4.1.11

Um mercado só nosso?

Pergunta: Você acha que somente ilustradores devem atuar no mercado de ilustração?

Resposta - É uma pergunta curta para uma resposta não tão curta. Eu acho sinceramente que quem quiser trabalhar com ilustração deve atuar no mercado de ilustração. Tem um monte de gente que vive orbitando o universo de ilustração e que pelo menos da boca pra fora diz que não tem interesse algum em ser profissional de ilustração.

Agora eu pergunto, se não quer, pra que ficar entrando no meio, fazendo volume, dando opinião, fazendo confusão? Tudo isso em nome de uma suposta "liberdade"?

O teor dessa pergunta é bem específico, existe uma peculiaridade que passa obrigatoriamente pela formação.

Sabemos que só existe um curso de ilustração no Brasil. Sabemos que não existe uma grade curricular oficial que pode ser considerada essencial para formar um ilustrador e sabemos que os ilustradores acabaram tendo uma formação tão variada quanto podemos imaginar.

Tem ilustrador formado em arquitetura, propaganda, desenho industrial, jornalismo, desenho artístico, design de produtos, multimídia, e por aí vai...

Mas, todo esse povo tem uma coisa em comum: todos decidiram trabalhar como ilustradores.

Daí a enorme variedade de estilos. Claro que as pessoas que detém uma formação como desenhistas acabam tendo um traquejo para ilustração muito positivo. Eu, inclusive acho, que por mais que você tenha uma formação ou um trabalho heterodoxo, é imprescindível ter feito um curso de desenho, de preferência um curso bom.

Me incomoda bastante ver pessoas que colocam em sua assinatura ou cartão de visita: ilustrador, designer, redator, diretor de arte, jornalista... Sabe, coisas assim misturadas.

Uma pessoa desempenha uma função. É redator, desenhista, colorista, ilustrador, animador, modelador 3D, fotógrafo, designer, etc. Se uma pessoa dominar mais de uma função é sinal de que ela é encarregada por criar e desenvolver projetos que vão além da função primeira. Seria o caso de coordenadores de equipes, chefes e diretores. São pessoas que conhecem o trabalho de várias funções e que podem muitas vezes desempenhar uma determinada função, mas que geralmente precisa de pessoas sob o seu comando para que elas façam o trabalho.

Eu defendo que os ilustradores possam ter esse grau de amplitude no trabalho, a ponto de coordenar, criar e desenvolver projetos, pelo menos aqueles que assumiram papel como freelancer, montando sua própria empresa de prestação de serviço na área.

Sempre fui à favor de os próprios ilustradores decidirem os caminhos da evolução da sua profissão, para que sejam livres, atuantes, conscientes, independentes e indispensáveis no mercado.

Mas, para isso é preciso se distanciar do improviso, do topar qualquer parada, trabalhar por curtição, fazer hobby, e por aí vai...

Os ilustradores tem duas opções para tomar, o do mambembe, sem estrutura, com sonhos na cabeça e vivendo fora da realidade ou o da profissionalização plena, com responsabilidades, comprometimento e seriedade profisisonal. Independente de qual caminho é o melhor, eu defendo o segudno caminho por ver que é justamente o caminho que o mercado atualmente mais necessita e que poucos profissionais tomam.

29.12.10

Ilustração na Indústria

Pergunta: Você acha possível, por exemplo, ilustradores trabalharem de alguma maneira para indústrias de base?

Resposta - Claro. Tudo o que uma indústria precisa é de informação, desde escrita até desenhada, para poder transmitir essas informações para frente e para que possa acumular informações.

Precisa se comunicar com seus clientes, seus fornecedores e com a comunidade. Precisa se comunicar com seus sócios, investidores, etc.

Tudo isso que eu listei eu vejo como pontenciais para se utilizar ilustração, agora, cabe a cada um de nós trabalharmos nessas peculiaridades para que nelas possa existir trabalho de ilustração.

