21.3.06

Novas questoes em analise - Velhas questoes na cabeca

Eu gostaria de explicar à pessoas que quando eu posto uma mensagem com um certo caráter informativo, com a intenção de esclarecer e de muitas vezes orientar a consciência e a formação de novatos e pessoas que se encontram perdidas e necessitada de uma "luz" para se encontrar no mercado, eu estou lidando com uma coisa que exige uma responsabilidade imensa, responsabilidade essa que eu rogo à Deus que tenha pelo menos um pouco, porque dependendo da forma como escrevemos e do sentido que damos a uma questão podemos fazer com que essas pessoas simplesmente percam as esperanças com as profissões que tanto sonham em ter, ou então pode fazer com que essas pessoas tenham uma visão deturpada da realidade, ou então, até mesmo uma visão perdedora e derrotista. A comunicação é uma arma. Se bem utilizada, poderá levandar a moral e a auto confiança de muita gente.

Pessoalmente, eu acredito que a diferença entre ganhar e perder está em acreditar que é possível. A maioria das coisas que existem no mundo simplesmente existem da forma como existem porque algum dia alguém pensouque seria possível que algo fosse de uma determinada maneira e fez com que isso acontecesse, então todos à sua volta adotaram aquilo como verdade e como padrão.

Tudo o que existe, um dia foi imaginado para depois ser criado.

Muitas das coisas que não existem, simplesmente não existem porque ninguém é capaz de acreditar naquilo. E isso se torna um paradigma. Uma hora ninguém mais ousa sequer sonhar nos seus mais loucos devaneios que tal coisa algum dia possa acontecer.

Quando nós expomos nossos pontos de vistas, na maioria das vezes nós estamos seguindo esse princípio mesmo que inconscientemente. Muitas vezes fazemos não só inconscientemente, como também inconseqüentemente.

É justamente por isso que, pelo menos eu, no papel que é me dado ter de pessoa que tem capacidade e liberdade de expor minhas idéias, conceitos e razões, me recuso a defender coisas como a não necessidade de estudo, empenho, dedicação. Eu me recuso acreditar que somente o talento basta para ser profissional, eu me recuso a fazer com que da minha boca ou das minhas palavras saiam frases como: isso é pra ser somente um Hobby, eu me recuso a matar o sonho de vida de qualquer pessoa, eu me recuso a acreditar que quando todos cobram tão pouco pelo seu trabalho o negócio é se ajustar a essa novidade, fazendo trabalhos mais rápidos, descartáveis, inúteis, de qualidade cada vez pior; só pra que eu seja competitivo, porque aí eu posso ganhar pelo volume, pelo volume de porcaria, e não pela qualidade, não pela especialização.

E por que eu me recuso a agir dessa maneira? Porque eu não acredito em nada disso que eu acabei de citar. Só que eu acredito em L.E.R. E também porque existe dentro de mim a consciência que o se algo não é bom pra mim, não é bom e tampouco desejável pra qualquer pessoa, por mais indigna ou mau caráter que uma pessoa possa ser. Porque eu sei que a única conquista é aquela que é compartilhada por todos. É porque eu tenho uma consciência que vai me cobrar se, por acaso, em algum momento da minha vida, eu acabar orientando errado alguém que esteja perdido no meio do caminho e, por minha responsabilidade essa má orientação levar essa pessoa a ser um profissional de caráter e moral duvidosa, ou se essa pessoa for um profissional derrotado. Eu prefiro encostar a cabeça do meu travesseiro e dormir o sono dos justos.

Mesmo se eu souber que orientando errado ou não orientando ninguém, a chance de não sofrer a concorrência desse novatos pode ser maior, assim eu poderia garantir o meu ganha pão com mais facilidade. Eu ainda optarei em orientar uma pessoa, da melhor forma que eu puder fazer.

É que, dentre outras coisas, eu já descobri que até mesmo os profissionais que estão no mercado atordoados, sem norte e que não conhecem o valor do que faz e nem o potencial que tem nas mãos, um dia também irão competir comigo, oferecendo um trabalho algumas vezes inferior, mas com certeza muuuito inferior no valor cobrado, e aí, quem será prejudicado serei eu. Só que, se isso acontecer, talvez seja tarde demais pra querer tomar uma atitude qualquer.

Mesmo no que diz respeito à qualidade do que se faz, eu prefiro mil vezes orientar para que os iniciantes estejam bem pautados e se desenvolvam em cima de técnicas e princípios excelentes podendo sofrer a concorrência de novatos feras do que ver que eu sofro a concorrência de novatos que tem um trabalho sofrível, igual a outros tantos iniciantes sofríveis, que nunca foram bem orientados e que infestaram o mercado de tal jeito, que grande parte dos nosso clientes começam a achar que esse tipo de trabalho capenga é o normal, é o certo, e que por total falta de costume com trabalho de qualidade prefere não te chamar.

