atualmente é bastante indicado até mesmo para se ilustrar nele, mas foge, e bastante do desenho tradicional, criando um certo perigo e dependência com o programa, coisa que deve ser evitada. Já na área de animação, ele permite criar animações tanto em desenho vetorial quanto em bitmap, e se o profissional tiver uma boa formação de animação clássica, trabalhará com bastante facilidade com ele. No entanto não é um programa indicado caso você tenha um projeto grande de animação.

1-5- ToomBoom - esse é justamente o programa que preenche a lacuna da necessidade de se trabalhar com animações em projetos mais longos e complexos. Também trabalha com vetores e bitmaps, mas contém recurso extremamente poderosos que facilitam a vida de um animador e permite realizar um trabalho de qualidade.

1-6- Programas de 3D - atualmente programas como Maya, Modo, Lightwave, Silo, Sketchup, Cinema 4D e outros permitem que uma pessoa possa modelar figuras em 3 dimensões e renderizar essas figuras, seja objetos, pessoas, ambientes ou personagens, e posteriormente animar esses elementos. Atualmente a demanda por esse tipo de trabalho aumentou muito, talvez não tanto quanto o números de pessoas se oferecendo para realizá-lo, no entanto existe uma tendência grande de expansão desse mercado. Conceitualmente, nem todo trabalho de 3D acaba sendo uma herança do trabalho de ilustrador, mas é um trabalho associado, pois muito do que se realiza em termos de 3D no mercado é retoque de imagem e complementa o trabalho de um fotógrafo. Dependendo do direcionamento que pode ser dado na carreira de um profissional que trabalha com 3D ele pode continuar com ilustração, ser um ilustrador especificamente hiperrealista de 3D, um animador, ou um operador de 3D que concorre com fotógrafos pelo tipo de trabalho que apresenta.

2- Redação- saber redigir é uma arma para o ilustrador que pretende ser autor ou roteirista. Fazer um curso de letras, jornalismo ou simplesmente começar a ter o hábito da escrita pode tornar o ilustrador uma pessoa com capaciade de ser o autor de seu próprio trabalho, e isso confere a ele um valor agregado capaz de servir de fiel da balança na hora de um cliente ter que escolher entre um ilustrador e outro.

2- Administração- qualquer ilustrador que queira ser dono ou sócio de um estúdio tem a obrigação de conhecer, e bem, administração. Fazer um curso de administração, seja ele profissionalizante ou superior é o melhor investimento que o ilustrador que está nessa situação pode ter. Conhecer as leis de mercado, ter metas, fazer análise de mercado, montar uma estrutura de trabalho com divisão de tarefas entre os ilustradores, calcular investimentos, gastos e receita irão fazer com que o ilustrador siba escolher os melhores mercados, as tendências, demandas e a planejar sua carreira. Atualmente quase nenhum ilustrador possui esse tipo de conhecimento, e sofre as consequências disso.

3- Marketing- saber se apresentar, saber oferecer seu trabalho, saber abordar, saber criar e manter uma imagem no mercado é uma arma e tanto, e um ilustrador empreendedor precisa ter um certo domínio também dessa arte. No entanto esse é um passo que precisa ser tomado depois dos dois anteriormente sugeridos, pois uma imagem precisa ter também conteúdo para que sobreviva. Um bom profissional de marketing não é aquele que sabe vender bem o seu peixe, mas é aquele que sabe que o peixe que está sendo vendido realmente existe.

Esses itens podem não ser absolutamente todos os necessários, mas um ilustrador que se esforce para ter um bom domínio sobre todos esses itens desde o começo até aqui, tem todas as condições de ser não somente um ilustrador profissional bom e responsável, mas um proprietário de estúdio com capacidade de se estabelecer no mercado sem precisar utilizar artifícios que tanto mal provocam ao nosso detonado mercado.

Eu espero dessa forma ter contribuído de maneira mais efetiva para o mercado. Não serão essas palavras que irão resolver ou auxiliar as pessoas, será a atitude que as pessoas tiverem apartir de informações como essa.

Esse esforço em escrever essa série foi fruto de uma reflexão sobre os materiais que existem por aí que são considerados de grande importância (algumas pessoas até acham essenciais) para a formação profissional de iniciantes. independente do mérito das pessoas que realizaram seus materiais de orientação, eu pessoalmente sempre achei o tipo de informação oferecida insuficiente e supervalorizada.

Tenho total consciência de que essa série ainda é pouco, e se possível pretendo colaborar paulatinamente mais e mais com a melhora do mercado, antes de mais nada me tornando um profissional melhor a cada dia, que é uma forma de exemplificar aquilo que eu escrevo e depois orientar as pessoas da maneira como eu procuro fazer.

26.8.09

Quem sou eu?

Eu não sou preto.
Eu não sou branco.
Eu não sou índio.
Eu não sou pardo.
Eu não sou japonês.
Eu não sou árabe.
Eu não sou judeu.
Eu não sou católico.
Eu não sou protestante.
Eu não sou alto.
Eu não sou baixo.
Eu não sou loiro.
Eu não sou moreno.
Eu não sou ruivo.
Eu não sou filósofo.
Eu não sou artista.
Eu não sou burocrata.
Eu não sou teórico.
Eu não sou acadêmico.
Eu não sou conservador.
Eu não sou moderado.
Eu não sou extermista.
Eu não sou de esquerda.
Eu não sou de direita.
Eu não sou rico.
Eu não sou pobre.
Eu não sou um gênio.
Eu não sou um imbecil.
Eu não sou nada disso.

Eu sou apenas...

...um ser humano.

14.7.09

Aonde está a criatividade?

Não é de hoje que eu ando reparando nas campanhas publicitárias e não sei se por um defeito que anda nascendo dentor de mim, ou por algo diferente, não mais ando me satisfazendo com essas campanhas.

Até um tempo atrás, era simples ver tudo como normal, parecia tudo muito natural, as idéias pareciam realmente legais, e algumas vezes, dentre essas idéias legais, aparece alguma realmente muito boa.

Acontece que talvez a indústria da propaganda, como ela foi se transformando, foi matando as idéias, o novo. Não que seja de todo errada, mas porque tudo é bom em dosagens menos significativas, e é muito comum no Brasil as pessoas não terem a iniciativa de arriscarem, nem que seja pouco.

Isso acontece na propaganda, pois existem algumas fórmulas que a muito tempo já foi tida como eficaz e ainda hoje é utilizada, mas sem nenhuma repaginação, sem nenhuma reformulação que não seja de ordem estética.

Um exemplo clássico se vê em campanhas de grandes empresas que querem fazer “grandes” campanhas, realizam coisas mirabolantes, passando a lcara impressão de que querem “revolucionar” sem que necessariamente revolucionem coisa alguma e para que o investimento tenha alguma garantia de retorno (isso pra mim significa que quem cirou a campanha sabe que a idéia que teve não foi boa) contrata alguma celebridade de garoto propaganda.

Bichinhos, musiquinhas repetitivas, frases que se repetem à exaustão, e pessoas “interagindo” com o produto no meio da multidão, enquanto que a interação incomoda todo mundo no lugar público, efeitos especiais aonde um celular projeta uma imagem, sendo que ele nunca vai fazer isso, um carro vira um robô e começa a dançar, sem que isso jamais aconteça, ou então várias criaturinhas em um mundo fantástico fazem coisinhas mil, deixando o produto completamente de fora do comercial e da campanha publicitária, não indo apenas para segundo plano, mas talvez para quarto o quinto plano.

E olha que essa das criaturinhas num mundo cheio de coisinhas piscodélicas nem chega a ser tão gravem desde que tudo esse universo esteja amarrado muito bem com um conceito sobre o porcuto anunciado, senão é furo nágua...

Agora, o que mais me choca é ver que as campanhas andam incorporando uma idéia muito comum no pensamento administrativo e empresarial, que é a idéia de que não existe mais nada de novo ou interessante para ser vendido, o que é mentira, somente é preciso muita criatividade para que existam produtos, serviços e conceitos novos, e criatividade não se aprende em faculdade, não existe curso para isso, é uma questão de talento, de mérito e de esforço.

Vemos com muita facilidade pessoas que vem de família tal, de faculdade tal, amigo de tal ou indicado de tal pessoa conseguir acupar um lugar que muita gente sem ser da família tal, da faculdade tal ou indicado por tal pessoa tenha muito mais capacidade e competência para ocupar.

Vivemos numa sociedade moldada para que o valor individual não seja um diferencial, e confesso que, em alguns casos isso até possa se resolver, mas quando o assutno é ter idéias, pensar no futuro, descobrir coisas, ir além, esses sistemas conformados são completamente ineficazes.

Um exemplo desse princípio de que nada realmente novo e bom anda sendo feito se percebe nas camapnhas de carros atuais, até um tempo atrás, mostrava-se o interior do carro, o painel, o desing do carro e a performance e as idéias geravam em torno de mostrar esses elementos em um carro, hoje em dia os carros são vistos de longe, as tomadas do interior dos carros são curtas, não permitindo ver quase nada, isso quando não são super fechadas aonde não se tem nenhuma noção de como o carro é por dentro, não se fala sobre o motor, nem sobre os opcionais ou desempenho, só se mostra uma história em que aparece um dono do carro em alguma determinada situação, e o carro de vez em quando aparece, no Pack Shot. Ou então aparecem vendedores mirins, bonequinhos, montros, e outras tralhas tirando completamente a atenção do produto principal, que é o carro.

Agora, vai numa concessionária ver os carros, tem carro de tudo que é tipo, com vários níveis de acabamento, com motores diferentes, opcionais diferentes e nada disso uma campanha mostra. Se todos os carros fabircados fossem topo de linha, todos com o mesmo grau aprimorado de acabamento, o mesmo motor potente, os mesmos opcionais, o mesmo conforto e desempenho e com design muito parecido, tudo bem não mostrar.

Acontece que as pessoas já basorveram como verdade uma coisa que não é verdade. Não está tudo nivelado, nem por baixo e nem por cima. Por isso não tem porque economizar na idéia, e para garantir que o investimento tenha retorno contratar uma celebridade qualquer para chamar a atenção. Quem tem que chamar a atenção é o produto anunciado.

E campanha de remédio então?? Quer coisa mais doente do que campanha de remédio? E é tudo quase igual... remédio pra gripe todos tem praticamente a mesma função, e aonde deveria obrigatóriamente existir uma enxurrada de criatividade para haver algum destaque, é na verdade uma enxurrada de clichês. Atchim, Resprim! É gripe? Benegripe! Tomou Doril a dor sumiu.... haja!

Pelo menos outro dia eu vi um comercial de pastilha pra garganta realmente boa, era uma cena de um jantar aonde as pessoas iam comer um espaguete, e uma pessoa ao enrolar o espaguete no garfo via a imagem de um arame farpado! Genial! Não tinha celebridade no comercial, a idéia era simples, mas muito bem sacada, a ponto de eu me lembrar dela e contar aqui como era o comercial.

Uma boa parte do meu sustento vem de propagandas, e eu percebo muitas vezes esse empobrecimento da criatividade com tristesa, porque ao se ilustrar, a gente quer estar disposto a oferecer trabalhos aonde exista desafios, a realizar trabalhos que permitam utilizar as técnicas, estilos e linguagens na sua totalidade e quem sabe, ir um pouco além.

Mas está difícil muitas vezes chegar no arroz com feijão, porque os próprios briefings estão muito aquém do arroz com feijão. Não sei se as pessoas estão perdendo a cultura da variedade do primor técnico e gráfico, mas a gente vê as idéias extremamente pasteurizadas, tudo igual. Sempre as mesmsa técnicas, sempre tudo igual. Um fez, os outros vão atrás e acham que estão sendo originais.

