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14.1.13

Rio 2016, me dá um calafrio...

Esses dias eu recebi uma mensagem dizendo que faltava pouco para os participantes do processo seletivo para a criacão do mascote para as olimpíadas do Rio 2016.

De certa forma, o processo todo da Rio 2016 seja bem mais transparente do que todo o processos da copa, mas isso não significa que os termos para criação do mascote das olímpíadas seja justo.

Enumerarei os motivos:

1- Todos os participantes concordam em ceder seu trabalho,
2- Você terá que fazer a criancão do mascote, mais Models Sheet, Style Guide e tudo o mais para concorrer,
3- Você obrigatoriamente tem que ser associado da SIB, ADG, ADAG, e sabe-se lá o que mais,
4- Não existiu uma única menção ao fato de se escolher os profissionais pela qualidade do portfolio,
5- O valor do trabalho é fixo e não é alto.

Na primeira vez que eu vi o edital e baixei, havia os valores. Não me lembro muito bem, mas os valores, se não estiver enganado, seria em torno de 30.000,00. Um valor bom para uma pessoa ou uma empresa pequena, mas insignificante para uma empresa média ou grande.


Outra coisa que me incomoda é o fato de que se houverem 200 concorrentes, e mesmo se 50% deles só fizerem porcaria, eles irão, ao participar, perder os direitos sobre os seus trabalhos (que são trabalhos completos com model sheet e tudo mais, e não apenas um estudo ou uma ilustração do boneco) e nenhum desses participante irão receber um único centavo por todo o trabalho realizado.


Parece que 8 agências forams seleecionadas para a concorrrência final, e cada uma delas irá receber R$10.000,00 por chegar a etapa final. Valor irrisório para "agências". Sem contar que todo mundo que concorreu talvez ganhe um tapinha nas costas. Perderam os direitos pelo seu trabalho, perderam tempo trabalhando de graça, sendo que poderiam estar trabalhando e pagando suas contas eperderam a concorrência.


Qualquer empresa séria no mercado costuma procurar uns 7 ou 8 profissionais, pede que cada um faça uma apresentação do portfolio e sua fiosofia de trabalho, envie um orçamento e um estudo sobre como o trabalho pode ser. Coisa que se investe no máximo dois dias de trabalho.



Agora, criar o mascote, com model sheet e tudo mais, mesmo que o trabalho seja feito nas coxas vai deomrar pelo menos um mês. Eu disse PELO MENOS.

Outra questão que me incomoda e muito é que criar um mascote para s olímpíadas de 2016 não é vitrine, não é escada pra nada.

Qual trabalho melhor que este, ou mais significativo que este, poderia ser conseguido?

Nenhum.

Pra ser uma exposição válida, o trabalho terá que te dar a oportunidade de você ser visto e escolhido por empresas maiores, para realizar trabalhos maiores, mais importantes e que irão te  remunerar mais e melhor justamente por esses motivos.

Fazer trabalho para vitrine, você faz para empresas pequenas para poder ter portfolio, para poder ter a oportunidade de mostrar para o mercado o seu potencial.

Agora, trabalhar para clientes grandes, É o objetivo profissional de qualquer ilustrador.

Não existe nenhuma vantagem ou benefício em se trabalhar de graça para um cliente grande. Se um cliente desses não te pagar bem, quem irá te pagar?

As pessoas estão, me desculpem a franqueza e falta de polidez, mas fazendo papel de idiotas trabalhando para grandes projetos, grandes clientes, que irão ter um retorno gigantesco, em troca de visibilidade.

Alguém acha que irá se fazer como topando esse tipo de coisa? Çobrando para dar entrevista? Cobrando para participar de festas e eventos como atração?

Ninguém vira celebridade porque vai fazer um mascote para as olímpiadas.

Alguém conhece o criador de algum mascote de olimpíadas que não seja o Mariscal, para as olimpíadas de Barcelona? E ele só é conhecido porque já era conhecido… Ah, a Disney também desenvolveu o mascote para as olimpíadas de Los Angeles.

O criador do Misha, mascote das olimpíadas de moscou, alguém sabe que foi?

Alguém saberia dizer se, entre os criadores de mascote para olimpíadas teve um histórico de aumento considerável de trabalhos depois de realizar a criacão desses mascotes? Me parece que não.

O que costuma ocorrer é que ao criar um mascote para esses eventos, o artista será consagrado e não alavancado.

Quando você é um profissional de qualidade, precisa sim ter um trabalho de destaque para que o mercado o consagre, mas consagração é uma espécie de ponto alto na carreira de uma pessoa. Um trabalho com importância, visibilidade, volume, e retorno proporcional a qualidade de quem o realizou.

Eu duvido que o Lúcio Costa e o Niemeyer criaram Brasília em troca de visibilidade. Eu duvido que Leonardo da Vinci faz a Monalisa em troca de visibilidade, nem Michelangelo pintou a capela sistina ou a pietá em troca de visibilidade. Da mesma maneira, Portinari não fez o painel Guerra e Paz para decorar o hall do edifício sede da ONU em troca de visibilidade.

As pessoas precisam acordar. Eu vejo muita gente topando furada esperando que o próximo projeto valha a pena.

Está na hora de dar um basta nisso.

Tem que compensar hoje, agora e não amanhã.

O amanhã nunca irá chegar, quando chega vira hoje. Façamos com que o hoje (que é certo) seja mais importante do que um amanhã improvável.