23.12.10

Função Social do Ilustrador

Pergunta: Qual a função social de um ilustrador?

Resposta - Deveria ter. Praticamente não tem. Mas nunca se preocupou em ter. É uma grnde falha. mas como os ilustradores não tem o hábito de pensarem em conjunto nunca puderam excercitar a possibilidade de assumirem um papel, uma função social.

Só que existem papéis que os ilustradores, institucionalmente poderiam desempenhar.

Mas para isso é preciso gastar "tutano" e se esforçar.

Quem sabe um dia tenhamos condições para desempenhar uma função social definida?

Eu sei que atualmente a preocupação maior de quase todos nós é em ter mercado, conseguir se manter no mercado, mas um tema como esse é qualitativo e pode, a partir do momento em que nós possamos definir uma ou mais funções sociais aliadas a nossa profissão, dar uma novo impulso profissional.

17.12.10

Concursos Abusivos

Pergunta: O que você acha desse pessoal que topa concursos e contratos abusivos?

Resposta - Acho que eles agem como se fossem suicídas. Só que com isso eles acabam arrastando quase que o mercado inteiro pro suicídio. E isso é ruim.

Não posso aceitar esse comportamento, porque ele é absurdo e porque esse comportamento deixa graves sequelas no nosso mercado.

Tem muita gente que finge não ver as sequelas deixadas por esse comportamento, mas isso não faz com que a aceitação de toda norma abusiva profissionalmente não seja um grande veneno para todos nós que vivemos de ilustração.

Muitas pessoa hoje em dia encontram dificuldades para conseguir trabalho, estágio, emprego justamente por consequência desse tipo de atitude, mas jamais conseguiu perceber isso.

É como o boyzinho maconheiro que acha que a violência está demais. Quer que a polícia, a sociedade faça alguma coisa para protegê-lo da violência, da criminalidade, mas não percebe que ao comprar o seu cigarrinho do capeta, ele está incentivando e capitalizando o crime organizado que depois vai atentar contra o bem estar dele mesmo.

Qual seria o motivo de tanta gente mesmo sabendo que as regras de um concurso é abusiva ainda assim ache vantajoso participar desses concursos?

Eu imagino que isso seja um dos sintomas do excesso de mão de obra na nossa profissão atualmente. Muita gente precisa trabalhar, gostaria de conseguir uma oportunidade no mercado e não consegue.

Então o que fazer?

Muita gente sabe que no começo não dá para pensar em dinheiro, aí entre não ganhar bem e não ganhar dinheiro nenhum é um pulo.

Sem contar que muita gente não tem uma consciência global de seus atos. Uma vez que uma empresa consegue trabalhos a custo zero, esse custo nunca mais irá voltar a fazer parte da planilha daquela empresa.

Pessoas que participam de concurso aonde cedem todo o material que enviou ao concurso está trabalhando de graça no final das contas.

Um concurso tem apenas um vencedor, apenas um trabalho será reconhecido, no entanto, todos os trabalhos serão cedidos. Isso é um absurdo sem tamanho. Você irá concorrer com centenas de outras pessoas numa probabilidade minúscula de sucesso e a única certeza que terá é que o material que você irá concorrer não será mais propriedade sua?

Que vantagem Maria leva?

Isso é uma lógica matemática, não existe qualquer comprovação de que um concurso assim seja vantajoso para alguém.

E mesmo se você for o vencedor, vai ganhar exataemtne oquê? Se você perdeu o direito sobre o seu trabalho? Vai ganhar dinheiro, prêmio e mais alguma outra coisa?

Vai ganhar prestígio? Fama?

Será?

Até aonde sabemos não existe no Brasil até hoje um único concurso em que o vencedor possa se considerar com o burro na sombra após vencê-lo. Não existe qualquer garantia de sucesso profissional.

Só existem riscos.