Até storyboard é sempre a mesma história: o cliente quer em estilo “Marvel” como se isso fosse estilo, ou “Mangá”. Tudo anda muito bizarro. Porque um storyboard deve ser feito em estilo mangá se o final não será um animê? Porque tem que ser feito em estilo de quadrinho americano se a finalização será feita com pessoas de verdade? Não deveria ser feito com desenhos reais de pessoas reais?

Porque toda vinheta tem que ser obrigatóriamente vetorial? Porque toda embalagem tem que ser obrigatoriamente hiperreal? As embalagens de produtos europeus são ricas em ilustracões pintadadas, gravuras e uma infinidade de técnicas e estilos que só aumentam o nosso repseito por esse produtos e nos deixam de água na boca, você vê um chocolate produzido no Brasil, por melhor que ele seja, tem uma embalagem de um simples chocolate industrial sem nenhum diferencial.

O meu maior sonho é receber contato de diretores de arte, de criação, art buyers e eles me falarem: precisamos pensar juntos em um coisa nova, diferente, temos um desafio. Vamos além, vamos fazer mais, melhor. É tudo, ou quase tudo simples, fácil, sem importância e pra ontem.

Quem dá ao produto que quer anunciar um tratamento assim tão desprovido de importância não tem condições de mostrar o produto ao consumidor com uma importância muito maior do que aquela que dispensou.

Eu gostaria que este texto pudesse despertar uma discussão maior sobre esse tipo de coisa. Porque a coisa com que eu mais lutei até hoje na minha vida foi, para, em eu sendo um ilustrador não ser um inimigo ou oponente de meu cliente, mas um colaborador, contribuidor responsável pelo trabalho, indo além do mero papel de fornecedor em que depois que o produto sai de minhas mãos o problema é do cliente.

Montar uma relação de comprometimento com o trabalho, com o objetivo do trabalho é a mais importante contribuição que um prestador de serviço pode ter. Vivemos num sistema aonde parece que todos esses valores são uma simples gordura, mas esses detalhes fazem diferença no resultado final.

Quando uma pessoa tem uma idéia em que ela foi fruto de um carinho, de uma responsabilidade e uma ligação íntima com o produto, precisa que os passos seguintes tenham o mesmo carinho, responsabilidade e ligação com o produto para que o resultado seja bem sucedido.

Não é uma questão de dinheiro, é uma questão de seriedade, de verdade, de antes de mais nada de construir uma relação saudável com aquilo que se propõe fazer.

17.6.09

Para ser Ilustrador Parte 4 – técnicas e materiais

Continuando o assunto que eu já havia iniciado um tempo atrás, vamos hoje tratar das técnicas e materiais que um ilustrador precisa conhecer para sua formação.

Os passos que seguimos até agora permite que qualquer um que já o tenha percorrido possa trabalhar como cartunista, desenhista de história em quadrinhos, chargista, caricaturista, permite que uma pessoas desenpenhe tod e qualquer trabalho voltado para o desenho, criar personagens, desenhar roupas, cenários, mas ainda falta a segunda metade da formação plena, que é o domínio de cores.

Para que o iniciante (já não tão inicante) chegue ao domínio das cores é preciso, antes ter um conhecimento teórico das cores, sabendo sobre como funcionam as cores, como enxergamos as cores, algumas formas que as cores manifestam a iluminação de um ambiente, humidade, distância, e clima de uma cena.

Depois dessa introdução, passaremos então ao estudo dos materiais de pintura.

De acordo com a minha concepção, a ordem lógica de apredizado deve ser a seguinte:

1- Lápis de grafite - os materiais de atrito devem ser estudados antes das tintas por serem mais fáceis de se manipular e iniciando especialmente nos lápis pelo fato de ser um instrumento já conhecido e bastante utilizado no aprendizado regular. Nessa fase deve se aprender a conhecer as diferentes graduações dos lápis, desde os números H até os B e testar a utilização desses lápis para marcar as sombras e texturas. Também o estudante deve aprender a utilizar esse lápis em superfícies diversas como papéis layout, pardo, vegetal, canson, vergê e fabriano.
2- Carvão – passando para o carvão, o aluno se vê obrigado a realizar um desenho mais solto e em escala maior, conseguindo um traço mais rápido e uma maior agilidade no traço. Seguem igualmente a experiência em superfícies como papel layout, pardo, vegetal, canson, vergê e fabriano.
3- Lápis de cor – essa é a primeira experiência com cores, ainda com o lápis, que é o material mais próximo da formação básica. Nessa etapa, o aluno deve aprender a combinar as cores, controlar o peso do delas na arte, e também a trabalhar as texturas com cores. Nessa fase é importante o aluno ter conhecimento a técnica de achuras, voltando a trabalhar achuras apenas no preto e depois utilizando nas cores. É importante informar que o lápis de cor que nós nos referimos é o aquarelado, que é mais sensível, igualmente trabalhando nos papéis layout, pardo, vegetal, canson, vergê e fabriano.
4- Lápis dermatográfico – é um lápis com grafite mais mole, que requer maior controle do peso da mão e que, por ser um lápis de ponta grossa precisa ser muito bem treinado. Esse lápis permite ao aluno desenvolver um trabalho com maior beleza plástica, principalmente aliado às texturas dos papéis, que devem ser treinados na mesma ordem dos casos anteriores.
5- Pastel oleoso – segue a mesma tendência do lápis dermatográfico, sugerindo ser uma ordem bastante lógica ser estudado na sequência. Nesse ponto o aluno já consegue ter uma boa experi6encia sobre a mistura das cores e os efeitos que essa mistura oferece. Seguindo a mesma ordem dos papéis utilizados anteriormente, acrescentamos também a utilização de papel cartão para o pastel oleoso.
6- Pastel seco – essa é a última etapa antes de entrar no estudo das tintas. O pastel seco já possui muitas propriedades que se assemelham muito às tintas, e deve ser estudado a mistura das cores até se conseguir um bom domínio do material. Sguindo a mesma linha dos trabalhos anteriores, com o pastel seco deve se trabalhar os mesmos papéis já sugeridos, inclusive o papel cartão.
7- Guache – é considerado uma tinta não nobre, mas de caracterísica opaca que tem sua forma de trabalhar bastante semelhante a do pastel seco, podendo ser trabalhado em papel pardo, paraná, cartão, canson, fabriano e schoeller.
8- Óleo – é a evolução natural entre os materiais. Oferece uma gama enorme de combinações de resultados com cores, pincéis utilizados, níveis de solubilidade da tinta e superfícies, que além das já citadas pode, ser trabalhado também em madeira, compensado e tela.
9- Aquarela – é uma tinta que foge bem às caracterísiticas das tintas anteriores, por ser um material transparente que deve ser trabalhado em camadas para ser dar o volume na arte. Com a aquarela o estudante precisa também ter um controle maior sobre a mistura de água no pigmento e as diferenças de efeito que se tem trabalhando sobre superfícies lisas e húmidas. As superfícies indicadas para se trabalhar com essa tinta são os papéis paraná, vergé, canson, fabriano, schoeller e waterford.
10- Ecoline – é apenas uma variação da aquarela que já vem diluída e por isso mesmo deve ser estudada na sequência para se ter domínio de suas características, principalmente no que diz respeito a sua diluição. As superfícies a ser trabalhadas são exatamente as mesmas utilizadas para auarela.
11- Acrílica – dentre as tintas transparentes, a acrílica é a mais nobre e deve ser estudada na sequência, pois tem carcterísticas bastante complexas, que faz com que um trabalho possa ter caracterísitcas inclusive de trabalhos feitos à óleo. Além das superfícies já citadas a tinta acrílica também pode ser trabalhada em tela.
12- Nankin – embora o nankim seja considerado uma tinta básica, eu coloco ao final pois tem inúmeras possibilidades de se trabalhar com ele, primeiro trabalhando com pincel, aonde o aluno deve aprender a controlar a pressão do pincel sobre a superfície, a velocidade dos traços e as diferenças entre se trabalhar com nankin mais seco e também diluído em água. Depois o aluno deve aprander a trabalhar com as penas, inicialmente a pena mosquito, para em seguida trabalhar com as penas caligráficas. Essa experiência dará ao aluno o controle da velocidade do traço, o peso da mão e o domínio do traço propriamente dito. Na fase das penas o aluno poderá utilizar os princípios já aprendidos de achuras nos seus desenhos. As superfícies indicadas para esse tipo de trabalho são papel layout, canson, schoeller e couché.
13- Caneta hidrográfica – a essa altura o alunbo já deve ter um domínio suficiente para trabalhar com a maioria dos mateirias tradicionais das técnicas não virtuais de pintura, por isso deve aprender a partir deste ponto a trabalhar com canetinhas de ponta chanfrada, que permitem trabalhar tanto como um lápis ou pena, como também como um pincel. Esse estudo deve ser feito nas mesmas superfícies que se trabalha com o nankin.
14 – Aerógrafo – é um instrumento bastante diferente dos já trabalhados até aqui, pois o aerrógrafo é uma espécie de pistola de tinta que permite trabalhar brilhos e sombras com muita suavidade, testando diferentes efeitos com utilização de máscaras, diferentes pressões do compressor de ar e os diferentes efeitos que as tintas guache, ecoline e acrílica podem oferecer.
15- Técnicas mistas - à partir daí o aluno tem plenas condições de trabalhar com técnicas mistas, primeiro trabalhando com lápis aquarela diluído em água e também em terebentina, depois misturando aquarela com lápis, aquarela com caneta hidrogáfica, aquarela com guache, aquarela com aerógrafo e guache, aquarela com aerógrafo guache e caneta. guache com pastel oleoso, acrílica com pastel oleoso, aquarela com acrílica no aerógrafo e guache mais lápis de cor e outras misturas técnicas a ser testados pelo aluno.
16- Gravuras - para quem pensa que já fez tudo o que poderia ter feito, eu sugiro que para ter completo domínio das técnicas e materiais tradicionais, o aluno deve então trabalhar com gravuras, pelo menos xilografia e água forte, aonde o aluno terá algumas noções sobre as técnicas de impressão e poderá utilizar seus conhecimentos de desenho, inclusive o de achuras largamente para essas técnicas.

Depois desses desesseis passos, um aluno pode se considerar um ilustrador com uma tremenda bagangem e cultura artística, que somente o seu próprio esforço e sorte daqui para frente irá determinar o seu sucesso profissional.

Atualmente no Brasil bem menos da metade de tosos os ilustradores que estão no mercado tem conhecimento de todas essa técnicas, fundamentos e materiais. Ao completar essa gama de estudos você estará, certamente a frente da grande maioria de seus concorrentes no mercado.

Existem outras coisas que precisam ser aprendidas,não tenha dúvidas, o processo não acaba por aqui; no entanto é nesse ponto que você está entregue ao seu esforço e talento.

O caminho para te tornar um ilustrador completo, daqui para frente é bem menos íngreme, e a dificuldade daqui para frente só vai existir se você pensar em ser um dono de estúdio.

E com objetivo de orientar você que lê minhas palavras, é que no próximo post eu irei listar as coisas que você ainda vai precisar aprender para ser um ilustrador completo.

15.6.09

Ilustração 3D

Hoje em dia existe uma certa febre no mercado publicitário de ilustração 3D, a tal ponto que muitos art buyers e até mesmo alguns diretores de arte acham que ilustração é sinônimo de 3D.

Isso me faz lembra na época antes da popularização do computador nas agências (me desculpem os devotos de São Bill Gates, mas essa façanha quem realizou foi a Apple), existia uma febre igualmente grande com relação às ilustrações feitas com aerógrafo (hoje chamam “inteligentemente” de airbrush, mas é a mesma coisa), a tal ponto de muita gente no mercado e aí podemos dizer clientes dar espaço para pessoas que sabem operar o aerógrafo sem que tenham qualquer noção de desenho.