29.3.11

Contrasenso Ilustrativo

Pergunta: Você não acha um contrasenso, com toda tecnologia voltada para a comunicação como a internet, um ilustrador ao invés de abrir-se para o mundo, se restringir para atuar apenas na sua região?

Resposta - Seria um contrasenso, se regionalmente os ilustradores tivessem um padrão técnico, uma capacidade profissional que os clientes regionais não pudessem suportar por não necessitar a totalidade das potencialidades do ilustrador.

No entanto não é isso o que acontece. As empresas de uma forma geral nem sabem para quê serve o trabalho de um ilustrador, e o ilustradro também não sabe também qual seria a utilidade do seu trabalho para esses clientes.

Aí está o grande furo.

Eu acho que as coisas rolam no sentido de um passo por vez.

Qualquer profissional de ilustração primeiro precisaria conhecer as potencialidades do seu trabalho na sua região, para depois trabalhar, com paciência no sentido de mostrar, provar para o empresariado da sua região os benefícios que o seu trabalho pode trazer para eles.

Trabalhos como criação de persoangens, quadrinhos institucionais, manuais de treinamento, são simples exemplos que podem ser feitos para supermercados, padarias, oficinas mecânicas, lojas, indústrias das mais diversas e esse tipo de empresa existe espalhado em todo o Brasil.

Trabalhos mais expecíficos podem ser propostos para os clientes num segundo momento, desde que nessas empresas já exista uma cultura de utilização de ilustração.

O problema é que o ilustrador costuma pensar apenas em sentar na prancheta e desenhar, e assim não chega a lugar algum.

Quando você opta por sair de sua região, para atuar nos grandes centros urbanos, a probabilidade de conseguir sucesso profissional é muito baixo, demanda muito tempo, muito esforço, e também uma boa dose de sorte.

Se o ilustrador estudar as empresas da sua região, vai demorar o mesmo tempo praticamente, para evangelizar e conquistar clientela, sem contar que estará abrindo novas frentes de mercado que não saturadas (ao contrário do que acontece nos grandes centros) com a vantagem de ter um custo de vida bem mais baixo do que o que se tem nos grandes centros.

Por outro lado, essa idéia de que uma vez que você esteja na internet, terá uma janela aberta para o mundo inteiro é uma injenuidade sem cabimento, desde que estourou a bolha das empresas ponto com, ninguém que trabalhe com internet pensa e nem age assim.

Aliás, houve a bolha justamente porque inúeras empresas invetiram toneladas de dinheiro pensando que iriam dominar o mundo e isso não aconteceu.

Nem o Google, trabalha e pensa assim.

Quem já trabalhou com o Google sabe muito bem que hoje em dia ele procura dispor aos seus clientes mecanismos que aumentam a eficiência das empresas porque justamente procura mostrar as empresas que estão na internet para os seus potenciais clientes que estejam mais próximos.

Qualquer cliente, seja ele quem for, quer clientes bons e que estejam próximos de dele, que permita um contato pessoal, exclusivo, de qualidade. Os clientes que preferem clientes sem esse contato mais personalizado são clientes com perfil qualitativo baixo, e, dependendo do cliente, pode não compensar.

Outra coisa que é preciso levar em conta é que quando se fala "mundo todo" as pessoas pensam em pegar clientes que estejam nos EUA, Canadá, Inglaterra, Alemanha, França, Japão, só país de primeiro mundo.

Só que precisa querer focar em países como México, Argentina, Chile, Equador, Emirados Árabes, Turquia, Grécia, Índia, Coréia, Catar, África do Sul.

E é preciso montar todo um sistema de cobrança capaz de trabalhar com todos esses países. Agora, ilustrador não gosta nem de alugar um ponto comercial para ter um estúdio fora de casa, vai querer investir nesse tipo de coisa?

Para se chegar num ponto como esse é preciso primeiro conquistar a sua região. Se o seu trabalho for bom demais para se restringir apenas a sua região, então vale a pena investir nos grandes centros. E se mesmo assim os grandes centros do Brasil for pouco (coisa que nem o 6B estúdio acha) então você deve investir numa carreira internacional.

Outra coisa importantíssima, quando você pensar em concorrer com profissionais de outros países, é preciso também saber se o nível do seu trabalho é igual, inferior ou superior ao dos profissionais do local. Só para se ter uma idéia, o nível dos ilustraodres da Argentina é muito mais alto do que o dos profissionais daqui, e ninguém aqui quer entrar no mercado argentino.

Imagine o nível de profissionais do Japão, França, EUA, Canadá, Alemanha...

23.3.11

O Mercado Pode Melhorar?

Pergunta: Como você acha que o mercado de ilustração pode melhorar?

Resposta - Melhorando o ilustrador, sendo ele um artista com melhor qualidade.

Um profissional mais focado, mais objetivo.

Sendo mais sério quando se trata de negócios, procurando ser um administrador de verdade, um comerciante de verdade.

Precisa querer agregar mais noções, novos princípios de negócio.

Precisa ter vontade de abrir novas frentes de trabalho (volto a insistir) para diminuir a concorrência entre nós.

Precisa agitar mais o intercâmbio de conhecimento, intercâmbio de experiências profissionais difundir princípios práticos de negócios para nossa área que são bem sucedidos e podem ser bem sucedidos.

Coisas que pessoas de outras áreas profissionais fazem constantemente.

