15.6.04

Este é o mundo que nós criamos?

ESTE É O MUNDO QUE NÓS CRIAMOS?

No desespero que temos para manter a nossa vida sempre em dia, sempre pagando nossas continhas, sempre sendo igauis à todos, sempre preocupados se nós teremos dinheiro ou saúde, e ainda algumos vezes se nós seremos felizes, esquecemos de olhar o cenário do mundo que vivemos.
Esse cenário que foi por nós mesmos remendado à nossa imagem e semelhança, cenário composto de ilhas de egoísmo, todos cheios de desejos insatisfeitos, lutando para que o outro nos veja como um ser igual, igual no amor, na dor, nos direitos...

Sempre esquecemos de "furar" a bolha que compõe o nosso "mundo" e perceber se o mundo que eu quero é igual ao mundo que eu faço, ou se o mundo que eu quero é igual ao mundo que os outros querem.
Com certeza ninguém vê nada, e assim vivemos nós, seres humanos, como se fossemos uma manada inconsciente de sua força, verdadeiros animais que somente usam sua inteligência para fazer com que sua satisfação animal possa ser melhor saciada.

Quantos de nós não é capaz de arruinar a vida, a saúde e a esperança de quem quer que seja somente para que nossos bolsos estejam cheios.
Quantos de nós esperamos a ruína, as falências, o desespero, a indigência e a fome, para ganharmos mais; quantos de nós não exploram o mal como forma de sustento, nos transformando em mercadores de soluções mas fazendo de tudo para que o mal ao qual nós "combatemos" jamais se acabe, dessa forma seremos sempre úteis.

Será que não percebemos que somos nós que criamos as dores do nosso mundo? Ninguém quer a guerra, mas todos querem ver o sangue jorrar, de preferência pela televisão. Será que nós um dia iremos perceber que o sangue que jorra é composto das mesmas substâncias que compõem o nosso próprio sangue? Que a dor que o outro lá do outro lado do mundo sente é a mesma dor que nós próprios sentiríamos se estivéssemos em seu lugar.

Somos Caim contra Caim, irmãos que odeiam irmãos, loucos que na sua loucuram ainda poderão acabar com tudo...
Todos somos culpados, todos somos iguais, todos achamos que o outro é mais burro, é mais feio, é mais fraco, é mais injusto, é mais cruel: o outro é o culpado.

Culpado somos todos nós, nós que guardamos nosso dinheiro porque o governo é incompetente, e deixamos de proporcionar o trabalho à tantos seres humanos iguais a nós, gerando miséria , fome e ladrões, que são esses mesmos que poderiam ser nossos empregados, nos tirando à força aquilo que poderia ir até eles pela força do trabalho honesto e que depois voltaria às nossas mãos. Seria o mesmo dinheiro que ficou guardado, mas que fez o bem...

Somos capazes de invadir países, roubar riquesas, explorar pessoas simples até a última gota de sangue, exigir vantagens, desviar verbas, superfaturar trabalhos, sonegar impostos, comprar fiscais, juízes, policiais, vereadores, deputados e senadores somente para que o nosso faturamento possa garantir uma meta de crescimento.
Por que não sabemos viver bem? Por que só sabemos fazer chorar? Imagine, se não somos capaz de dar um centavo, quem diria dar um pouco de amor...

Muitas vezes nós também não fazemos nada disso, só ficamos olhando, vendo tudo acontecer, deixando o mal correr solto e sem se importar com o outro, afinal, antes ele do que eu! Só que cada vez que eu me calar, eu serei igual ao criminoso que faz o mal, porque eu no fundo no fundo quero ver o mal sendo feito, o outro sendo prejudicado, o sofrimento alheio, só que eu descobri que tem um louco que pode fazer isso por mim! É uma nova forma de se fazer um "Circo de Horrores"
Se eu quisesse que o mal não fosse feito, eu iria impedir, denunciar, brigar, sei lá, mas não iria permitir que o mal prevaleça.
Erra quem erra, erra quem cala, erra quem reclama! Somente acerta quem faz!

Infelismente nós ainda achamos que o mundo muda no campo das idéias, mas pegar na enchada que é bom, ninguém quer pegar. Abraçar aquele que está sozinho, ninguém abraça. Sorrir para o que está triste, ninguém sorri. Ninguém escuta, ninguém incentiva, ninguém doa, ninguém vê.

Será que dessa maneira é justo sermos chamados seres humanos? E quem sabe então sermos chamados filhos de Deus?
Precisamos parar de ver no outro o que o outro tem de diferente de nós, precisamos parar de ver o que o outro tem de ruim ou de feio, precisamos parar de falar que somos iguais, mas lutarmos para manter as diferenças e os previlégios.
Precisamos olhar ao lado e encontrar lágrimas a se enxugar, olhar ao lado e encontrar ombros para nos apoiar. olhar ao lado e encontramos irmãos, encontrar amigos e parceiros, encontrar trabalhadores.

Precisamos aprender a dar sem querer nada em troca, ajudar sem querer recompensa, estender a mão sem esperar reconhecimento, precisamos aprender a valorizar os honestos, os trabalhadores, os esforçados e os estudiosos. E ainda mais: precisamos aprender a sermos honestos, trabalhadores, esforçados e estudiosos.

Entendamos que cada coisa errada que existe no mundo tem a nossa mão que ajudou a coisa ficar errada ou tem a nossa mão que não fez absolutamente nada para acabar com ela. Basta desempenharmos o nosso papel de ser humano que a muito tempo foi deixado de lado que o mundo será melhor, porque o mundo que nós temos é o mundo que nós fizemos e o mundo que nós teremos será o mundo que nós estaremos fazendo à partir de agora.

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