Incrívelmente as situações se repetem sem que as novas gerações aprendam com os erros das gerações anteriores.

A relação que sem tem com o aerógrafo nos anos 80 é exatamente a mesma que se teve com a tablet nos anos 90 e que hoje em dia se tem com relação ao 3D.

Alguns profissionais mais espertos, para conquistarem um destaque no mercado sedento por novidades e que é adepto febrilmente de novidades como o mercado publicitário, vende a idéia de que uma determinada técnica ou ferramente é a futuro, e uma quantidade absurda de publicitários, que se auto denominam formadores de opinião, e que infelismente não aprenderam até hoje a serem mais serenos quanto as novidades e reflexivos para adotarem essas mesmas novidades com maior discernimento, conhecendo seus prós e contras na medida exata, evitando as ondas febris sucedidas de baixas absurdas, fazendo com que o mercado apenas viva de modas arrebatadoras e ignorem o mesmo motivo que um dia foi moda quando aparecer outro motivo para lhes chamar a atenção.

O mercado publicitário, acrescido a falta de um comportamento mais consciente dos ilustradores que vivem muitas vezes doentiamente sedento de trabalho, dinheiro e reconhecimento, como se estivessem vindo do Ceará a pé, justamente por causa das ondas tão desiguais de trabalho e falta de trabalho que existe no mercado, não conseguem enxergar o futuro do próprio mercado que é o ganha-pão de todos.

É como se todos os madeireiros da amazônia, desesperados por ganhar o seu troquinho, resolvesse acabar com toda e qualquer árvore, numa corrida assutadora e desesperada para ganhar dinheiro, como se em algum momento as pessoas se enjoassem de madeira e não mais queiram comprar madeira para coisa alguma. Só que, com esse comportamento, uma hora não vai ter mais uma única árvore em pé em toda a amazônia.

Aliás, não é isso o que acontece?

E não é exatamente isso o que tantas ongs, tantos pensadores, tantas pessoas consicentes lutam para evitar? Não é para fazer com que as próprias pessoas que dependem da floresta tenham consciência em não acabar com ela, também semeando e plantando novas árvores para que nunca lhes faltem a matéria que é fruto de seu sustento (e de quebra, ter um planetinha menos escroto)?

É exatamente essa a mesma consciência que o mercado publicitário precisa ter dos seus recursos no que diz respeito ao mercado de ilustração, incluindo nisso os ilustradores, pois chegará um dia em que não vai restar mais ferramenta de trabalho e nem técnica capaz de servir de novidade para se tirar até a última gota de oportunidade para se encher os bolsos estupidamente.

Todas as gerações, justamente pela sedução do dinheiro, do estar no topo, não se aperceberam que aerógrafo, tablet, vetor e 3D são apenas ferramentas que usadas devidamente permitem técnicas e estilos determinados de ilustração, e um ilustrador é antes de mais nada alguém que se vira com lápis e papel, caso contrário deixa de ser ilustradro para ser um simples “operador”, um operador de tablet, um operador de programa de 3D, um operador de programa vetorial, um aperador de aerógrafo, etc.

Um ilustrador de verdade não é refem de uma única ferramenta, nõa é refém de um único estilo e nem de uma única técnica.

Ilustrador de verdade trabalha em papel, tela, tecido, colagem, fotomontagem, tablet, mouse, pincel, aerógrafo, pena, carvão, óleo, pastel, lápis, aquarela, guache, ecoline, acrílica, vetor, bitmap, painter, 3D, ou até mesmo tudo junto.

Nós aqui em nosso estúdio temos, por conta disso uma séria resolução, que é a de não ter nosso trabalho baseado em 3D.

Fazemos 3D? Fazemos, somente se for preciso e se o trabalho não tiver como ser feito de outra forma e mesmo assim, existem operadores de programas 3D que não sabem desenhar, mas que modelam, assim como existem ótimos coloristas que não sabem desenhar, assim como existem programadores de jogos que não sabem animar e nem desenhar e podem trabalhar juntos, formar equipes de trabalho, e terem produtos mais bem acabados para existir no mercado.

Aí segue o erro da realidade quer vivemos, muito ilustrador quer ser faz tudo, meio que seguindo a linha de raciosímio de designers que vendem o aloço para comprar a janta e nõa sabem ao certo se sõa designer, ilustradore,s cartunista, diretores de arte ou se apenas tem fogo no fiofó. Igualiznho essas minas da hra que passam na televisão, que são modelo, atriz, e cantora, e nunca gravou nenhum disco, nunca atuou em nenhuma peça e só saem em foto de revista de mulher pelada.

Muitos ilustradores estão se tornando operadores de programsa de 3D. Eu não vejo problema nenhum com isso, todos precisam trabalhar, pagar suas contas, mas precisam pelo menso saber o que são. Alguns profissionais, e bons profissionais fazem trabalhos que se assememlham mais a um trabalho de retocador de imagem, pois não fazem coisa alguma semelhante a um desenho, substituem fotos e alguns chegam até mesmo a concorrerem com fotógrafos, vendendo make ups digitais para substituir fotos de produtos.

Ilustração em 3D precisa ser ilustrada, ou seja, desenhada antes, como as pessoas fazem no exterior, um ilustrador desenha um persoangem ou cenário e um operador de 3D modela.

Aí a gente percebe que ilustrador continua sendo ilustrador.

Volto a repetir, o que é preciso é ter esclarescimento do que se é, do que se faz, para que o mercado não fique pior do que já é. Existem ilustradores que também transformam suas ilustrações em 3D, existem ilustradores que ilustram em técnicas tradicionais, existem ilustradores que ilustram em técnicas digitais e ilustradores que ilustram em técnicas mistas. Existem desenhistas, coloristas, animadores, intervaladores, modeladores de 3D, cartunistas, diretores de arte, redatores ilustraodres hiperrealistas, layoutman, quadrinhistas, mas poucos fazem várias coisas ao mesmo tempo, quanto mais fazer tudo.

Se existe alguém que faça tudo, é muito raro e deve saber que, se faz tudo, não faz tudo ao mesmo tempo, e por isso mesmo precisa de outras pessoas trabalhando junto. Quem faz tudo acaba sendo quem faz nada porque precisa ter domínio do processo de criação e execução de um trabalho, e justamente por isso acaba delegando as funções para operadores e profissionais com experiência e especialidade me determinadas funções.

Porque no Brasil isso não acontece?

Pergunta muito simples de se responder, Porque 99% dos grandes ilustradores preferem ficar no quartinho de casa trabalhando, do que se tornarem empresas de verdade. Mas na hora de fazer contato, adoram serem chamados de profissionais, adoram ver seus nomes “brilhando” por aí.

Se cada ilustrador com conhecimento geral de um processo de trabalho tiver uma equipe com um desenhista, um colorista, um diagramador, um redator, um operador de 3D, um animador, um intervalador e dois assitsentes ninguém ia ficar sem trabalho nesse país.

Só que não ia mais para ser camarada, fazendo trabalhinho baratinho, ilustrando em troca de dinheiro de pinga, porque essa galera toda precisa botar o leitinho dentro de casa.

Aí então, vemos aonde está todo o câncer de nosso mercado: o fato de o ilustrador basear seu trabalho em valores mais baixos sempre.

E dá-lhe ilustração 3D, porque como ninguém arranja trabalho, e quando arranja o dinheiro não dá, acabam sempre cedendo às tendências para não morrerem de fome, e aí o ilustrador fica num desespero danado para juntar dinheiro o mais rápido possível, não enxerga nossas fornteiras, novas formas de se trabalhar, não planeja seu futuro, fica com o ego inchado, arrogante, até que os cliente se enchem de 3D e vão procurar outro tipo de trabalho para continuar a ganhar o seu.

E toca o ilustrador voltar pra estaca zero.

13.6.09

1.6.09

The end

...and in the end,

the love you take,
is equal to the love...

...you made.

(Lennon/McCartney)

21.5.09

Para ser Ilustrador Parte3 - estilos e linguagens de desenho

Eu apenas gostaria de, antes da gente voltar a tratar da formação própriamente seguindo a linha clássica dita, acrescentar uma coisa que eu, pessoalmente acredito ser um tipo de aprendizado de bastante valia na formação de um ilustrador principalmente para a realidade de mercado atual, que é depois de ter domínio de figuras realistas, seja ela obejtos ou seres humanos, a estudante se extender um pouco mais no estudo do desenho proriamente dito para aprender estilo de desenhos voltados para os quadrinhos, cartum, caricaturas, desenhos animados em estilos clássicos e atuais, estilos de charges mais clássicas e também as modernas, linguagens diferentes utilizadas nas escolas de quadrinhos tanto americano, como europeu, quanto também o japonês que tem muita influência entre o público infanto-juvenil hoje em dia e ignorar essas escolas seria um grande engano.

Seguindo essa idéia, eu proporia um roteiro a ser seguido, que eu apresento logo abaixo:

1 Caricatura- para não haver uma quebra muito grande entre a formação anterior, eu sugiro que o primeiro passo seria o do estudo de caricaturas, aonde o estudante iria conhecer as base lógica da construção de uma caricatura, sobre a idéia de aumentar as proporções dos elementos do rosto humano que já estiverem acima da proporção clássica e diminuir até mesmo estirpando elementos que estiverem numa proporção menor do que a proporção clássica. Depois também estudando formar de modificar o formado dos elementos para realçar a caricatura, modificando o formato do rosto, nariz, olhos, cabelos, orelha e depois passando também por exercícios tendo como objetivo distorcer as proporções e formatos do corpo para depois também realizar esse mesmos estudos para mãos e pés.

2 Figura cômica- à partir dessa introdução o aluno passaria por um estudo mais específico do desenho da figura humanizada para o desenho cômico, aonde ele terá acesso a lógica dos cânones, altura da linha dos olhos, um módulo do corpo humano simplificado e porterior estudo de expressão tanto corporal quanto facial. Esse tipo de estudo é bastante rico e pode exigir muitas horas de treino, pois a partir dessa base um aluno tem condições de por si próprio descobrir caminhos, linguagens e estilos, nem que seja na forma de gérmens que, com o tempo irão resultar em um estilo maduro e pessoal.

3 Desenho cômico clássico- seguindo os princípios determinados pelos estúdios Disney, o estudante terá a oportunidade de comprender algumas bases daquele que é considerado o estilo clássico da figura cômica, com suas regras e conceitos.

4 Desenho cômico livre- seria uma “matéria” aonde o estudante tenha a oportunidade de conhecer estilos variados que fogem no classissismo existente nas regras existentes pelo estilo desenvolvido nos estúdios Disney, baseados em desenhos de profissionais variados como Bill Waterson, Peyo, Hergé, Walter Lantz, Charles Schulz, William Hanna, Joseph Barbera, Chuck Jones, E. C. Segar, Albert Uderzo, Roberto Crumb, Ziraldo, Fernando Gonzales, Spacca, Péricles, J. Carlos, Quino, Belmonte, Carl Barks, Jim Davis, Scott Adams, Mike Peters.

5 Cartum- segundo a tendência natural, o aluno passaria a esutdar os estilos e trabalhos voltados para o cartum e charges de artistas como Dick Browne, Matt Groening, Millôr Fernandes, Nani, Paulo e Chico Caruso, Glauco, Henfil, Jaguar, Laerte, Lan, Sérgio Aragonés, Marcatti, Art Spiegelman, Al Hirschfeld.

