27.2.09

Alguém Tem Que Fazer Alguma Coisa!!

É impressionante ver como entre as pessoas, não importa qual seja a sua profissão, não importa qual seja a sua origem, não importa qual seja a sua raça, o seu estado civil, a sua religião, a sua formação ou a sua região aonde more, uma coisa é certa: Ninguém gosta de fazer a sua parte para contribuir na melhora do mundo em que vivemos, apenas se a "sua parte" se limitar a algo bem fácil e simples, caso contrário, que o mundo morra.

E o curioso também é ver que apesar dessa postura bastante "confortável", na hora em que as injustiças do mundo aparecem, invariavelmente, ao invés de relfetir e perceber que apenas está sofrendo as consequências de sua própria indiferença, as pessoas que se comportam assim começam a levantar burburinhos, reclaminhos, protestos e indignação, e, uma vez na vida, essas pessoas percebem que são "macho" e ensaiam alguma ação de ser humano responsável. Mas, claro, até a página dois...

Pois sempre, no auge da indignação, quando todos aqueles que veem a situação de fora pensa que essas pessoas irão se levantar e, enfim, depois de um looooongo e tenebroso inverno irão empunhar ferramentas e colocar as mãos na massa, ei sque esse seres umbralinos dizem quase em coro: ALGUÉM TEM QUE FAZER ALGUMA COISA!

E continuam, dizas e dias, passam inclusive noites em claro, chamam a TV, rádio, internet, criam campanhas "caprichadinhas" e levam o lema "Alguém tem que fazer alguma coisa!" até os anais da história (anal mesmo, uma m$#@!).

Então vemos um tremenda mobilização, muita gente seguindo líderes de segunda linha empunhando a bandeira de liberdade, justiça e prosperidade. Movem céus e terras, mostram ao mundo um desfile de boas intenções e um suposto novo estilo de vida, até que aos poucos, cada um pela sua autopromoção arranjam grandes propostas de emprego, ou uma graninha legal para garantir que fiquem todos quietinhos, isso, quando no meio deles não aparece algum doido realmente sincero, que não irá aceitar desviar seu objetivo, mas que será facilmente tirado de circulação por alguma bala de chumbo ou alguma ruína financeira.

E, passado a tempestade, todos se realocam felizes e satisfeitos em seu quinhão de vida, de acordo com o mérito e sordidez ou renúncia de cada um e o que realmente muda?

NADA.

E porque tudo isso (supostamente) acontece dessa forma?

Porque ALGUÉM TEM QUE FAZER ALGUMA COISA, mas na verdade ninguém faz.

21.2.09

It's a long way...

De acordo com as coisas que eu andei lendo por aí, vendo acontecer, e ouvindo ultimamente eu resolvi redigir esse texto, procurando da melhor forma possível orientar de maneira segura as pessoas que estão procurando desde o ponto ZERO até quem está procurando melhorar a sua posição no mercado.

Tudo começou quando eu estava começando, fazia cerca de uma semana que eu estava trabalhando numa agência de propaganda, já entre na McCann Erickson, isso era o comecinho dos anos 90, quando os computadores estavam fazendo uma verdadeira revolução na publicidade.

Lógico que eles não me contrataram como ilustrador, eu comecei de baixo no estúdio, montando anúncio com dupla face e cola de benzina (que anos depois foi responsável por acabar de vez com o meu olfato).

Enquanto muita gente já naquela época ralava para, fazendo faculdade de propaganda, conseguir depois de uma fila de dois anos, uma estágio que durava apenas dois meses, eram dois meses que o caboclo teria para provar aos Bambambans da agência que tinha algum talento, e olha que até que não era uma coisa muito injusta, um amigo meu fez, na época estágio na DPZ e lá era de apenas 15, outro amigo meu fez estágio na DM9 e ele concorreu com mais de 2000 pessoas para ocupar míseras duas vagas de estágio.

Agora eu consegui, correndo por fora, ser já contratado como assistente de estúdio, sem faculdade, somente com curso de desenho e uma pastinha debaixo do braço.

Claro que não foi assim tão fácil, na primeira vez que eu havia mostrado minha pastinha sem vergonha, eu acordei as 5h00 da manhã tomei banho, me arrumei todo e sentei na porta de uma agência de propaganda até a hora de chegar o primeiro funcionário para abrir a agência e me dizer como eu teria que fazer para procurar um estágio. Era uma agência que ficava na Av. Rebouças, hoje em dia ela nem existe mais...

Foram uns três ou quatro meses ligando do orelhão para as agências, sempre ouvindo desculpas esfarrapadas, muitas vezes sem dinheiro para comprar ficha telefônica. Naquela época eu estava desempregado em São Paulo, com 18 anos, passando fome literalmente (não foi a primeira vez e aquela não seria a última), minha família em Sorocaba sem mínimas condições de me ajudar financeiramente e ainda por cima fazendo pressão para eu voltar para casa. Mas eu não voltaria por nada nesse mundo. Mesmo com toda fome, toda angústia e todo sofrimento, eu me sentia VIVO, vivo como nunca havia me sentido antes.

Um belo dia eu resolvi ligar na Talent, uma das grandes agências do país, já que era para levar fora, que fosse de alguma empresa grande.

Eu conversei com um Diretor de Arte chamado Marcelo Machado, a última vez que eu ouvi falar desse cara ele era Diretor de Criação de uma agência chamada QG. Ele marcou uma entrevista comigo para a semana seguinte.

Cheguei no horário, com uma camisa surrada, calça preta, cabeludo, 59 quilos, olhos fundos atrás de um par de óculos de aro grosso e lentes razoavelmente grossas.

Não sei o que o cara viu em mim ou no meu desenho, mas à partir daquele dia, a minha vida estava mudando. Até hoje eu não tive a oportunidade de encontrar esse cara para agradecer por tudo o que ele me fez. Uns meses depois eu estava marcando para mostrar a pastinha na McCann depois de inúmeras indicações de indicação de indicação.

Os caras gostaram do meu desenho na hora, pra mim parecia um milagre, que me dera eu, um Zé Mané sem ter um gato para puxar pelo rabo, com dois ilustradores profissionais meio que se acotovelando para ver o meu desenho.

Até que o Paulinho Bueno, grande ilustrador das antigas perguntou: O que você acha dele fazer estágio aqui com a gente?

Estavam abertas as portas que definiriam o meu futuro profissional, mas para essa vaga aparecer foi necessário quase um ano, sempre desenhando, indo lá e mostrando a minha evolução no desenho.

Pois bem, na primeira semana como contratado eu conheci um dos que para mim até hoje é o maior Ilustrador que eu já tive a oportunidade de conhecer, ter amizade, aprender e ver trabalhando que é o Pedro Mauro, ele estava trabalhando dentro da agência como freelancer e era o único que ficava depois das 18h00.

Uma hora eu me enchi de coragem e perguntei para ele?

O que eu preciso fazer para ser ilustrador?

Ele me disse:
"Você já tem tudo só precisa paciência..."

E eu vou te dizer uma coisa, quando se tem 18 anos tudo o que você não tem é paciência. Mas mesmo assim foram anos a fio montando anúncio, aprendendo a pintar, primeiro com ecoline, depois com guache, depois com tinta acrílica, depois aerógrafo, depois o computador, Painter. trabalhar com mesa de luz, Letratone, filetar letra, marcar letra, pintar em cima de xerox, usar papel Schoeller, Fabriano, aquarela, fazer mancha, criar personagens.

Que escola foi aquela!

Mesmo depois de cinco anos, mesmo ilustrado tudo o que visse e imaginasse, mesmo dominando as mais variadas técnicas e estilo, ainda assim eu não conseguia ser promovido a ilustrador.

Por causa da minha impaciência, eu fui demitido, e aí a coisa ferrou de vez. Não ter o que comer se transformou numa constante, que exceção era ter comida ou dinheiro para comer.

Foram muitos seis meses sem trabalho. Contratar ninguém queria. Mesmo com todo mundo falando que eu desenhava bem.

Então me apareceu uma oportunidade de trabalhar com internet, era uma coisa que a já existia a uns anos e poderia ser uma boa oportunidade de trabalho.

Eu ganhei muuito dinheiro na época, era elogiado, o único cara que desenhava para o mercado de internet que conseguia desenhar em vários estilos diferentes. Eu me fiz no mercado, até o momento que o mercado de internet foi afundando, afundando...

Uma vez eu percebi que já não desenhava a muuuito tempo, coordenava um projeto bastante ambicioso, ganhava relativamente bem, era famoso no meio, respeitado pelos maiores profissionais da época, e somente ficaria sem trabalho se eu quisesse.

Mas uma coisa me incomodava, um bichinho carpinteiro aqui dentro parecia que não me deixava em paz, eu, intimamente me sentia um excluído, um exilado. Eu já não dormia em paz, parecia que alguma coisa me faltava na vida.

Foi então que eu explodi de uma vez por todas, conhecia muuuuita mutreta no mercado de internet, estava envolvido em briga de gente grande e já não sentia nenhuma satisfação em viver daquela forma.

Eu joguei tudo pro alto. Fui embora e nunca mais voltei. Então eu me lembrei de ilustração.

Então eu resolvi arriscar tudo na vida para voltar como ilustrador, montei meu portfolio com ilustrações com mais de três anos de idade, ou de velhice, e seja lá o Deus quiser.

Em um mês eu estava de novo no mercado de propaganda, ilustrando na Carillo Pastore.

Mais de dez anos haviam se passado desde aquela noite em que o Pedro havia me dito que tudo o que eu precisava era "paciência".

Eu me lembrei então de todo o caminho feito, meio como que profeticamente não teve outro jeito, eu PRECISAVA ter paciência, eu precisava amadurecer, conhecer as coisas, apanhar, mudar, me melhorar como profissional e como pessoa e sempre tentar, jamais desistir.

Por isso, se tem um conselho que eu possa dar para vocês e que por sua vez foi o mais útil da minha vida e que por mais de dez anos eu reneguei, até a hora que eu me lembrei dele novamente e resolvi aceitar as coisas andaram é: tenham paciência.

Se por acaso vocês sentem que falta alguma coisa, falta melhorar o desenho, falta treinar mais, corram atrás se aprimorem, e tenham paciência. Os resultados não aparecerão de um dia para o outro, não vai ser do dia pra noite que iremos enxergas as coisas, que iremos ter as nossas sacadas, que amadureceremos.

A evolução não dá saltos, aprendam a fazer com que o tempo se transforme no seu maior amigo, seu maior aliado, não façam do tempo seu inimigo, de todos os inimigos que podemos ter o mais implacável, o mais cruel é o tempo.

Tenham paciência, aprendam, estudem, se esforcem, melhorem-se como pessoas e como profissionais, nos organizemos, estejamos em paz com as dificuldades do nosso tempo, sem haver conformação, mas sabendo que para todo problema existe uma solução, mas elas podem ser lentas.

Aliás sempre as melhores soluções são as lentas, não tenhamos pressa.

It's a long way...

19.2.09

Avante, filhos da pátria!

