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26.1.11

Quadrinhos Nacionais

Pergunta: Você acha possível que no Brasil algum dia exista um mercado consumidor de quadrinhos nacionais?

Resposta - Eu acho que sim, só não sei quando. Em termos de tempo fica muito difícil precisar, mas em termos de desdobramento dos fatos, eu poderia arriscar que quando as pessoas envolvidas em quadrinhos resolverem olhar mais para o público, perceber que determinados públicos, em suas faixas etárias e condições sociais podem se interessar por quadrinhos, desde que sigam determinadas orientações para que possam ser produzidos visando esses mesmos públicos, então os quadrinhos encontrarão o seu espaço verdadeiro, pois eu acredito que ainda não foi levado a sério no Brasil a questão de identidade cultural, empatia, afinidade e direcionamento de linguagem visando possíveis públicos para esse mercado.

Os quadrinhos, no Brasil é caracterizado por pessoas que sonham e que procuram realizar seu sonho exatamente da maneira como seus sonhos são na sua cabeça, e deixam de perceber todo um mundo que pode querer coisas diferentes, que possa consumir, gostar e se transformar em público cativo para que seus sonhos possam estar alinhados com os anseios das pessoas que podem consumir o seu sonho.

Certas coisas esbarram meio que numa áura de coisa sagrada. Nossas aspirações artísitcas costumam ser encaradas assim. É nosso filhinho querido, fruto de nossa inspiração, por que defendemos com unhas e dentes, mas que não queremos, de forma alguma fazer com que elas se "poluam"com interferências de ordem econômica, mercadológica e tudo mais.

Lógico que não dá pra ser um vendido, mas é preciso que haja equilibrio, porque uma coisa que visa apenas satisfação pessoal pode não ter qualquer valor coletivo.

7.12.10

HQ

Pergunta: Você curte o estilo de desenho das histórias em quadrinhos?

Resposta - Curto. Agora, é preciso saber que tipo de história em quadrinhos você tem em mente.

Se for o famosíssimo estilo "Marvel" eu to fora.

Mas existem muitas escolas de desenhos riquíssimos que vão de Will Eisner a Moebius, Katsuhiro Otomo a Peyo.

É preciso conhecer coisas que ultrapassam os limites daquilo que é dsitribuído de forma maciça. Existem quadrinhos que fazem jus ao termo "nona arte".

Conhecer esses quadrinhos enriquece a gente e faz com que a gente reflita essa abertura de visão até mesmo no nosso trabalho.

28.4.09

Quadrinhos no Brasil

É muito engraçado ver como o pessoal acostumado a trabalhar com quadrinhos batendo uma cabeça fortíssima para se achar no mercado de quadrinhos, aliás, os quadrinhos no Brasil são completamente desencontrados.

Falta, de forma mais do que profunda encontrar uma identidade nacional. Sempre quando se vê uma discussão sobre isso, costuma-se voltar com sugestões maravilhosas como se criar personagens como a Super Mula-sem-Cabeça ou Cangaceiro Atômico. Isso é o ridículo do ridículo, é pedir por favor não se sinta identificado com o que eu faço.

Primeiro porque essa história babaca de achar que um caboclo só porque voa e usa cueca por cima das calças, tem um físico de go go boy e fala igual a Xuxa em seu programa infantil colabora somente para aumentar a diferença entre o mundo que vivemos com a ficção que pode ser produzida nos quadrinhos.

Segundo porque uma história, precisa ser boa, basicamente, com um enredo interessante, e, para ser sincero, se essa história for contada em uma história em quadrinhos é apenas porque a história foi roteirizada para isso. Uma vez que entre fazer um vídeo, animação, um filme ou uma HQ, a produção mais barata é sem sombra de dúvidas a última opção. Só isso. Quadrinhos na verdade costuma ser uma forma de viabilizar histórias que se fossem produzidas em outras mídias teria um custo muito alto, e correria o risco muito grande lançar uma história que não se sabe qual seria sua aceitação. HQ é basicamente uma mídia que minimiza riscos.

Só que nem pra isso os quadrinhos no Brasil servem, isso porque as editoras compram material principalemtne norte americano por um valor absurdamente baixo, abaixo do custo de produção de algum estúdio nacional, com a vantagem que as revistas já vem com consumidores que são formados pela produção dessas editoras não só pelos quadrinhos, como também através de desenhos animados, e agora também pela internet.

O que aumenta a minha estranheza é ver que existem estudos e pesquisas apontando os quadrinhos como uma forma barata é eficaz de se ensinar e comunicar as pessoas, e mesmo se baseando em resultados de pesquisas sérias, não existe praticamente investimento em se produzir quadrinhos no Brasil. Agora é preciso ver se sso também não acontecem porque uma parcela grande de quadrinhistas também não tem o menor interesse em produzir quadrinhos para um determinado público.

Porque o que é produzido no Brasil para ser comercializado no mercado brasileiro, para consumidores brasileiros, em sua grande maioria são histórias de interesse somente do autor. O complicado é justamente que o autor não se importa nem um pouco se o trabalho que ele faz é de interesse de mais alguém. O que é mais espantoso ainda é que entre os autores de quadrinhos, pensar assim é considerado normal, anormal e protituído é pensar em fazer um quadrinho levando em consideração afinidades de algum público.

Não temos público consumidor. Não temos roteiristas especializados em quadrinhos. A maior parte dos desenhistas de quadrinhos buscam trabalhar no mercado norte americano. Grande parte deles aceita trabalhar mais por bem menos dinheiro do que um americano aceitaria, e ainda acha isso normal. Muitos acabam tendo alguma síncope, problema de saúde, que algumas vezes o força a abandonar sua profissão prematuramente.