6 Animação- baseado no conhecimento de estilos e linguagens que foi proporcionado pelos estudos anteriores, seria então uma boa oportunidade de se estudar as técnicas de animação, intervalação e clean-up num porcesso de confecção de desenho animado feito à mão, os conceitos básicos de animação clássica e animação limitada

7 História em quadrinhos- uma coisa interessante seria retornar o caminho feito para o desenho realista baseado no trabalho de história em quadrinho, estundando a história da história em quadrinhos, separado primeiro pela história do quadrinho americano e o estudo de alguns nomes importantes dos quadrinhos americanos como Will Eisner, Alex Ross, Jack Kirby, Howard Chakin, Frank Muller, Jaime Hernandes, Bill Sienkiewicz, depois a história do quadrinho europeu e o estudo do trabalho de artistas como Guido Crepax, Moebius, Milo Manara, Henki Bilal, Philippe Druilet, Max, Hugo Pratt, Migulanxo Prado, Daniel Torres, Liberatore, Andrea Pazienza, também conhecer a origem e alguns nomes importantes do mangá, além da história dos quadrinhos no Brasil.

Esse roteirinho pode parecer um pouco sem objetivo, no entanto é um roteiro que dá uma base interessante para a pessoa que já tem uma boa base no desenho ter maior liberdade de criação e de execução de desenho, no entanto ao chegar a esse ponto é preciso ter a consciência de que se está apenas chegando no meio do caminho e que ainda há muito mais coisa a se aprender.

No entanto é importante valorizar os primeiros passos do aprendizado pois eles, quanto mais absorvidos com vontade, mais forte será a sua base de conhecimentos que irá te proporcionar, ao chegar no estágio profissional dominar técnicas, estilos e linguagens diferentes.

19.5.09

Sem esforço não há mérito

No nosso combalido mercado de ilustração, o que não falta é exemplo de como não deve se agir, no entanto existe muitos ilustradores que tem um teabalho com qualidade e talento, longe de qualquer dúvida ou questionamento.

Muitos caras possuem um trabalho um domínio de técnica basurdos de bom, no entanto essa qualidade não chega a se refletir em uma participação bem sucedida no mercado profisisonal de ilustração, aonde menos de meia dúzia de gatos pingados podem se dar ao luxo de serem considerados bem sucedidos, com clientes fixos, estabilidade de trabalho, produção regular, ainda mais se a gente juntar a esses quesitos outros mais indicadores de profissionalismo que é se sustentar única e exclusivamente com ilustração, possuir estúdio fora de casa e ter equipe formada.

Agora, sem sermos lambedores de ego alheio, mas sendo mais secos e diretos, devemos nos perguntar: porque existe tanta gente boa e tão pouca gente bem sucedida? Somente lembrando que nem sempre as pessoas bem sucedidas são aquelas que possuem um trabalho excepcional, um estilo marcante ou uma técnica primorosa.

Isso nos faz perceber que antes de mais nada, ser bem sucedido não é uma questão de qualidade da arte feita, mas provavelmente outros quesitos sejam tão ou até mesmo mais importantes para o sucesso profissional de um ilustrador.

Agora, se a gente procurar em outras áreas, outras profissões exempoos comparativos, podemos perceber igualmente uma mesma proporção entre talendo e sucesso. A maioria dos talentosos do mundo são mal sucedidos, e existe uma porcentagem muito grande de pessoas bem sucedidas que não possuem um talento assim tão especial capaz de fazer a diferença.

Walt Disney não era nenhum gênio na hora de desenhar, somente possibilitou que outros grandes artistas pudessem fazer maravilhas sob o sua batuta. Bill Gates o tão badalado nerd que fundou a Microsoft e multimilionário, não é aquilo que podemos considerar um gênio da informática, por mais que tenha cara de nerd, no entanto Steve Wozniak, que junto de Steve Jobs criou a Apple e sempre foi um tremendo talendo no mundo da informática não é aquilo que podemos considerar um exemplo de nerd bem sucedido, ao contrário de sue parceiro, que é considerado um gênio com toda glória e sucesso do mundo da informática.

Agora, porque algumas pessoas conseguem ser tão bem sucedidas naquilo que fazem, embora não sejam tão geniais, enquanto que tanto talento acaba se disperdiçando no mundo?

Claro que para se ser bem sucedido não basta ser alguma coisa ou seguir apens um único quesito. mas quando falamos de pessoas talentosas, um quesito se destaca dos demais: a falta de paciência.

Existe um ditado que foi creditado a Michelângelo que é mais ou menos assim: Uma obra prima é feita com 1% de inspiração e 99% de transpiração. O problema é que em pleno século XXI, na era da informação, aonde tudo, ou quase tudo é automatizado, a palavra esforço está quase se transformando em palavrão e ofensa grave. Todo mundo procura um jeito mais fácil, mais rápido, mais barato, que exija menor esforço, tenha menor risco e que seja mais cômodo para fazer as coisas.

Um exemplo bobinho: vamos supor que você precise fazer um desenho: uma mulher de biquini tomando sol na praia. Existem muitas formas de se fazer esse trabalho. o primeiro deles é simplesmente imaginando a imagem de uma mulher na paria, de biquini, tomando banho de sol, outra é procurando referências na internet, talvez até mesmo fotografando alguém depois fazendo alguns rascunhos em cima das imagens que você pegou de referência para não ficar uma coisa nem batida e nem chupada, aí você passa o desenho à limpo, pinta, da seus últimos retoques e a arte está feita.

Entre uma forma de trabalhar e a outra, a primeira é a mais fácil, você precisa somente de sua imaginação. No entanto a forma de executar o trabalho é muito semelhante, só que o resultado final, quanta diferença.

Só que de repente você para para se perguntar: para quê tanto trabalho assim? basta eu entrar no google, digitar lá “mulher de biquini” pegar uma bela imagem na internet jogar no photoshop, dar uns filtrozinhos ali e pronto! Mais fácil que isso só derretendo gelo em dia quente, debaixo do sol do meio dia.

Acontece que existe uma probabilidade enorme de outras trocentas mil pessoas terem a mesma idéia e fazerem exatamente a mesma coisa que você fez. Aí, me digam: quem vai se destacar? Aquele que desempenhou melhor a tarefa.

Só que para fazer bem feito é preciso de algumas coisas: 1- conhecimento de causa, ou seja, experiência; 2- trabalho de base, que vai desde a formação que, quanto mais sólida melhor até a pesquisa de campo para se realizar um trabalho; 3- preocupação com a qualidade do trabalho realizado, isso é uma coisa que passa pelo aprendizado de novas técnicas, treinamento para dominar melhor as técnicas já adotadas, experimentação de novos materias e investimento no aprimarmento e variação das técnicas que se tem domínio; 4- procupação com a eficiência do trabalho procurando forams melhores de se atender ao cliente, satisfazer o cliente, perder menos tempo com coisas desnecessárias no processo de trabalho, aumentar a efiçacia do produto oferecido ao cliente, inovar e procurar mais soluções para os problemas dos clientes; 5 – não desistir.

Essa última é a dica de ouro. Ninguém é bem sucedido do dia para a noite, ninguém enriquece indo dormir as 10h00 da noite e acordando as 10h00 da manhã, ninguém consegue ter um trabalho melhor sem se esforçar para conhecer melhor as deficiências do seu mercado e procurando saná-las, ninguém ganha dinheiro sem investir tempo, estudo, esforço e dinheiro. Se você é um tipo de pessoa que não pode se dar ao luxo de se esforçar ao máximo e se privar de inúmeros luxos ou simplesmente não está disposto a correr o risco e se esforçar cada vez mais para ser bem sucedido, então seu negócio é ser empregado e se possível num emprego aonde você perceba que durante anos nada irá mudar.

E esse emprego não faz parte do mundo de ilustração, tenha certeza disso.

O problema, portanto, é que muita gente com talento acha que somente o talento basta, que o talento
e capaz de remover as montanhas das dificuldades que aparecem na vida. Sempre que aparece algum problema, a pessoa simplesmente toma outro rumo de sua vida e pronto. Está sempre dando so primeiros passos.

É capaz de saber quase nada de quase tudo. No mês de janeiro vai para o mercado editorial, em fevereiro pára tudo e vai apra o mercado de promoção, em março volta a parar aonde quer que esteja e parte para aulas de desenho, em abril resolve parar tudo de novo e montar um ateliê de pintura, em maio desiste do que estava fazendo e vai partir para fazer caricaturas em eventos, em junho resolve para tudo de novo e investir me quadrinhos...

E assim o cara fica sem foco, sem objetivo e sempre vendo que desistiu de uma coisa na hora em que apareceu algum obstáculo para continuar no caminho.

Esse é o câncer maio de nossa profissão, é muito grande o número de ilustradores que querem descobrir o caminh fácil e rápido para o sucesso.

Só que o caminho tem que ser fácil e rápido, se precisar ralar muito eu to fora!

Eu vou dar um outro exemplo: já cansei de ouvir gente dizer que o Maurício de Souza tem um trabalho fraquíssimo, mas enche as burras de dinheiro.

Acontece que a quantos anos o cara faz quadrinho infantil? A quanto tempo o cara está procurando desenvolver uma equipe de desenho animado? A quanto tempo já existe o Parque da Mônica?

Será que nesse tempo todo tudo sempre foi as mil maravilhas?? Tudo sempre foram flores para ele? Eu não sei a resposta pontual mas aposto com quem quiser que ele deve ter passado por inúmeors altos e baixos, muito aperto e muito perrengue, alguns até que muita gente nem deve saber.

A diferença é que até hoje ele está insistindo com aquilo que ele, um dia resolveu apostar todas as suas fichas.

E você, meu caro amigo, ainda está pensando em largar tudo e fazer aquele curso de 3D que tá dando tanto dinheiro segundo o pessoal diz por aí? e quando 3D parar de dar dinheiro, o que você fazer? Abandonar tudo e fazer outra coisa que já tem alguém ganahndo dinheiro, com certeza...

Não tenha dúvida que se esse é o seu perfil você tem o perfil do cara que é apenas “mais um”. Ficou ofendido? que pena...

Agora, se você quiser um dia viver uma vida diferente dessa montanha russa aonde vive correndo atrás das dicas e caminhos que os outros traçaram para si mesmos, terá que parar de ser o papagaio ilustrativo e começar a se encontrar, encontrar a sua veia, o seu caminho, a sua natureza,a creditar nela e para de olhar tanto para o lado.

13.5.09

Para ser Ilustrador Parte 2 – a base da base

Sabemos bem que um ilustrador não necessariamente desenha seus trabalhos com lápis e papel, tem gente que já sia pintando, tem gente que faz seus rascunhos diretamente numa tablet, tem gente que faz montagem com fotos, outros faz com tecidos, outros com recortes de papéis e outros chegam a montar estruturas de papel, isopor, madeira ou massinha.

No entanto estamos tratando de uma coisa básica, que é a formação de um ilustrador, da mesma forma como poderíamos falar da formação de um escritor, de um músico ou de um matemático.

Existe atualmente muita gente que até perde o fôlego de tanto berrar aos quatro ventos que um ilustrador não precisa saber desenhar, ou que um ilustrador não precisa ter uma formação clássica ou acadêmica.

Eu sou uma das pessoas que discorda completamente desse ponto de vista, e explicarei o motivo.

Imaginemos um matemático que não sabe as operações básicas ensinadas na escola, não estudou álgebra. Eu pergunto: tem algum modo de alguém que não sabe continha de mais, menos e nem tabuada vir a ser um matemático?

Agora, vamos imaginar um grande escritor, Jorge Amado, Machado de Assis, Eça de Queirós, Monterio Lobato, analfabetos. Como alguém que não sabe ler pode um dia vir a ser escritor, digo mais, como alguém que não sabe ler poderá um dia vir a ser um grande escritor?

Vamos então procurar outro exemplo, Mozart aos cinco anos já compunha suas obras. Mas seria possível compor sem saber teoria musical? Como se transformar em músico sem saber ler uma partitura? Eu aprendi a ler partitura e depois que eu aprendi a ler música por acorde (que é bem mais fácil) me transformei em analfabeto funcional de partitura, demoro minutos para ler e reproduzir um trecho de partitura, coisa que até eu ter aprendido a ler acordes eu fazia com certa facilidade.