17.3.11

Mercado ruim

Pergunta: Você não acha que essa história de que o mercado está ruim é exagerada? Embora eu esteja na área a pouco tempo, não acho que a coisa seja assim tão ruim.

Resposta - Tem uma coisa que eu aprendi nessa vida que tudo é relativo.

Quem está no mercado a apenas 5 ou no máximo 10 anos não conseguiu ver o panorama muito diferente daquele que temos hoje, por isso não consegue compreender que tanto eu reclamo que o mercado está ruim.

Quem tem mais de 15 anos de mercado já consegue saber como ele era anos atrás.

Eu comecei no inicio dos anos 90, alias, em 1990, para ser mais exato.

Embora fosse moleque, eu via que se vivia uma época econômiica péssima no Brasil, era época do Plano Collor, estávamso saindo da maior hiperinflação que esse país teve para o completo arrocho.

Tudo a nossa volta respirava um ar de insegurança quanto ao futuro, só que entre os ilustradores havia um pique, um ânimo, um gás muito maior do que hoje em dia.

Haviam muito menos pessoas no mercado e muito menos pessoas querendo entrar no mercado.

Mesmo com toda crise econômica, muita gente conseguia fazer quadrinhos e acreditava-se sim que era possível viver de quadrinhos para o mercado brasileiro.

No mercado editorial eu não sei como era, pois não tinha contato, mas o mercado publicitário estava prestes a se revolucionar e acabar com os postos de muitos ilustradores, pois foi justamente nessa época que o computador invadiu as agências de propaganda.

Muita gente jurava de pé junto que a profissão de ilustrador iria se extinguir em, no máximo 10 anos.

Mas havia trabalho, eu, mesmo como um mero assitente de arte, responsável por montar anúncios na agência de propaganda que eu trabalhava conseguia pegar bastante trabalho freelancer, isso sem ficar batendo de porta em porta em agências ou editoras.

Uma coisa rara de acontecer hoje em dia.

Eu chegava a ganhar quase 6 vezes mais do que o meu salário, só com freelance, e sem ficar prospectando cliente.

E isso, porque era uma época economicamente ruim.

Naquela época bastava você bater na porta de uma agência ou editora, ligar, marcar uma entrevista e nem precisava assim tanto de indicação, todo mundo te recebia, e quando via o seu trabalho, muitas portas se abriam, porque o pessoal via que a eu não era amador.

Hoje em dia, um cliente qualquer muitas vezes nem conversa por telefone com você se você não for indicado. Te pede para passar um e-mail e nunca mais te retorna.

Quando alguém te procura facilmente, na maioria das vezes é trabalho no risco e mesmo assim tem um monte, mas um monte mesmo de outros ilustradores que seriam capaz de enfiar uma faca no seu bucho para pegar aquele trabalho no risco.

Agora, me digam, será que o mercado atualmente é assim tão bom?

11.3.11

De Maceió...

Pergunta: Sou de Maceió. Eu gostaria de seguir carreira como ilustrador, mas aqui tem pouco cliente como agencia de propaganda e editora. Muitas vezes eu tenho vontade de me mandar pra outro lugar, tipo São Paulo. Você acha que é possível ser ilustrador aqui?

Resposta - Você precisa ter em mente que o seu futuro profissional é um investimento em longo prazo.

Se você vier para São Paulo, não vai ter aonde morar, não vai ter trabalho, não vai ter dinheiro, vai concorrer com trocentos neguinhos por uma vaga no mercado de trabalho e corre riscos que nem imagina que existem.

Aposto que, embora sua cidade não seja um paraíso de agências e editoras, tenham outros mercados de trabalho não tem?

O pessoal trabalha aí em quais áreas?

Tem turismo?

Se tiver, porque você não se especializa em realizar trabalhos envolvendo ilustração voltados para o mercado de turismo?

Tem indústria?

Essas indústrias não podem precisar de ilustração para embalagens, rótulos, para a decoração dos seus escritórios? Não podem precisar de mateirias para treinamento de pessoal? Não pode precisar fazer quadrinhos institucionais?

O comércio aí é aquecido?

Não dá pra se associar com algum estabelecimento comercial de desenvolver algum produto aonde seu desenho seja parte do chamariz para o comércio?

Tem gente que curte piercing, tatuagens?

Porque você não abre um estúdio de tatuagem e alia o seu conhecimento artísticos para oferecer aos seus clientes diferentes daqueles que os tatuadores que não sabem desenhar oferecem?

Tem muita feira, congresso, casamento?

Porque você não se especializa em fazer caricaturas, cartuns, animações, quadros para ser vendido para esse público?

Veja bem, o que não falta na vida são oportunidades.

Se você tiver engajamento, vai achar mercado ótimos, novos, sem vícios, sem concorrência, que você pode ser uma pessoa com grande especialização.

Acontece que esses são os tais mercados em potencial, não existem realmente e para se começar é preciso pegar na mão do cliente, ensinar tudo tintim, por tintim e ir se especializando, se preparando para evoluir como prestador de serviço. Assim seus clientes vão ficando cada vez mais satisfeito com o seu desempenho e também irão te pagar melhor.

Isso tudo pode demorar de dez a vinte anos para rolar, mas você acha que vindo para um grande centro urbano alguma coisa será muito diferente disso?