Verás que o filho teu...

na hora do vamo vê, põe o rabo entre as pernas, sai ganindo assustado, se borrando todo...

Igual a um franguinho!

15.2.09

Ilustração nos tempos da fama

Antigamente, muito antigamente costumava-se dizer, pensar e valorizar as
pessoas pela qualidade daquilo que faziam. Se um cara é bom como artista,
ele faz trabalhos bons e justamente por isso ganha bem. não só como artista,
mas também como médico, advogado, cientista, professor, empresário, etc.

Nessa época exatamente, ilustrador era uma coisa rara, desconhecida, mas
muito valorizada. pois para ilustrar o cara precisava necessariamente ter um
grau de domínio de desenho e de técnicas que pessoas com uma formação não
muito sólida sequer tinham condições de pensar em entrar no mercado. Não
havia nenhum curso que uma pessoa saía “pronta” em seis meses ou um ano. na
verdade nem hoje isso acontece, mas pelo menos um monte de gente vende essa
idéia e um monte de gente compra essa idéia.

Algumas décadas atrás, acredito eu que no início dos anos 80, começou a
haver uma pequena distorção desse tipo de valor, aonde a qualidade já não
estava mais sendo um parâmetro para um profissional ser considerado ou
valorizado. talvez porque a concorrência e a excelência de algumas áreas do
conhecimento humano já tivessem atingido o ápice, como as artes, pois
podemos tranqüilamente dizer sem pestanejar que tudo o que poderia ter sido
estruturado, inventado ou transgredido foi feito até essa época.

Com a complexidade dos sistemas econômicos e sociais, acabou havendo uma
certa distância entre o talento e trabalho, fazendo com que fosse necessário
criar-se alguns “atalhos”, mecanismos ou pessoas que fizessem a ponte entre
as pessoas com capacidade e os empregos que necessitassem dessas pessoas.

Foi justamente nesse momento em que muita gente começou a perceber que ser é
muito complicado, exige estudo, aplicação talento, força de vontade e tempo.
Mas, desde que consiga-se desvincular a capacidade do reconhecimento, “ter”
acaba sendo muito mais fácil do que “ser”, sem contar que quando se “tem”
fica mais fácil provar aos outro de que você “é”.

Então, como numa coqueluche, foi aparecendo muita gente de talento e
qualidade “duvidosas” se destacando como “grandes”, e sempre que o trabalho
dessas pessoas eram colocados em cheque, respondia-se na maior cara lavada:
“é, mas o cara tá ficando rico!”.

Com o tempo, acabou virando uma verdadeira bagunça, pois dado a relação
qualidade = reconhecimento, ninguém mais seria capaz de dizer de maneira
objetiva se uma coisa é boa ou não, criando até mesmo o sofisma de que não
existe certo e errado, não existe bom e nem ruim, não existe nada.

Aliás, com essa história toda, começaram a aparecer as primeiras notícias de
pessoas que estavam enriquecendo porque todos cobravam 1000,00 por um
trabalho e o cara começou a cobrar 900,00 (o problema é que com o passar do
tempo o cara dos 900,00 começou a perder trabalho porque tinha gente mais
“esperta”, cobrando 10,00 pelo mesmo trabalho), a história de gente que
começou a ficar rico porque pagava uma comissão “por fora” para seus
clientes começou a não ser mais nem novidade e nem motivo de escândalo.

O problema é que a longo prazo um sistema baseado no “maricurejo” não se
sustenta numa sociedade de consumo, aonde as pessoas querem coisas novas,
interessantes e boas para gastarem o seu rico dinheirinho.

Foi então, que os donos da “bufunfa”, criadores de moda e formadores de
opinião (curiosamente grande parte deles os mesmo espertos que ficaram rico
fazendo coisas de qualidade duvidosa) resolveram esse problema através de
uma moda, aliás muito em moda ultimamente, capaz de trazer o talento para o
lado deles sem que o talento ganhe qualquer coisa, mas garantindo que o
dinheiro continue indo para quem sempre gostou de dinheiro, mas nunca gostou
de coisa boa: a fama.

Assim, hoje em dia já não vemos mais a tão manjada frase “é, mas o cara tá
ficando rico!”, pois ela andou sendo trocada pela frase “é, mas o cara é
famoso!”.

Como muita gente percebeu uma sujeira desmedida entre as pessoas que nadam
em dinheiro e resolveram não se vender, não se prostituir, não “sujar” a sua
arte com dinheiro, com consumismo, etc. Curiosamente, acabaram se tornando
as vítimas favoritas dos “donos do mundo”, pois a fama, a divulgação do seu
trabalho acabou, com o tempo se transformando em moeda forte para o nosso
sistema econômico.

E o que vemos hoje em dia? Um infinidade de clientes que exigem que o seu
fornecedor “vista a camisa”, isto é, que trabalhe de graça, que entre em
concorrência junto com ele fazendo trabalhos no risco que em 99,9999% dos
casos jamais serão pagos.

Atualmente, trabalhar por amor a arte ou compromisso com o trabalho é
tratado como uma grande virtude de um profissional, querer ganhar pelo
trabalho que se realiza é uma espécie de câncer, aonde aqueles que se
comportam dessa maneira são tratados como escória, gente indigna,
malfeitores, inimigos públicos.

É muito comum ver clientes se referindo a ilustradores que cobram pelo seu
trabalho como mercenários, pessoas sem caráter e sem escrúpulos.

Quantos de nós já não ouvimos clientes camaradas argumentando que se você
fizer um preço bacana vai poder ser visto pelo trabalho, que irá gerar outro
trabalho, e todo mundo acaba ganhando? Ou então, quem já não ouviu cliente
dizer que ao invés de pagar, ele coloca o seu nome nos créditos, para
compensar, assim o cliente estará divulgando o seu nome...

E quantos não caem nessa TODO SANTO DIA?

Um cliente que você cobre um valor abaixo daquilo que é justo irá pelo resto
da sua vida exigir de você que cobre aquele valor como o MÁXIMO para aquele
trabalho, e, o pior, é que quando você tentar cobrar o valor justo, ele irá
te acusar de explorador, dizendo que você não está mais sendo “parceiro”.

Sabe o que é pior ainda? Esse cliente que te paga pouco, ou nem te paga irá
te indicar para muitos outros amigos dele que precisam de um trou... quer
dizer, de um ilustrador com o seu mesmo perfil monetário, para ir sugar o
seu sangue.

Resumo da ópera: quem cobra pouco corre grande risco de ser cercado por
inúmeros clientes que exigirão que você continue cobrando pouco, e aquela
viajem que você sonhava fazer com a patroa para a Europa, ou aquele carro,
casa que você sempre sonhou vai continuar no sue sonho, pois com esses
clientes o futuro que te espera é continuar morando na casa dos pais,
andando de busão para cima e para baixo e no máximo fazer uma viagem com a
patroa para Águas de Lindóia cuidar da coluna toda arregaçada de tanto
desenhar a troco de banana uma vez a cada dez ou doze anos,, além de, se
você tiver sorte e trabalhar muito, ganhar uma tendinite crônica que te
obrigue a se aposentar em dez ou doze anos, isso sem ter juntado dinheiro
suficiente para viver de renda.

Ah, e seu cliente terá outros inúmeros desenhistas necessitando divulgação
do nome para continuar ganhando em cima, mas talvez um dia ele se lembre do
seu nome, quando estiver fazendo piada e contando vantagem de como era fácil
passar a perna em você.

Tudo isso, é o simples reflexo de um sistema baseado, atualmente na fama, no
sucesso, ser conhecido, famoso, virar estrela, ser capa da revista Caras,
ser entrevistado pelo TV Fama, ir no programa do Faustão ou do Gugu, poder
encoxar e menina da banheira (nem sei se isso existe ainda, ou se já
inventaram coisa pior), ser convidado para coquetéis em vernissage, poder
escrever em blog e ser lido, ter fã, uau! E a conta bancária que se dane.

Por causa disso todo mundo quer ser modelo, ator, apresentador de televisão,
ter uma coluna em algum jornal ou revista, fazer programa de rádio, virar
humorista, cantor. Ninguém mais quer ser cientista, professor, médico,
químico, engenheiro, esse pessoal não aparece.

É preciso que possamos perceber essas nuances para que não nos tornemos
vítimas desse tipo de prática, tão em voga nos tempos atuais.

Mas, eu estou começando, como eu vou conseguir meu espaço ao sol se não me
sujeitar a esse tipo de coisa?

Realmente tudo é mais difícil para quem está começando, mas não é porque
VOCÊ está começando que é difícil, isso é assim com TODOS, quem não estiver
preparado para passar pelas dificuldades de ser um iniciante, não estará
apto a ser um profissional maduro nunca.

Todo profissional passou por momentos difíceis, alguns momentos mais
difíceis, outros menos, mas todos indiscriminavelmente, isso faz parte de um
processo maior no que nós mesmos, pois depende da situação econômica do
país, do tipo de trabalho que você faz, do seus amadurecimento como
desenhista e como profissional, sua mentalidade, a demanda atual do mercado,
e assim por diante.

Vemos em situações como trabalhar de graça, em troca de divulgação, ou
outros esquemas miraculosos um atalho para não sofrermos tanto pelo processo
de seleção natural, amadurecimento profissional, desenvolvimento do nosso
potencial artístico, nos esquecendo que eles IRÃO ACONTECER, ou hoje, ou
algum dia. No entanto quando estamos começando temos condições físicas,
psicológicas e materiais que nos permitem passar por essas dificuldades,
sendo que se a gente passar pelo mesmo tipo de experiência alguns anos mais
tarde , as chances de fracassar será maior, pois você terá mais idade e será
naturalmente considerável mais descartável para o mercado, terá mais
dificuldades de adaptação, não terá o mesmo preparo físico, já terá
desgastes com outras coisas e não poderá se dar ao luxo de passar fome
estando casado e com filho para criar, por exemplo.

Sem contar que quando estamos começando firmamos as bases do nosso futuro,
escolhemos os passos que daremos talvez no resto da nossa vida, mas não
percebemos isso. Quanta gente se envereda por uma prática profissional que o
encarcere num rótulo que irá te perseguir par ao resto da vida? O briguento
continuará sendo briguento, mesmo se passar anos a fio sem discutir com
ninguém, o desenhista que só faz trabalho meia boca vai continuar sendo
considerado desenhista meia boca por anos a fio, ilustrador que cobra pouco
vai carregar esse rótulo por muito tempo ainda e, na hora que aparecer um
cliente ou trabalho grande, essa sua fama poderá até mesmo fazer com que
você perca o trabalho bom que apareceu.

Um empresa séria que precise de alguém para fazer um trabalho importante não
vai deixar o seu trabalho nas mãos de um ilustrador qualquer, vai exigir que
o ilustrador seja responsável e sério o suficiente para ela pelo menos se
sentir mais à vontade de deixar o seu trabalho em “boas mãos”. Somente
clientes “aventureiros” procuram ilustradores “aventureiros”.