Só que eu não sou músico, não tenho interesse algum em levantar um trocado com minhas execussões canhestras no piano. Mas se eu tivesse algum interesse em pelo menos tocar uma musiquinha em bar, precisaria ter algum domínio mais sólido da base musical.

Com desenho é a mesma coisa.

Se você tem algum interesse em trabalhar, fazer parte do mercado e até mesmo se sustentar como ilustrador, ouça esse conselho: vai estudar.

E estudar o quê? Estudar a BASE. Desenho, e desenho clássico. Ninguém chega a um lugar qualquer sem dar o primeiro passo e o primeiro passo nesse quesito é aprender desenho clássico.

Ah, mas eu quero fazer trabalhos modernos... não interessa!

Base é base, é o alicerce para uma estrutura, uma casa sem alicerce cai. Da mesma maneira que um profissional sem uma base de formação cai, e é justamente isso que vem contribuíndo para a derrubada do mercado de ilustração ao longo dos últimos vinte anos no Brasil.

Para se tornar um ilustrador, embora existam materiais como aerógrafo, tinta assim ou assada, computador, tablet e o escambau, um ilustrador de verdade é aquele que, em qualquer momento, demonstra que consegue se virar e muito bem apenas com um lápis e uma folha de papel.

Então eu vou fazer um curso que tem aí, é de seis meses e me disseram que é um curso básico de desenho...

Gente! quem consegue aprender alguma coisa que seja importante a ponto de se tornar a base de décadas de carreira profissional com um cursinho de seis meses?
Isso é humanamente impossível!

Um estudo já bastante conhecido revela que uma tarefa somente conseguirá ser completamente absorvida pelo cérebro humano a ponto de ser reproduzida com naturalidade se for repetida pelo menos mil vezes, isso significa que, se você quiser aprender a desenhar um círculo perfeito terá que desenhar esse círculo perfeitinho pelo menso mil vezes, para, depois disso conseguir repetir o mesmo desenho com um certo grau de naturalidade e automação. Isso é o que chamamos de domínio técnico.

Seja qual for a matéria dada, terá que ser excercitada pelo menos mil vezes para que você tenha domíno técnico a ponto de reproduzir essa tarefa com naturalidade e destreza.

Isso não acontece apenas com desenho, mas com qualquer outra formação, um músico também passa pelo mesmo tipo de necessidade, um médico também, é por isso que existem os residentes antes do estudante de medicina se tornar um profissional formado.

Procurem cursos realmente sérios de desenho, procurem saber qual é o conteúdo programático do curso que irão fazer e FUJAM do método construtivista.

Mas por quê?

Em primeiro lugar, consturtivismo não é método. Em segundo lugar porque a base do construtivismo é em fazer com que o professor trabalhe com os pontos de interesse do aluno, só que o aluno, seja ele qual for sempre tem mais interessa em alguma coisa e quase nenhum interesse em outra coisa, sendo que coincidentemente os pontos em que o aluno tem menos interesse são justamente os pontos em que o aluno é mais deficiente.

Procure cursos que obedeçam o método tradicional, neles por pior que seja você pelo menos terá a oportunidade de aprender nem que seja um pouquinho sobre cada princípio báscio de desenho.

Agora, porque fazer um curso de desenho clássico? Porque um curso de desenho clássico irá de passar todos os pontos básicos de desenho para que você tenha domínio técnico e artístico pleno daquilo que por séculos sempre foi considerado o certo em desenho. E essa não é minha opinião, basta ver trabalhos dos artistas renascentistas, barrocos, rococó, neoclássicos, românticos e os principais nomes das escolas modernas.

O que um iniciante deve procurar aprender num curso?

Bom, pode parecer idiota o que eu vou escrever agora, mas tem gente e também escolas de desenho que não sabem o que deve se ensinar para seus alunos, ou não conseguem chegar num consenso quanto ao que seria uma boa formação, por isso eu vou procurar dar uma ajudinha explicando um pouco o porquê eu considero esse pontos básicos:

1- desenho de objetos – é o princípio desenhar objetos como caixas quadradas, retangulares, cones, bolas, arranjos de objetos, etc. É a primeira experiência com o desenho própriamente dito e aonde alunos vão sentindo o grau de exigência que precisarão ter para continuar a sua formação.

2- perspectiva – entre o desenho de observação e o estudo de perspectiva existe uma transição natural e lógica, é aonde o aluno vai saber as teorias da perspectiva e depois terá oportunidades de aplicá-las no desenho, e percebendo através da observação que são princípios reais que auxiliam no aprendizado de desenho.

3- luz e sombra – é a evolução natural do estudo até então realizado, o aluno passará a reparar no volume dos objetos, a reflexão das luzes e como as sombras se comportam nas mais variadas superfícies, aumentando a acuídade do aluno, de maneira a fazer com que o mesmo vá se preparando para o momento de aprender a trabalhar com cores.

4- figura humana – é uma introdução a anatomia, aonde o aluno vai aprender a rascunhar e ter uma noção básica da composição da figura humana e os seus pontos de articulação.

5- anatomia – é impossível conseguir aprender a desenhar a figura humana com real domínio sem o estudo de anatomia. O aluno irá conhecer os formatos e proporções clássicas dos corpos, músculos e ossos que formam o corpo tanto masculino quanto feminino. Aliando o conhecimento de anatomia a construção da figura humana o estudante de desenho tem condições de resolver grande parte das questões em que o desenho exija figuras humanas.

6- mãos e pés – é uma variação da anatomia voltada para estudar com mais detalhamento o desenho das mãos e pés, pois ambos possuem uma complexidade e variedade muito grande de posições.

7- cabeça – se mãos e pés já são dignos de um estudo a parte, o estudo da cabeça em separado é mais do que necessário, pois nesse estudo o estudante terá condições de dominar os elementos do rosto como nariz, olhos, boca e orelha treinar a composição do rosto para manter sempre uma proporção harmoniosa entre esses elementos e domínio na hora de desenhar uma cabeça em ângulos diversos.

8- expressão facial – é um conjunto de variações de de todos oselementos que compõe o rosto humano. Esse estudo em separado irá possibilitar o aluno de desenho a ter domínio de variadas expressões e suas utilizações.

9- expressão corporal – assim como a expressão facial, saber montar um corpo humano com objetivo de fazer com que esse corpo “fale” é muito importante, ainda mais levando em consideração que a expressão corporal auxilia na própria expressão facial.

10- composição – é o momento aonde o estudante de desenho irá colocar à prova tudo o que aprendeu no estudo de desenho que fez até então, exercitando o que aprendeu e também ângulos diferentes, iluminação em conjunto com o dominio de objetos, figura humana e expressão.

Esses dez pontos, ao meu ver dão a um iniciante a base de sustentação, o alicerce para à partir daí estudar estilos, técnicas, montar um portfolio e começar a tentar um espaço ao sol.

Com esse estudo, um iniciante ainda estará longe de ser considerado um ilustrador, mas terá aquilo que mais faz diferença depois que um ilustrador se profissionaliza, que é uma formação mais sólida.

Ainda para completar esse tópico, depois de ter estudado esses pontos recomenda-se que o iniciante retorne a fazer esses treinos temporariamente, ou sempre que perceber que tem dificuldades em dominar algum fundamento do desenho, e isso não é recomendado apenas quando o ilustrador estiver no começo de sua carreira, mais ao longo de sua vida.

Também é recomendável que, depois de ter estudado essa base, o iniciante tenha o hábito de frequentar sessões de desenho de modelo vivo, que é uma forma de smepre manter o frescor do estudo de anatomia.

No próximo texto, eu irei falar sobre o aprendizado de materiais de pintura, quais suas indicações e linguagens indicadas.

12.5.09

Para ser Ilustrador Parte 1 – análise de mercado

À Partir de hoje eu vou postar uma série de matérias que tem como objetivo orientar as pessoas que procuram a carreira de ilustrador para ser sua fonte de trabalho e de lucro. As pessoas que tem interesse em saber como alguém pode chegar a ser um ilustrador profissional e não faz idéia de onde começar e nem o que fazer terão nesses textos a orientação necessária, desde o ponto zero até visões mais aprofundadas do mercado uma vez tendo uma formação sólida e uma abordagem consistente no mercado.

A primeira coisa que eu irei tratar, é uma análise de como é o mercado atualmente para quem trabalha com ilustração.

Temos duas grandes vertentes (segmentos) de mercado no Brasil, o editorial e o mercado de propaganda.

Como esses dois mercados estão atualmente?

O mercado editorial é aquele que pode te trazer um incentivo, desde que você seja uma pessoa com facilidade ou afinidade em realizar trabalhos similares a trabalhos manuais, artesanais. O mercado editorial tem uma grande demanda por mão de obra de ilustração e valoriza ilustradores que tenham estilos bastante diferenciados e alternativos.

Os ilustradores que possuem estilos aonde misturam materiais fazendo figuras engraçadinhas, coloridas e variadas tem um bom caminho a se percorrer no mercado editorial de livros didáticos e paradidáticos.

Já os ilustradores com um traço mais adulto e ainda alternativo, conseguem ter um bom espaço nas editorias de revistas e periódicos.

O problema desse mercado é o aumento exponencial de mão obra oferecendo trabalho de ilustração, nos últimos quinze anos o número de novos ilustradores se oferecendo para trabalhar em agências superou e muito a quantidade de oferta de trabalho em ilustração. O mercado está bastante saturado, a ponto de atualmente os ilustradores terem pouco, ou nenhuma condição de negociar valores, uma vez que as editoras sempre encontram ilustradores ociosos que aceitam trabalhar pelo valro e pelas condições que a editora quer oferecer.

Isso fez com que nos últimso vinte anos os valores pagos para ilustraodres do mercado editorial tenha caído e ainda cai a níveis muito baixos e os editores conseguem negociar contratos aonde o ilustrador perde totalmente os seus direitos como autor pelo trabalho realizado. A tendência atualmente ainda é de piorar mais o mercado, pois o número de novos ilustradores que tem interesse único e exclusivo nesse mercado continua sendo grande começa a ser comum fornecedores que tem uma ceta estabilidade com seus cliente perderem os mesmo, ainda que trabalhe com eles a anos e saiba exatamente qual o tipo de trabalho mais indicado para o seu cliente, pelo simples fato de aparecerem concorrentes oferecendo trabalhos cada vez mais baixo e exigindo menos os seus direitos de autor.

O mercado de propaganda já é um pouco diferente, pois para se encaixar nele é preferível que o ilustrador tenha um conhecimento de técnica e uma variedade maior de estilos. Também exige trabalhos com aparência menos artesanal e maior acabamento em detalhes.

O mercado de propaganda é dividido entre agência de propaganda, promoção e design, sendo que a primeira é a que abarca mais variedade de trabalhos e estilos e costuma ter um patamar mais elevado de remuneração, e permite que o ilustrador trabalhe realizando tanto arte finais quanto layouts e storyboards. As agências de promoção costumam ter uma quantidade reduzida de trabalho de arte final, mas tem maior demanda de layouts para realizar. Já as agências e escritórios de design praticamente não possuem demanda para layout, mas tem maior demanda em arte final, em especial arte final hiper realista, pois essas empresas costumam desenvolver rótulos e embalagem de produtos.