Pense no futuro, a longo prazo, insistir em mercados regionais aumenta a demanda, descentraliza o mercado, melhora o reconhecimento de nossa profissão e ainda permite que você possa ser um profissional bem sucedido sem ter que sair de casa.

7.3.11

Novos Ilustradores

Pergunta: O que você acha dos ilustradores que estão começando na área?

Resposta - Acho que esses caras precisam de muita coragem para continuar sem fazer besteira, porque existe muita orientação ruim para ilustradores iniciantes no meio de outras tantas orientações boas, mas que faltam pela superficialidade.

Muita gente por aí diz para os iniciantes que desenhar na mão é bobagem, fala para os iniciantes que o certo é trabalhar em casa, ter um estudiozinho num quarto de casa.

Algumas orientações são duvidosas, outras são verdadeiros ruídos, que acabam confundindo.

Mas não existe somente orientação ruim, tem coisa boa. O próprio Guia do ilustrador é muito bom para quem quer conhecer o mercado e está no ponto zero.

A maior falha existe para que já saiu do ponto zero, e é aí justamente aonde se encontram os ruídos.

Como existem muitos ilustradores ainda trabalhando em casa, sem uma estrutura que possa, com o tempo empregar treinees, estagiários, etc. fica muito difícil para esse pessoal que quer começar na carreira arranjar um meio seguro de entrar no mercado.

Isso também ocorre por causa da baixa demanda de ilustração para os profissionais que já estão no mercado. A maioria pode muito bem ter trabalho em quantidade suficiente para pagar suas contas e tudo mais, mas não tem volume para aplicar no seu sistema de trabalho uma filosofia agregadora.

O ideal, nesse caso, é haverem ações visando aumentar a demanda de ilustração, fomentar o mercado, e paralelamente haver um trabalho de conscientização e mudança de cultura dos ilustradores para terem vontade de se tornarem empresas e assim darem chances para os novatos.

Vendo por esse prisma a gente percebe que o problema não está exatamente nos iniciantes, mas sem que as pessoas tomem atitudes acertadas e criem uma consciência global os iniciantes apenas contribuirão para ser um problema a mais.

1.3.11

Ilustrar pelo interiorzão

Pergunta: Você acha possível que uma pessoa possa trabalhar como ilustrador em Goiás, no Mato Grosso, Roraima sem ter que vir para os grandes centros? Como?

Resposta - Porque não? O que eu acredito é que nessas regiões exista mercado pronto aonde basta chegar e se instalar.

Mas é preciso que os ilustradores dessas regiões terem uma visão de realidade de seus mercados para que possam adequar o trabalho de ilustração as demandas regionais.

Primeira coisa que existe é a memória da sua região. Isso por si só já traz uma necessidade de resgate da memória e da história de cada lugar desse país.

Existe tanto na indústria automotiva, química, petrolífera, mineração, de tecidos, de vestuário, calçados, no comércio segmentado ou popular, nas empresas de prestação de serviços como o de telefonia móvel, internet, midia indoor, imprensa, televisão, nas ações sociais e nos meios sociais inúmeras oportundiade de se trabalhar com ilustração.

Oportunidades essas que são desperdiçadas diariamente, porque os ilustradores pensam somente me fazer ilustração para livro, revista e historia em quadrinhos.

É preciso trabalhar para que cada região tenha o hábito de trabalhar as suas formas de comunicação com ilustração, isso gerará a demanda necessária a absorção da mão de obra excessiva de trabalho em ilustração e poderá, a seu tempo fazer com que a profissão seja naturalmente reconhecida, aceita e respeitada.

O caminho que temos atualmente é igualmente espinhoso, não oferece qualquer perpectiva de melhora ou aumento de demanda de trabalho e a muitos anos gera os resultados que vemos de cada vez menos se pagar menos, cada vez mais haver concorrência desleal e desgasta a ilustração por excesso de oferta de mão de obra.

Uma pessoa que resolva trabalhar para a sua região pode levar de dez a quinze anos para ter sucesso, mas se resolver arriscar nos grandes centros urbanos, a probabilidade de sucesso também gira por volta de dez a quinze anos.

23.2.11

Ilustração mais e menos nobre

Pergunta: Eu trabalho muito fazendo caricatura para eventos, festas, etc. Gostaria muito de poder trabalhar em áreas mais nobres como ilustração para livros. Que dicas você poderia me dar?

Resposta - Posso ser sincero?

Esse trabalho que você faz com caricaturas paga as suas contas?

Os clientes que você tem gostam do seu trabalho?

Você tem facilidade para ser indicado pelos seus clientes para outros trabalhos?

Se as três responstas anteriores forem "sim", então a resposta é outra pergunta:

Pra que você vai querer outros clientes?

A coisa mais importante que existe é ter clientes que te pagam direito, gostam do seu trabalho.

Agora, se além disso eles ainda te indicam para outro cliente, então você está no céu, mas ainda não percebeu.

Claro que você pode pensar em ter mais clientes, mas jamais cometa a loucura de abrir mão de um cliente, por menor que seja, que está satisfeito com o seu trabalho e te paga bem para arriscar pegar um cliente maior.

Se alguma resposta for não, vale você ir atrás de outra coisa, mas ainda assim sem deixar seus clientes de lado totalmente. E vale a pena você pesquisar o mercado, dar uma olhada no que rola por aí, dar um upgrade no seu portfolio e voilá!