Isso é só um ponto no todo. É somente uma das questões. mesmo porque eu vejo que existem inúmeros pontos que precisam ser analisados com o máximo de cuidado e com o máximo de carinho. E volto a insistir que a gente precisa muitas vezes quebrar paradigmas para que um dia, um ilustrador possa ter um futuro e um mercado digno.

Uma questão que deve ser bem entendida e se encaixa nisso tudo, por exemploé referente à questão que a meu ver deve ser muito bem estudada e analisada para que nós possamos nos encorajar e tomar atitudes seguindo caminhos mais firmes, mesmo que esses caminhos estejam sendo pouco usados atualmente.

Uma das questões é:"Pra que serve ilustração?"

Pode parecer que essa questão seja uma coisa meio fora de contexto, até meio absurda para quem não esteja atento, só que pra mim, essa questão tem uma importância imensa, poderia dizer que fundamental.

Antes de ser ilustrador, cada um de nós tem a obrigação de saber qual é a utilidade de uma ilustração. Eu explico melhor, e com uma pergunta: Como é que alguém pode ter condições de se sentir confortável, útil e verdadeiro como ilustrador se na sua cabeça puder passar uma dúvida como essa? Entendam que fica muito difícil querer lutar com concorrência desleal, CCDA desleal, cliente picareta se qualquer um de nós sequer consegue sentir firmeza que seu trabalho tem uma utilidade.

Na verdade, ilustração serve pra tudo. E quanto mais utilidade nós conseguimos imaginar, mais útil será a ilustração.

Vocês percebem que aí se encontra um paradigma? A partir do momento em que nós descobrirmos as utilidades de uma ilustração, criaremos um novo nicho de mercado, uma nova necessidade, um novo caminho.

É a mesma coisa comparando com o mercado de telefonia. Nos anos oitenta não existia telefone celular. Quem estivesse na rua e precisasse ligar pra alguém ia até um telefone público e se virava. Se tivesse que falar com alguém que estivesse na rua, paciência, não falava. De repente inventaram o aparelho de telefone celular. Hoje em dia quem estiver na rua e precisar falar com outra pessoa que esteja na rua não terá muitas dificuldades. Só que nos anos oitenta ninguém se desesperava porque não havia como falar com quem estivesse na rua. E hoje em dia quando a gente liga pro celular de alguém e cai na caixa postal a gente fica que só falta subir pelas paredes.

E quando não existia e-mail e não havia Internet? Para escrever todo mundo utilizava a boa e velha carta. Tinha que escrever, depois envelopar, depois selar, levar no correio e em alguns dias chegava ao destinatário. Hoje clica-se num botãozinho "send" e dali a dez minutos uma mensagem pode chegar ao mesmo tempo para vários membros de uma lista de discussão. Eu mesmo, se tiver de esperar alguns dias para que essa minha mensagem seja postada, irei me descabelar...

Isso significa que a utilidade de uma ilustração depende de nós, pode ser para livros, revistas, cadernos, bloquinhos de anotação, agenda, estampa de camiseta, boné, calça, rótulo de cerveja, refrigerante, água, pasta de dente, anúncio de revista, jornal, outdoor, desenho animado, pra decorar caderninho de criança, pra decorar trabalho escolar, pra calendário de parede, de mesa, pra decorar aparelho de celular, computador, pra passar no cinema, vídeo, televisão, pra decorar quarto de criança, festa de criança,
quanto de adolescente, festa de adolescente, quarto de adulto, festa de adulto, serve pra decorar bolo, cesta, vaso, mesa, serve para enfeitar chaveiro, lápis, tênis, serve pra fazer tatuagem, pra fazer decalque, serve pra fazer cartão telefônico, cartão de visita, cartão postal, cartão de Natal, cartão de crédito, serve pra virar quadro, mural, vitrine de loja, serve pra tanta coisa....

Talvez o maior defeito do ilustrador e o que é mais necessário na sua formação, pelo menos atualmente é uma visão mais objetiva do seu trabalho inserido no mundo em que vivemos. Por conta de uma série de clientes picaretas e mal intencionados, nós compramos a idéia de que nosso trabalho é uma coisa menor, de que ilustração não é arte, de que qualquer um vive sem ilustração. Será que isso é verdade?

Se fosse assim, não haveria como o trânsito de uma cidade ou de uma estrada ser minimamente civilizado, ou vocês acham que essas placa de trânsito contém o que nela? Se fosse assim dirigir seria um problema sem solução, ninguém poderia saber se seu carro tem problema na bomba injetora, ou no motor, ou se alguma porta do carro está aberta, ou se tem gasolina no carro. porque todas as sinalizações de um carro são na base da ilustração.

Se fosse assim, não iria adiantar nada eu escrever todo esse texto, porque ninguém saberia ler, aliás eu mesmo não saberia nem escrever porque todo mundo foi alfabetizado graças as ilustrações dos livros didáticos.