A quantidade de ilustradores oferecendo trabalhos para esse mercado, assim como no mercado editorial, cresceu e vem crescendo mais do que a demanda de trabalho por ilustração, embora em menor intensidade, uma vez que esse mercado é mais exigente e seletivo, pois as empresas que contratam serivços para esse mercado, pela quantidade de dinheiro envolvido e pela necessidade de retorno não costumam fazer experiências com ilustradores novatos, preferindo ilustradores mais experientes a um novato com valores mais baixos. No entanto, nos últimso vinte anos, os valores pagos nesse mercado também vem caindo consideravelmente, pricipalmente o valor dos layouts e storyboards, que são so produtos com maior oferta de mão de obra.

Essas duas grandes áreas do mercado de ilustração deve atualmente, sem sombra de dúvidas abocanhar mais de 90% de todo o mercado existente e é realizado mais de 90% de todo trabalho por estúdios de ilustração e ilustradores free lancer.

Existem outros segmentos, como o de charges, caricaturas e tiras para jornais, que é um mercado tradicional, embora mal explorado no país inteiro. É um segmento que tem maior demanda, pois cada redação de jornal existente no país tem capacidade potencial para absorver mão de obra de pelo menos um ilustrador que trabalhe nesse segmento. O problema maior desse segmento em especial é que os profissonais dessa área não são numerosos, não tendo condições de se organizarem visando um reconhecimento eremuneração maior e isso faz com que os valores pagos para esse tipo de produto sejam bastante baixos.

Principalmente entre os profissionais que desenham charges e caricaturas a mão de obra costuma ser contratada como funcionário.

Também existe o segmento de caricaturas e retratos para eventos e festas. É um segmento considerado novo, bastante inexplorado, que pode dar algum avanço dependendo do comportamento dos profissionais desse mercado, mas que goza de pouco prestígio e reconhecimento, e também baixos valores do produto, além de absrover quase que toda mão de obra como free lancer.

No entanto, se bem explorado, pode vir a ser um mercado mais promissor.

Também existe o segmento de quadrinhos, que no Brasil é quase zero em termos de demanda, por não haver mercado consumidor interno. No entanto, existe uma boa capacidade de um ilustrador com trabalho nessa linguagem conseguir entrar no mercado exterior, americano, para ser mais exato.

No entanto devemos orientar as pessoas que desde que o mercado americano se abriu para a mão de obra brasileira, os valores pagos caíram e da mesma forma que acontece no segmento editorial e de propaganda, devido a imensa oferta de mão de obra.

Outra característica desse segmento é que ele é feito exclusivamente por ilustradores free lancer.

Embora internamente o mercado seja inexistente, pode haver uma luz no final do túnel, com uma lei aprovada garantindo uma reserva de mercado de 5% do material de quadrinhso vendido no Brasil ser obrigatoriamente produzido no Brasil e por brasileiros. No entanto o panorama segue o mesmo sem maiores definições.

Também temos o segmento de animação, que é um segmento com bastante expanção nos últimos anos no Brasil, com estúdios de animação tendo uma certa folga para crescimento e um aumento gradativo na demanda por animação. Como existe uma exigência maior de domínio de desenho e de conceitos de animação e cinema para esse mercado, não existe uma foreta tão grande de mão de obra nesse segmento, embora a quantidade de ilustradores com aptidão para essa área venha crescendo.

Existe assim como nos quadrinhos, um projeto de lei aprovado criando uma reserva de mercado de 5% do material exibido nas televisões do Brasil tendo que ser produzido nacionalmente, isso nos faz crer que nos próximos anos teremos uma boa vitalidade desse segmento, que poderá a seu turno, alavancar outros segmentos de quebra.

Os profissionais dessa área podem ser tanto free lancer como funcionários contratados.

Outra área que existe é o de ilustração científica, que é ainda bastante reduzido em número de profissionais e demanda de mercado. Esse segmento costuma ser desempenhado por ilustradore com formação em medicina.

Também existe o mercado institucional, dividido entre institucional governamental e institucional privado, que é muito pouco explorado e que pode oferecer muitas chances de crescimento.

Esse mercado costuma remunerar relativamente bem, embora não tenha muita demanda. No entanto tem um número muito reduzido de profissionais nessa área, fazendo com que a concorrência seja pequena e o grau de aprimoramento técnico dos profissionais que se especializaram nessa área costuma ser muito baixo, devido à falta de concorrência para esse segmento.

A falta de concorrência no entanto pode ser um grande problema pois, com a não necessidade de aprimoramento técnico dos trabalhos realizados nessa área, a eficácia tem estacionado, até mesmo diminuído, fazendo com que exista a necessidade de realizar o mesmo trabalho com valores mais baixos, uma vez que não vemos um aumento no impacto dos trabalhos realizados para essa área.

Esse mercado é o que apresenta maior possibilidade de crescimento entre todos os demais. No entanto a criação de novos segmentos depende da criatividade, iniciativa dos ilustradores e o bom senso que deve haver não só para que existam segmentos capazes de absorver o excesso de mão de obra existente atualmente no mercado, mas para evitar e exitnção de certos segmentos ou até mesmo da nossa profissão.

Ditozinhos Populares, popularmente bocózinhos...

Segue abaixo uma lista de ditados populares (ou nem tanto) que são a quita essência da catota:

1- A voz do povo é a voz de Deus (essa dói, eu pensava que Deus era uma espécie de inteligência superior)
2- A maioria sabe quando uma coisa é verdade (desde que acompanhado de uma campanha publicitária milhonária)
3- O povo é livre para escolher (sempre os mesmos)
4- Quem sabe faz ao vivo (faz o quê? quem sabe fazer bem, faz bem, quem sabe fazer mal...)
5- O povo sabe o que é bom (se tiver acesso ao conhecimento, ao ensino de qualidade, a cultura, a saúde e tiver suas necessidades básicas satisfeitas, praticamente...)
6- O melhor do Brasil é o brasileiro (há controvérsias)
7- A imprensa livre tem compromisso com a verdade (verdade? Eu pensei que tivesse compromisso com as vendas de seu material impresso...)
8- A verdade é uma mentira dita várias vezes (essa é de algum discípulo do sofisma, verdade sempre será verdade, mesmo que ninguém conheça ou acredite)
9- Todos sabem o que é bom para si (ui!)
10- Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura (tanto bate que acaba levando uma pedrada na oreia)

11.5.09

Reflexão...

Eu sonho ser um dia rodeado por pessoas amigas e sinceras...

... e não por pessoas educadas e falsas.

9.5.09

Resenha de Filme segundo a Doutrina Espírita: Ghost – do outro lado da vida

Outro dia, chegando em casa, minha esposa estava assistindo o filme Ghost, era um filme que eu nõa assistia a pelo menos um dez anos, e eu me lembro muito bem que, na época em que eu assisti pela primeira vez, eu havia achado o filme maravilhoso, muito bom, e dessa vez, eu já achei a coisa meio ruinzinha.

Foi então que eu tive a idéia de psotar, a partir de agora algumas vezes, resenhas de filmes espiritualistas e cia ltda com críticas de acordo com a doutrina espírita e com a forma de relatar um filme que só uma ameba como eu pode fazer.

Segue a primeira delas:

Ghost – do outro lado da vida (subtítulo em Portugal: o espírito do amor) – EUA, 1990, 128 min

Sam Wheat (Patrick Swayze) é um apaixonado homem romântico que não gosta de flaar eu te amo, mas apenas idem, mas em compensação dá um xuxu em Molly Jensen, na sua namorada (Demi Moore), mas acaba morrendo num suposto assalto que foi armado por seu amigo Carl Bruner (Tony Goldwyn) que, na verdade quer mesmo é pegar toda a grana do seu falecido amigo, e, de quebra, dar uma ripa na mina.

Acontece que o tiozinho não morreu porcaria nenhuma, e ao descobrir a armação do ex-amigo, resolve se vingar e acaba se transformando em obssessor de seu ex-amigo. Como as produções de Hollywood não podem transformar o mocinho em bandido, o roteirista sa história cria, só na cabeça gorda dele um obssessor-herói, o que o pobre coitado não sabe é que tem muito obssessor achando que é herói por aí...

Bem, voltando a vaca fria, nosso obssessor favorito precisa buscar ajuda com alguém e descobre Oda Mae Brown (Whoopi Goldberg), uma médium charlatã, que até então, de mediunidade não tinha porcaria nenhuma, e que, através de algum milagre de Deus (que a Doutrina prova que não existe) acaba tendo sua mediunidade “destravada” e a partir de então se transforma em uma médium desequilibrada e junto ao seu obssessor começam a aprontar e dar espetáculos gratruítos de desequilíbrio pela rua, como discussões na rua com o amiguinho invísível e etc. Ambos dão o golpe e, como Hollywood tem sempre que transformar desequilibrados em seres intuídos por Deus, quatro milhões de dólares que foram fruto do desfalque que eles deram (exatamente o que o vilão do filme queria fazer) acabam indo para uma obra de caridade.

Tirando isso, acontece coisas pra lá de absurdas como efeitos físicos sem necessidade de um médium para doar ectoplasma, apenas que o morto acredite que consegue tangir a matéria e, de quebra, a médium desequilibrada quase dá um rango na viuvinha com ajuda de seu obssessor – mocinho do filme.

O maior absurdo de todos é o final, quando o obssessor consegue enfim satisfazer seus sonhos de vingança, e ainda vem seres luminosos resgatar o car apara levá-lo ao céu, sendo que nem céu, nem recomepnsa para que se vinga e nem a luzinha da forma como aparece no filme realmente existem.

E para piorar a situação, na hora que a tal luzinha bate no mocinho, ele se torna visível para todos, como se a luzinha substituísse o ectoplasma necessário para uma materialização, sem contar que o que materializa é uma espécie de “duplo etérico” do espírito e não exatamente o espírito em si.

Resumindo, numa tarde de chuva, o filme até serve para passar o tempo, só não vai achar que o filminho tá mostrando alguma realidade, senão você corre o risco de começar a fazer o sinal da cruz, toda vez que for tomar passe, ou fazer promessa pra Chico Xavier.

8.5.09

Chamando todos os carros!

À partir de agora, meu único canal de comunicação com as pessoas será este blog. Qualquer coisa relativa à orientar pessoas sobre o mercado de ilustração, opiniões pessoais, reflexões e tudo mais somente serão colocados aqui.

Quem não me suporta, basta fingir que eu não existo, quem acha que pode aprender alguma coisa com o que é e será postado aqui, seja sempre muito bem vindo. Sugestões, perguntas, opiniões são e serão bem vindas.

Eu nunca tive como objetivo agradar e nem elogiar ninguém, se um dia fizer isso, saibam que é sincero.

A única garantia que eu dou para qualquer pessoa que acessar este blog é que eu jamais minto. se tiver que escrever alguma mentira eu prefiro não postar nada. As pessoas que tem coragem de encarar as coisas com realidade, este é o seu lugar.

Aos menininhos que se ofendem por qualquer porcaria, eu sugiro ir no blog do Hiro, ou participar do ilustragrupo, lá se alisa o ego pra caramba, mas nunca aparece informação realmente útil, muito menos uma orientação de verdade.

Já avisando, se você que está lendo já não gostou do que leu, apague este endereço das suas preferences, pois de agora em diante você corre o risco de ler coisa pior e te dar uma diarréia, hemorróida, desajuste intestinal ou sabe-se mais o quê.

Se você gostaria de conhecer o mercado de ilustração ou tem interesse em entrar nesse mercado, eu prometo e me comprometo em ser o mais acurado em informar sem rapapés e nem rodeios.

Se você é ilustrador e acha que está no caminho certo, não perca o seu e o meu tempo visitando meu blog.

O espetáculo está apenas começando.

5.5.09

Arte no computador

No processo de arte final, dependendo do tipo de trabalho, o computador
chegou pra dar mais praticidade mesmo. Se economiza um tempo danado em não ter que ficar montando arte, máscaras, tiras as máscaras, pintar nas áreas, recolocar as máscaras, esperar a tinta secar, lavar pincel, aerógrafo, godê, etc. Quando se mancha um layout a colorização no computador também é uma opção razoável, já que você economiza tempo pois não vai ter que ficar abrindo tinta, lavando pincel, etc.