17.2.11

Ilustradores Unidos

Pergunta: Por que você defende tanto a união de ilustradores para formar estúdios?

Resposta - É quase inconcebível na minha cabeça ilustradores que dominam tecnicas, mercados diferentes fiquem isolados enquanto que todos poderiam se unir, realizar trabalhos maiores, se lançar com mais afinco no mercado, se fortalecer.

A união é uma forma de somar além da simples progressão aritmética.

Numa equipe aonde existem duas pessoas em sintonia, pensando em com objetivos semelhantes, o resultado não é igual ao resultado de dois ilustradores, mas de três ou até mesmo de quatro.

Muita gente se priva de vivenciar esse tipo de conquista para si.

Deveriam arriscar um pouco mais.

Existe chance de car errado? Claro, tudo no mundo é assim. Da mesma forma como ficando sozinho a chance continuará existindo.

A única coisa que eu defendo é uma união não só de indivíduos, mas de ideais, de princípios e de interesses.

11.2.11

LDA

Pergunta: Você não acha que a atual LDA já é suficiente para atender às necessidades dos ilustradores?

Resposta - De certa forma, sim. Mas a questão no momento será a próxima LDA a entrar em vigor. A atual ao meu ver é boa, embora ainda falte bastante para cair como uma luva nas necessidades dos ilustradores. Um exemplo é com relação a um ilustrador ter que escolher entre ser um autor e um prestador de serviços, a lógica (burra por sinal) parte do pressuposto de que ninguém pode ser as duas coisas, e os ilustradores sempre foram as duas coisas.

Seria muito bom que a LDA corrigisse isso, pois uma lei tem como função se adaptar a realidade das pessoas para que dentro dessa adaptação ela possa guiar as pessoas para um estado de quilíbrio de forças.

Já, a LDA conforme os próprios legisladores e advogados pregam, não é capaz de se colocar na nossa realidade profissional plenamente.

Existem meios para contornar isso? Existem.

Mas eu pergunto pra você: vale a pena ficar contornando, dando jeitinho se uma coisa foi feita para funcionar da forma como é necessária?

7.2.11

Ilustrador rico

Pergunta: É possível ficar rico trabalhando com ilustração? Como?

Resposta - Não sei. Eu não fiquei, mas te juro que não é esse o meu objetivo.

É muito difícil você colocar como objetivo apenas o dinheiro.

Quando você faz isso, é possível que você comece a não se importar muito com a forma com que você chega ao seu objetivo, passando por cima das pessoas, prejudicando e fazendo sabe-se Deus mais o quê.

No final você é capaz de espalhar um rastro de destruição a sua volta e o saldo final ser muito mais negativo do que você imagina.

Terá atingido o seu fim, mas não terá nada mais além disso, será temido, respeitado, mas nunca amado.

Aliás, ficar rico, é algo muito relativo. Para alguns ganhar dois mil reais por mês é riquesa, para outros, menos do que duzentos mil por mês é o fracasso total.

Devemos no fundo pensar em contruir um ambiente que seja justo, produtivo e construtivo dentro de nossos limites de entendimento.

1.2.11

Politicagem

Pergunta: Você não acha que o que está a politicagem no meio profissional dos ilustradores está acabando com o mercado?

Resposta - err.. não sei se eu entendi direito. Mas vamos ver...

Política é a arte da convivência entre as diferenças, basicamente.

No entanto, quando cada ser diferente se acha o dono da razão e da verdade, a política vai tomando uma cara agressiva, injusta.

Existem pessoas no nosso meio que interpretam o mercado com pontos de vista diferentes, alguns divergem sobre como fazer para resolver os problemas em nosso meio, outros divergem até mesmo sobre quais seriam esse problemas.

Política, se a gente prestar atenção, é algo tão presente na vida do ser humano quanto o ar que ele respira.
E inerente ao convívio social, e o ser humano é naturalmente um ser social.

Por isso política não é algo fatalmente ruim, pois através da política se desenvolveram as normas de convívio, de conduta, de ética e tudo mais.

O problema está não na política mas no egocentrismo, aonde as pessoas acham que a liberdade sua é mais importante do que a liberdade do seu próximo, a sua opinião é melhor do que a opinião do seu próximo.

A base da boa política está baseada nos três pilares que se transformaram o lema da Revolução Francesa de 1789: liberdade, igualdade e fraternidade.

Nenhuma dessas três é mais importatne que a outra, todas são igualmente importantes e nada é mais importante do que as três juntas.

São princípios como esses que devem nortear a política em qualquer meio, profissão, atividade, economia e tudo mais.

Desde que orientados de maneira a respeitar os limites e regras básica de civilidade e interesse ao bem comum, a política deixa de ter o aspecto biabólico que conhecemos para se transformar em instrumento destinado a evolução da sociedade com justiça.

Por isso mesmo eu acho que a política em nosso meio é antes de mais nada, uma necessidade. Só que como a poítica é potencialmente uma arma muito poderosa, deve ser manuseada com cuidado e responsabilidade.

As pessoas que se fazem valer desse recurso precisam aprender a não ser engolido pelas tentações e a vertigem que o poder tras.

Em todo caso, pior seria ficar livre dela, pois que é algo impossível, sem contar que pessoas que detestam política apenas permitem que aqueles que querem ter a liberdade para politicamente fazer o que bem entenderem, sem limites covivam num ambiente aonde as maneiras erradas de prática política sejam combatidas.