Sem contar que se cria uma cultura de participação em concursos abusivos e, em algum tempo aquilo que até então era considerado absurdo acaba sendo considerado banalidade, acaba rolando uma tremenda distorção de valores, e o trabalho em si acaba deixando de ter a importância que tinha, as pessoas vão deixando de dar a mesma atenção para o material que irá concorrer, o nível e quantidade de participação vai acabar caindo, e no final das contas o mais provavel de acontecer é que o concurso deixe de existir.

O que a princípio seria mais um meio de divulgação e valorização profissional pode virar pó. Perde que topa e perder que realiza o concurso.

Se esforçar para que os concursos sejam mais justos também é, por isso memso uma forma de ser lutar para que esses mesmos concursos perpetuem e ganhem importância.

13.12.10

Influências

Pergunta: Quais os artistas que mais te influenciaram?

Resposta - Essa é tão boa que pode ser que eu não cosiga responder completamente.

Eu, quando criança me influenciei, por incrível que pareça com figuras cômicas. É verdade. Meu primeiros ídolos foram Jerry Lewis, Charlie Chaplin, Ronald Golias, Renato Aragão, Torresmo e Pururuca...

Quando eu cresci e comecei a me interessar por desenho eu me apaixonei pelos desenhos da Disney. Os desenhos animados do Pato Donald, os longa metragens com histórias como A Branca de Neve e os Sete Anões, Bernardo e Bianca, Fantasia, Cinderela, A Bela Adormecida, Você já foi a Bahia? 101 Dálmatas, Mogli e por aí vai. Junto disso eu me interessei pelas aventuras dos quadrinhos da Disney, principalmente os de autoria de Carl Barks.

Depois, mudei e muito a minha vida, influenciadíssimo pelos Beatles. As duas bandas de rock que mais me influenciaram na minha vida foram eles e o Queem. me influenciaram tanto que eu sei ser impossível separar a forma como eu trabalho, vivo e me comporto hoje sem ver em tudo isso influencia dessas duas bandas.

Mais jovem, eu tive a oportunidade de conhecer o trabalho de pintores, a história da arte, pintores com Van Gogh, Toulouse-Lautrec, Monet, Picasso, Modigliani, Manet, Renoir, da Vinci, Rafael, Miquelangelo, Boticcelli, Goya.

Depois eu conheci os quadrinhistas, Frank Miller, Bill Sienkiewicz, Moebius, Manara, Crepax, Serpieri, Bilal, Uderzo...

Somente quando eu comecei a trabalhar na área eu tive contato com o trabalho de ilustradores, aí eu conheci o trabalho de Normann Rockwell que me influenciou muito e até agora foi o ilustrador que maior influência teve sobre mim.

Acho que é basicamente isso.

7.12.10

HQ

Pergunta: Você curte o estilo de desenho das histórias em quadrinhos?

Resposta - Curto. Agora, é preciso saber que tipo de história em quadrinhos você tem em mente.

Se for o famosíssimo estilo "Marvel" eu to fora.

Mas existem muitas escolas de desenhos riquíssimos que vão de Will Eisner a Moebius, Katsuhiro Otomo a Peyo.

É preciso conhecer coisas que ultrapassam os limites daquilo que é dsitribuído de forma maciça. Existem quadrinhos que fazem jus ao termo "nona arte".

Conhecer esses quadrinhos enriquece a gente e faz com que a gente reflita essa abertura de visão até mesmo no nosso trabalho.

1.12.10

Necessidade de Objetividade

Pergunta: O que você acha da maioria dos ilustradores que estão no mercado?


Resposta - Que pergunta...

Eu acho que a maioria está querendo achar um caminho, mas tem muita gente que não sabe qual é o caminho.

Eu vejo muito ilustrador novo, aspirantes a ilustrador que estão afim de fazer tudo certo. os ilustradores mais velhos, infelizmente já viciaram nos problemas do mercado e costumam a falar para os novatos fazer isso ou aquilo, mas muita coisa que eles falam não surtem um efeito muito positivo, porque o nosso mercado é do jeito que é de tanto os ilustradores que aí estão fazerem as coisa que eles fazem.