Pode ser que essa moda de ser “famoso” ainda dure muito tempo, e pode ser
que ainda cause muito mais estragos, mas conhecermos um pouco como as coisas
funcionam pode nos dar uma vantagem na forma como nos posicionamos no
mercado e, quanto mais gente se colocar com uma postura mais séria, menos
aventureira, o mercado como um todo será forçado a se modificar por uma
pressão natural.

Mas para que isso aconteça precisamos evitar certas “armadilhas” e sabermos
nos defender. Uma delas é a armadilha de querer achar atalhos que nos levem
diretamente ao “sucesso”, sem que saibamos que o sucesso de verdade é aquele
fruto do nosso esforço. Se você chegou lá sem conquistas não venceu ninguém,
apenas levantou uma taça.

14.2.09

Sofisma - no nosso dia a dia

Outro dia eu estava pesquisando na Wikipedia e encontrei esse texto.

É curioso que, pelo menos para mim, se encaixa como origem de muitos dos nossos problemas de argumentação sobre a nossa valorização profissional e também sobre princípios éticos da profissão.

A impressão que se tem é de que os sofismas são coisas bastante distante do nosso dia a dia. Embora o português escrito seja bem lusitano, vale a pena ler o link e refletir.

O que acontece é que a gente não se liga muito, e costuma passar batido sem perceber ligação de certas coisas com o que a gente faz ou o mundo em que vivemos.

Por exemplo: quando as pessoas justificam a diferença de que um ilustrador de fora de São Paulo deva ganhar menos do que um ilustrador de São Paulo, ou uma empresa de fora do eixo Rio-São Paulo para justificar não querer pagar o valor que um trabalho merece ter mesmo se a empresa vender para o país inteiro.

A idéia de que o valor de um trabalho é relativo, até mesmo para se justificar a utilidade de uma ilustração. É muito comum ver pessoas dizendo que uma ilustração tem um valor inerente ao fato dela existir como arte, embora o valor deveria ser lógico e exato como o potencial de retorno financeiro que uma ilustração tem.

Outro ponto bastante discutível e que se encaixa muito no principio do sofisma é o "valor do artista", tem artista que vale mais, tem artista que vale menos, e porquê? Porque simplesmente eu valho mais do que você... Será que eu me sinto mais artista do que você???? Ou então que todos tem o mesmo valor, desde o Picasso ao Zé da esquina, desde o Miquelângelo ao cara que desenha em guardanapo de papel. Nada pode ser comparado, nada pode ser avaliado. Não é assim, tem coisa boa e tem coisa ruim. O fato de um trabalho ser ruim não é porque eu tenho uma formação cultural que não me permita ver a beleza daquele desenho, mas é porque o ilustrador precisa evoluir no seu trabalho. Isso costuma gerar até mesmo melindres, e muita gente se esconde de não ouvir um NÃO atrás de um sofisma como esse.

Agora se nós procuramos nos profissionalizar, evoluirmos como profissional e como desenhistas, então é bastante pertinente que possamos avaliar os trabalhos, as práticas comerciais para que possamos escolher e criar saídas para a nossa realidade.

Nesse universo de formação profissional, esses sofismas acabam sendo argumentos que confundem e não esclarecem, costumam criar uma cultura de "castas" aonde alguns nasceram para brilhar e outros nasceram para ser pisoteados. Alguém vale mais como ilustrador porque desenha com bico de pena e o outro que desenha com caneta futura vale menos, por exemplo, embora o resultado de ambos sejam iguais, é uma idéia absurda.

Ou que um ilustrador iniciante, por ser iniciante deve cobrar R$50,00 por um trabalho que um ilustrador com 10 anos de carreira deve cobrar R$ 350,00, um com vinte anos R$ 500,00 e um com trinta R$ 1200,00, porque um é iniciante, outro tem dez anos de mercado e outro tem trinta, sendo que todos os três fazem o MESMO trabalho e levam o MESMO tempo para fazer o trabalho. Como se o imposto que o iniciante paga fosse menor, como se, quando o iniciante fosse comprar material da papelaria ele tivesse um desconto especial por ser iniciante.

Existe muita justificativa para puxar seus valores para baixo, ou porque você é iniciante, ou porque você é inexperiente, ou porque você é velho demais; ou porque você não sabe das coisas, ou porque tudo o que você aprendeu é ultrapassado; ou porque você não é o Brasílio, ou porque você não é o Benício; ou porque você nunca trabalhou com o cliente, ou porque você sempre trabalha com o cliente; ou porque você precisa de dinheiro, ou porque você não precisa de dinheiro; ou porque o trabalho não vai quase aparecer, ou porque o trabalho vai aparecer em tudo quanto é lugar.

E assim por diante.

Quando a gente percebe que qualquer que seja a sua posição, tem uma lógica que prove para você que você não tem valor; ou quando por mais que haja diferenças nunca elas serão suficiente para para tirar ou manter alguém em evidência, pode contar que o Sofisma está se alojando nesse meio e dando cria.

Esse é um tema complexo, que pode mecher com a suscetibilidade das pessoas, mas que, se for analisado sem afetação pode nos dar um tremendo empurrão profissional.

Eu particularmente vejo os adeptos dos Sofismas como inimigos da harmonia entre as coisas.

Outro exemplo, é que existem clientes que se baseiam descaradamente me lógicas extremamente distorcidas com objetivo de confundir o fornecedor, mas também existem ilustradores que igualmente se utilizam de fórmulas sofistas para "enrolar" os clientes.

Muito ilustrador que percebe que deveria fazer a sua lição de casa e não faz, que é investir em cursos, estudar e treinar para aprimorar a sua técnica, investir em infra estrutura e procurar adaptar o seu tipo de trabalho para as demandas de mercado, costumam se vender como seres, quase que imateriais, cujo trabalho está acima do bem e do mal.

Não aceitam refação, não aceitam mudar estilo ou técnica e não aceitam serem questionados.

Com o tempo esse tipo de ilustrador vai perdendo cliente, mas deixa um rastro de destruição aonde tenha passado, clientes que ficam até mesmo traumatizados e largam mão de usar ilustração porque acham que ilustrador é tudo temperamental, estrela, impositivo, orgulhoso, etc.

O pior de tudo é que o uso de sofisma para engambelar ilustradores com idéias de que trata-se de trabalho grande, o de projeção profissional é o resultado indireto do abuso de idéias sofistas por parte de ilustradores mais antigos. Quem nunca ouviu falar daquele ilustrador das antigas, bom pra caramba e que esconde o seu segredo, não mostra pra ninguém como ele trabalha? Isso com medo de perder mercado. Esconde tanto o ouro que esconde detalhes técnicos até dos clientes, que ao receber explicações pouco conclusivas sobre o seu trabalho, acabam se cansando de não compreenderem a lógica por trás do trabalho do cara e acaba trabalhando com foto, que é menos complicado.

Eu me lembro a uns dez anos atrás, eu era fornecedor de uma revista, desses que trabalhava regularmente, e a redação dessa revista recebeu, um belo dia a visita de um ilustrador figurão da época, que já havia ilustrado muito para revistas com temas de ufologia e ocultismo e tinha um trabalho já bastante conhecido.

O problema é que o cara foi "vender" o seu trabalho, mas o tipo de trabalho que o cara fazia, o trabalho não estava muito de acordo com a linha editorial da revista. Então o belo e formoso ilustrador figurão, em mais de duas horas de conversa com o editor ficou tentando de toda forma convencê-lo, não só a contratá-lo para ilustrar, porque ele era um cara importante, já tinha feito isso e aquilo, como estava tentando convencer o editora a editar uma revista nova, que não existia, só para essa revista ter uma linha editorial que condissesse com o trabalho do cara.

Que tremenda cara de pau!!

E eu ali só prestando atenção no showzinho do cidadão...

Resultado, hoje em dia ninguém mais se lembra do cara, nem eu consigo me lembra do nome dele para escrever aqui... Era um xarope cabeludo, meio bicho grilo.

Então a gente começa a ver que ser sério é não tentar enrolar o outro, seja cliente, seja quem for. Não se utilizar de técnicas de oratória ou retóricas avançadas para confundir o cliente. Ninguém gosta de ser tratado como criança. Se você algum dia não tiver explicação para vender o seu trabalho, vale mais a pena se calar e apenas ser cordial do que tentar tirar leite de pedra.

E a mesma coisa com relação a forma do cliente te tratar. Se alguma vez o cliente não for CLARO, não respeitar regras, dizendo o que ele quer, como ele quer, de que jeito ele quer e para qual finalidade, por qual prazo, respeitando o seu valor seja ele qual for e respeitando contratos, PULE FORA!

Muitas vezes a gente fica com dor na consciência de perder cliente que não quer pagar o seu valor, ou que não quer fazer contrato, ou quer que você já vá fazendo porque ele está com pressa antes de acertar valores e prazos, só que esse clientes costumam ser aquele que tomam seu tempo de impedem achar um cliente melhor, e quase NUNCA compensa porque ele te da o cano e te sacaneia. O pior de tudo é que o ilustrador nessa história é sempre a "mulher de malandro", sempre acha que o cara vai mudar e sempre leva pancada na cara.

Se o pessoal simplesmente aprendesse a evitar clientes assim, metade dos problemas dos ilustradores acabariam, pois os problemas na sua grande maioria são, ou de clientes que não te valorizam, ou falta de trabalho. Pelo menos, um dos problemas se resolvem.

13.2.09

Sobre Model Sheet

Não existe uma padronização no serviço de model sheet, mas existe uma base do que todo model sheet precisa ter.

Basicamente um model sheet precisa ter uma folha contendo o personagem de frente, perfil, três quartos de frente e de costas e também de costas, além de uma página contendo algumas expressões corporais e outra com expressões faciais.

Isso é o básico do básico. Em casos de model sheet com preços mais em conta, isso pode rolar numa boa.

O ideal é que as posições do personagem esteja em um cânone que marca proporção do personagem tendo como base o tamanho da cabeça, e também uma montagem do rascunho para se chegar ao desenho final em todas as posições.

Também um model sheet ideal precisa ter estudo de aplicação de cores, com cor chapada, degradê, aplicação de cores em RGB. CMYK, Pantone, etc.

Alguns casos também se fornece algumas artes já prontas para o cliente utilizar (mas isso depende da negociação feita).

Também existe a opção do style guide que é mais complexo ainda, que é um guia de utilização do personagem, seguindo os moldes de utilização de uma marca. Ou seja, utilização em fundo branco, preto, colorido, em foto, utilização em traço em cores, utilização com estampas e por aí vai.

Cada um desses trabalhos é uma coisa à parte, criação não necessariamente precisa ter fornecimento de model sheet. Se você está criando sob encomenda, uma ilustração já passa a idéia do personagem, o model sheet vai padronizar e permitir que mais pessoas possam utilizá-lo. E o style guide já é uma coisa a mais.

