7.4.09

Perdi um Mestre

Nessa vida é tão difícil encontrar pessoas com inteligência, moral, coerência e firmesa, que quando aparece algum pessoa com o mínimo de capacidade intelectual, temos a impressão de que encontramos um ser de outro mundo, quanto mais quando por algum motivo qualquer temos a sorte de encontrar em nossa vida algum ser realmente excepcional, muitas vemos sequer percebemos que essas pessoas a são.

Na minha vida, até hoje, eu considero quatro pessoas com quem eu tive a oportunidade de cruzar o meu destino como excepcionais, somente não gostaria no momento de dizer os nomes, acredito que essas pessoas sabem que eu as considero mestres, pois foram pessoas que me mostraram muitas coisas, pessoas com quem eu muito aprendi e, se hoje eu posso ser considerado alguma coisa que preste, eu posso dizer com toda certeza que essas pessoas muito contribuiram para as qualidades que eu possa pelo menos hipoteticamente ter.

Só que hoje, eu perdi a oportunidade de continuar a ter contato fisicamente com um desses mestres. Foi o último mestre que eu tive, uma pessoa que me ensinou tanto, mais tanto conhecimento, tanta coisa, uma pessoa que proporcionou tanto aprendizado nos últimos anos a ponto de eu conhecer muito mais sobre mim, sobre o mundo, sobre as coisas, sobre as leis que regem o universo, sobre os mistérios da vida, de Deus e dos homens no que em todos os anos de minha vida.

Com esse mestre eu tive acesso ao último segredo da humanidade, o segredo sobre si próprio, seu destino, sua origem, sobre o objetivo e sobre como aprender a aprender.

Uma pessoa rara, como poucos na terra são. Uma pessoa bastante dura quando se conhece logo de início, mais parece uma rocha intransponível, alguém que ao ouvir uma frase sua é capaz de gritar “Burro!!” e depois te provar por A mais B , de acordo com as mais variadas teorias e ciências o porque ele está te chamando de burro a ponto de você apenas admitir que é realmente burro.

Muitas pessoas que se consideram grandes doutores, sabedores de muita ciência e filosofia foram chamadas de burro por esse mestre, que sempre provou a todos os “burros” que cruzaram o seu caminho que eles eram ainda muito menos do que aquilo que eles acreditavam ser, e por isso mesmo foi odiado por tantos.

Um ser de rara inteligência, mas em alguns momentos incapaz de conviver com mentes simplesmente comuns, tal era o seu grau de capacidade. Um homem capaz de se fazer o mais reles materialista para não ofender nem o mais reles materialista, capaz de se fazer o mais reles capitalista para não ofender nem o mais reles capitalista, capaz de se fazer um reles preconceituoso para não ofender o mais reles preconceituoso, capaz de se fazer um reles mortal para não ofender nem mesmo o mais reles mortal.

Mas o fato é que ele amava as situações simples da vida, amava as amizades fáceis e sinceras, amava a vida com todos os problemas que ela contém, a ponto de inclusive criar problemas somente para que eles existam, sem mesmo saber porque ele os criava.

Respondia, quando interpelado “porque você faz isso?" apenas com um “sei lá, frescura...” Acontece que essas frescuras dele, o fazia um ser único, capaz de ir aos Estados Unidos só para comprar cueca e ter uma cueca nova para mostrar aos amigos de futebol no vestiário.

Pois ele sempre foi assim, embora a princípio se parecesse um grande mal humorado, agressivo e misantropo, ao conhecê-lo mais de perto, ele se revelava um verdadeiro amante da vida, da vida boa, da vida simples, da vida plena, uma verdadeira criança num corpo de mais de setenta anos, uma criança que corre de carro, uma criança que gosta de barco, uma criança que bebe, que fuma, que joga, que ri, que conta piada, que tem humor e que nunca fez a mínima questão em se parecer inteligente, sensível, honesto. Para ele bastava ser, não mostrar aos outros que era.

Quanto temos que aprender com pessoas assim, e quanto tempo irá demorar para voltar a encontrar alguém assim.