Quanto a agregar valor, eu acho que uma ilustração é o primeiro recurso para se agregarvalor que existe. Um livro como "O código da Vinci" vende porque seu nome
hoje em dia é um diferencial(sem contar que o livro é sobre pintura, que na sua época tinha a mesma função que a ilustração tem atualmente), ele não precisa de ilustração. Mas se for um livro qualquer, com um título qualquer, só vai vender se tiver uma capa convincente, e é muuuito mais fácil fazer uma capa convincente com ilustração do que com foto ou "all type" e quanto melhor for a ilustração, melhor será a capa. Com uma foto o mesmo resultado se consegue somente com uma foto que seja tão boa, mas tão boa, que pareça uma ilustração. E olha que só estamos falando de capa de livro. Lembre-se das capas de álbuns mais marcantes que você já viu na sua vida. Eu tenho certeza absoluta que a maioria das capas que você conseguir se lembrar foram ilustradas, isso sem contar nas que não foram ilustradas mas contêm fotos de peças ilustradas.


Outra coisa que precisamos começar a compreender é que vendemos essencialmente a utilização de uma ilustração. Quem quiser comprar uma ilustração pra si, como um patrimônio, aí o assunto é outro. Essa opção somente é real se por acaso algum de nós pintarmos um quadro pra que um cliente pendure na parede. Como geralmente nós fazemos uma ilustração para ela ser utilizada comercialmente, ninguém vende a ilustração, mas a sua utilização. Quem não faz isso está perdendo dinheiro está queimando dinheiro ou jogando dinheiro pela janela. Resumindo, é coisa de maluco!

Se o seu cliente não compreender isso, então você poderá fazer um orçamento levando em conta que você está vendendo a ilustração pro cliente fazer com ela o que bem entender, pendurar na parede, esconder atrás do armário ou costurar na fronha do travesseiro. Só que o valor será beeeeem maior, sem contar que não vai dar ao cliente o direito dele utilizar aquela ilustração comercialmente. Uma coisa é utilização comercial, outra coisa é utilização doméstica.

Cliente que não pensa assim, não pensa por culpa dos ilustradores que sempre trabalharam com ele. Se o cliente nunca trabalhou com um ilustrador, então você pode, deve e vai conseguir transmitir ao seu cliente que o que ele compra é a utilização da ilustração e não a ilustração em si.

Se mesmo assim o cliente reclamar, bater o pé e te xingar de malandro e falar que você está se aproveitando dele, então, sinceramente abra mão do cliente porque isso não é cliente, é encrenca.

Quanto a questão do que é ilustração, talvez seja melhor cada um pensar nisso com seus botões porque corremos o risco de discutir o sexo dos anjos, o que não vai ser muito proveitoso. Ilustrador que não sabe o que é ilustração, não é ilustrador.

Quanto a outra questão de que o cliente nunca irá se conscientizar, lembre-se da história do paradigma. Isso é outro paradigma. Desistir de tentar a conscientização é somente uma forma de perpetuar o paradigma. Se acreditarmos que o trabalho de conscientização dos clientes é um caminho válido e precioso (eu acredito nisso, o trabalho do ilustrador para valorizar seu mercado deve ser feito em várias frentes) começaremos a desenvolver métodos para conscientizá-los, mecanismos para isso se realizar com eficiência e entre a nossa situação atual e um mercado consciente, será tudo somente uma questão de tempo.

Vocês já se perguntaram porque um clipart é tão ruim? Porque é grátis e porque paga a quem o cria uma merreca. Se algum dia alguém criar um banco de cliparts pago, vai poder remunerar bem quem o fizer, que por sua vez poderá fazer um trabalho melhor. Enquanto isso não acontecer, só vai sofrer com clipart quem acredita que pra se adaptar aos novos tempo temos que cobrar baratinha, fazer trabalhos cada vez mais simples e mais chutado pra ganhar no volume. Justamente porque essa é a filosofia do clipart e não da ilustração de verdade.

Ah, antes que eu me esqueça, minha crítica quanto à adaptação é referente à idéia de somente aproveitar a correnteza pra ganhar dinheiro da maneira como o mercado atual, que não é nenhum pouco próximo do ideal, e contribuir passivamente para o agravamento da situação.

Tem mais, ilustração hoje em dia não é luxo, está mais pra lixo, mesmo! Ilustração tá começando a ter valores em patamar de produção industrial, sendo que a sua produção é artesanal e extremamente especializada. Isso significa que ou o mercado volta para encaixar a ilustração no padrão que é o natural dela, ou todos nós morreremos de fome mesmo. Aí, Ilustração voltará a ser luxo, porque al'me de ser o que ela naturalmente é, não haverá quem a faça.

Quando eu brigo dizendo que o caminho é o da especialização, da qualidade e da valorização da ilustração é porque temos parâmetros para afirmar tal coisa.