Embora possa parecer que para criar o personagem não haverá trabalho, esse é um engano muito comum, principalmente entre o pessoal mais inexperiente, pois para se fechar em um personagem, muitas vezes você terá que fazer inúmeros estudos, primeiro à lápis, para apresentar o traço ao cliente, o estilo do desenho, detalhes do personagem que imprimam as características psicológicas do personagem e assim por diante. Uma vez que o personagem com seus detalhes e o estilo da ilustração do personagem estiverem ok, então você finaliza. Esse trabalho poderá levar mais de um mês para ser feito, desde que se observe TODOS os parâmetros necessários para a criação do personagem.

O Model sheet, então passa a ser outro trabalho, igualmente difícil e lento, mas não irá te exigir o mesmo grau de criatividade e de testes quanto na criação.

O Style guide, ao meu ver já é um trabalho mais complexo ainda do que o model sheet.

Só para que as pessoas tenham uma idéia, não é incomum demorar dois meses para se criar um personagem ou quatro meses para além de criar o personagem montar um model sheet e até ultrapassar esse prazo, caso você também tenha que montar um style guide.

Outra coisa, ao contrário do que bastante gente possa pensar, model sheet e style guide não é frescura não, tem uma grande utilidade, mas somente compensa fazer quando o cliente já tem um planejamento sólido de aproveitamento do personagem. Caso contrário até mesmo a criação de um personagem sob encomenda se transforma numa perda de tempo e dinheiro.

12.2.09

Ilustradores Workaholic

É bastante comum vermos ilustradores que trabalham com certa frequência noite afora, nos finais de semana, sempre em dias e horários que somente malucos trabalhariam.

Alguns inclusive trabalham igual maluco, sem dormir, comer, ficando doentes e tudo mais e depois amargam meses sem um único desenhinho...

Eu tenho uma opinião formada sobre esse tipo de assunto, que pode até mesmo ser uma grande viagem, mas de repente vale apenas expor para que possamos ver se tem alguma procedência o meu modo de pensar.

Para exemplificar melhor a minha idéia, eu vou contar um pequeno causo histórico.

No século XVIII na Inglaterra foram criadas as primeiras fábricas da história, empregando cada vez mais gente para absorver a demanda já que desde aquela época o governo britânico sempre foi muito agressivo quando o assunto era vender seu produto para o mundo todo.

Naquela época qualquer pessoa poderia trabalhar numa linha de produção, qualquer mesmo, homem ou mulher, velho ou criança, saudável ou doente, o que importava era ter alguém que pudesse trabalhar para as fábricas continuarem a produzir.

Também não jornada horária, trabalhava-se 10, 12, 14, ou quantas horas fossem necessárias. Também não havia férias, 13º, fundo de garantia, vale transporte, vale refeição, salário base, licença prêmio ou licença maternidade, cesta básica, carteira de trabalho, aposentadoria ou um sistema de previdência social nem seguro desemprego.

A coisa era simples, você trabalha e ganha tanto. Se você não quiser sai da fila que tem um monte de gente que quer.

Quando a situação foi mudando? Quando, graças à esse sistema várias pessoas trabalhavam até morrer ou então ficarem inválidas e as fábricas simplesmente mandavam embora o inválido e contratava outra pessoa no lugar.

Quando a classe operária ficou cansada, a começaram a desejar trabalhar com uma certa dignidade e se unir para isso.

O resultado todo mundo sabe: salários melhores, previdência social, aposentadoria, férias, 13º, jornadas de trabalho de oito horas diárias, salário mínimo e base salarial, etc..

Hoje em dia muito se critica os socialistas e sindicatos, mas se não fossem eles todo mundo estaria trabalhando como escravo. Aliás, uma boa lição de casa para um ilustrador seria ler a obra de Karl Marx, ao invés de criticar idéias socialistas porque leu o Diogo Mainardi na Veja ou viu a entrevista do empresário sei lá qual na televisão ou leu sei lá quem na folha e repete o que os outros dizem igual papagaio.

Aí, a gente volta para a NOSSA questão... Voilá!

Parecemos os operários do início da revolução industrial. Trabalhamos muito, ganhamos pouco, alguns ficam doente de tanto trabalhar, na hora que o ilustrador entra em parafuso o cliente simplesmente troca de fornecedor como se tivesse trocado de roupa, contrata-se quem trabalha mais para ganhar menos. Varamos noites a fio e não podemos nos dar ao luxo de atrasar um único trabalho.

Ah, e também somos obrigados a pegar um trabalho por qualquer valor, já que se a gente não pegar, vem outro e pega. Sem conta nos maravilhosos CCDAS das editoras que nos tiram TUDO e um pouco mais.

Essa é a nossa realidade. Antigamente os ilustradores trabalhavam dentro das empresas, que tinham os seus estúdios, e lá dentro se aprendia muito, fazia-se uma carreira sólida e parecia que bastava tudo ficar sempre na mesma que ilustrador nunca riria desaparecer ou passar necessidade.

Hoje em dia, vemos que não ficou tudo na mesma, as empresas fecharam seus estúdios, passaram a contratar mão de obra terceirizada, praticamente não existem empresas que fornecem essa mão de obra, mas cada profissional é uma empresa de um único profissional.

Vivemos isolados no mundo, cheios de manias, se batendo contra os concorrentes, brigando por um pedaço de pão amanhecido, com uma rivalidade velada sobre o colega de profissão ao lado, defendendo o direito de se manter isolado, de não virar empresa, de não ter CNPJ, de não ter estúdio, de não ter equipe de trabalho, no máximo botando a família para trabalhar junto, já que parente a gente pode pagar pouco, defendendo o direito de somente pensar na casa, no trabalho esperando que alguma coisa caia do céu e melhore a nossa vida.

Se pegarmos a história de qualquer país, grupo étnico, classe social, profissão, time de futebol, bloco de países, região geográfica, grupo empresarial, grupo de trabalhadores, fabricantes, comerciantes, banda de rock, movimento artístico ou seja lá o que for, veremos que o sucesso de um grupo somente acontece se antes existe uma UNIÃO.

Mas união significa fazer parte de um grupo, mas de um grupo aonde existe participação, existe sinergia entre as pessoas, alguns pensam e muitos agem, aonde as pessoas se unem em torno de uma causa ou objetivo comum e todos trabalham gerando um movimento.

Não existe uma única história em que um grupo tenha sido bem sucedido porque somente uma pessoa, ou meia dúzia fez algo e a maioria está cada um pensando na sua vida. As guerras não são ganhas pelos líderes, mas pelos soldados. Revoluções não são feitas por mentores intelectuais mas por pessoas comuns e anônimas. Tanto é assim que Tiradentes não libertou o Brasil, nem Willian Wallace libertou a Escócia, nem Roosevelt ganhou a segunda guerra sozinho, nem o movimento impressionista foi bem sucedido porque apenas um pintor resolveu montar uma exposição independente.

Para mim esse negócio de trabalhar varando noites a fio, não ter horário pra nada, ser obrigado a aceitar exigências cada vez mais abusivas de clientes, ficar meses sem pegar trabalho é apenas o reflexo da nossa falta de união e participação.

Talvez as pessoas não estejam percebendo que estamos hoje semeando como será a nossa vida no futuro, se hoje eu pego um trabalho que custava 1500,00 para fazer opor 800,00, significa que amanhã eu também irei aceitar fazer o mesmo trabalho por 500,00, ou então alguém irá aceitar.

Se hoje eu aceito trabalhar 14 horas por dia, amanhã eu aceitarei trabalhar por 16 ou 18 horas por dia. Se hoje eu aceito um CCDA liberando tudo, quem não me garante que no futuro eu estarei pagando para colocar essa ilustração dentro de meu portfolio?

Acontece que para isso mudar, não é alguém que precisa fazer algo, mas eu mesmo. Quem tem que mudar sou eu e não o mercado, ilustrador não trabalha à noite porque tem insônia ou é notívago, mas porque aceita trabalhar à noite. Ilustrador sofre não porque é masoquista, mas porque acha que ceder é certo, porque se não pegar um trabalho que vai ficar 15 dias trabalhando em cima igual louco para ganhar 600,00 o cara vai ficar desesperado pensando que tem outro cara que topou pegar o trabalho, ao invés de dar graças à Deus por não ter entrado nessa enrascada.

Quem tem que mudar somos NÓS e não o mercado. Costumamos chamar o mercado de ingrato, de feroz, de injusto, de abusivo. Mercado NÃO existe, quem é ingrato, feros injusto e abusivo somos NÓS.

Entrar em neurose porque eu terei que cobrar menos pelo meu trabalho ou trabalhar igual louco para o trabalho compensar é loucura, insanidade, aí é que a gente realmente não vai ter tempo para fazer coisa alguma, nem participar de lista de discussão, nem de encontro de ilustrador, nem de fim de semana com a família, muito menos de Abipro.

Escolhemos todos os dias os caminhos que tomamos, todo dia damos um passo para qualquer direção, mas não percebemos qual a direção estamos tomando, assumimos uma cegueira que comprova a nossa incapacidade, pelo menos por enquanto, de decidir pelo nosso próprio futuro.

Não devemos ter uma postura de conformismo, mas de vontade de mudar, senão nada irá mudar, todos sabemos muito bem quais são os caminhos que o mercado irá trilhar caso nada aconteça, Todo dia entra mais e mais pessoas querendo ser ilustrador e nós mesmo estamos ensinando para ele que é assim mesmo, que tem mais é que varar noite, ganhar pouco, trabalhar de graça, acreditar em promessas de fama e sucesso, aceitar imposições absurdas, horários completamente for a da realidade, aceitar perder a convivência com nossos familiares e amigos.

Cabe a cada um de nós fazer a sua parte, sem esperar do outro, mas tendo a consciência de que EU estou fazendo isso porque, mesmo que o outro não faça, eu estou me diferenciando do outro, eu estou me postando no mercado de maneira diferenciada, impondo respeito a minha condição de profissional. Não adianta a gente ficar reclamando ou mesmo aceita calado e esperar que um dia algo extraordinário aconteça. Qualquer coisa, seja qual for somente acontece quando temos o mérito pelos nossos esforços. Ninguém irá resolver os nossos problemas e nos dar de presente.

Se esse tipo de coisa, trabalhar à noite, ganhar pouco e aceitar exigências absurdas fosse algo "normal", simplesmente TODAS as profissões em TODAS as partes do mundo já seriam assim.

Estamos com um grau de aceitação do que é normal, infelismente com padrões muito baixos.

Seria bom se todos pudessem refletir e reavaliar nosso padrões sobre o que é normal, o que é um ganho considerado normal para um ilustrador que é na verdade uma empresa, como se trabalha, com qual estrutura, quantas horas por dias e o que ou quanto se ganha por isso.

Refletir, reavaliar, penso eu, seria um ótimo começo.

11.2.09

Nome aos Bois

É muito comum vermos, lermos e ouvirmos pessoas reclamando de colegas de profissão que tiram o trabalho de outros por cobrarem menos, por pagar bola, cleinte que dá o cano, impõem claúsulas abusivas e exploram das mais variadas formas, mostrando o quanto o nosso mercado é mundo cão.