Também causa estranheza ver que os quadrinhistas brasileiros sabem que não existe um mercado consumidor de quadrinhos no Brasil e mesmo assim não acham isso estranho. Ainda mais estranho é ver quadrinhistas não muito familiarizados com a linguagem cinematrogáfica.

O curioso nessa história toda é que no meu entender os quadrinhos funcionam como um ensaio para o cinema, ou seja, é um modo mais barato em se dar vida a uma história, sendo que muitas histórias em quadrinhos bem sucedidas viram filme.

Só que no Brasil os quadrinhos estão a quilômetros de distância do cinema, e olha que o nosso cinema já conseguiu um lugarzinho ao sol mesmo não sendo assim uma mídia tradicionalmente rica ou considerada bem sucedida.

Seja sincero, você assistiria ao filme da Super Mula-sem-Cabeça? Você assistiria um filme do Super-Caipira? Ou então do Cangaceiro Atômico?

A resposta é simples e clara, ninguém vai perder tempo com essa m$#&!

Porque a idéia é ruim, ridícula, imbecil. E tem gente que acha que para quadrinhos a Super Mula-sem-Cabeça pode pegar.

Que falta de bom senso, que falta de bom gosto, que falta de história para contar.

Uma história em quadrinhos é apenas uma forma mais complexa de se contar uma história aonde o desenho é tão importante quanto a história. Eu acho que trechos desse próprio texto já demonstram isso.

Só que com história babaca, não tem desenho que dê jeito.

No Brasil existem heróis sim, mas o nosso mundo é diferente coisa da porrada, da coisa dos personagens cheios de músculos e vazios de neurônios.

No Brasil não tem Rambo, tem Ayrton Senna; não tem Vingador do Futuro, tem Pelé, não tem Batman, tem Santos Dumont, tem Getúlio Vargas, tem JK, tem Padre José de Anchieta, tem Frei Damião, tem Chico Xavier, tem Irmã Dulce, tem Bento Gonçalves, tem Chico Buarque, tem Tom Jobim, tem Betinho, e outros tantos heróis de um povo sofrido, heróis de verdade.

A idéia de heróis nesse nosso Brasil é diferente dos EUA, lá para ser herói é preciso músculo e muito chumbo, aqui é preciso coração e muita mão na massa.

O nosso mundo é diferente, nossa realidade é diferente.

O desafio é se encontrar sem ser ridículo, é ser natural, brasileiro.

Quem sabe um dia alguém por aqui não consegue?

21.3.05

Historias em Quadrinhos no Brasil

Eu não conheço ninguém no Brasil que faça quadrinhos para o mercado nacional e sobreviva disso. Se não se sustenta, então quadrinho no Brasil é algo mal sucedido. Pra mim, ser bem sucedido é ter condições de colocar comida na mesa. Eu, sinceramente não sei se a revista Chiclete com Banana dava algum lucro ou se a Piratas do Tietê também dava, mas com certeza a única que teve condições reais de dar algum lucro foi a Chiclete com Banana e ainda assim porque era somente um cara que fazia tudo.

Até aonde eu sei o Front deve-se mais à coragem dos que a fazem do que pelo lucro que a revista gera. História em Quadrinhos no Brasil sofre do que eu chamo de "Mal do Gibi", que é aquela idéia que esse tipo de arte é voltada para crianças e adolecentes babacas que não tem o que fazer. Um garoto que lê HQ no Brasil é tido como um ser estranho, enquanto que alguém que assiste novela é considerado uma pessoa normal. Vejam a que ponto chegamos!

Porque isso é assim no Brasil?

Porque a única coisa que foi pra frente em HQ no Brasil foi Turma da Mônica e Superherói importado dos EUA, e, cá pra nós, fica difícil alguém com bom senso acreditar que um bando de marombados usando cueca por cima da calça seja sério...
Quem ta fora desse círculo consegue ver o quanto é ridículo, assim como quem tá fora do círculo de novela vê o quanto é ridículo uma histórinha que a única coisa que interessa no fim é saber quem fica com quem. Só que nessas últimas décadas a novelinha viciou muito mais gente e hoje dá lucro. Nesse meio tempo a HQ brasileira ficou pra trás e não adianta chorar pelo leite derramado, agora, quem quiser fazer HQ no Brasil e ser respeitado deve trabalhar sério, trabalhar muito e como se isso não bastasse tem que lutar contra tudo e todos.

Tem que mostrar seriedade nas histórias, um bom desenho, tem que saber transmitir a sensação de uma cena e seu desenrolar, tem que saber envolver o leitor, ter um tema que seja de interesse das pessoas e não que seja somente de interesse do próprio quadrinhista, e tem que esperar que a população consiga ter uma boa imagem com relação ao quadrinho nacional, meio como o cinema nacional teve que fazer desde o final da ditadura.

Pena que para isso, é preciso que tenha gente disposta a tomar muito prejuízo ou até passar fome para chegar lá e, particularmente, eu não estou disposto e comprar essa briga. O máximo de briga que eu compro é com ilustração, isso porque eu já tive a minha formação e já consegui um cantinho ao sol. Eu luto para ajudar a melhorar as condições e a situação da Ilustração no país já que isso mantém algo que já existe.

Infelismente quanto aos Quadrinhos, isso é uma tarefa para quem não tem problemas finaceiros, pelo menos atualmente, precisa ser feito por quem ainda dependa dos pais ou então quem tem muito dinheiro e não precise de lucro imediato para garantir o seu sustento, já que a situação da HQ nacional é quase nula.

Eu torço para os corajosos e desejo toda a sorte do mundo para os que lutam para melhorar essa situaçãoe gostaria sinceramente um dia chegar a este blog e escrever um texto reconhecendo que eu estava enganado quanto a
situação da HQ no Brasil.