Mas pra isso ser viável a coisa mais importante é ter uma Tablet, no mouse só dá pra fazer desenho vetorial e olha lá...

Além do mais, é difícil alguém desenhar direto no computador desde o rascunho, existe gente que faz, mas pra isso é preciso ter destreza e alguma experiência.

Eu já vi casos de pessoas que estão iniciando que acham que o computador resolve tudo, basta fazer no computador que não se precisa mais estudar treinar, etc. Isso é MENTIRA! Computador é somente mais um instrumento de trabalho, assim como já foi o aerógrafo e a letraset. Desenho é feito na mão, e só dá pra se desenhar no computador quando se tem domínio do desenho na mão.

Tanto é assim que ainda hoje muita gente usa o bom e velho ecoline, ou guache, tinta acrílica, aquarela, ilustra em tela, no Canson, no Fabriano ou na tela, ou em qualquer outro papel, é por isso que ainda hoje se usa pastel, lápis de cor, caneta, lápis dermatográfico, mesa de luz.

Principalmente pra quem está começando, eu recomendo que se desenhe TUDO na mão, com materiais reais e de qualidade. A sensação de se utilizar um bom material é indescritível, traz a quem experimenta uma vivência muito mais rica do que no computador.

Pode ser que em muitos trabalhos, pela praticidade valha a pena trabalhar direto no computador, mas para se formar, ainda não inventaram nada melhor do que o bom e velho material de desenho convencional.

4.5.09

Cultura Urubu

Existe um comportamento quase que padrão dentro do meio de ilustração que há muito me aborrece , que eu chamo carinhosamente de “cultura urubu”.

O que viria a ser essa tal “cultura urubu”?

Funciona mais ou menos assim, um ilustrador está sem trabalho, aí ele fica procurando outros ilustradores para ver se os outros também estão sem trabalho. Aí fica um tal de “e aí, como tá de trabalho?” e o outro responde “tá uma merda....”

Agora eu pergunto: aonde esse tipo de comportamento pode ser considerado bom ou útil para alguém?

Sem contar que existe a cultura urubu 2.0, que é o ilustrador sem trabalho, procurando quem tem trabalho para que o cara que tem trabalho divida o trabalho com quem não tem. Só que não é exatamente assim, se um ilustrador está com trabalho sobrando vai procurar alguém para o ajudar SEM que você precise ficar igual urubu sobrevoando em cima do animal quase morto, esperando para poder avançar na carniça.

E ainda, existe a versão 3.0, que é o ilustrador sem trabalho, e que fica procurando quem tem trabalho, quem é o seu cliente, como é o trabalho que você está fazendo para o seu cliente, e aí o cara começa a comer seu cliente pelas beiradas, até mostrar para ele que faz a mesma coisa que você faz, só que mais barato, só para pegar o trabalho que você está fazendo.

E qual é o problema disso? A gente não pode mais ter uma concorrência saudável?

Aí eu pergunto: Desde quando isso é concorrência saudável?

O problema é que vivemos num mercado com baixa demanda para ilustração, muito ilustrador oferecendo seus préstimos, ilustradores com pouca versatilidade, e com menores capacidades de planejar o seu futuro no mercado que quer fazer parte.

Então não é apenas um problema, é um conjunto de problemas. Aliado a um problema pra lá de agravante: os nossos clientes tem cada vez menos cultura de ilustração. Até tem alguma cultura de desenho animado e história em quadrinho, mas não estão familiarizados com estilos, linguagens de ilustração, técnicas e etc. E por que isso acontece? Acontece porque desde criança, quando essas pessoas nem pensavam em trabalhar como nossos clientes se acostumaram com os desenhos animados que passam na televisão, com as revistinhas em quadrinhos que eles compravam nas bancas, com os gráficos dos video games que eles jogam, mas nunca viram os desenhos, as técnicas variadas de ilustração, não conhecem a linguagem. Isso não faz parte do seu ser e muito menos de sua história.

Agora, vem mais uma perguntinha capciosa: E por que essas pessoas nunca conheceram nossos desenhos e técnicas?

Porque NENHUM ilustrador, NUNCA se importou em fazer seu estilo, sua técnica, sua linguagem gráfica ser conhecido pelo consumidor.

Agora: Por quê?

Porque TODOS sempre acreditaram e AINDA acreditam que seu alvo são diretores de arte, artbuyers e editores de arte. No auge de suas arrogâncias, TODOS sem exceção te olham de cima para baixo, como se você fosse um grande pedaço de bosta quando você questiona porque não se esforçar para fazer com que os NOSSOS trabalhos se tornem conhecidos do grande público.

Resultado: ignoram que o público final, seja ele qual for, é formado por todo tipo de pessoa, que mesmo que não sejam editores de arte, diretores de arte e artbuyers, são CONSUMIDORES. São consumidores que você não faz a mínima questão de cativar.

E dá-lhe cultura urubu!!

2.5.09

Aprender a ilustrar

É preciso muita coragem para falar sem rodeios sobre o ensino nesse país. Eu digo coragem, pois existe muita gente que vê a realidade e justamente falta é a coragem para mostrar a realidade sem rapapés e sem maquiagem, sendo que a nossa realidade (ou pelo menos aquilo que se encherga facilmente) é resultado de inúmeros interesses sendo colocados à frente do único que ao meu ver deveria ser o interesse que movem as pessoas: o bem coletivo.

Muita gente defende instituições de ensino pois entendem que tiram dela seu sustento e ao ser obrigado a admitir que uma instituição de ensino não ensina coisa alguma, percebe que de onde provém seu sustento, também se ensina quase nada. Só que ao invés de procurar reverter a situação demonstrando hombridade e acima de tudo responsabilidade com o papel que supostamente deve desempenhar na sociedade, a pessoa procura a toda lei calar aquela voz destoante no meio da multidão que acorda a todos dessa hipnose medíocre que a humanidade vive, vendo nele um inimigo ao seu sustento fácil.

Já pensou se todos descobrirem que o que se ensina naquela escola é uma farsa o que pode acontecer? A escola fecharia, ou se não quisesse fechar teria que modificar sua estrutura de maneira radical a começar a ensinar. Só que ensino não dá dinheiro, ensino não permite andar de carro importado, viajar para a Europa todo ano, não permite luxos e nem conforto, e sinceramente, se os donos das instituições de ensino quisessem fazer caridade, iriam montar um orfanato e não uma escola.

Edifícios luxuosos, confortáveis, com ar condicionado, mesas e cadeiras novas costumam pecar pela falta, falta de material igualmente luxuoso confortável e espaçoso para preencher e desenvolver nossos cérebros.

O sistema de ensino no Brasil gera autômatos, os meios de comunicação geram autômatos, os sistemas geram autômatos. Autômatos que vivem na matrix comendo seu Mcdonalds e assistindo novela das oito, felizes da vida. Vão dormir para sonhar com a gostosa do BBB e acordam com R$1000,00 negativos na conta corrente. Trabalham por um belo e gordo pedaço de pão e sonham com o dia em que não terão que fazer nada da vida, somente viver de renda, talvez ganhando na megasena acumulada, talvez arranjando uma boquinha no governo, mamando nas tetas do estado, ou quem sabe escrevendo um livro que exija pouco neurônio, mas que renda muitos dividendos par ao resto da vida.

Bem vindo ao mundo de Marlboro. Venha aonde está o sabor.

Aprender cansa, dói, é chato, não diverte. Sem contar que se eu estudar pelo menos um pouquinho, eu estarei na frente dos trouxas e poderei explorar todos eles, pra que ensinar o outro a pescar, eu pesco meia hora por dia e vendo meu peixe a peso de ouro. Se o outro souber pescar eu morro de fome! Eu é que não me esforçar para aprender, o pouco a mais que eu sei me é suficiente, basta deixar a boiada feliz.

E é assim que todos vivem, como se fosse uma manada, imbecil e sem vontade própria. Acham que cocô na latinha é arte, acha que Ivete Sangalo canta, acha que novela é uma expressão genuína da identidade brasileira em forma de arte. Acredita na Veja, na Folha de São Paulo, acredita em Papai Noel, e em Papai do céu.

É devoto de Santo Expedito. Só fica feliz se tiver tênis Nike e calça da Fórum. Sonha com um carro do ano. Passa o final de semana enfiado no boteco enchendo a cara, ouvindo pagode e música sertaneja ou assistindo Domingão do Faustão e ainda diz: isso que é vida!

Ou então rouba porque nunca pode estudar, melhor virar bandido que dá menos trabalho.

Tem gente então que passa a vida estudando só para poder virar doutor e roubar sossegado o dinheiro alheio.

A vida é curiosa amigo.

Nesse mundinho do cão, ensino superior que não ensina nem o inferior é de menos. Ilustrador morrendo de fome é menos ainda.

Só que esse mundinho cão, feito para a aparência demonstra todos os dias, nas mais diversas áreas, que a matrix dá mais pau do que o Windows. Aí todo mundo percebe que parafraseando o Caetano "alguma coisa tá fora da ordem".

E tá mesmo, até o Caetano já entrou no esquemão... Mas mesmo assim algo fede só que ninguém sabe onde está a porcaria.

E a gente sente o fedô mais forte que nunca, percebendo que pelo menos na nossa área existe mais porcaria do que coisa boa.

Só que a porcaria faz parte do todo.

É o que fede no diploma, é o que fede no curso, é o que fede no cliente que te pede trabalho de graça. É o que fede no concorrente que faz meia boca e cobra mais meia boca ainda.

É o que fede por não querer aprender.

Aprender, estudar, isso torna o ilustrador profissional. E se houver alguma proposta verdadeiramente boa e que vise ensinar as pessoas a se tornarem ilustradores, então eu apoio a iniciativa, seja cursinho, oficina, ou curso superior. Vaja voc6e que não precisa ser obrigatoriamente APENAS um curso superior.

Lógico que haver interesse em criar cursos para formar ilustradores é um bom sinal, a algum tempo percebemos esse interesse. Só que é preciso um certo carinho para que a coisa não caia na vala comum.

Agora curso superior só para virar estatística fantasma, como a mais de dez anos o sistema de ensino brasileiro faz, eu, pelo menos estou fora.

Porcaria por porcaria, fica tudo do jeito que está.

Agora, ser comprometido com "ensinar" é algo que independe de diploma, independe tanto que qualquer curso superior que pretender realmente ensinar e formar uma pessoa ilustrador conseguirá fazer isso. Basta querer.

É nisso que eu aposto.

Emporguei.

1.5.09

Afinal, ilustração serve pra alguma coisa?

Parece uma grande imbecilidade listar as utilidades que um desenho tem para pessoas que se dizem ilustradores ou pretendem ser, mas com tantos elementos no mercado tirando o nosso foco, abaixando o nosso moral profissional, realizando argumentos cada vez mais esdrúxulos com o único objetivo de diminuir a importância do papel da ilustração como instrumento de comunicação, que eu achei de bom tom montar essa pequena lista.

É importante informar as pessoas que se uma ilustração não tivesse utilidade, ninguém contrataria um ilustrador. Portanto, se algum suposto cliente resolver diminuir o papel do seu trabalho (coisa que acontece principalmente na hora de orçar) lembre-se que ninguém gasta dinheiro com algo inútil, e quanto mais soubermos dar utilidade ao nosso trabalho, maiores serão as chances de sermos valorizados.

Tendo em mente a idéia que devemos considerar de maneira prática e objetiva a utilidade dos desenhos, eu listei onze pontos que podem ser tidos como as utilidades de para um desenho.

É uma lista que procura fugir de conceitos dificilmente compreensíveis e de explicações estapafúrdias.

