29.3.11

Contrasenso Ilustrativo

Pergunta: Você não acha um contrasenso, com toda tecnologia voltada para a comunicação como a internet, um ilustrador ao invés de abrir-se para o mundo, se restringir para atuar apenas na sua região?

Resposta - Seria um contrasenso, se regionalmente os ilustradores tivessem um padrão técnico, uma capacidade profissional que os clientes regionais não pudessem suportar por não necessitar a totalidade das potencialidades do ilustrador.

No entanto não é isso o que acontece. As empresas de uma forma geral nem sabem para quê serve o trabalho de um ilustrador, e o ilustradro também não sabe também qual seria a utilidade do seu trabalho para esses clientes.

Aí está o grande furo.

Eu acho que as coisas rolam no sentido de um passo por vez.

Qualquer profissional de ilustração primeiro precisaria conhecer as potencialidades do seu trabalho na sua região, para depois trabalhar, com paciência no sentido de mostrar, provar para o empresariado da sua região os benefícios que o seu trabalho pode trazer para eles.

Trabalhos como criação de persoangens, quadrinhos institucionais, manuais de treinamento, são simples exemplos que podem ser feitos para supermercados, padarias, oficinas mecânicas, lojas, indústrias das mais diversas e esse tipo de empresa existe espalhado em todo o Brasil.

Trabalhos mais expecíficos podem ser propostos para os clientes num segundo momento, desde que nessas empresas já exista uma cultura de utilização de ilustração.

O problema é que o ilustrador costuma pensar apenas em sentar na prancheta e desenhar, e assim não chega a lugar algum.

Quando você opta por sair de sua região, para atuar nos grandes centros urbanos, a probabilidade de conseguir sucesso profissional é muito baixo, demanda muito tempo, muito esforço, e também uma boa dose de sorte.

Se o ilustrador estudar as empresas da sua região, vai demorar o mesmo tempo praticamente, para evangelizar e conquistar clientela, sem contar que estará abrindo novas frentes de mercado que não saturadas (ao contrário do que acontece nos grandes centros) com a vantagem de ter um custo de vida bem mais baixo do que o que se tem nos grandes centros.

Por outro lado, essa idéia de que uma vez que você esteja na internet, terá uma janela aberta para o mundo inteiro é uma injenuidade sem cabimento, desde que estourou a bolha das empresas ponto com, ninguém que trabalhe com internet pensa e nem age assim.

Aliás, houve a bolha justamente porque inúeras empresas invetiram toneladas de dinheiro pensando que iriam dominar o mundo e isso não aconteceu.

Nem o Google, trabalha e pensa assim.

Quem já trabalhou com o Google sabe muito bem que hoje em dia ele procura dispor aos seus clientes mecanismos que aumentam a eficiência das empresas porque justamente procura mostrar as empresas que estão na internet para os seus potenciais clientes que estejam mais próximos.

Qualquer cliente, seja ele quem for, quer clientes bons e que estejam próximos de dele, que permita um contato pessoal, exclusivo, de qualidade. Os clientes que preferem clientes sem esse contato mais personalizado são clientes com perfil qualitativo baixo, e, dependendo do cliente, pode não compensar.

Outra coisa que é preciso levar em conta é que quando se fala "mundo todo" as pessoas pensam em pegar clientes que estejam nos EUA, Canadá, Inglaterra, Alemanha, França, Japão, só país de primeiro mundo.

Só que precisa querer focar em países como México, Argentina, Chile, Equador, Emirados Árabes, Turquia, Grécia, Índia, Coréia, Catar, África do Sul.

E é preciso montar todo um sistema de cobrança capaz de trabalhar com todos esses países. Agora, ilustrador não gosta nem de alugar um ponto comercial para ter um estúdio fora de casa, vai querer investir nesse tipo de coisa?

Para se chegar num ponto como esse é preciso primeiro conquistar a sua região. Se o seu trabalho for bom demais para se restringir apenas a sua região, então vale a pena investir nos grandes centros. E se mesmo assim os grandes centros do Brasil for pouco (coisa que nem o 6B estúdio acha) então você deve investir numa carreira internacional.

Outra coisa importantíssima, quando você pensar em concorrer com profissionais de outros países, é preciso também saber se o nível do seu trabalho é igual, inferior ou superior ao dos profissionais do local. Só para se ter uma idéia, o nível dos ilustraodres da Argentina é muito mais alto do que o dos profissionais daqui, e ninguém aqui quer entrar no mercado argentino.

Imagine o nível de profissionais do Japão, França, EUA, Canadá, Alemanha...

23.3.11

O Mercado Pode Melhorar?

Pergunta: Como você acha que o mercado de ilustração pode melhorar?

Resposta - Melhorando o ilustrador, sendo ele um artista com melhor qualidade.

Um profissional mais focado, mais objetivo.

Sendo mais sério quando se trata de negócios, procurando ser um administrador de verdade, um comerciante de verdade.