Os nosso parâmetros, como todo país em desenvolvimento são os países desenvolvidos que já superaram muitos dos problemas que passamos, embora encontrem outros que infelismente nós já temos só que como a base já foi resolvida, eles vêem a situação com mais clareza.

Em países da Europa e nos Estados Unidos, o ilustrador não corre nenhum risco entrar em extinção como há no Brasil. Lá, os ilustradores são bem pagos, ilustração tem valor, status de arte, todo mundo conhece, todo mundo gosta. Todos os estilos são valorizados, até mesmos aqueles que no Brasil muito sacanamente se comenta que já não se faz mais por aí.

Quem faz quadrinhos é reconhecido, é bem sucedido, ganha bem, tem público consumidor e mercado e tem mercado pra tudo quanto é tipo de estilo.

Quem faz Editorial é reconhecido, é bem sucedido, ganha bem, tem público consumidor e mercado e tem mercado pra tudo quanto é tipo de estilo.

Quem faz arte final em propaganda é reconhecido, é bem sucedido, ganha bem, tem público consumidor e mercado e tem mercado pra tudo quanto é tipo de estilo.

Quem faz layout é reconhecido, é bem sucedido, ganha bem, tem público consumidor e mercado e tem mercado pra tudo quanto é tipo de estilo.

Agora no Brasil os tempos são outros? Não é assim que todo mundo ouve falar por aí? Que raios de tempos são esses? Será que o Brasil está numa outra dimensão e eu não to sabendo?

Vejam vocês o próprio exemplo do mercado de moda. Quando eu era criança o centro da moda no mundo era Paris e todo mundo só copiava, aí Nova York também virou um centro de moda, depois Milão, Tókio. Nesse tempo todo o Brasil era a porcaria ao cubo, um país sem o mínimo talento pra moda, ninguém acreditava que o Brasil teria algum tipo de destaque na moda, nem que fosse só um dedinho. Lembram do paradigma? O que o pessoal via o Clodovil ou o Dener fazer parecia uma coisa que nunca daria em nada aqui, mesmo porque era uma mera cópia da moda européia.

Hoje em dia, olha o mercado de moda do Brasil se impondo e conquistando o seu espaço no mundo, com um mercado produtivo, criativo, com demanda, importância e com um futuro brilhante pela frente.

O que impede os ilustradores de conquistarem seu espaço e a sua importância é que nós, infelismente damos muito valor aos paradigmas, ao invés de simplesmente realizarmos as coisas que são necessárias.

Agora, entendam uma coisa, a fotografia tem o seu papel, os artistas gráficos tem o seu papel, os artistas plásticos tem o seu papel o os ilustradores tem o seu papel. Nunca a fotografia irá substituir a ilustração, assim como nunca a ilustração irá substituir a fotografia. Existe um ponto em que as duas coisas se tocam e a briga fica boa para ambos mas fotografia é uma coisa, ilustração é outra, assim como artista gráfico faz uma coisa e ilustrador faz outra.

Seria a mesma coisa que dizer que o DVD vai acabar com o mercado fonográfico, porque num DVD você pode colocar um filme e a sua trilha sonora junto e ninguém mais irá querer comprar um CD.

O mercado nosso está uma bagunça, fruto de anos e anos de descuido por parte de nós mesmos. Agora, cabe a nós limparmos o nosso lugar de trabalho, arrumarmos a casa, sermos organizados para destruir os paradigmas, aqueles que nós criamos e aqueles que os nossos clientes criaram pra nós e que nós aceitamos.

Eu só peço uma coisa, não vamos esperar a nossa profissão se extinguir, se no mundo inteiro ela vive, e vive bem, não existe um único motivo para que aqui seja diferente.

10.3.06

Aos Ilustradores

Eu vou procurar agora argumentar a favor no que nós ilustradores somos e esperamos, de acordo com as dificuldades que nós temos de enfrentar no mercado atualmente. É só um ponto de vista, não o verdadeiro, mas o meu ponto de vista, só isso. Acredito que em alguma coisa eu possa ajudar às pessoas que procuram uma orientação. Se isso não for possível, peço desculpas, antecipadamente.

Principalmente no mercado editorial a coisa anda feia, esse meio tem trocentos mil pessoas se propondo a prestar serviços de ilustração, pessoas que não se conhecem, nsequer conhecem outro ilustrador, colga de trabalho de luta e concorrente direto. isso faz com que as Editoras tenham um trunfo e tanto nas mão, e não será uma editora quem irá promover o encontro e intercâmbio entre seus fornecedores, afinal de contas, se o ilustrador se unir muito poderá ficar forte e deixar de ser explorado.