Minha preocupação agora é em saber se ele está bem, se será possível continuar o seu caminho sem maiores sofrimentos e se os seus podem se sentir confortados pela dor de sua perda.

Lamento apenas pelas poucas palavras, pensamentos e raciocínios que deixou escrito, pois o fruto de sua razão é ouro puro, o mais puro e mais valioso, pois nunca perece e ninguém irá um dia roubar.

Todos os que tiveram a sorte e o encontrar e de receber dele a maior riquesa que poderia dar a uma pesssoa, que é a sua inteligência, sua presença de espírito; continuarão, agora não mais como alunos ou aprendizes, mas pessoas que tentarão viver, agir e ensinar tudo o que dele pode nos oferecer.

Como ele mesmo nunca gostou e nem admitiu elogios, a ponto de muitas vezes se transformar no bicho mais selvagem que pode existir somente para provar que nunca foi merecedor de qualquer elogio, vou terminando aqui meu texto.

Mas, não sem antes dizer:

Obrigado, Paulo Oliveira.

3.4.09

Aos Iniciantes

Algumas vezes eu vejo, nesse mercado de ilustração, tão vilipendiado por ilustradores dos naipes mais esdrúxulos que se pode haver, algumas iniciativas isoladas de pessoas com intenções puras.

Algumas vezes eu me surpreendo com o fruto de iniciantes com o vigor e a inocência da primeira idade, que ainda não foram contaminados pelo câncer do egocentrismo e nutrem em si sonhos socializados de socializar o acesso, o conhecimento, a informação, o debate e o desenvolvimento do mercado de ilustração pelos ilustradores.

Invariavelmente, costumam trombar com as figuras já conhecidas, macacos velhos que vivem de marketing pessoal, se auto intitulando salvadores da pátria que “vendem” suas iniciativas (muitas delas, que nem própria é) como a solução definitiva para todos os problemas.

A solução, antes de mais nada, se faz necessário dizer que de maneira absoluta está mais fácil de ser uma quimera do que uma realidade, porque um mercado é feito de pessoas, indivíduos, e ainda mais quando se fala em ilustração, o indivíduo se sente e se faz cada vez mais “indivíduo” mesmo, pois não consegue ter disciplina e grandiosidade de caráter para deixar de ser uma pessoa, um artista, “o cara” para ser apenas parte de um grupo.

Vemos todos os dias pulularem manifestações de grupos de indivíduos, mas com extrema dificuldade vemos manifestações de grupos, pessoas anônimas que juntos fazem a diferença. E o ilustrado, no fundo não quer ser anônimo, que ser apontado, admirado, reconhecido, quer ter seu ego massageado e fazer parte de uma “colméia” seria a morte de sua individualidade como “abelha rainha”.

Temos um exército de “abelhas rainhas”, algumas abelhas rainhas maiores, mais forte, outras abelhas já são mais mirradinhas, mas todas são rainhas.

Eu mesmo confesso que essa dificuldade em formar um grupo, aonde cada um contribua diariamente para colocar o seu tijolinho e construir alguma coisa aonde méritos e culpas sejam de todos me fez afastar me por completo de qualquer aglomeração. No entanto, eu observo, com olhos que não são meus, mas ainda assim aguardo o momento em que uma geração regenerada um dia apareça, disposta a simplesmente trabalhar. Colocar a mão na massa independente de quem vai levar a fama por ter feito o quê.

E ainda hoje vejo, algumas iniciativas, pessoas bem intencionadas, com sinceridade, mas que falta a elas a experiência, o conhecimento, a vivência. No final das contas, apesar da boa vontade elas se ajudam, se esclarecem e aos poucos se fortalecem, mas ainda falta o apoio, a visão, o contato com o passado, com algumas tradições, a história do profissão, o porque da origem das coisas, como técnicas, estilos, e demandas de mercado.