É ingenuidade achar que o mercado é ruim, que os clientes são inescrupulosos, que existe muita gente se aproveitando e iludindo ilustrador.

O ilustrador é que é ingênuo, permite que os clientes abusem deles, quando querem dar um fim aos abusos são grossos e perdem a razão.

Aí ficam muitos meses sem pegar trabalho e acabam topando qualquer parada no desespero.

Gente com vinte, trinta anos de mercado ainda faz isso.

A vinte anos sabe que o mercado sempre foi assim e ainda não se adaptou.

Os ilustradores precisam ser mais ousados, eu não quero dizer mais cara de pau, mas ser mais ousado, criativo, participativo no trabalho, precisa gosta de desenhar e ser devidamente comunicativo.

Precisa ser um cara mais lógico, um cara com bom senso, menos afobado.

Tem ilustrador com mais de 50 anos de idade que fica nervoso quando aparece um cliente... cliente não é um bicho de sete cabeças, é apenas um cara que acha que o seu trabalho pode ajudá-lo a ganhar dinheiro, e tem muito ilustrador que ainda acha que um cliente irá contratá-lo porque o conceito de arte, bla bla blá, bla bla blá...

Precisamos ser mais objetivos.

Seria muito bom se a gente visse por exemplo, congresso de ilustradores, nos moldes dos congressos de cardiologistas, congresso de arquitetos, congresso de vendedores, de dentistas, corretores de seguro.

Enventos aonde as pessoas pudessem participar, mostrar cases de sucesso, apresentar pesquisas, propostas comerciais, realizar campanhas objetivando certas mudanças de comportamento de mercado, propor mudanças e reformas em falahas na atuação profissional, estabelecer metas globais, etc.

Profissionais de outras áreas quando sentem necessidade de melhora na sua área se organiza e manté o foco com disciplina.

Entre ilustradores, junta-se meia dúzia para um happy hour regado a muita cerveja ou se encontra uma vez por mês para comer bisteca... Percebem a diferença?

Eu não quero aqui criticar o que as pessoas fazem, mas não dá para acreditar que aquilo que é feito é suficiente.

Precisaríamos de eventos entre profisisonais, eventos entre profissionais e clientes, entre profisisonais e fornecedores e assim por diante.

Se a gente conseguisse organizar a Abipro de maneira efetiva, quem sabe a gente não possa um dia promover esse tipo de coisa?

Mas é preciso acabar com picuínhas que ainda são fortes. Já foi maior a desunião, mas é preciso ainda mais união, mais boa vontade e mais interesse no bem coletivo.

E mais foco.

26.11.10

Existe Luz?

Pergunta: Sou do interior de MG e me sinto sozinho na cidade, pois aki ninguém entende nada e não valorizam a ilustração. Além das dificuldades em melhorar minha habilidade (cursos), tenho de enfrentar o fato de achar um mercado decente. Existe luz no fim do túnel?

Resposta - Existe. Pode não ser uma luz que você chegue até ela facinho. Hoje em dia a internet pode te proporcionar acesso a muitos bons livros para te ensinar técnicas e estilos, com livros de fora do Brasil, inclusive.

Utilize esse recurso a seu favor.

Mas não fique perdendo tempo pendurado na internet.

Quando você estiver treinando desenho, procure fazer isso com lápis pápel caneta, tinta, pincel que sejam REAIS.

Somente treine desenhar com o computador, com tablet e programas depois que você experiência no papel suficiente para conseguir fazer a maioria das coisas que você imagina.

Treine desenho e pintura repetidamente até cansar.

Depois, mesmo se você morar num lugar que ao seu ver é aonde o Judas perdeu as botas, preste atencão no que a sua região tem de especialidade.

É uma região de pecuária? Então tem muito frigorífico. É de agricultura? Então, provavelmente tem cooperativa, agronegócio. É uma região com indústria têxtil? Com indústria química? Indústria automotiva? É uma região com muito turismo?