Nós costumamos lutar para, dentre outras coisas, implantar uma tabela para padronizar os valores dos trabalhos prestados, por editoras agências, etc. Acontece que muita gente, inclusive ilustradores, tem muito receio de entrarem nessa, pois com a quantidade de gente se propondo a trabalhar como ilustrador, espalhados pelo país, sem nenhuma organização, união e consciência, diante da organização e poderio das editoras, nós estaremos nas mãos delas. Basta imaginar que as Editoras escolhem quem eles querem que trabalhe com eles e se você cobrar mais caro, haverá pelo menos uns vinte que toparão trabalhar por qualquer merreca. Isso significa que, provavelmente os valores continuarão caindo e os ilustradores vão continuar se acotovelando pra pegar trabalho.

Bem, ao menos por essa lógica, nós estamos literalmente nas mão dos clientes, pois eles mandam, quem manda é o mercado.

Ok, quem manda é o mercado,sem mesmo levar em consideração de que a palavra mercado significa a união entre consumidor, cliente e fornecedor, vamos pelo menos pensar da seguinte forma: algum ilustrador sabe o valor do seu trabalho pelo mercado pura e simplesmente? Não, porque num sistema em que Editores de Arte ditam, mandam e desmandam qualquer coisa que eles propõe o cidadão aceita, então o mercado a muuuuuito tempo deixo de ter valores reais. A culpa disso são dos próprios ilustradores que abrem as pernas pra qualquer valor, no dia que os ilustradores se derem ao respeito de não aceitarem qualquer furada a coisa começa a mudar. É fácil, cômodo e completamente interessante para os nosso fornecedores termos a impressão de que estamos nas mão deles e não há nada que possamos fazer. Em outras palavras, somos todos LOOSERS. Perdedores! Então vamos nos recolher as nossas insignificâncias e dar graças a Deus que algum Editor de arte caridoso resolver me dar uma esmolinha disfarçada de trabalho.

Eu prefiro pensar diferente. Pensar dessa maneira dói muito. Sinceramente.

 No dia em que bons profissionais resolverem trabalhar por um valor X, os caras vão ter que, no mínimo, sentar com os ilustradores e colocar as cartas na mesa, mostrando o quanto realmente podem pagar e porquê. Porque a Abril paga hoje em dia metade do que pagava anos atrás? Será que houve deflação e eu não tô sabendo? Será que o preço dos materiais utilizados em ilustração caíram pela metade, o aluguel também, o IPVA idem e a carga tributária no Brasil deixou de existir? Se os Editores não puderem contar com ilustradores que "façam a diferença" e ilustrem materiais que auxiliam a alavancar a venda de seus livros e revistas, eles não serão loucos de colocarem o seu ganha pão na mão de qualquer Zezinho que ilustra com Clipart e verem a venda de suas preciosas fontes de renda irem por água abaixo. Os caras são mal caráteres, mas não são loucos.

A gente também pode achar que um piso ou uma tabela só funcione em regime sindical, que precise de uma organização competente para que a coisa ande, que regulamente a profissão, a formação e os profissionais, além de fiscalizar os procedimentos éticos e profissionais. Muita gente acha que isso é perigoso, porque pode se transformar numa fonte de corrupção, como acontece em tantos meios, pode até virar uma espécie de "Máfia". É perigoso, por isso exige atenção e responsabilidade redobrada para que algo assim seja realizado. E digo mais: outros meios aonde ocorrem abusos e "máfia" isso somente acontece porque seus membros não são assim tão atuantes, fiscalizadores e competentes como deveriam ser. Agora, é muito fácil perceber que o modo mais seguro da coisa ocorrer em nosso benefício éregulamentando a nossa profissão, assim como acontece com os dentistas, engenheiros, etc. Eles têm uma "reserva de mercado". Mas São reconhecidos pelo poder público, são regulamentados e tem meios legais de se defenderem, basta ver como é a OAB. Aí todos seguiriam uma norma estabelecida e as editoras não teriam outra alternativa a não ser aceitar os preços e os modelos de contratos da categoria.


Isso é ilegal? Então os Advogados são ilegais, os médicos são ilegais, os dentistas também... Me parece que pensar dessa forma não corresponde exatamente com a realidade, embora nós admitamos que essas categorias citadas tem condições de crescerem, se organizarem e term um futuro próspero bem maior do que os ilustradores.

É engraçado que o óbvio ululante é tudo aquilo que nenhum profissional de ilustração bem sucedido ou bem relacionado atualmente quer, não é mesmo? E não quer porquê? Por que vai dar trabalho? Seria muito melhor que alguém que não somos nós lute pelos nosso direitos. Talvez o Papai Noel ou o Coelhinho da Páscoa façam isso com sincero ensejo de fazer o bem, porque o resto vai querer nos engambelar e ganhar às nossas custas. Ou seja, ou nós pegamos os nosso interesses, lutamos por eles e fazemos a nossa realidade acontecer, ou ninguém irá fazer isso por nós. Todo mundo quer sempre um salvador da Pátria, me parece que até os ilustradores. Mas isso é um defeito dos brasileiros, eu acho que é um defeito de fábrica dos brasileiros...