Precisa querer agregar mais noções, novos princípios de negócio.

Precisa ter vontade de abrir novas frentes de trabalho (volto a insistir) para diminuir a concorrência entre nós.

Precisa agitar mais o intercâmbio de conhecimento, intercâmbio de experiências profissionais difundir princípios práticos de negócios para nossa área que são bem sucedidos e podem ser bem sucedidos.

Coisas que pessoas de outras áreas profissionais fazem constantemente.

17.3.11

Mercado ruim

Pergunta: Você não acha que essa história de que o mercado está ruim é exagerada? Embora eu esteja na área a pouco tempo, não acho que a coisa seja assim tão ruim.

Resposta - Tem uma coisa que eu aprendi nessa vida que tudo é relativo.

Quem está no mercado a apenas 5 ou no máximo 10 anos não conseguiu ver o panorama muito diferente daquele que temos hoje, por isso não consegue compreender que tanto eu reclamo que o mercado está ruim.

Quem tem mais de 15 anos de mercado já consegue saber como ele era anos atrás.

Eu comecei no inicio dos anos 90, alias, em 1990, para ser mais exato.

Embora fosse moleque, eu via que se vivia uma época econômiica péssima no Brasil, era época do Plano Collor, estávamso saindo da maior hiperinflação que esse país teve para o completo arrocho.

Tudo a nossa volta respirava um ar de insegurança quanto ao futuro, só que entre os ilustradores havia um pique, um ânimo, um gás muito maior do que hoje em dia.

Haviam muito menos pessoas no mercado e muito menos pessoas querendo entrar no mercado.

Mesmo com toda crise econômica, muita gente conseguia fazer quadrinhos e acreditava-se sim que era possível viver de quadrinhos para o mercado brasileiro.

No mercado editorial eu não sei como era, pois não tinha contato, mas o mercado publicitário estava prestes a se revolucionar e acabar com os postos de muitos ilustradores, pois foi justamente nessa época que o computador invadiu as agências de propaganda.

Muita gente jurava de pé junto que a profissão de ilustrador iria se extinguir em, no máximo 10 anos.

Mas havia trabalho, eu, mesmo como um mero assitente de arte, responsável por montar anúncios na agência de propaganda que eu trabalhava conseguia pegar bastante trabalho freelancer, isso sem ficar batendo de porta em porta em agências ou editoras.

Uma coisa rara de acontecer hoje em dia.

Eu chegava a ganhar quase 6 vezes mais do que o meu salário, só com freelance, e sem ficar prospectando cliente.

E isso, porque era uma época economicamente ruim.

Naquela época bastava você bater na porta de uma agência ou editora, ligar, marcar uma entrevista e nem precisava assim tanto de indicação, todo mundo te recebia, e quando via o seu trabalho, muitas portas se abriam, porque o pessoal via que a eu não era amador.

Hoje em dia, um cliente qualquer muitas vezes nem conversa por telefone com você se você não for indicado. Te pede para passar um e-mail e nunca mais te retorna.

Quando alguém te procura facilmente, na maioria das vezes é trabalho no risco e mesmo assim tem um monte, mas um monte mesmo de outros ilustradores que seriam capaz de enfiar uma faca no seu bucho para pegar aquele trabalho no risco.

Agora, me digam, será que o mercado atualmente é assim tão bom?

11.3.11

De Maceió...

Pergunta: Sou de Maceió. Eu gostaria de seguir carreira como ilustrador, mas aqui tem pouco cliente como agencia de propaganda e editora. Muitas vezes eu tenho vontade de me mandar pra outro lugar, tipo São Paulo. Você acha que é possível ser ilustrador aqui?

Resposta - Você precisa ter em mente que o seu futuro profissional é um investimento em longo prazo.

Se você vier para São Paulo, não vai ter aonde morar, não vai ter trabalho, não vai ter dinheiro, vai concorrer com trocentos neguinhos por uma vaga no mercado de trabalho e corre riscos que nem imagina que existem.

Aposto que, embora sua cidade não seja um paraíso de agências e editoras, tenham outros mercados de trabalho não tem?

O pessoal trabalha aí em quais áreas?

Tem turismo?

Se tiver, porque você não se especializa em realizar trabalhos envolvendo ilustração voltados para o mercado de turismo?

Tem indústria?

Essas indústrias não podem precisar de ilustração para embalagens, rótulos, para a decoração dos seus escritórios? Não podem precisar de mateirias para treinamento de pessoal? Não pode precisar fazer quadrinhos institucionais?

O comércio aí é aquecido?

Não dá pra se associar com algum estabelecimento comercial de desenvolver algum produto aonde seu desenho seja parte do chamariz para o comércio?

Tem gente que curte piercing, tatuagens?

Porque você não abre um estúdio de tatuagem e alia o seu conhecimento artísticos para oferecer aos seus clientes diferentes daqueles que os tatuadores que não sabem desenhar oferecem?