Compreenda que todas essas características podem ser oportunidade de trabalho. Tudo bem que podem não ser clientes que estejam acostumados com desenho, mas são clientes. Aposto para você que é muito mais fácil se disciplinar para que os clientes da sua região aos poucos conheçam a utilidade da ilustração no seu negócio do que você se arriscar para vir até São Paulo, passar fome, frio, correr o risco de ser assaltado, sem conhecer ninguém, sem ter o que comer, sem emprego, com uma pastinha debaixo do braço e conseguir vencer na vida.

O mercado brasileiro de ilustração precisa ter mais regiões capazes de absorver o nosso tipo de trabalho, para que um dia possa permitir que todos nós e que também os próximos ilustradores encontre demanda de trabalho. Cabe a todos nós nos esforçar para fazer com que segmentos que até hoje não pensam em ilustração possam perceber que a utilização de ilustração pode ser um grande aliado para os seus negócios, e cabe a nós, antes de tudo, exercitarmos nossa percepeção para compreender aonde e como uma ilustração pode ser bem empregada além de revistas, livros e propagandas.

A verdade é que no Brasil a população ainda não é tão acostumada com ilustração. Existem milhares de pessoas que podem ter acesso a ilustração, conviver e gostar de ilustração.

Precisamos sair de nossos nichos e mostrar o nosso trabalho para as pessoas que estejam a nossa volta. A maioria das pessoas que convivem no nosso dia- a-dia, como porteiros, padeiros, motoristas, vendedores, etc. não convivem com ilustração, e quando convivem é muito pouco e de origem estrangeira.

Se cada um de nós fizes o seu papel rasoavelmente podemos num futuro próximo aumentar a demanada de mercado para o trabalho que nós realizamos. Mesmo hoje já existem segmentos de mercado com demanda reprimida de ilustração e nós sequer damos bola.

23.11.10

Conseguindo clientes

Pergunta: Como fazer para que um cliente me contrate?

Resposta - Boa. Melhore a qualidade de seu trabalho.

Melhora a qualidade de seu atendimento aos clientes. Melhores o seu portfolio.

Melhore o seu conceito como profissional. Melhore a sua estrutura profissional e tente de novo.

Se mesmo assim, ainda nenhum cliente te contratar, então repita todo o procedimento.

Faça isso novamente sempre, até que, uma hora, você vai conseguir.

Ah... e não adianta procurar outra receita de sucesso, só essa funciona.

18.11.10

o Pop é Pop!

Pergunta: O que você acha da cultura pop?

Resposta - Eu acho que é a manifestação do interesse da média das pessoas que vivem em sociedade hoje em dia. Pode não ser a cultura mais vibrante que já existiu, mas se isso acontece é porque nós não nos interessamos por coisas mais interessantes. No entanto a cultura pop é viva e todos nós estamos inseridos nela, cabe a cada um de nós desenvolver a cultura pop para os temas que achamos ser mais úteis/saudáveis.

É preciso entender que tudo aquilo que hoje é considerado clássico, erudito, já foi popular um dia.

A cultura é sempre popular, fruto da realidade das pessoas, do dia a dia delas.

São depois classificadas para que nós possamos compreender a qual é poca estão ligadas e quais era a forma de pensar daquela sociedade e daqueles artistas, o que buscavam e em que acreditavam.

O romantismo já foi pop, o renascimento já foi pop, o realismo já foi pop, o cubismo já foi pop, assim como aquilo que hoje é considerado pop fatalmente será um dia classificado de maneira distinta e futuramente existirá outros padrões em vigor para a cultura pop.

16.11.10

Pra quem quer seguir como ilustrador

Pergunta: Quais dicas você dá para quem está tendo a ideia agora de seguir carreira com ilustração?

Resposta - Estude, estude muito. Desenhe mais ainda, desenhe sempre que você puder.

Conheça o trabalho da maior quantidade de artistas que você puder e procure realizar trabalhos parecido com os trabalhos desses artistas para aprender com eles.