Não tem saída, precisamos parar de brincar de ilustradores organizados e sermos organizados. Eu me esqueci que tem muita gente com medo de um suposto sindicato, porque sindicatos são antros de corruptos, aonde tudo rola na mão grande e no fundo no fundo ninguém luta pelo interesse do outro. Acontece que se houver um Sindicato de Ilustradores, quem vai fazer parte do Sindicato serão ilustradores, eu, você, os membros da Sib e outros ilustradores mais.

Não vai fazer parte o Vicentinho, nem o Marcos Valério e nenhum barbudo briguento que vai andar nas portas das Editoras e Agências fazendo piquete, a não ser que esse barbudo seja algum de nós. Se o Sindicato tiver corrupção é por que nós, Ilustradores somos corruptos. Eu parto do principio de que todo mundo é honesto.  Então porque temer um Sindicato? O que precisa haver é trabalho de todos, cobrança por parte dos membros para que uma Instituição qualquer funcione, pressão de base para que os que decidem trabalhem pelo todo, coisa que brasileiro não faz e não gosta de fazer, mas repito, ou nós fazemos por nós, ou ninguém fará isso.

Eu sei que pela lei de oferta e procura, se analizarmos a grosso modo, temos no mercado, principalmente editorial, uma verdaderira enchurrada de ilustradores para pouco trabalho. Realmente por esse ponto de vista tem muuuuuuuuito ilustrador disponível no mercado hoje em dia. Bem mais do que as editoras precisam. Tem um poucos excelentes, muitos medianos e alguma porcaria (eu já acho que a porcaria é enorme!). Se nós pensarmos assim, iremos também acreditar que só pelo númeor de medianos, o mercado já está saturado. Aí essa história de tabela vai por água abaixo, já que existe uma pressão natural pra coisa não ir pra frente.

Mas, analizemos bem. Hoje em dia não se faz mais ilustradores como Benício, ou Shumann, ou o Pedro Mauro. Eles são ótimos realmente.
Outros que estão aí e são por muitos considerados ótimos, são na verdade medianos, tal é o grau de degeneração da qualidade e do valor que a ilustração tem no Brasil. Isso não é nenhuma desfeita a esse profissionais, mas eles não tem mercado suficiente para que possam evoluir e tem pouquíssimas oportunidades de uma formação mais sólida. Sem contar os inúmeros clientes que acham que qualquer porcaria serve como ilustração.

Agora, pensando por esse modo, como tem ilustrador? Então me diga, aonde um ilustrador se forma para ser ilustrador? A verdade que o nosso mercado está ao Deus dará! Qualquer pichador de muro pode ser considerado ilustrador, basta o cara ter cara de pau suficiente pra isso. Ou a coisa vai pros trilhos, ou é melhor todo mundo resolver mudar de profissão, porque não teremos futuro algum.

A coisa precisa ser regulamentada e regularizada, pra ser ilustrador, é preciso estudar, se formar, aí com formação pode se trabalhar como ilustrador. Um Zé Mané qualquer consegue expor seus trabalhos numa galeria, Um Zé mané qualquer consegue trabalhar como engenheiro num escritório de Engenharia? Um Zé Mané qualquer consegue trabalhar como Advogado num escritório de Advocacia? Então porque um Zé Mané qualquer pode trabalhar como ilustrador numa Editora?

O que nós vivemos, infelizmente, não é uma situação de mercado livre, é a casa da mãe Joana. Todo mundo quer convencer a gente de que Ilustrador não é uma profissão especializada, e tá todo mundo comprando essa idéia. Não especializado é ser balconista, oficce boy, carteiro, engraxate, manicure. Ilustrador precisa de uma tremenda formação e muita dedicação. Um ilustrador não se faz do dia pra noite, nem em um cursinho de seis meses. Por que a gente reluta tanto em reconhecer quem nós somos e trabalharmos para que possamos melhorar o nosso próprio mercado? O que tem disponível é moleque com jeito pra coisa que desenha bem e micreiro. Ilustrador é outro papo.

Muita gente também acha que não dá pra deixar um trabalho de lado porque o valor pago em editoras é baixo e existem inúmeras contas para pagar. Como se isso fosse um tipo de coisa que somente "mestres" e ilustradores excelentes podem fazer . Os "mestres" também pagam contas, se vestem, se alimentam, não são seres "alados", embora seus trabalhos nos façam acreditar que sejam seres de outro planeta. Sem contar que pode haver algum ilustrador melhor do que você mas que pense "menor" do que você, e que não acredite que vai conseguir se sustentar se somente topar trabalhos melhores remunerados. Aí vem o fantasma do cliente que pode chegar pra qualquer um de nós e falar:pra pagar o dobro então vou chamar o fulano, que é excelente, muito melhor do que você.