Também falta (e como falta), sempre faltou na verdade, uma visão ou uma oportunidade para que os ilustradores que se aventuram nesse mercado ingrato tenham domínio não somente da parte técnica e artística da profissão, mas da parte prática. Como administrar? Como tomar conta das nossas contas? Como gerir seu trabalho como uma empresa? Como ser empreendedor? Como abrir mercado? Como analisar o mercado, suas tendências, saber se antecipar aos acontecimentos e estar a frente, ditando regras, tendências, ao invés de simplesmente aceitar as regras que alguém um dia impôs para você?

Como fazer para ser um vendedor, uma administrador, um gerenciador, uma pessoa que trabalha com recursos, com elementos, que precise escolher as melhores peças para se montar um quebra cabeça de acordo não só com a realidade de mercado, mas a realidade dos clientes?

A falta de ouvir preocupações como essa me fez e ainda me faz afastar de muitos colegas de profissão. A coisa mais insuportável que existe é você ver um bando de marmanjos reclamando da vida, e ninguém tendo idéias, analisando possíveis soluções. O pior de tudo, é que, quando alguém aparece com uma possível solução, ninguém acredita nessa pessoa, tão aficionados essas pessoas estão em focar no problema. Isso quando a própria pessoa por si só já não desacredita nas suas idéias.

Já é tão difícil ouvir um sim, num país aonde as pessoas estão acostumadas a acreditar que a coisa é ruim, o sistema é injusto, a corrupção sempre existiu e sempre existirá, e dessa maneira todos vivem suas vidas simplesmente se adaptando a “regras” em que a esperança, o esforço e a confiança no futuro somente se faz presente em pessoas que encontram alguma grande fonte estatal de recurso para se encostar.

É um comportamento herdado dos primatas, pois esses nossos parentes distante, tem um medo tremendo de água, de ar, até do chão. Somente se sentem confortáveis me cima de galhos, aonde podem ver tudo o que acontece, fazem qualquer coisa, inclusive provocam animais mais fortes do que ele, mas tem a opção de se esconderem atrás da folhagem ou pular para outro galho, caso a coisa fique preta.

Parece que nesse país, estamos ainda mais próximos dos chimpanzés, pois vemos invariavelmente esse tipo de comportamento se repetindo, e muitas pessoas sem que saibam, revivem o comportamento dos seus ancestrais mais remotos.

Entre ilustradores isso se amplifica, basta ver quando muitos ilustradores se juntam.

Nada contar o encontro em si, um encontro é apenas um encontro, mas é inegável o clima de primitividade, oriunda do comportamento tão pouco humano de algumas pessoas.

E porque um comportamento tão pouco humano em coletividade? Talvez porque o animal (não me refiro aos chimpanzés e nem aos gorilas) em questão seja, na verdade avesso ao relacionamento harmonioso em grupo, preferem resgatar instintos primitivos em coletividade manifestando-se da forma descrita, quem sabe mesmo por suspeitarem que se vestissem a pele daquilo que são na verdade, talvez demonstrassem ser animais muito mais selvagens.

Alegria é sempre bom, diversão sempre é bom, mas alegria demais inebria o cérebro. É preciso rir da vida, rir da gente, mas o suficiente para descansar, retomar o fôlego, recobrar as forças e voltar a encarar a realidade, interagindo se possível de maneira positiva no mundo real. e depois da refrega, uma diversão e alegria para compensar os esforços de batalha.

Isso, se analisarmos bem, é muuuito primitivo, mas ainda assim é um comportamento de seres humanos.

Aliás, o ser humano só chegou aonde chegou porque soube se organizar, se aliar, equilibrar forças para derrotar as dificuldades do ambiente. Se hoje o ser humano subjuga o planeta a ponto de poder destruí-lo se utilizar sua força sem sabedoria, essa capacidade só se deve porque o ser humano soube, através do tempo se unir e se organizar.

Não como bando de símios, e nem como tribos nômades, mas como seres capazes de analisar o ambiente, agir em conjunto, tomar decisões e agir de acordo com as decisões tomadas.

O que eu espero, é que os novatos, não se recolham ao primitivismo simiesco da atividade, mas continuem preservando a boa vontade de discutir e auxiliar. Para vocês, eu manifesto minha vontade de conhecê-los todos e quem sabe, ter um dia, com bastante tempo para poder.