Seja disciplinado. Saiba receber uma crítica, mesmo se uma pessoa te detonou, te colocou no chão, utilize essa crítica para ver o que você pode fazre de melhor.

Jamais desista, se sua tentativa não deu certo, saiba que talvez errado seja a forma como você tentou, e não você tentar. Tenha paciência, procure ouvir, mesmo as coisa que não te agradam. Procure também aprender coisas que não seja somente ligadas a arte, ilustração.

Se interesse por outras áreas do conhecimento, porque elas irão aumentar o seu cabedal de cultura. Leia livros, procure refletir sobre o seu papel como ilustrador, sobre o papel do seu trabalho, sobre a sua função na sociedade. E principalmente, não dê vazão ao seu ego, caso algum dia ele resolver se manifestar...

Controle a tentação de utilizar o computador e as facilidades tecnológicas o máximo que você puder. Procure aprender e treinar o máximo possível somente no lápis e papel. Desenhe, desenhe, desenhe, desenhe tudo o que seus olhos enxergarem, desenhe todas as coisas que existirem no mundo, de todas as maneiras, de todos os ângulos. Depois disso, desenhe tudo de novo.

Depois tuilize os materiais tradicionais (canetas, penas, pincéis, tintas, lápis, giz) o máximo de tempo que você puder. brinque com todas as tintas que você puder conhecer, todos os papéis e tipos de tela. Faça muitas experiências misturando esses materiais e procure ter um portfolio somente de trabalhos realizados com materiais reais.

Depois disso, parte para o meio digital.

Ninguém irá te segurar.

Seja amante da arte, do desenho e do trabalho. Faça do desafio seu aliado. Goste de crescer, aprender. Aprenda a sentir prazer com a sua evolução.

Não tenha medo de realizar conquistas novas. Apenas aprenda a estrar preparado e merecedor das conquistas que você puder ter.

Procure perceber com uma certa regularidade que ainda existem coisas que você precisa aprender e realizar.

Fuja ao máximo da idéia de já ter chegado a plenitude.

Viva a vida e construa o mundo a sua volta da melhor forma possível, isso é permitido à todos e para quem pretende seguir como ilustrador, isso pode ser decisivo.

12.11.10

Trabalhar Sozinho

Pergunta: Você não acha que os ilustradores podem ser bons profissionais, mesmo se continuarem trabalhando sozinhos?

Resposta - Essa questão é delicada. Eu acho que existem caminhos a serem tomados. Você pode escolher ser um bom profissional e ter sucesso sozinho ou unido a outras pessoas.

Junto dos outros, você terá diferenças para acertar, irá aprender a conviver em sociedade, abrir mão de certas coisas, mas depois de tudo isso tem uma boa chance de decolar, ou pelo menos de encontrar estabilidade.

Já sozinho, para você chegar a uma estabilidade, depende só de você, praticamente não há adaptação, é mais fácil chegar ao equilíbrio, e, se você tiver sorte terá uma certa vida profissional sossegada. No entanto, na hora em que o sucesso bater a sua porta, você estará numa situação limite: ou trabalha em equipe, ou fica parado no tempo.

Não há absolutamente nada no mundo que determine que se você escolher por ficar no estágio que você se encontra, você melhore sua vida ou, se não melhorar, pelo menos não vai piorar. Existe uma tendência de, com o tempo a coisa ir se esfriando. Você forçou seu ápice profisisonal e escolheu que não iria além desse ponto. Depois de todo ápice...

Se você escolher então trabalhar em equipe, terá que seguir os mesmos passos que foram trilhados por quem resolveu desde o começo a trabalhar em equipe.

São essas as opções que eu vejo claramente. Qual te parece mais promissora?

10.11.10

Mais uma sobre sucesso

Pergunta: Eu acho que ser ilustrador no Brasil é muito sofrido. Você não acha que demora muito para ter sucesso?