14.1.11

Pensar Global

Pergunta: Porque você se preocupa tanto com o que outros profissionais possam fazer de errado na profissão? Quem vai sofrer as consequências dos erros feitos não serão eles mesmos?

Resposta - Porque aquilo que muitos ilustradores inexperientes fazem de errado pode se transformar numa espécie de comportamento padrão entre os profissionais da ilustração na cabeça dos clientes.

Isso é possível de acontecer pelo fato de, nos últimos anos haver uma quantidade muito grande de novos profissionais entrando no mercado.

Orientar esse pessoal sobre o que é certo, ético, justo, para mim é uma forma de ajudar a todos, eu, você, e até mesmo profissionais mais bem sucedidos no mercado.

Tornar os profissionais em geral com maior qualidade profissional ajuda a todos, cria uma círculo virtuoso aonde qualidade, variedade e demanda puxam o mercado para um patamar de sustentabilidade econômica.

Agir localmente e pensar globalmente. Não se trata apenas de uma frase de efeito, mas de um dever de todos.

10.1.11

Regulamentação Ideal

Pergunta: Uma vez você disse que podem existir vários tipos de regulamentação na profissão de ilustrador. Qual o tipo de regulamentação você acha o ideal?

Resposta - Pra mim, a regulamentação ideal passa por uma associação de classe, que possa oferecer treinamento e assistencia aos seus associados, intensificar o intercâmbio entre os associados, oferecer um serviço de registro de ilustração mais adaptado para a realidade do nosso mercado, a criação de um prêmio anual para os profissionais de ilsutração.

Também passa pela criação de métodos de ensino de desenho tanto para alunos do ensino médio, quanto para ensino profissinalizante e superior.

Incentivo a abertura de novos mercados, novas frente de trabalho para a ilustração, análise quantitativa e qualitativa do mercado de ilustração, incentivo a criação de estúdios de ilustração e aproximação com os governos visando criar código CNAE específico para a nossa profissão e o reconhecimento.

No momento eu não vejo motivos para uma regulamentação nos moldes da OAB, por exemplo. No entanto, essa história pode ser facilmente modificada, principalmente com esse pessoal que declara não ser ilustrador continuar participando do mercado reservado a nós de maneira irresponsável.

Eu não concordo com esse tipo de coisa, aliás, acho que se a gente conseguir chegar nos pontos citados antes da regulamentação com registro profissional e o escambau já forçosamente faria com que o mercado pudesse encontrar um ponto de equilíbrio.

4.1.11

Um mercado só nosso?

Pergunta: Você acha que somente ilustradores devem atuar no mercado de ilustração?

Resposta - É uma pergunta curta para uma resposta não tão curta. Eu acho sinceramente que quem quiser trabalhar com ilustração deve atuar no mercado de ilustração. Tem um monte de gente que vive orbitando o universo de ilustração e que pelo menos da boca pra fora diz que não tem interesse algum em ser profissional de ilustração.

Agora eu pergunto, se não quer, pra que ficar entrando no meio, fazendo volume, dando opinião, fazendo confusão? Tudo isso em nome de uma suposta "liberdade"?

O teor dessa pergunta é bem específico, existe uma peculiaridade que passa obrigatoriamente pela formação.

Sabemos que só existe um curso de ilustração no Brasil. Sabemos que não existe uma grade curricular oficial que pode ser considerada essencial para formar um ilustrador e sabemos que os ilustradores acabaram tendo uma formação tão variada quanto podemos imaginar.

Tem ilustrador formado em arquitetura, propaganda, desenho industrial, jornalismo, desenho artístico, design de produtos, multimídia, e por aí vai...

Mas, todo esse povo tem uma coisa em comum: todos decidiram trabalhar como ilustradores.

Daí a enorme variedade de estilos. Claro que as pessoas que detém uma formação como desenhistas acabam tendo um traquejo para ilustração muito positivo. Eu, inclusive acho, que por mais que você tenha uma formação ou um trabalho heterodoxo, é imprescindível ter feito um curso de desenho, de preferência um curso bom.

Me incomoda bastante ver pessoas que colocam em sua assinatura ou cartão de visita: ilustrador, designer, redator, diretor de arte, jornalista... Sabe, coisas assim misturadas.

Uma pessoa desempenha uma função. É redator, desenhista, colorista, ilustrador, animador, modelador 3D, fotógrafo, designer, etc. Se uma pessoa dominar mais de uma função é sinal de que ela é encarregada por criar e desenvolver projetos que vão além da função primeira. Seria o caso de coordenadores de equipes, chefes e diretores. São pessoas que conhecem o trabalho de várias funções e que podem muitas vezes desempenhar uma determinada função, mas que geralmente precisa de pessoas sob o seu comando para que elas façam o trabalho.

Eu defendo que os ilustradores possam ter esse grau de amplitude no trabalho, a ponto de coordenar, criar e desenvolver projetos, pelo menos aqueles que assumiram papel como freelancer, montando sua própria empresa de prestação de serviço na área.

Sempre fui à favor de os próprios ilustradores decidirem os caminhos da evolução da sua profissão, para que sejam livres, atuantes, conscientes, independentes e indispensáveis no mercado.

Mas, para isso é preciso se distanciar do improviso, do topar qualquer parada, trabalhar por curtição, fazer hobby, e por aí vai...