Não nos iludamos, a sofisticação de certos ambientes apenas maquiam os instintos animalizados do ser, o fato de alguém ter um carro assim ou assado, de se vestir assim ou assado, de falar com inúmeros rapapés não escondem os instintos do ser. A simplicidade ainda é o único caminho para a verdade, para as grandes conquistas. Quem tem aversão a simplicidade, tem medo que em vivendo a simplicidade revelem ao mundo sua verdadeira natureza.

Novatos, não se seduzam pelo luxo, nem pelos ouros de tolo da fama, da divulgação fácil e do trabalho para grandes clientes; não queiram ser mais do que são, se esforcem, trabalhem, estudem, desenhem, ilustrem, pintem, tenham idéias, ponham elas em prática, conheçam mais do que as coisas que apenas fazem parte das pranchetas, façam cada um de você a sua parte sem esperar que o outro faça a dele, pois o coletivo é feito de indivíduos e corrigindo o individuo o coletivo se corrigirá; e espero que saibam que é com grande prazer que eu quero conhecer vocês e poder trocar as minhas experiências com as suas, pois talvez eu tenha algo a acrescentar, fruto mais da vivência do que da capacidade, mas atualmente acredito ter muito mais a aprender.

Pois me corta o coração ver vocês, iniciantes bem intencionados, com fome e sede de conhecimento, de orientação e de união não serem levados a sério.

O mercado se um dia se regenerar, será porque faz parte dele uma maioria de pessoas conscientes e sérias. Se hoje o mercado está degenerado, é porque a maioria dos ilustradores que fazem parte dele são igualmente degenerados. Me incluo no bolo, mas sinceramente desejo mudar essa realidade.

30.3.09

Porque eu não assisto novela

Muita gente costuma falar que a novela é uma forma de expressão cultural popular genuinamente brasileira, que é uma grande conquista perante o mundo existir as novelas brasileiras, como se elas fossem um marco de padrão de qualidade.

Bem, eu discordo em grande parte desse ponto de vista que as pessoas tem sobre as novelas (ou pelo menos posso dizer com toda tranquilidade que as novelas não expressam o mundo que eu vivo), e vou procurar explicar o porquê.

Antes de mais nada, a minha análise sobre as novelas não signifcam que novelas produzidas no México, Colômbia e outros paraísos da teledramaturgia, por exemplo sejam melhores, aliás, se as produções nacionais já não são aquela coisa, para mim essas novelas mexicanas e companhia limitada são muito piores, seria comparar um carro do ano com um fusca ano 67.

O problema é que não basta ser carro do ano, muitas vezes precisamos ter modelos esportivos, de luxo, off road, etc.

E o problema que as novelas brasileiras embora sjema tudo carro do ano, são carros com motor 1.0, sem nenhum opcional.

Vamos enumerar os defeitos que me fazem não querer ver novela nem por milagre:

1- Ninguém trabalha em novela, no máximo tem emprego (ocupação quase sempre improdutiva, em se falando de novela e sonho profissional de muitos), mas pegar no breu que é bom, ninguém pega. Eu já cansei de ver médico que nunca se sensibiliza com casos mais cabeludos dos hospitais (coisa que está cheia no nosso sistema de saúde). Você nunca vê um advogado advogando, nunca aparece algum caso sobre como um advogado de novela faz para defender um acusado por exemplo.
Vendedor, nunca vende. Tá sempre de papo pro ar. Diretor de empresa, então, nem se fala. Coça o saco o dia inteiro, é um tal de ligar pra mulher, pra namorada, pra amante, pro capanga, pro pai, é um tal de sair daqui pra lá, e por mais que esse povo seja atarefado, sempre tem tempo para uma horinha para afogar o ganso. E ninguém nunca é mandado embora.