Resposta - Aí depende do que você entende por sucesso. Essa palavra não tem uma definição universal. Sucesso para você é fazer apenas o que você gosta? Então pode esperar sentado. Sucesso significa você descobrir como ganhar dinheiro com ilustração? Então pode até demorar, mas eu acredito ser muito mais rápido você ter sucesso assim do que querendo realizar o seu sonho de infância. O mais importante do que tudo isso, é compreender que qualquer pessoa, de qualquer área, demora e precisa de disciplina, talento, força de vontade, paciência, insistência e sorte para se conseguir o sucesso.

Existe uma frase popular que diz: Sucesso só vem antes de trabalho no dicionário.

É uma frase porreta, diga-se de passagem. Ninguém chega lá, no centro do universo, no olho do furação, sem ter passado pela periferia, sem ter que lutar para desviar dos perigos, sem vencer obstáculos, corrigindo seus erros, aprendendo e se modificando, para que o objetivo final seja alcançado. Ah, e ninguém chega lá desistindo no meio do caminho.

Vivemos num país ainda pobre, que já foi muito mais pobre do que é hoje em dia, mas que ainda não oferece igualdade de oportunidades para as pessoas. No entanto, não importa qual seja a realidade de nós mesmos para fora de nossa individualidade. O mais importante é a nossa realidade da "porta pra dentro".

Precisamos aprender a encarar o sucesso como um estado de espírito, pois uma pessoa pode ter milhões, ser idolatrada por muitos, ter um poder inacreditável nas mãos, mas se não sentir-se em plenitude, isso tudo de nava irá valer.

Outro dia eu perguntei no Formspring de uma amiga se ela não acha que trabalhar por dinheiro não pode ser também trabalhar por prazer e ela me passou uma resposta irretocável, demonstrando ter uma fortaleza interior exemplar.

Eu tenho certeza que essa moça será bem sucedida, se ela já não for.

Dinheiro, reconhecimento, fama, privilégio, importância, respeito e estabilidade é o resultado, o efeito de uma causa anterior, que é trabalho, dedicação, acreditar naquilo que se faz, humildade para corrigir os defeitos e as falhas no meio do caminho, disciplina e muito desenho.

Não importa se você ainda não tenha colecionado milhões na sua conta corrente, não importa que você ainda não tenha reconhecimento mundial, não importa se você ainda não consegui comprar todas as coisas que sempre quis ou visitar todos os lugares do mundo que você sempre sonhou conhecer, o que vale, sempre no final das contas é o caminho que você traçou para conquistar as coisas que você tem.

Não adianta em nada você fazer tudo que esteja ao seu alcance para conseguir os seus objetivos e, ao olhar para trás ver que deixou um rastro de destruição a sua volta, seu sucesso será efêmero.

É preciso curtir até mesmo as dificuldades, aprender com elas, compreender as oportunidades que as crises pessoais nos oferecem,

Eu poderia dizer, portanto que o sucesso se dá quando se tira coisas boas dos momentos ruins.

8.11.10

Defeito dos Iniciantes

Pergunta: Qual você acha ser o maior defeito dos iniciantes na profissão de ilustrador?

Resposta - Ser iniciante... parece piada de mal gosto. na verdade o problema é a inexperiência, ingenuidade, afobação e a falta de oportunidade de aprendizado para desenvolver seu trabalho de maneira séria. mas os iniciantes tem grandes qualidades, são sonhadores, tem pique, não tem medo do futuro, são unidos e acreditam!

Quem está iniciando na profissão tem um gás tremendo, muitos sonhos e uma vontade férrea de acertar, além de boa vontade para aprender, ouvem conselhos e são mais socialistas no sentido de união e distribuição de informações.

Aproveitar essa condição para que eles possam se unir profissionalmente, criar estúdios aprender a lutar por trabalho, aprendizado e conquaitas em conjunto pode compensar a inexperiência e potencializa a probabilidade de sucesso profissional no futuro, mesmo passando por dificuldades no momento, pois amplia a experiência e promove nos iniciantes a capacidade de visão profissional e mercadológica mais globalizada.

