4.1.11

Um mercado só nosso?

Pergunta: Você acha que somente ilustradores devem atuar no mercado de ilustração?

Resposta - É uma pergunta curta para uma resposta não tão curta. Eu acho sinceramente que quem quiser trabalhar com ilustração deve atuar no mercado de ilustração. Tem um monte de gente que vive orbitando o universo de ilustração e que pelo menos da boca pra fora diz que não tem interesse algum em ser profissional de ilustração.

Agora eu pergunto, se não quer, pra que ficar entrando no meio, fazendo volume, dando opinião, fazendo confusão? Tudo isso em nome de uma suposta "liberdade"?

O teor dessa pergunta é bem específico, existe uma peculiaridade que passa obrigatoriamente pela formação.

Sabemos que só existe um curso de ilustração no Brasil. Sabemos que não existe uma grade curricular oficial que pode ser considerada essencial para formar um ilustrador e sabemos que os ilustradores acabaram tendo uma formação tão variada quanto podemos imaginar.

Tem ilustrador formado em arquitetura, propaganda, desenho industrial, jornalismo, desenho artístico, design de produtos, multimídia, e por aí vai...

Mas, todo esse povo tem uma coisa em comum: todos decidiram trabalhar como ilustradores.

Daí a enorme variedade de estilos. Claro que as pessoas que detém uma formação como desenhistas acabam tendo um traquejo para ilustração muito positivo. Eu, inclusive acho, que por mais que você tenha uma formação ou um trabalho heterodoxo, é imprescindível ter feito um curso de desenho, de preferência um curso bom.

Me incomoda bastante ver pessoas que colocam em sua assinatura ou cartão de visita: ilustrador, designer, redator, diretor de arte, jornalista... Sabe, coisas assim misturadas.

Uma pessoa desempenha uma função. É redator, desenhista, colorista, ilustrador, animador, modelador 3D, fotógrafo, designer, etc. Se uma pessoa dominar mais de uma função é sinal de que ela é encarregada por criar e desenvolver projetos que vão além da função primeira. Seria o caso de coordenadores de equipes, chefes e diretores. São pessoas que conhecem o trabalho de várias funções e que podem muitas vezes desempenhar uma determinada função, mas que geralmente precisa de pessoas sob o seu comando para que elas façam o trabalho.

Eu defendo que os ilustradores possam ter esse grau de amplitude no trabalho, a ponto de coordenar, criar e desenvolver projetos, pelo menos aqueles que assumiram papel como freelancer, montando sua própria empresa de prestação de serviço na área.

Sempre fui à favor de os próprios ilustradores decidirem os caminhos da evolução da sua profissão, para que sejam livres, atuantes, conscientes, independentes e indispensáveis no mercado.

Mas, para isso é preciso se distanciar do improviso, do topar qualquer parada, trabalhar por curtição, fazer hobby, e por aí vai...

Os ilustradores tem duas opções para tomar, o do mambembe, sem estrutura, com sonhos na cabeça e vivendo fora da realidade ou o da profissionalização plena, com responsabilidades, comprometimento e seriedade profisisonal. Independente de qual caminho é o melhor, eu defendo o segudno caminho por ver que é justamente o caminho que o mercado atualmente mais necessita e que poucos profissionais tomam.

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