Podem ser interpretadas, filosofadas e acrescentadas à vontade.

O mais importante é que pode servir como base de argumentação para qualquer pessoa ao ser questionada, embora ainda falte para esta lista um estudo pormenorizado.

- Serve como preview de ações, eventos, anúncios embalagens filmes e comerciais.
- Serve como meio de comunicação popular e também como meio de comunicação intelectual.
- Serve como linguagem segura e divertida para transmitir mensagens, conceitos e idéias.
- Serve como canal para fazer com que o ser humano materialize suas fantasias, boas ou ruins.
- Chama a atenção naturalmente para qualquer idéia, produto, conceito ou evento.
- Consegue transmitir idéias complexas sem uma única palavra e de maneira instantânea.
- Serve como guia para realizações materiais como objetos e paisagens.
- Pode transmitir sentimentos, sensações e emoções com fidelidade.
- Torna objetos, produtos e conceitos mais fáceis de ser assimilados pelas pessoas.
- Potencializa mensagens escritas e sonoras.
- Tem o poder de atrair ou repelir as pessoas.

30.4.09

Rápida história da Ilustração no Brasil

São muitos os depoimentos em listas e comunidades de desabafos e reclamações sobre os problemas vividos no mercaod de ilustração. E olha que a um bom punhado de anos isso já acontece.

Eu cansei de ver gente por aí reclamar, chorar, criticar, combater, mas não compreender o todo.

Dificilmente nós temos a oportunidade de ver algum ilustrador, mesmo os já estabelecidos no mercado se perguntando: Porque tudo está assim?

Nós vemos todo mundo simplesmente pensando em se adaptar, mas ninguém questiona mais a fundo.

E qual é o problema disso?

O problema é que ao não questionarmos, não temos condições de decidirmos pelo nosso futuro.

Esse é o reflexo de décadas sem haver união, sem haver planejamento, sem haver preocupação com o futuro. E não tenham dúvidas que a continuidade dessa desunião ainda poderá trazer mais problemas no futuro.

Mas porque só hoje os problemas são tantos?

Precisamos compreender uma série de fatores históricos no Brasil.

No início do século XX a profissão de ilustrador foi importada, era tido como alta especialização e quem fazia isso ganhava muito bem, vivia muito e muito bem, mas devia ser meia dúzia no Brasil todo.

Muitos eram pintores, mas todos tinham um status, primeiro por ocupar uma função que foi importada, para um mercado também importado.

O Ilustrador só existe por causa da imprensa. E o ilustrador só pode viver a sua fase de ouro quando a imprensa era exclusivamente para as elites. Uma vez que sua profissão fica voltada para camadas mais populares, o dinheiro até pode existr, mas o glamour não.

Ser ilustrador no começo do século e praticamente durante toda a primeira metade do século XX era trabalhar para grã-fino, era trabalhador que servia as elites e por isso mesmo ganhava salário de profissional de elite.

Depois dos anos cinqüenta, vivemos fases marcantes no Brasil. Primeiro vieram as grande empresas americanas, depois as da Europa, com elas, vieram as agências de propaganda, com tudo isso os produtos que passaram a ser vendidos no Brasil começaram a precisar de um estímulo para serem vendidos. E esse estímulo foi, como ainda é, visual.

Essa foi a era de ouro dos ilustradores, havia uma demanda absurda por ilustração. Começaram a surgir os grandes nomes, os grandes mestres foram surgindo.

E isso perdurou até o final dos anos 70, ainda mais com o "milagre econômico", a economia crescia a olhos vistos, empregando todo mundo, criando uma demanda cada vez maior de consumo, demanda essa que era prontamente superada. E nesse ambiente o ilustrador não precisava de outra coisa que não fosse pensar em seu próprio umbigo., mesmo porque, por pior profissional que o ilustrador fosse, ele sempre consiguiria trabalho, uma vez que a oferta por mão de obra era maior do que a oferta de profissionais.

Nessa época vieram os grandes nomes que até hoje habitam o nosso imaginário ilustrativo, também foram começando a existir os ilustradores "Mandrakes", que sabiam truques do arco da velha e que guardavam seus segredos a sete chaves, como se fossem grandes segredos industriais.

Começou a haver uma concorrência mais acirrada, e toda vez que a concorrência aperta, sempre aparece um ou outro não tão bem intencionado. Veja você que ainda estamos nos referindo à década de 70.

O mercado foi virando um "cada um por si", fazendo aumentar o isolamento entre os ilustradores. Isso já era os anos 80, e dessa época herdamos o hábito de muitos ilustradores de gostar apenas de "mostrar" seus trabalhos e de falar sobre eles de maneira mais "conceitual", sem ser muito focado em dizer "eu fiz com guache misturado com detergente". Os ilustradores ainda hoje preferem filosofar do que mostrar como é que funciona a coisa na chincha, da mesma maneira como prefere olhar o mercado como se fosse um ser quase autista.

Só que os anos oitenta sofreu um terrível revés econômico, foi chamada de "A década perdida", pois o Brasil simplesmente não cresceu economicamente nessa época.

Embora isso tivesse acontecido, os ilustradores ainda conseguiram respirar, e respirar muito bem durante os anos oitenta, pois viviam ainda no embalo dos anos 70 e também puderam contar com as novidades do mercado, que mantiveram a demanda de ilustrações em alta.

O problema começou com os anos 90, com o surgimento do DTP, o Macintosh, o computador sendo usado para montar revista, anúncio, livro, o começo da ilustração e a internet. Tudo ficou pulverizado. Acreditou-se que o computador substituiria o ilustrador. Enquanto que antes do computador era preciso fazer a mesma ilustração várias vezes para montar uma campanha que servisse para anúncio de meia página, página inteira, página dupla. página simples de jornal, página dupla de jornal, outdoor, com o computador uma só ilustração já dava pra tudo.

Os estúdios foram fechando, muitos ilustradores viraram Diretores de Arte, mudaram de profissão e entrou um pessoal novo, muitos deles hoje em dia chamados mestres, e sem nenhuma orientação entraram no mercado, ganhando bem menos do que o pessoal que estava anteriormente no mercado, fazendo o fator "preço baixo" virar motivo para ganhar mercado. E esse comportamento perdura até hoje.

No universo do ilustrador aonde já havia a cultura do isolamento, de se esconder informações e da competição acirrada teve um ingrediente a mais: oferecer trabalho a preço de banana.

Só que os anos noventa também foi outra década perdida. No começo havia uma demanda de trabalho ainda boa, e no final da década a demanda havia caído mais da metade, com praticamente a mesma quantidade de ilustradores no mercado que havia no início da década

E estamos nós em pleno início de século XXI vivendo o revés de uma profissão que já foi símbolo de status. Estamos vivendo a penúria de uma categoria que foi cada vez mais se tornando mais e mais egoísta. Só que, depois da internet, se no começo do século a quantidade de ilustradores no mercado era X, atualmente a quantidade de profissionais se oferecende deve ser pelo menos 5X.

Agora a culpa é de quem está tentando começar?

Não.

A culpa é dos caras que se metem a bambambam com trinta e tantos anos de carreira, e quanto mais carreira, mais responsável é pois viveu todas as fases da profissão e somente contribuiu para hoje estarmos no buraco em que nos encontramos.

Agora, cabe a nós tentar limpar a sujeira dos bambambans da ilustração.

O mercado vai precisar de cérebro, de união e de paciência. Temos pelo menos vinte anos de defasagem para corremos atrás. E praticamente já perdemos dez anos tentando fazer alguma coisa e não conseguindo.

Mas não adianta desanimar, porque nós só temos um caminho para percorrer: pra cima.

Precisamos estar unidos, sermos mais conscientes, muito mais do que os outros, pois a economia também não nos ajuda, o mercado não está nos ajudando; a tecnologia deveria nos ajudar, mas nós a utilizamos contra nós mesmos.

Podemos perceber que até os nossos clientes atualmente nos forçam para baixo em preço, qualidade, prazo.

Os mercados estão indo de mal a pior.

Quadrinhos nunca teve.
Editorial tá mal demais.
Propaganda já foi melhor.
Televisão, é uma incógnita.
Internet já nasceu morto.

Isso sem contar no pessoal que quer se sustentar com ilustração, que precisa estar no mercado como profissional e que sofre uma barbaridade para conseguir o seu lugar ao sol.

E tem gente que ainda insiste em continuar isolado. Insiste em esconder o ouro, insiste em aproveitar a ingenuidade do outro, a ignorância do outro, insiste em pregar que a união é impossível entre nós.

O futuro está em nossas mãos, o futuro se for bom ou se vai enterrar nossa profissão de vez vai depender de nosso passo ainda hoje.

Por isso precisamos continuar. E estamos ainda deixando de continuar.

Para que a profissão de ilustrador faça história e não precise ficar somente na história.

29.4.09

Caridade

Uma vez uma moça, que faz parte de um grupo que tem, princípios de auxiliar pessoas necessitadas me pediu para fazer um trabalho de graça, argumentando que o trabalho seria para uma boa causa. O problema é que tratava-se de um trabalho com uma certa complexidade, iria exigir de mim muitas horas de trabalho, não se tratava exatamente de um trabalho “vapt-vupt”, e por isso mesmo seria um risco muito grande fazer o trabalho completamente na faixa, correndo o risco de negar pedidos de trabalhos remunerados por não ter tempo disponível, sendo que é preciso fazer trabalhos remunerados, uma vez que ninguém me dá nada de graça.

Então, essa garota, para tentar me convecer a trabalhar de graça, respondeu-me dizendo que sabia que eusou espírita e que estava muito decepcionada comigo por me recusar a fazer o trabalho de graça, pois eu deveria ter a obrigação de fazer a caridade para as pessoas.

Então, eu me senti na obrigação de enviar a essa moça uma resposta, que eu copio abaixo:

Cara companheira, uma coisa é fazer o bem. Ser profissional, fazer trabalhos com qualidade e ser devidamente pago por isso, ao meu ver faz parte da caridade, porque é a única maneira que se tem pra incentivar o profissionalismo.

Para se ajudar é preciso consciência do coletivo, não dá pra se pedir pra uma pessoa que doe seu trabalho, furto de estudo, dedicação, com utilização de material caro pra um fim ao qual o próprio profissional não conheça ou não concorde.

Nenhum profissional, por ser profissional tem a obrigação de fazer caridade com sua profissão, ninguém sabe o que eu faço em prol dos outros, e eu mesmo faço questão de manter meus atos, quando os pratico fora dos olhos das pessoas, mas uma coisa eu asseguro, eu não utilizo o meu trabalho em meu prejuízo e em prejuízo dos colegas de profissão que fazem da ilustração seu ganha pão pra ser caridoso ou ajudar alguém.

Outra coisa, dinheiro não é sujo, sujo é o mal uso que se faz dele, mal uso de pessoas que não compreendem que pra se ter pode se fazer qualquer coisa, mesmo sendo em prejuízo dos outros, ou pessoas que em nome de princípios, ideais ou tarefas nobres subemprega e subremunera profissionais.

A corrente do bem consiste em fazer com que o sistema funcione, consiste em fazer com que as pessoas saiam da margem da sociedade e entrem no mecanismo comercial, financeiro e social.

É com atitudes que promovam a valorização do ser humano, a valorização do esforço e do intelecto humano que a sociedade poderá um dia ser justa.

Se você quiser fazer o bem, primeira coisa que você precisará compreender, por favor, é que não dá pra ajudar um e prejudicar outro, isso é bem pela metade, é cobrir os pés e descobrir a cabeça.

Valorize as pessoas a sua volta, dê a eles o reconhecimento, a remuneração e o respeito que elas merecem. Eu aposto que dessa maneira você estará sendo mais útil e fazendo caridade com muito mais eficiência.

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