Bom, eu prefiro então que o fulano pegue e depois sofra pra se sustentar, e ao acontecer isso é uma pena, principalmente da parte dele que deixa de ser bem sucedido por medo. Agora se seu cliente te falar: "se você não quer, tem dez querendo", deixa o cliente pegar esse dez, depois você verá que dez porcarias são esses "profissionais topa tudo".

Me desculpa, mas me parece que esse negócio que somente um ilustrador excelente pode se dar ao luxo de recusar trabalho por causa de preço é uma mentalidade muito looser, pelo menos pra mim. Se você não é um ilustrador excelente, porque você não se esforça pra ser? Ninguém precisa ser um mestre, mas todos nós podemos e devemos trabalhar para sermos o melhor profissional que pudermos ser. Só assim um dia poderemos ser melhores, pelo menos melhores do que somos hoje.

Se eu tiver na minha cabeça a idéia de que eu sou mais ou menos, que eu nunca serei um bom profissional, que eu simplesmente não tenho capacidade pra isso, eu facilmente chegarei à conclusão de que eu estou na profissão errada. Eu não consigo acreditar que alguém entre numa luta acreditando que vai perder. Quem age assim já perdeu mesmo, porque perdeu pra si mesmo! Não adianta a gente querer vencer alguma coisa ou alguém se a gente não consegue vencer a si mesmo. Você pode até se achar um profissional mediano, mas você precisa acreditar que vai evoluir, pode se transformar num profissional de ponta, com um trabalho de encher os olhos e lutar pra que isso aconteça, agir dessa maneira não significa deixar de ser humilde, humildade é saber enxergar no outro um igual a você, não é recusar se a ser melhor.

Outra coisa, você pega uma capa de revista por 200,00 e fura o esquema que todo mundo quer cobrar 650,00 porque tem conta pra pagar, certo? Só que aí você jamais irá conseguir cobrar os 650,00 dos outros, porque você já provou pro mercado que o seu trabalho vale isso. Ou seja, pra atender uma necessidade imediata você acaba com a sua perspectiva de um futuro melhor, pra você e para os profissionais que estão junto de você.

Faltou ter visão de futuro, isso parece coisa de criança, sabe aquela criança que o pai compra uma bicicleta no meio do ano pra ter como pagar e fala pro filho que se ele for um bom menino vai ganhar uma bicicleta no natal? Aí o moleque descobre que o pai já comprou a bicicleta, fica torrando a paciência do pai porque quer a bicicleta, até que o pai dá a bicicleta logo de uma vez. Beleza, o moleque quis a bike e teve a dita cuja, aí o pai promete pra si mesmo que nunca mais na vida vai dar um presente caro pro moleque porque o menino não sabe esperar.

É por aí, sem contar que se você ganhar melhor, não vai precisar pegar tanto trabalho pra pagar suas contas. Dessa maneira vai sobrar mais trabalho pra mais ilustrador. Atualmente qualquer cara tem que fazer pelo menos vinte ilustras pra pagar as contas, se você puder pegar só cinco pra ganhar a mesma coisa, pelo menos terão mais quinze ilustrações que poderão servir pra ajudar outro profissional a pagar as contas dele. Mas se a coisa não for pra frente isso jamais acontecerá.

Sem contar outro detalhe, se um Editor de Arte realmente gosta do seu trabalho, ele quer o SEU trabalho, ele está atrás do SEU estilo, do SEU desenho e não do seu PREÇO! Quem quer que VOCÊ trabalhe, vai pagar o quanto for preciso para ter o SEU trabalho.

Se o Editor realmente quiser o SEU trabalho, não vai ter quinze neguinho pra fazer o mesmo trabalho. Isso não existe. Pelo amor de Deus, gente, acredite, você precisa acreditar em você, cara! Você precisa se amar e amar a sua arte! Essa neurose é tudo o que um cliente picareta sempre pediu à Deus!

O que eu escrevo não é pra esculachar ninguém, é pra tentar ver se dá pra compreender. É igual aquela história de criança, do menino que sempre apanha na escola. O menino apanha porque os outros são fortes. Mas o menino precisa aprender a se defender, só que o menino acredita que nunca vai conseguir bater no moleque mais forte. Só que o menino nunca tentou, até que um dia o menino de tanto sofrer nas mão dos fortões resolve dar um basta, perde o controle e acaba deixando o fortão no Hospital.

É por isso que a gente precisa se unir, a gente até pode ser fraco, pode ser indefeso, mas junto a gente se ajuda, se fortalece, se une, se organiza e consegue espantar o fortão que vem dar bordoada na gente. Eu entendo sua posição, cara. Mas não dá pra gente, como parte fraca da corda, se juntar pra ficar todo mundo encolhido no canto com medo do bicho papão. Se é pra gente se unir, que seja pra lutar pelo nosso espaço e pelo nosso respeito no mercado. Sem medo. Todos estamos no mesmo barco, e o barco não vai virar e nem afundar, só se a gente deixar.