É preciso entender que todos nós somos companheiros de profissão, colegas de trabalho e ao mesmo tempo concorrentes em muitos casos.

Seja qual for o ponto de vista que analisarmos, podemos perceber que tendo companheiros de profissão, colegas de trabalho ou concorrentes com melhor preparo e mais qualidade, esse panorama nos auxilia também pois nos impulsiona a todos a sermos profissionais mais eficientes, criativos e pró ativos.

Desencorajar os iniciantes a estudar, se aprimorar e orientá-los a analisar o mercado de maneira menos romântica e mais objetiva chega a ser um grande desperdício para todos. Abrindo as possibilidades, os novatos poderão ao seu turno, também nos indicar novidades e, acima de tudo renovar padrões estéticos agregando o conhecimento que as gerações passadas novidades.

Atualmente quem está começando ainda tem pouco acesso ao cabedal de informações de ordem técnica principalmente de grandes artistas do passado.

Muitas faculdades de arte ensinam apenas o lado teórico, e isso acaba sendo muito ruim. Por isso, impulsionar os iniciantes a conhecer técnicas, materiais diversos, fazer cursos aprendendo técnicas e sabendo que existe muito mais do que o computador aprimora e desenvolve a sensibilidade. E ao incitar a discussão no que diz respeito a análise de mercado e postura profissional puxa a qualidade geral até mesmo dos profissionais mais experientes para cima.

5.11.10

Sucesso Profissional

Pergunta: Como saber se um ilustrador tem sucesso profissional?

Resposta - Se os clientes gostam do seu trabalho, te indicam para outros clientes, pagam direitinho sem achar que você está cobrando injustamente, você consegue pagar suas contas, fazer um curso aqui ou ali e ainda ter vida pessoal, isso pra mim é sucesso. O resto...

Existe no mercado muita "lenda" sobre o que vem a ser um profissional bem sucedido. As pessoas fantasiam o sucesso pelo prisma absoluto das pessoas que são famosas, conhecidas, com inúmeros seguidores, fãs, etc.

No entanto, é preciso saber que o ideal para a maioria é ter objetivos acessíveis à maioria. Fama em mídia é uma exceção, principalmente na nossa profissão. Notoriedade é algo que para ser conquistado pode custar muita coisa importante, como amizades, sacrifícios pessoais, profissionais, até mesmo abrir mão de princípios que podem trazer dissabores. Nem todos conseguem a notoriedade às custas de uma conduta reta, e geralmente quando conseguem é porque sua notoriedade foi construída ao longo de anos a fio e um árduo, incessante e paciente trabalho.

O sucesso é fruto de uma vida inteira dedicada ao trabalho com responsabilidade. Existem pessoas que tem mais ou menos talento, mais ou menos sorte, mais ou menos inteligência e o resultado ao longo dos anos refletirá todos esses pontos.

Uma pessoa mais sortuda ou inteligente que outra conquistará o sucesso de maneira mais rápida que as demais, no entanto, como diz o velho ditado "a grama do vizinho é mais verde" muitas pessoas costumam achar que as conquistas dos outros é maior do que a sua própria ou foi menos custosa.

Mas a cada um existe uma conquista, resultado do seu talento e esforço, aquilo que eu conquistar ao longo da minha vida será diferente da conquista do outro, por isso é um erro tentar uniformizar o que vem a ser o sucesso.

A grosso modo eu acredito que o sucesso chega a uma pessoa que consiga antes de mais nada manter um padrão de vida razoável, sem precisar fazer grandes malabarismos, sem precisar de golpes de sorte ou de medidas pouco ortodoxas ou pouco éticas.

Isso não significa ter clientes que sejam importantes em nível nacional ou internacional, nem ter o seu trabalho exposto para milhares de pessoas, ou mesmo ganhar rios de dinheiro.

No meu ponto de vista, o sucesso tem muito mais ligação com a vida tanto profissional quanto pessoal sendo vivida de maneira equilibrada, com prosperidade e harmonia.