O problema é que a maioria das pessoas se manifesta sempre na surdina, e quando alguém quer escancarar a porcaria, dar nome aos bois livremente, sempre tem inúmeras pessoas que chegam com a filosofia do "deixa disso", argumentando que isso é imoral, ilegal, pode render processo.

O engraçado é que no Brasil, sacanear não dá processo...

Eu sempre fui a favor das pessoas denunciarem quem é quem.

Realmente não acho antiético denunciar pessoas mal intencionadas, mal pagadores, etc. Antiético é esconder para que o próximo trouxa caia nas mãos dos sem vergonhas.

Sem contar que a melhor forma de se evitar calotes, ações antiéticas, imorais, abusos é fazendo com que as pessoas que assim agem terão a certeza de que não serão acobertadas e terão que responder pelos seus atos.

Esse país atualmente sofre duma grande doença que é a idéia que qualquer pessoa tem o direito de ser mal caráter sem ser importunada e sem ser punida. Vivemos num império da impunidade. Todos procuram se acobertar e tapar o sol com a peneira.

No mundo todo comportamentos anti éticos e abusivos são combatidos por uma simples questão de que aquilo que é certo, é certo mas aqui as pessoas costumam se aproveitar dos "esquemas" para levarem vantagem sobre os demais.

Inúmeros são os ilustradores que sustentam grandes clientes na base da bola, ou que furam esquemas de valores, dizendo para as pessoas não aceitarem custos baixos e na surdina praticam esse valores, aceitam ceder TUDO e mais um pouco e, na maioria das vezes se revoltam porque perdem trabalho por alguém que aceita trabalhar por menos ou que cede mais do que você.

Muita gente vende personagem por R$ 800,00, muita gente faz Storyboard por R$ 50,00 o quadro, muita gente faz capa de livro por R$ 300,00, muita gente faz trabalho de dias a fio inteiramente no risco e perante a coletividade se vendem como profissionais de alto gabarito.

Os clientes somente oferecem essas condições subumanas de trabalho e pagamento porque existe gente que as aceita, e digo mais, não é uma ou duas pessoa, mas gente pra burro.

Cada um precisa antes de mais nada ter consciência de que não está levando vantagem sobre o seu concorrente, mas está deteriorando o seu próprio mercado, está matando a sua galinha dos ovos de ouro, está matando a si mesmo de fome e destruindo a sua própria profissão, não a profissão do outro.

Aí chega numa revista ou jornal e fala que a ilustração morreu, lógico com ilustradores assassinando o seu próprio mercado, morre mesmo.

O que precisamos é tratar bem o nosso mercado para que ele não morra, mas para que ele viva e com muita saúde.

E Não adianta vir dizer que essa é a tendência, que isso é mentira. Se fosse assim os ilustradores estariam se extinguindo de mercados maiores como EUA e Europa, e isso não acontece, somente no Brasil.

É preciso que cada um pergunte a si mesmo: será que não sou EU que estrago o mercado? Será que o problema são realmente as editoras? Será que o problema é realmente o outro?

Todo ilustrador pensa sistematicamente em diminuir a sua estrutura, montar estúdio do quartinho do fundo, botar a família para trabalhar para você, colocar moleque te ajudando, comprar o material mais barato possível, abrir empresa pensando em pagar o mínimo imposto possível, tudo isso pra quê? Para sobrar mais dinheiro?

Duvideo-dó!! É para cobrar mais barato pelo seu trabalho. Eu já vi muita gente com síndrome de cobrar mais barato. Acha que pega trabalho somente se cobrar mais barato e depois que pega o trabalho porque cobrou menos sai por aí falando que tem trabalho por que é bom profissional.

E sai dizendo por aí que está por cima da carne seca. Acreditando que ilustrador vara a noite porque tem alguma coisa no DNA do danado que faz ele virar notívago, dizendo por aí que ilustrador adora trabalhar nos dias e horários mais ex6entricos possíveis...

TUDO MENTIRA!!!

Qual de nós não se cobra porque não pode passar as noites com a família?

Qual de nós se sente realmente feliz em trocar feriados que poderia passar indo com a família no parque, assistindo um cinema, enfurnado no estúdio sem tomar sol e sem comer direito?

Eu respondo: NINGUÉM!

E como mudar isso?

Será que já não passou da hora de cada um de nós fazermos a NOSSA PARTE? Se não para benefício da categoria (pois ilustrador não pensa mesmo no coletivo), pelo menos para benefício PRÓPRIO.

Quantos de nós não estragam seus relacionamentos, colocam casamento, filhos e amigos a perder por causa das imposições de trabalho?

Quantos de nós somente tem relações com pessoas que trabalham igual a nós, sem dia e sem horário, porque os outros não NOS compreendem?

Vamos fazer uma análise real de consciência.

Por que será que as pessoas acham por aí que desenhista não trabalha?

Será que é realmente por preconceito?

O que fazemos para mudar a imagem que as pessoas tem de nós? E o que fazemos para mudar a realidade da nosso mercado?

Coletividades existem para tentar promover mudança, mas somente o indivíduo realizando o seu papel poderá mudar a sua vida.

Ninguém irá mudar o seu mercado por você, o que podemos fazer é acima de tudo proporcionar mecanismos para que a discussão exista, para que as pessoas possam fomentar a análise de mercado e propor alternativas, mas as atitudes precisam ser tomadas e adotadas individualmente.

10.2.09

Sobre cores

Uma vez, me pergutaram sobre como eu faço para estudar cores, se eu uso algum princípio de teoria de cores, etc.

De certa forma, eu não faço estudo de cores porque eu já acostumei a imaginar a arte colorida antes mesmo de começar a colorir, e geralmente o resultado final é aquele que eu planejei.

Mesmo assim, é importantíssimo que as pessoas pensem bem antes de colocarem cores a rodo sem ter uma noção de como a arte deve ter em mente algumas regras básicas, as que eu costumo utilizar são geralmente as abaixo:

1- Quando você quiser que haja um resultado em que as cores sejam bastante contrastante, o ideal é saber que objetos em ambiente com luz direta do sol deve prevalecer cores quentes e objetos em ambientes com sombra devem prevalecer cores frias.

2- Quanto mais próximo o objeto estiver mais carregadas devem ser as cores

3- Em artes com cores mais amenas e sem tanto, mesmo se você trabalhar digitalmente para mídia que utiliza RGB os ambientes dentro de áreas de sombra ficam melhor caracterizadas utilizando-se uma palheta CMYK, enquanto que os ambientes em contato direto com o sol ficam melhor utilizando-se uma palheta RGB.

4- Se você estiver colorindo objetos longe devemos nos lembrar que, quanto mais afastado o objeto, mais haverá nele a presença de azul e de branco, sendo que devemos acrescentar azul geralmente para transmitir uma idéia de clima de sol e branco para transmitir idéia de frio ou chuva, o motivo disso é científico: entre o nosso olho e um objeto muito afastado de nós existem dois elementos 1-ar e 2-água. O ar por causa da Oxigênio e do Nitrogênio tem coloração azulada e a água tem coloração branca mesmo. Em dias de calor o ar tem menos humidade, ficando mais azul e em dias mais frios e chuvosos aumenta consideravelmente a humidade relativa do ar, por isso os objetos de longe se aprecem esbranquiçados. Pela manhã isso também acontece, mas por causa da incidência dos raios solares os objetos podem ficar amarelados ou rosados.

5- Quando existir algum objeto, pessoa ou detalhe que você queira destacar em uma cena, você pode alterar as regras de cores para dar maior destaque à figura, por exemplo, numa ambiente frio a ação principal de cena conter cores quentes.

Essas regrinhas são bastante interessantes, mesmo se a gente pegar conceitos sobre técnicas de pintura, também existe muito recurso legal.

7.2.09

Uma pequena fórmula para montar orçamentos

Eu um tempo atrás montei uma fórmula bastante interessante.

Eu estava aqui mechendo no meu material e criei uma fórmula para descobrir o valor para licenciar uma ilustração para propaganda, mas eu gostaria de passar para vocês, para que vocês fizessem alguns testes e ver se essa fórmula para propaganda pode ser viável.

Até o momento essa fórmula parece bastante rasoável, e seira interessante passa ela adiante para pessoas interessadas.

Segue a bagaça:


Tudo se baseia no cálculo do seu custo para realizar um trabalho.

Unidade de Ilustração = X = Custo/Hora

Tipo de Ilustração = Y:
Vinheta Y = 2X
Meia Página Y = 4X
arte A4 Y = 8X
arte A3 Y = 16X
Maior que A3 Y = 24X

Mídia de Licenciamento = ML:
Impressa Endomarketing = 10%Y
Impressa PDV = 25%Y
Internet = 50%Y
Impressa Geral = 100%Y
TV = 200%Y
Indeterminada = 500%Y

Área de Licenciamento = AL:
Regional = 0%Y
Estadual = 10%Y
Nacional = 25%Y
América do Sul = 50%Y
EUA = 100%Y
Continente Inteiro = 200%Y
Dois Continentes = 500%Y
Indeterminado = 1000%Y

Tempo de Licenciamento = T
Seis meses = 0%Y
Um ano = 5%Y
Dois anos = 10%Y
Cinco anos = 15%Y
Dez anos = 25%Y
Vinte anos = 40%Y
Indeterminado = 70%Y

Como Calcular:

Basta você realizar o seguinte cálculo:
Y+ML+AL+T

O resultado é o valor que você deve licenciar.

6.2.09

Mercado Editorial??

Eu vou procurar agora defender ilustradores, de acordo com as dificuldades que nós temos de enfrentar no mercado atualmente. É só um ponto de vista, provavelmente não é o verdadeiro, é apenas o meu ponto de vista. Acredito que em alguma coisa eu possa ajudar às pessoas que procuram uma orientação. Se isso não for possível, peço desculpas, antecipadamente.

Principalmente no mercado editorial a coisa anda feia a algum tempo e desde que eu ouvi as reclamações sobre o mercado editorial, a coisa está cada vez pior, esse meio tem trocentos mil pessoas se propondo a prestar serviços de ilustração, pessoas que não se conhecem, nsequer conhecem outro ilustrador, colga de trabalho de luta e concorrente direto. isso faz com que as Editoras tenham um trunfo e tanto nas mão, e não será uma editora quem irá promover o encontro e intercâmbio entre seus fornecedores, afinal de contas, se o ilustrador se unir muito poderá ficar forte e deixar de ser explorado.

Nós costumamos lutar mal e porcamente para, dentre outras coisas, implantar uma tabela para padronizar os valores dos trabalhos prestados, por editoras agências, etc. Acontece que muita gente, inclusive ilustradores, tem muito receio de entrarem nessa, pois com a quantidade de gente se propondo a trabalhar como ilustrador, espalhados pelo país, sem nenhuma organização, união e consciência, diante da organização e poderio das editoras, nós estaremos nas mãos delas. Basta imaginar que as Editoras escolhem quem eles querem que trabalhe com eles e se você cobrar mais caro, haverá pelo menos uns vinte que toparão trabalhar por qualquer merreca. Isso significa que, provavelmente os valores continuarão caindo e os ilustradores vão continuar se acotovelando pra pegar trabalho.