Os ilustradores tem duas opções para tomar, o do mambembe, sem estrutura, com sonhos na cabeça e vivendo fora da realidade ou o da profissionalização plena, com responsabilidades, comprometimento e seriedade profisisonal. Independente de qual caminho é o melhor, eu defendo o segudno caminho por ver que é justamente o caminho que o mercado atualmente mais necessita e que poucos profissionais tomam.

29.12.10

Ilustração na Indústria

Pergunta: Você acha possível, por exemplo, ilustradores trabalharem de alguma maneira para indústrias de base?

Resposta - Claro. Tudo o que uma indústria precisa é de informação, desde escrita até desenhada, para poder transmitir essas informações para frente e para que possa acumular informações.

Precisa se comunicar com seus clientes, seus fornecedores e com a comunidade. Precisa se comunicar com seus sócios, investidores, etc.

Tudo isso que eu listei eu vejo como pontenciais para se utilizar ilustração, agora, cabe a cada um de nós trabalharmos nessas peculiaridades para que nelas possa existir trabalho de ilustração.

23.12.10

Função Social do Ilustrador

Pergunta: Qual a função social de um ilustrador?

Resposta - Deveria ter. Praticamente não tem. Mas nunca se preocupou em ter. É uma grnde falha. mas como os ilustradores não tem o hábito de pensarem em conjunto nunca puderam excercitar a possibilidade de assumirem um papel, uma função social.

Só que existem papéis que os ilustradores, institucionalmente poderiam desempenhar.

Mas para isso é preciso gastar "tutano" e se esforçar.

Quem sabe um dia tenhamos condições para desempenhar uma função social definida?

Eu sei que atualmente a preocupação maior de quase todos nós é em ter mercado, conseguir se manter no mercado, mas um tema como esse é qualitativo e pode, a partir do momento em que nós possamos definir uma ou mais funções sociais aliadas a nossa profissão, dar uma novo impulso profissional.

17.12.10

Concursos Abusivos

Pergunta: O que você acha desse pessoal que topa concursos e contratos abusivos?

Resposta - Acho que eles agem como se fossem suicídas. Só que com isso eles acabam arrastando quase que o mercado inteiro pro suicídio. E isso é ruim.

Não posso aceitar esse comportamento, porque ele é absurdo e porque esse comportamento deixa graves sequelas no nosso mercado.

Tem muita gente que finge não ver as sequelas deixadas por esse comportamento, mas isso não faz com que a aceitação de toda norma abusiva profissionalmente não seja um grande veneno para todos nós que vivemos de ilustração.

Muitas pessoa hoje em dia encontram dificuldades para conseguir trabalho, estágio, emprego justamente por consequência desse tipo de atitude, mas jamais conseguiu perceber isso.

É como o boyzinho maconheiro que acha que a violência está demais. Quer que a polícia, a sociedade faça alguma coisa para protegê-lo da violência, da criminalidade, mas não percebe que ao comprar o seu cigarrinho do capeta, ele está incentivando e capitalizando o crime organizado que depois vai atentar contra o bem estar dele mesmo.

Qual seria o motivo de tanta gente mesmo sabendo que as regras de um concurso é abusiva ainda assim ache vantajoso participar desses concursos?

Eu imagino que isso seja um dos sintomas do excesso de mão de obra na nossa profissão atualmente. Muita gente precisa trabalhar, gostaria de conseguir uma oportunidade no mercado e não consegue.

Então o que fazer?

Muita gente sabe que no começo não dá para pensar em dinheiro, aí entre não ganhar bem e não ganhar dinheiro nenhum é um pulo.

Sem contar que muita gente não tem uma consciência global de seus atos. Uma vez que uma empresa consegue trabalhos a custo zero, esse custo nunca mais irá voltar a fazer parte da planilha daquela empresa.

Pessoas que participam de concurso aonde cedem todo o material que enviou ao concurso está trabalhando de graça no final das contas.

Um concurso tem apenas um vencedor, apenas um trabalho será reconhecido, no entanto, todos os trabalhos serão cedidos. Isso é um absurdo sem tamanho. Você irá concorrer com centenas de outras pessoas numa probabilidade minúscula de sucesso e a única certeza que terá é que o material que você irá concorrer não será mais propriedade sua?

Que vantagem Maria leva?

Isso é uma lógica matemática, não existe qualquer comprovação de que um concurso assim seja vantajoso para alguém.

E mesmo se você for o vencedor, vai ganhar exataemtne oquê? Se você perdeu o direito sobre o seu trabalho? Vai ganhar dinheiro, prêmio e mais alguma outra coisa?

Vai ganhar prestígio? Fama?

Será?

Até aonde sabemos não existe no Brasil até hoje um único concurso em que o vencedor possa se considerar com o burro na sombra após vencê-lo. Não existe qualquer garantia de sucesso profissional.

Só existem riscos.

Sem contar que se cria uma cultura de participação em concursos abusivos e, em algum tempo aquilo que até então era considerado absurdo acaba sendo considerado banalidade, acaba rolando uma tremenda distorção de valores, e o trabalho em si acaba deixando de ter a importância que tinha, as pessoas vão deixando de dar a mesma atenção para o material que irá concorrer, o nível e quantidade de participação vai acabar caindo, e no final das contas o mais provavel de acontecer é que o concurso deixe de existir.

O que a princípio seria mais um meio de divulgação e valorização profissional pode virar pó. Perde que topa e perder que realiza o concurso.