Tem muita feira, congresso, casamento?

Porque você não se especializa em fazer caricaturas, cartuns, animações, quadros para ser vendido para esse público?

Veja bem, o que não falta na vida são oportunidades.

Se você tiver engajamento, vai achar mercado ótimos, novos, sem vícios, sem concorrência, que você pode ser uma pessoa com grande especialização.

Acontece que esses são os tais mercados em potencial, não existem realmente e para se começar é preciso pegar na mão do cliente, ensinar tudo tintim, por tintim e ir se especializando, se preparando para evoluir como prestador de serviço. Assim seus clientes vão ficando cada vez mais satisfeito com o seu desempenho e também irão te pagar melhor.

Isso tudo pode demorar de dez a vinte anos para rolar, mas você acha que vindo para um grande centro urbano alguma coisa será muito diferente disso?

Pense no futuro, a longo prazo, insistir em mercados regionais aumenta a demanda, descentraliza o mercado, melhora o reconhecimento de nossa profissão e ainda permite que você possa ser um profissional bem sucedido sem ter que sair de casa.

7.3.11

Novos Ilustradores

Pergunta: O que você acha dos ilustradores que estão começando na área?

Resposta - Acho que esses caras precisam de muita coragem para continuar sem fazer besteira, porque existe muita orientação ruim para ilustradores iniciantes no meio de outras tantas orientações boas, mas que faltam pela superficialidade.

Muita gente por aí diz para os iniciantes que desenhar na mão é bobagem, fala para os iniciantes que o certo é trabalhar em casa, ter um estudiozinho num quarto de casa.

Algumas orientações são duvidosas, outras são verdadeiros ruídos, que acabam confundindo.

Mas não existe somente orientação ruim, tem coisa boa. O próprio Guia do ilustrador é muito bom para quem quer conhecer o mercado e está no ponto zero.

A maior falha existe para que já saiu do ponto zero, e é aí justamente aonde se encontram os ruídos.

Como existem muitos ilustradores ainda trabalhando em casa, sem uma estrutura que possa, com o tempo empregar treinees, estagiários, etc. fica muito difícil para esse pessoal que quer começar na carreira arranjar um meio seguro de entrar no mercado.

Isso também ocorre por causa da baixa demanda de ilustração para os profissionais que já estão no mercado. A maioria pode muito bem ter trabalho em quantidade suficiente para pagar suas contas e tudo mais, mas não tem volume para aplicar no seu sistema de trabalho uma filosofia agregadora.

O ideal, nesse caso, é haverem ações visando aumentar a demanda de ilustração, fomentar o mercado, e paralelamente haver um trabalho de conscientização e mudança de cultura dos ilustradores para terem vontade de se tornarem empresas e assim darem chances para os novatos.

Vendo por esse prisma a gente percebe que o problema não está exatamente nos iniciantes, mas sem que as pessoas tomem atitudes acertadas e criem uma consciência global os iniciantes apenas contribuirão para ser um problema a mais.

1.3.11

Ilustrar pelo interiorzão

Pergunta: Você acha possível que uma pessoa possa trabalhar como ilustrador em Goiás, no Mato Grosso, Roraima sem ter que vir para os grandes centros? Como?

Resposta - Porque não? O que eu acredito é que nessas regiões exista mercado pronto aonde basta chegar e se instalar.

Mas é preciso que os ilustradores dessas regiões terem uma visão de realidade de seus mercados para que possam adequar o trabalho de ilustração as demandas regionais.

Primeira coisa que existe é a memória da sua região. Isso por si só já traz uma necessidade de resgate da memória e da história de cada lugar desse país.

Existe tanto na indústria automotiva, química, petrolífera, mineração, de tecidos, de vestuário, calçados, no comércio segmentado ou popular, nas empresas de prestação de serviços como o de telefonia móvel, internet, midia indoor, imprensa, televisão, nas ações sociais e nos meios sociais inúmeras oportundiade de se trabalhar com ilustração.

Oportunidades essas que são desperdiçadas diariamente, porque os ilustradores pensam somente me fazer ilustração para livro, revista e historia em quadrinhos.

É preciso trabalhar para que cada região tenha o hábito de trabalhar as suas formas de comunicação com ilustração, isso gerará a demanda necessária a absorção da mão de obra excessiva de trabalho em ilustração e poderá, a seu tempo fazer com que a profissão seja naturalmente reconhecida, aceita e respeitada.

O caminho que temos atualmente é igualmente espinhoso, não oferece qualquer perpectiva de melhora ou aumento de demanda de trabalho e a muitos anos gera os resultados que vemos de cada vez menos se pagar menos, cada vez mais haver concorrência desleal e desgasta a ilustração por excesso de oferta de mão de obra.

Uma pessoa que resolva trabalhar para a sua região pode levar de dez a quinze anos para ter sucesso, mas se resolver arriscar nos grandes centros urbanos, a probabilidade de sucesso também gira por volta de dez a quinze anos.

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