Bem, ao menos por essa lógica, nós estamos literalmente nas mão dos clientes, pois eles mandam, quem manda é o mercado.

Ok, quem manda é o mercado,sem mesmo levar em consideração de que a palavra mercado significa a união entre consumidor, cliente e fornecedor, vamos pelo menos pensar da seguinte forma: algum ilustrador sabe o valor do seu trabalho pelo mercado pura e simplesmente? Não, porque num sistema em que Editores de Arte ditam, mandam e desmandam qualquer coisa que eles propõe o cidadão aceita, então o mercado a muuuuuito tempo deixo de ter valores reais. A culpa disso são dos próprios ilustradores que abrem as pernas pra qualquer valor, no dia que os ilustradores se derem ao respeito de não aceitarem qualquer furada a coisa começa a mudar. É fácil, cômodo e completamente interessante para os nosso fornecedores termos a impressão de que estamos nas mão deles e não há nada que possamos fazer. Em outras palavras, somos todos LOOSERS. Perdedores! Então vamos nos recolher as nossas insignificâncias e dar graças a Deus que algum Editor de arte caridoso resolver me dar uma esmolinha disfarçada de trabalho.

Eu prefiro pensar diferente. Pensar dessa maneira dói muito. Sinceramente.

 No dia em que bons profissionais resolverem trabalhar por um valor X, os caras vão ter que, no mínimo, sentar com os ilustradores e colocar as cartas na mesa, mostrando o quanto realmente podem pagar e porquê. Porque a Abril paga hoje em dia metade do que pagava anos atrás? Será que houve deflação e eu não tô sabendo? Será que o preço dos materiais utilizados em ilustração caíram pela metade, o aluguel também, o IPVA idem e a carga tributária no Brasil deixou de existir? Se os Editores não puderem contar com ilustradores que "façam a diferença" e ilustrem materiais que auxiliam a alavancar a venda de seus livros e revistas, eles não serão loucos de colocarem o seu ganha pão na mão de qualquer Zezinho que ilustra com Clipart e verem a venda de suas preciosas fontes de renda irem por água abaixo. Os caras são mal caráteres, mas não são loucos.

A gente também pode achar que um piso ou uma tabela só funcione em regime sindical, que precise de uma organização competente para que a coisa ande, que regulamente a profissão, a formação e os profissionais, além de fiscalizar os procedimentos éticos e profissionais. Muita gente acha que isso é perigoso, porque pode se transformar numa fonte de corrupção, como acontece em tantos meios, pode até virar uma espécie de "Máfia". É perigoso, por isso exige atenção e responsabilidade redobrada para que algo assim seja realizado. E digo mais: outros meios aonde ocorrem abusos e "máfia" isso somente acontece porque seus membros não são assim tão atuantes, fiscalizadores e competentes como deveriam ser. Agora, é muito fácil perceber que o modo mais seguro da coisa ocorrer em nosso benefício éregulamentando a nossa profissão, assim como acontece com os dentistas, engenheiros, etc. Eles têm uma "reserva de mercado". Mas São reconhecidos pelo poder público, são regulamentados e tem meios legais de se defenderem, basta ver como é a OAB. Aí todos seguiriam uma norma estabelecida e as editoras não teriam outra alternativa a não ser aceitar os preços e os modelos de contratos da categoria.


Isso é ilegal? Então os Advogados são ilegais, os médicos são ilegais, os dentistas também... Me parece que pensar dessa forma não corresponde exatamente com a realidade, embora nós admitamos que essas categorias citadas tem condições de crescerem, se organizarem e term um futuro próspero bem maior do que os ilustradores.

É engraçado que o óbvio ululante é tudo aquilo que nenhum profissional de ilustração bem sucedido ou bem relacionado atualmente quer, não é mesmo? E não quer porquê? Por que vai dar trabalho? Seria muito melhor que alguém que não somos nós lute pelos nosso direitos. Talvez o Papai Noel ou o Coelhinho da Páscoa façam isso com sincero ensejo de fazer o bem, porque o resto vai querer nos engambelar e ganhar às nossas custas. Ou seja, ou nós pegamos os nosso interesses, lutamos por eles e fazemos a nossa realidade acontecer, ou ninguém irá fazer isso por nós. Todo mundo quer sempre um salvador da Pátria, me parece que até os ilustradores. Mas isso é um defeito dos brasileiros, eu acho que é um defeito de fábrica dos brasileiros...

Não tem saída, precisamos parar de brincar de ilustradores organizados e sermos organizados. Eu me esqueci que tem muita gente com medo de um suposto sindicato, porque sindicatos são antros de corruptos, aonde tudo rola na mão grande e no fundo no fundo ninguém luta pelo interesse do outro. Acontece que se houver um Sindicato de Ilustradores, quem vai fazer parte do Sindicato serão ilustradores, eu, você, os membros da Sib e outros ilustradores mais.

Não vai fazer parte o Vicentinho, nem o Marcos Valério e nenhum barbudo briguento que vai andar nas portas das Editoras e Agências fazendo piquete, a não ser que esse barbudo seja algum de nós. Se o Sindicato tiver corrupção é por que nós, Ilustradores somos corruptos. Eu parto do principio de que todo mundo é honesto.  Então porque temer um Sindicato? O que precisa haver é trabalho de todos, cobrança por parte dos membros para que uma Instituição qualquer funcione, pressão de base para que os que decidem trabalhem pelo todo, coisa que brasileiro não faz e não gosta de fazer, mas repito, ou nós fazemos por nós, ou ninguém fará isso.

Eu sei que pela lei de oferta e procura, se analizarmos a grosso modo, temos no mercado, principalmente editorial, uma verdaderira enchurrada de ilustradores para pouco trabalho. Realmente por esse ponto de vista tem muuuuuuuuito ilustrador disponível no mercado hoje em dia. Bem mais do que as editoras precisam. Tem um poucos excelentes, muitos medianos e alguma porcaria (eu já acho que a porcaria é enorme!). Se nós pensarmos assim, iremos também acreditar que só pelo númeor de medianos, o mercado já está saturado. Aí essa história de tabela vai por água abaixo, já que existe uma pressão natural pra coisa não ir pra frente.

Mas, analizemos bem. Hoje em dia não se faz mais ilustradores como Benício, ou Shumann, ou o Pedro Mauro. Eles são ótimos realmente.
Outros que estão aí e são por muitos considerados ótimos, são na verdade medianos, tal é o grau de degeneração da qualidade e do valor que a ilustração tem no Brasil. Isso não é nenhuma desfeita a esse profissionais, mas eles não tem mercado suficiente para que possam evoluir e tem pouquíssimas oportunidades de uma formação mais sólida. Sem contar os inúmeros clientes que acham que qualquer porcaria serve como ilustração.

Agora, pensando por esse modo, como tem ilustrador? Então me diga, aonde um ilustrador se forma para ser ilustrador? A verdade que o nosso mercado está ao Deus dará! Qualquer pichador de muro pode ser considerado ilustrador, basta o cara ter cara de pau suficiente pra isso. Ou a coisa vai pros trilhos, ou é melhor todo mundo resolver mudar de profissão, porque não teremos futuro algum.

A coisa precisa ser regulamentada e regularizada, pra ser ilustrador, é preciso estudar, se formar, aí com formação pode se trabalhar como ilustrador. Um Zé Mané qualquer consegue expor seus trabalhos numa galeria, Um Zé mané qualquer consegue trabalhar como engenheiro num escritório de Engenharia? Um Zé Mané qualquer consegue trabalhar como Advogado num escritório de Advocacia? Então porque um Zé Mané qualquer pode trabalhar como ilustrador numa Editora?

O que nós vivemos, infelizmente, não é uma situação de mercado livre, é a casa da mãe Joana. Todo mundo quer convencer a gente de que Ilustrador não é uma profissão especializada, e tá todo mundo comprando essa idéia. Não especializado é ser balconista, oficce boy, carteiro, engraxate, manicure. Ilustrador precisa de uma tremenda formação e muita dedicação. Um ilustrador não se faz do dia pra noite, nem em um cursinho de seis meses. Por que a gente reluta tanto em reconhecer quem nós somos e trabalharmos para que possamos melhorar o nosso próprio mercado? O que tem disponível é moleque com jeito pra coisa que desenha bem e micreiro. Ilustrador é outro papo.

Muita gente também acha que não dá pra deixar um trabalho de lado porque o valor pago em editoras é baixo e existem inúmeras contas para pagar. Como se isso fosse um tipo de coisa que somente "mestres" e ilustradores excelentes podem fazer . Os "mestres" também pagam contas, se vestem, se alimentam, não são seres "alados", embora seus trabalhos nos façam acreditar que sejam seres de outro planeta. Sem contar que pode haver algum ilustrador melhor do que você mas que pense "menor" do que você, e que não acredite que vai conseguir se sustentar se somente topar trabalhos melhores remunerados. Aí vem o fantasma do cliente que pode chegar pra qualquer um de nós e falar:pra pagar o dobro então vou chamar o fulano, que é excelente, muito melhor do que você.

Bom, eu prefiro então que o fulano pegue e depois sofra pra se sustentar, e ao acontecer isso é uma pena, principalmente da parte dele que deixa de ser bem sucedido por medo. Agora se seu cliente te falar: "se você não quer, tem dez querendo", deixa o cliente pegar esse dez, depois você verá que dez porcarias são esses "profissionais topa tudo".

Me desculpa, mas me parece que esse negócio que somente um ilustrador excelente pode se dar ao luxo de recusar trabalho por causa de preço é uma mentalidade muito looser, pelo menos pra mim. Se você não é um ilustrador excelente, porque você não se esforça pra ser? Ninguém precisa ser um mestre, mas todos nós podemos e devemos trabalhar para sermos o melhor profissional que pudermos ser. Só assim um dia poderemos ser melhores, pelo menos melhores do que somos hoje.

Se eu tiver na minha cabeça a idéia de que eu sou mais ou menos, que eu nunca serei um bom profissional, que eu simplesmente não tenho capacidade pra isso, eu facilmente chegarei à conclusão de que eu estou na profissão errada. Eu não consigo acreditar que alguém entre numa luta acreditando que vai perder. Quem age assim já perdeu mesmo, porque perdeu pra si mesmo! Não adianta a gente querer vencer alguma coisa ou alguém se a gente não consegue vencer a si mesmo. Você pode até se achar um profissional mediano, mas você precisa acreditar que vai evoluir, pode se transformar num profissional de ponta, com um trabalho de encher os olhos e lutar pra que isso aconteça, agir dessa maneira não significa deixar de ser humilde, humildade é saber enxergar no outro um igual a você, não é recusar se a ser melhor.

Outra coisa, você pega uma capa de revista por 200,00 e fura o esquema que todo mundo quer cobrar 650,00 porque tem conta pra pagar, certo? Só que aí você jamais irá conseguir cobrar os 650,00 dos outros, porque você já provou pro mercado que o seu trabalho vale isso. Ou seja, pra atender uma necessidade imediata você acaba com a sua perspectiva de um futuro melhor, pra você e para os profissionais que estão junto de você.