Se esforçar para que os concursos sejam mais justos também é, por isso memso uma forma de ser lutar para que esses mesmos concursos perpetuem e ganhem importância.

13.12.10

Influências

Pergunta: Quais os artistas que mais te influenciaram?

Resposta - Essa é tão boa que pode ser que eu não cosiga responder completamente.

Eu, quando criança me influenciei, por incrível que pareça com figuras cômicas. É verdade. Meu primeiros ídolos foram Jerry Lewis, Charlie Chaplin, Ronald Golias, Renato Aragão, Torresmo e Pururuca...

Quando eu cresci e comecei a me interessar por desenho eu me apaixonei pelos desenhos da Disney. Os desenhos animados do Pato Donald, os longa metragens com histórias como A Branca de Neve e os Sete Anões, Bernardo e Bianca, Fantasia, Cinderela, A Bela Adormecida, Você já foi a Bahia? 101 Dálmatas, Mogli e por aí vai. Junto disso eu me interessei pelas aventuras dos quadrinhos da Disney, principalmente os de autoria de Carl Barks.

Depois, mudei e muito a minha vida, influenciadíssimo pelos Beatles. As duas bandas de rock que mais me influenciaram na minha vida foram eles e o Queem. me influenciaram tanto que eu sei ser impossível separar a forma como eu trabalho, vivo e me comporto hoje sem ver em tudo isso influencia dessas duas bandas.

Mais jovem, eu tive a oportunidade de conhecer o trabalho de pintores, a história da arte, pintores com Van Gogh, Toulouse-Lautrec, Monet, Picasso, Modigliani, Manet, Renoir, da Vinci, Rafael, Miquelangelo, Boticcelli, Goya.

Depois eu conheci os quadrinhistas, Frank Miller, Bill Sienkiewicz, Moebius, Manara, Crepax, Serpieri, Bilal, Uderzo...

Somente quando eu comecei a trabalhar na área eu tive contato com o trabalho de ilustradores, aí eu conheci o trabalho de Normann Rockwell que me influenciou muito e até agora foi o ilustrador que maior influência teve sobre mim.

Acho que é basicamente isso.

1.12.10

Necessidade de Objetividade

Pergunta: O que você acha da maioria dos ilustradores que estão no mercado?


Resposta - Que pergunta...

Eu acho que a maioria está querendo achar um caminho, mas tem muita gente que não sabe qual é o caminho.

Eu vejo muito ilustrador novo, aspirantes a ilustrador que estão afim de fazer tudo certo. os ilustradores mais velhos, infelizmente já viciaram nos problemas do mercado e costumam a falar para os novatos fazer isso ou aquilo, mas muita coisa que eles falam não surtem um efeito muito positivo, porque o nosso mercado é do jeito que é de tanto os ilustradores que aí estão fazerem as coisa que eles fazem.

É ingenuidade achar que o mercado é ruim, que os clientes são inescrupulosos, que existe muita gente se aproveitando e iludindo ilustrador.

O ilustrador é que é ingênuo, permite que os clientes abusem deles, quando querem dar um fim aos abusos são grossos e perdem a razão.

Aí ficam muitos meses sem pegar trabalho e acabam topando qualquer parada no desespero.

Gente com vinte, trinta anos de mercado ainda faz isso.

A vinte anos sabe que o mercado sempre foi assim e ainda não se adaptou.

Os ilustradores precisam ser mais ousados, eu não quero dizer mais cara de pau, mas ser mais ousado, criativo, participativo no trabalho, precisa gosta de desenhar e ser devidamente comunicativo.

Precisa ser um cara mais lógico, um cara com bom senso, menos afobado.

Tem ilustrador com mais de 50 anos de idade que fica nervoso quando aparece um cliente... cliente não é um bicho de sete cabeças, é apenas um cara que acha que o seu trabalho pode ajudá-lo a ganhar dinheiro, e tem muito ilustrador que ainda acha que um cliente irá contratá-lo porque o conceito de arte, bla bla blá, bla bla blá...

Precisamos ser mais objetivos.

Seria muito bom se a gente visse por exemplo, congresso de ilustradores, nos moldes dos congressos de cardiologistas, congresso de arquitetos, congresso de vendedores, de dentistas, corretores de seguro.

Enventos aonde as pessoas pudessem participar, mostrar cases de sucesso, apresentar pesquisas, propostas comerciais, realizar campanhas objetivando certas mudanças de comportamento de mercado, propor mudanças e reformas em falahas na atuação profissional, estabelecer metas globais, etc.

Profissionais de outras áreas quando sentem necessidade de melhora na sua área se organiza e manté o foco com disciplina.

Entre ilustradores, junta-se meia dúzia para um happy hour regado a muita cerveja ou se encontra uma vez por mês para comer bisteca... Percebem a diferença?

Eu não quero aqui criticar o que as pessoas fazem, mas não dá para acreditar que aquilo que é feito é suficiente.

Precisaríamos de eventos entre profisisonais, eventos entre profissionais e clientes, entre profisisonais e fornecedores e assim por diante.

Se a gente conseguisse organizar a Abipro de maneira efetiva, quem sabe a gente não possa um dia promover esse tipo de coisa?

Mas é preciso acabar com picuínhas que ainda são fortes. Já foi maior a desunião, mas é preciso ainda mais união, mais boa vontade e mais interesse no bem coletivo.

E mais foco.