Uma coisa que poderia acontecer seria a categoria "ilustrador" ser absorvida por outro, como pelos jornalistas. Tem gente que leva essa hipótese a sério.

Sinceramente, eu não sei se o Sindicato dos Jornalistas teria algum interesse em lutar pelos NOSSOS direitos. Me parece que nesse caso, serão duas lutas. A primeira, para que o Sindicato dos Jornalista se comova por nós e resolva nos defender (coisa que eu não acredito que aconteça, não com tanta facilidade). A segunda, depois de conquistar a simpatia do Sindicato dos Jornalistas, começar o trabalho para que a nossa situação junto das Editoras melhore. Se é pra ter tanto trabalho então que nós tomemos a dianteira dos nossos destinos. Quem já teve contato com outro meios sabe que ninguém tá muito interessado na nossa luta. O próprio Céu percebeu isso quando começou os contatos para uma Câmara Setorial.

Eu sinceramente quero que todos os ilustradores que estão nesse barco possam se aposentar fazendo ilustrações. Eu gostaria também que os novos conseguissem ser ilustradores e que se aposentassem como ilustradores. Eu gostaria que a nossa profissão tivesse futuro. Futuro que atualmente fica difícil de vislumbrar. Só que não dá pra ter medo. A gente precisa ter iniciativa.

Com certeza nós erraremos, mas se todos nós tivermos união e equilíbrio, nós saberemos aprender com os nossos erros e acabaremos conseguindo realizar o nosso intento, com seriedade, paciência e responsabilidade. Quem sabe um dia, quando olharmos pra trás, nós não percebamos que jamais poderíamos imaginar que fôssemos tão longe e conquistássemos tanto?

Impossível é somente aquilo que a nossa imaginação não consegue conceber, mas é por isso justamente que existem os desenhistas, não é?

9.3.06

TV Digital no Brasil

Esses dias andou rolando um papo mais acalorado numa das listas de discussão que eu faço parte à respeito da TV Digital no Brasil.

Me parece que pro aqui será adotado mesmo o padrão japonês, e pelo que me parece a Globo apoiava isso abertamente. Muita gente achou que hou "mutreta", outros acharam que os caras da Globo são bons mesmo e nada melhor do que eles para dizer o que é melhor.

Acharam muita coisa.

Só não acharam uma coisa que eu achei.

Engraçado, a Globo, já que é tão boa, poderia fazer novelas e seriados com melhor qualidade no que diz respeito a direção ou ao roteiro, por exemplo.

A anos as novelinhas da Globo são um lixo, uma direçãozinha porca pacaraio. Você vê uma novela do badalado Jorge Fernando que mais parece um "engana trouxa" de quinta categoria. A impressão que dá é que essa turma saiu da equipe técnica reserva de um filminho como a "Noviça Rebelde" sem ter evoluído de lá pra cá, sendo que eu sou muito mais a Noviça Rebelde do que as porcarias da Globo.

Denis Carvalho dirige ao melhor modo "Arroz com Feijão" que eu já vi. O Ricardo Waddington e o Dennis Carvalho também. Todo mundo costuma dizer maravilhas da direção do Jayme Monjardim, mas eu nunca vi o cara fazer uma tomada de cena realmente interessante. O cara usa em tudo câmera parada com a objetiva bem curtinha. Quem não se lembra de uma cena, que pra mim foi horrível da minissérie "A Casa das sete mulheres" em que parecia os rebeldes da Revolução Farroupilha caminhado num gramado verde? Os caras caminhavam em um gramado plano fazendo um desenho em "S". Pura declaração de incompetência isso! Fizeram uma trilha em "S" para que o povo pudesse ocupar a área da tela preenchendo por inteiro. Se o larápio movimentasse a câmera, não teria feito tamanha imbecilidade. Ou alguém acredita que um exército que queira se deslocar e que precisa de agilidade e rapidez pra isso vai andar em zigue zague só pra facilitar ser alvejado pelo inimigo?

Só se salva no meio disso tudo o Luis Fernando Carvalho, que é bom e já provou isso.

Sem contar que a décadas a única coisa realmente importante numa novela é no final "quem vai ficar com quem". Eu, até hoje, nunca vi um personagem de novela trabalhar. Mesmo nas minisséries. Tudo tem importância pífia, só namorar, casar e transar é que vale. Às vezes eu acho que as produções da Globo são assim porque é só isso que o brasileiro se preocupa. Ou seria o inverso?

Não adianta nada colocar um padrão MARAVILHOSO de TV digital pra passar Especial do Roberto Carlos, TV XUXA, Pânico na TV, Big Brother Brasil, Domingo Legal, Luciana Gimenes e a fofoca do Leão Lobo.

Nós ganharíamos muuuito mais se a TV Brasileira ganhasse cérebro.

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