Faltou ter visão de futuro, isso parece coisa de criança, sabe aquela criança que o pai compra uma bicicleta no meio do ano pra ter como pagar e fala pro filho que se ele for um bom menino vai ganhar uma bicicleta no natal? Aí o moleque descobre que o pai já comprou a bicicleta, fica torrando a paciência do pai porque quer a bicicleta, até que o pai dá a bicicleta logo de uma vez. Beleza, o moleque quis a bike e teve a dita cuja, aí o pai promete pra si mesmo que nunca mais na vida vai dar um presente caro pro moleque porque o menino não sabe esperar.

É por aí, sem contar que se você ganhar melhor, não vai precisar pegar tanto trabalho pra pagar suas contas. Dessa maneira vai sobrar mais trabalho pra mais ilustrador. Atualmente qualquer cara tem que fazer pelo menos vinte ilustras pra pagar as contas, se você puder pegar só cinco pra ganhar a mesma coisa, pelo menos terão mais quinze ilustrações que poderão servir pra ajudar outro profissional a pagar as contas dele. Mas se a coisa não for pra frente isso jamais acontecerá.

Sem contar outro detalhe, se um Editor de Arte realmente gosta do seu trabalho, ele quer o SEU trabalho, ele está atrás do SEU estilo, do SEU desenho e não do seu PREÇO! Quem quer que VOCÊ trabalhe, vai pagar o quanto for preciso para ter o SEU trabalho.

Se o Editor realmente quiser o SEU trabalho, não vai ter quinze neguinho pra fazer o mesmo trabalho. Isso não existe. Pelo amor de Deus, gente, acredite, você precisa acreditar em você, cara! Você precisa se amar e amar a sua arte! Essa neurose é tudo o que um cliente picareta sempre pediu à Deus!

O que eu escrevo não é pra esculachar ninguém, é pra tentar ver se dá pra compreender. É igual aquela história de criança, do menino que sempre apanha na escola. O menino apanha porque os outros são fortes. Mas o menino precisa aprender a se defender, só que o menino acredita que nunca vai conseguir bater no moleque mais forte. Só que o menino nunca tentou, até que um dia o menino de tanto sofrer nas mão dos fortões resolve dar um basta, perde o controle e acaba deixando o fortão no Hospital.

É por isso que a gente precisa se unir, a gente até pode ser fraco, pode ser indefeso, mas junto a gente se ajuda, se fortalece, se une, se organiza e consegue espantar o fortão que vem dar bordoada na gente. Eu entendo sua posição, cara. Mas não dá pra gente, como parte fraca da corda, se juntar pra ficar todo mundo encolhido no canto com medo do bicho papão. Se é pra gente se unir, que seja pra lutar pelo nosso espaço e pelo nosso respeito no mercado. Sem medo. Todos estamos no mesmo barco, e o barco não vai virar e nem afundar, só se a gente deixar.

Uma coisa que poderia acontecer seria a categoria "ilustrador" ser absorvida por outro, como pelos jornalistas. Tem gente que leva essa hipótese a sério.

Sinceramente, eu não sei se o Sindicato dos Jornalistas teria algum interesse em lutar pelos NOSSOS direitos. Me parece que nesse caso, serão duas lutas. A primeira, para que o Sindicato dos Jornalista se comova por nós e resolva nos defender (coisa que eu não acredito que aconteça, não com tanta facilidade). A segunda, depois de conquistar a simpatia do Sindicato dos Jornalistas, começar o trabalho para que a nossa situação junto das Editoras melhore. Se é pra ter tanto trabalho então que nós tomemos a dianteira dos nossos destinos. Quem já teve contato com outro meios sabe que ninguém tá muito interessado na nossa luta. O próprio Céu percebeu isso quando começou os contatos para uma Câmara Setorial.

Eu sinceramente quero que todos os ilustradores que estão nesse barco possam se aposentar fazendo ilustrações. Eu gostaria também que os novos conseguissem ser ilustradores e que se aposentassem como ilustradores. Eu gostaria que a nossa profissão tivesse futuro. Futuro que atualmente fica difícil de vislumbrar. Só que não dá pra ter medo. A gente precisa ter iniciativa.

Com certeza nós erraremos, mas se todos nós tivermos união e equilíbrio, nós saberemos aprender com os nossos erros e acabaremos conseguindo realizar o nosso intento, com seriedade, paciência e responsabilidade. Quem sabe um dia, quando olharmos pra trás, nós não percebamos que jamais poderíamos imaginar que fôssemos tão longe e conquistássemos tanto?

Impossível é somente aquilo que a nossa imaginação não consegue conceber, mas é por isso justamente que existem os desenhistas, não é?

5.2.09

Reflexões sobre iniciantes no mercado

Eu ultimamente ando me perguntando se realmente vale a pena lutar tanto para colocar na cabeça de pretensos profissionais da área de ilustração algum juízo, sendo que eu já cansei de ver muitos desses mesmos "pretensos profissionais" empacamentos e birras, do tipo batendo o pé, esperneando e tudo mais porque querem de qualquer jeito, a qualquer custo, ganhar o seu, defender o seu sustento, não querem estudar, não querem se desenvolver, não querem se preparar para atuar no mercado ne maneira mais completa, mais eficiente, com mais consciência do seu papel e da sua utilidade, com um trabalho mais consitente, mais forte e que dê mais retorno, e que dessa maneira faça de você um profissional com mais poder de negociação.

Qualquer um sabe que a nossa época é difícil, que é desumano passar por tantas privações e quanto precisamos ter paciência para chegarmos ao nível profissional ideal para que, somente depois disso tudo, se comece a atuar profissionalmente no mercado.

Acontece que quando o iniciante olha somente o seu lado e não vê o todo, não enxerga que aquilo que pode resolver uma necessidade imediata tem grande chance de se transformar numa ameaça para o seu próprio futuro profissional. E de quebra acaba com o futuro profissional dos seus colegas de profissão.

Um ilustrador tem uma carreira muito longa se comparado à um Diretor de Arte, por exemplo, com a vantagem de que quanto mais tempo de profissão o ilustrador tiver, maior aprimoramento técnico ele terá e melhor será o seu trabalho. Acontece que toda essa bagagem de primor técnico e conhecimento artístico tem um valor, que vai muito além da sua simples condição momentânea. Um trabalho de ilustração vale pelo estudo de anos e anos, pelo treinamento que o ilustrador teve durante muito tempo, chegando quase a exaustão para se conseguir chegar nesse graus de qualidade, pelos curso feitos, pelos materiais trabalhados e pelo domínio que o ilustrador tem desses mesmos materiais.

Quem compra uma ilustração, compra junto uma história, uma formação, um ideal, um universo que permitiu que essa mesma ilustração pudesse hoje ser feita e que a insere no contexto geral de todas as outras ilustrações que existem como algo único exclusivo e de valor técnico e artístico.

Quando o ilustrador opta por simplesmente cobrar aquele dinheirinho que no final do mês vai dar pra pagar as suas contas e acabou, ele rompe todo um processo que gera um círculo virtuoso no mercado de ilustração. O ilustrador não tem como bancar pra si mesmo mais estudo, mais pesquisa, melhores instrumentos de trabalhos e ferramentas de melhor qualidade e mais atualizadas, Esse mesmo ilustrador está acabando com a possibilidade de poder ter um estagiário ou assistente que possa aprender decentemente todos os caminhos das pedras e ter maior consciência do mercado e do universo de ilustração pela convivência de um profissional que no futuro será um colega de profissão pronto pra unir forças com você, e não mais um concorrente querendo derrubar o restante da concorrência.

Quando um ilustrador não consegue nem ter um assistente de tão pouco que cobra por seu trabalho, está deixando de orientar um aspirante a ilustrador. Esse aspirante, não vai ter como saber exatamente o que deve desenvolver no seu trabalho para ser um ilustrador melhor, não vai saber qual tipo de estilo e qual tipo de linguagem é melhor indicada para dar o melhor resultado para cada tipo de trabalho, não vai saber quanto vale o seu trabalho, não vai saber como negociar, como abordar um cliente e como agir mediante o mercado e como ser um profissional ético que saiba concorrer no mercado com os demais profissionais sem prejudicar o mercado e a si próprio.

Na verdade, esse aspirante a ilustrador vai ficar mais perdido do que cego em tiroteio. Vai ficar a mercê de qualquer "cliente bonzinho que adora dar uma chance pra que tá começado". Sem contar que esse mesmo aspirante pode, pelo fato de não ter recebido atenção do ilustrador profissional, se transformar em um inimigo de profissão, com vontade de derrubar o seu "desafeto" pelo seu comportamento pouco amistoso de início. Agora, imaginem esse mesmo novato inimigo, tendo em sua atitude profissional a condição de "castigar" o seu antigo desafeto. Qual poderia ser a sua atitude de desforra? Pode ser desvalorizar o estilo do tal sujeito perante os seus clientes mais próximos, prejudicando de quebra outro profissionais com o mesmo tipo de trabalho, ou cobrando mais barato pra passar por cima do seu desafeto atravéz do preço e contribuindo para que o mercado que já não está nem um pouco bom fique pior ainda.

Será que as pessoas não raciocinam? Será que as pessoas são incapazes de prever as conseqüências de seus atos? Toda a vez que eu argumento com outros profissionais a respeito desses problemas eu costumo ver colegas que simplesmente não conseguem compreender essas possíveis conseqüências, outros me ouvem com aquela expressão de quem simplesmente não acreditam em nada disso. Outros, por sua vez até percebem lógica, mas me respondem com a desculpa de que não são assim tão idealistas ou que não são assim tão preocupados com as conseqüências de seus atos.

Eu, sinceramente, começo a acreditar que a humanidade não tem jeito. E tudo isso porque muitos simplesmente preferem pensar em si próprios. Se esquecem que ao se pensar em todos você mesmo se inclui e se beneficia com seus atos, com o diferencial que também beneficia outras pessoas. Existem clientes igualmente irresponsáveis que querem por toda lei tirar o máximo de lucro com o mínimo de gasto para profissionais especializados, como é o caso dos ilustradores. Estão matando a sua galinha dos ovos de ouro. Isso já acontece atualmente no mercado editorial, e se não houver consciência, também irá acontecer no mercado publicitário.

Eu sei que que muita gente pode ler esse texto e me achar uma espécie de profeta catastrófico, agente do apocalipse do mercado de ilustração. Pode achar que na verdade eu sou exagerado, mesmo. A verdade não é nada disso, a verdade é que cada um de nós que fazemos parte do mercado que envolve ilustração é responsável pelo futuro da ilustração no mercado, como instrumento útil e artístico dos meios de comunicação, como ponte indispensável de comunicar um conceito, uma ideía ou um produto para o público geral. Todos temos responsabilidade no resultado geral.

Acontece que atualmente os próprios ilustradores tem em suas mãos a condição de regenerar o mercado com suas atitudes ou afundar o mercado de vez.

Um exemplo claro disso tudo é o que acontece no mercado editorial. Pagam mal? Pagam! Então o que a gente faz? Nada. Absolutamente nada. Não trabalha pra eles. No dia que alguma editora me chamar pra fazer um trabalho, ou paga o que o trabalho vale, ou vai ter um trabalho que valha o que eles pagam e pronto!

Eu já vi Editor de Arte com a cara de pau de pedir publicamente que se a gente quiser ganhar melhor, que a gente se esforce para fazer trabalhos cada vez com mais qualidade, com mais detalhes para vender mais livros e aí, quem sabe as editoras remunerem melhor os ilustradores.

No dia que só aceitar trabalhar pelo salário de miséria do mercado editorial ilustrador chumbrega que não é capaz de acrescentar nenhuma qualidade ao produto final porque os profissionais bons simplesmente não aceitam trabalhar pelos valores ridículos do mercado editorial, aí, as editoras vão começar a arranjar verba rapidinho. E do nada!

O importante é os ilustradores se esforçarem para que a profissão seja regulamentada, reconhecida, que tenha uma formação própria e direcionada, que haja uma ordem capaz de orientar os profissionais e os iniciantes, ter profissionais responsáveis com o mercado e com os profissionais. Dessa forma poderemos forçar o mercado a se adaptar a profissionais mais capacitados de maneira mais natural, poderemos com o tempo também transmitir ao público em geral uma consciência maior de quem somos, do que fazemos e da importância do que fazemos.

Vamos, todos nós, procuremos nos esforçar, procuremos fazer, tentar para conseguir. Só assim nós iremos virar o jogo, que atualmente não tem vencedores, só perdedores.

Cooperação

Uma vez eu vi uma palestra de um cara que desenvolve atividades recreativas com crianças carentes pela ótica da cooperação, que são os jogos cooperativos.

O que isso tem a ver com ilustração? Pra mim eu achei que muita coisa. Primeiro porque o principio da cooperação é trazer uma alternativa ao princípio da competição, que é o padrão que cada um de nós sempre aprendemos a lidar na nossa vida.

Quais seriam as desvantagens da competição? Competindo, existem sempre vencedores e perdedores, ou seja, para você vencer alguém tem que perder. E não adianta reclamar porque no mundo competitivo enquanto um fica com uma parte enorme do bolo, o resto se contenta com os farelos, quando os farelos aparecem.

Só que enquanto alguém estiver ganhando o jogo esse alguém nunca irá querer mudar as regras e somente quando esse alguém começar a perder o jogo é que terá interesse em mudar as regras, achando que tudo é muito cruel, etc... Só que o cara que no momento estiver por cima não terá o menor interesse em mudar as regras do jogo e assim a coisa vai ad eternum. Sem contar que muitas vezes o vencedor está com tanto mercado que nem consegue dar conta da demanda, e mesmo assim reprime a demanda, mas não abre mão do osso.

O que é isso tudo além de egoísmo? É por isso que entre os ilustrdores a coisa não vai pra frente. Ainda existe um padrão competitivo muito grande e com regras desiguais. Pra quê o ilustrador que está na crista da onda vai querer que o Zé Mané aumente sua participação no mercado? Pra comer a fatia que é dele? Nem a pau...

Só que nesse egoísmo cego ninguém percebe que a parcela que a ilustração participa no mercado brasileiro é ínfima, se houvesse um esforço real para aumentar a participação da ilustração dentro do mercado consumidor final no Brasil, qualquer ilustrador poderia ganhar bem, ter trabalho pra caramba sem que ninguém tire nada de ninguém. Esse país tem espaço pra todos, só não tem um mercado consumidor cativo. Não tem cultura de consumo de ilustração, mas neguinho ainda prefere impedir que o outro cresça para continuar por cima.

Falta COOPERAÇÃO!

Na hora que não tem freela aparecendo o cara se desespera, -Alguém tem que fazer alguma coisa, os ilustradores vão morrer de fome! Ele está falando de si próprio. Aí o caboclo se meche um pouquinho, começa a aparecer trabalho, começa a pagar suas contas, sobrar uma graninha, e quando ele escuta outro ilustrador falando a mesma coisa que ele próprio disse tempos atrás, ele pensa com seus botões – Que se dane, eu estou garantido. Quando tiver tempo eu penso se é legal fazer alguma coisa!

Isso quando o cara não pensa - Esses caras são tudo egoísta, quando eu estava por baixo ninguém deu bola pra mim, que morram de fome agora!

Isso é espírito de competição e não de cooperação.

Quando existe todo um espírito de cooperação as pessoas tem a consciência que não basta ganhar, não basta estar por cima. É necessário que ninguém esteja passando por dificuldades, principalmente se esse alguém é um cara com um tremendo talento e profissionalismo.

Quando existe cooperação, as pessoas dividem o que têm, passam para os demais aquilo que não dão conta de fazer, educa seus clientes para que conheçam outros trabalhos, assim os clientes de uma maneira geral vão poder perceber que existe espaço para muitos estilos diferentes.
Você promove a variedade.

Cooperar é também saber quando o estilo de arte que o cliente quer fazer não é o estilo que você sabe fazer e indicar um ilustrador melhor indicado para fazer o trabalho, ao invés de tentar com conversa mole e xaveco furado convencer que aquele estilo que o cara quer tá por fora,  é coisa antiga, não é criativo (como se criatividade estivesse num traço) e convencer que bom mesmo é o estilo do que você faz.

Isso é tremendamente imoral.

Assim como é imoral  usar os Imagebank e Ciparts da vida. Isso é pensar de modo competitivo, é querer passar o outro pra trás.

O que falta é um pouco mais de cooperação, e também é preciso acreditar que sendo honesto, ético e cooperador, ninguém nunca irá ficar sem um espaço ao sol.

3.2.09

Crise: Época de Oportunidades

Eu tenho percebido que o início de ano (que já é uma época naturalmente de baixo volume de trabalho) aliado a uma crise internacional tem tirado o sono de muito ilustrador.

Muita gente está se sentindo sem chão, tendo uma impressão muito clara de que não tem norte e nem sul.

Na verdade nunca teve, a diferença é que antes havia demanda de trabalho por conta de uma economia aquecida.

Os ilustradores perderam os seus melhores anos com briguinhas internas, guerrinha de ego, tentando puxar a sardinha para a sua brasa, ao invés de aproveitar um mercado em crescimento para se organizar com seriedade, ter um foco profissional e um foco como coletividade.

Na verdade, quem pensa em coletivo? Somente dono de empresa de ônibus....

Perdemos uma oportunidade única na história deste país, justamente porque a cabeça dos "profissionais" é podre.

E quando a cabeça não pensa, o corpo padece.

A falta de noção de oportunidade (pensa-se muito e apenas em utilizar uma oportunidade para se ganhar muito dinheiro, o quanto mais dinheiro puder se ganhar, mas esquece-se de nas oportunidades semear coisas que frutifiquem com o tempo e sejam com o tempo instituições sólidas) fez com que a quase totalidade dos ilustradores nesse exato momento estejam em crise tanto quanto todo o resto da economia.

Agora, sejamos o que essa crise REALMENTE representa?

Eu, já tive algumas boas oportunidades de reflexão, mesmo antes dessa crise ter "aterrisado" no mundo por uma coincidência qualquer e percebo o quanto essa crise é o resultado de um sistema econômico falido.

E porque falido?

Porque o ser humano simplesmente não existe no sistema, somente o trabalho, a produção e o dinheiro.

O que importa é trabalhar, produzir e ganhar dinheiro. Na verdade, ganhar o máximo de dinheiro com o mínimo de esforço.

Eu, particularmente acredito que o dia de vacas gordas como fruto da distorção de valores e abusos estão com os dias contados.

Quem quiser moleza que tivesse nascido e vivido no século passado.

Vemos por exemplo um sistema aonde editoras ganahm rios de dinheiro pagando o mínimo possível aos seus ilustradores, todos contratados, sem nenhum benefício, cedendo de mãos beijadas todos os seus direitos.

Tudo isso porque existem milhares de ilustradores, semi ilustradores e pseudos ilustradores se acotovelando no mercado para pegar o mesmo trabalho, e segundo um dos princípios básicos de lei de mercado que é o princípio de oferta/procura quanto maior a oferta, menos é o valor do que é ofertado.

O curioso é que milhares de ilustradores acéfalos entraram de cabaça na porcaria sem sequer terem raciocinado, juntado lé com cré para perceber que estavam correndo para cair do alto de um despenhadeiro.

Vemos um sistema aonde as agências resolveram descartar o serviço de ilustrador (culpa dos ilustradores bêbados, viciados e desajuízados que sempre existiram) e procurar vender um produto e serviço que dependesse o menos possível de ilustração, transformando a ilustração numa espécie de lixo, ou coisa ultrapassada, coisa de velho.

Agora aonde estarão essas agências e editoras?

Todas na ponta do facão, igaul a todos nós.

No entanto, é numa hora como essa aonde esses sistemas montados para dar "certo" serão questionados e modificados.

O atual sistema baseado nas reformulações maledetas dos anos 90 aonde as empresas seguiam a lógica de ter o menor custo possível para ter um lucro maior, diminuindo assim seus quadros de funcionários e pagando cada vez menos aos seus empregados, está com os dias contados.

E o pior de tudo é que a mentalidade baseada no enxugamento radical (enxugar uma empresa não é ruim, o ruim é usar esse pricípio de maneira extremamente injusta como aconteceu sempre) existe e é ensinada largamente aos estudantes das escolas superiores de administração porque os acadêmicos de plantão pregam pelas classes que a criatividade "acabou", ou seja, nada de novo será criado, tudo que poderia ser inventado, já foi inventado. Isso significa que tudo o que está sendo inventado é MENTIRA!

Essa mentalidade horrorosa, que ensina os futuros administradores a serem covardes, bundões, imbecis e medíocres ao máximo, forma administradores com mentalidade de perdedor, sem nenhuma tnedência a serem empreendedores, está queira Deus com os dias contados.

Graças a Deus muita gente vai passar fome, graças a Deus dessa vez a porcaria não vai dar para ninguém, assim a elite também vai perceber que o sengue que corre me suas veias é igual ao nosso, que a barriga ronca no estômago deles da mesma maneira que ronca no nosso estômago.

Agora, quem quiser se destacar, sobreviver, nessa época terá obrigatoriamente que fazer sua lição de casa, vai ter que oferecer algo com valor real, acima do valor comercial, acima de ser algo que vai criar uma moda ou não, acima do óbvio, acima do normal.

Quem estiver na média vai sofrer o que a média sofrer, quem tiver talento, idéias, princípios, valores, qualidade vai sair na frente.

No monento nossos clientes em potencial precisam de pessoas que os auxiliem a ter soluções.

Veja bem, portanto, o que você oferece.

É ilustração? Sinto muito milhares de outros também fazem isso...

É oportunidade? Solução para problemas? Bem vindo.

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