2- Pobre de novela é mais rico que rico da vida real. Favela de novela só falta chofer.... Todo pobre mora em casa que embora seja antiga, é grande e arejada, tem uma mesa bem grande a farta aonde a família inteira se refestela até o fiofó fazer bico. Bairro de periferia nunca tem um véio escroto que briga com todo mundo, nunca tem uma vizinha biscate, nunca tem um bando de moleque mal educado que faz um zona nas redondezas, não tem bêbado, não tem cachorro vira lata cagando na rua, não tem crente te enchendo o saco domingo pela manhã e não tem mendigo dormindo em marquise de fábrica fechada.

3- Aula de novela é a coisa mais escrota que eu já vi. Assim como cerimônia de casamento. Por exemplo, seja qual for a cerimônia de casamento, os rapapé, as frescurices, o palavrório é uma coisa que nem nerd decora. Mas em novela não, você vê aquele noivo todo emperequetado falando aquele monte de asn.. quer dizer, aquele monte de quaisquaisquais sem errar uma única palavra e sem ter o padre do lado assoprando pro cara o que ele deve fazer. Com direito do ator poder fazer aquela cara de canastrão....
E dentro de sala de aula? Professor fala de Revolução Francesa como se fosse um assunto tão corriqueiro quanto o jogo do curintia do final do semana ou a escalação da seleção. E o pior é que sempre tem um aluno (que não é nerd) que sempre trata do assunto com muito mais naturalidade ainda, como se comesse livros de fisica quântica no café da manhã, filosofia e sociologia no almoço e administração, informática e trigonometria na janta.

4- Quem consegue gostar de novela vendo o que acontece em reuniões assembléias e manifestações públicas? Sempre tem um imbecil comandando, outro coió (que é personagem da trama) para interagir, e talvez outro personagem para discordar ou aumentar o "realismo" da cena. Enquanto que dezenas, centenas ,quicá milhares de figurantes ficam ali, só mechendo a cabeça, para fazer de conta que estão fazendo alguma coisa. Igualzinho a esses cachorrinhos bregas que são vendidos em barraca de camelô.

5- Merchandising forçado pra caramba. Os caras tem o dom de quando vão fazer o merchandising de algum produto, colcam o logo estourando na tela, o imbecil do ator falando com TODA A NATURALIDADE DO MUNDO sobre o produto, aquela coisa que qualquer um faz todo dia por aí... só falta pack shot.

6- E quando resolvem fazer ficção científica em novela? Pelamordedeus aqueles "defeito especial". Cara, é muito ruim, nem croma key sai bem feito, aí fica neguinho querendo colocar figura em 3D feita igual ao fiofó da vó que não consegue mais limpar a bunda direito.

7- Ou quando resolvem colocar em uma novela referências de algum filme clássico, por exemplo? Só falta colocar em letras garrafais "ESTE TRECHO DA TRAMA É BASEADO NO FILME CASABLANCA"(quando não é a novela inteira). O pior de tudo é que fica uma cópia sempre piorada, ao invés dos caras somente utilizarem a referência para ambientar a situação, colocam o cenário no mesmo ângulo, os atores com a mesma roupa, e inclusive a mesma música que foi tema do filme de fundo, logicamente já devidamente traduzida e cantada pela Sandy, pela Simone ou qualquer um que se predispor a pagar esse mico musical.

8- Novelas ambientadas no interior ou no nodeste costumam ter as personalidades mais imbecis do mundo. Depois de Sinhozinho Malta e Viúva Porcina, não existe mais personagem, apenas caricaturas a serem exploradas ao máximo nas telinhas de TV. Todo mundo tem trejeitos exagerados, todo mundo tem tique, todo mundo arrasta a fala, ou se entorta na hora de falar alguma coisa. Você vê personagens que muitas vezes seriam donos de grandes negócios se comportando como portadores de graves doenças degenerativas do cérebro. Se houver pessoas com os trejeitos dos personagens, todas elas devem estar fazendo tratamento psiquiátrico, tomando Lexotan ou Gardenal e dormindo com camisa de força.

9- O PIOR MOTIVO DE TODOS. Como uma novela termina? A resposta em 100% dos casos é assim: num sei quem fica com num sei quem, num sei quem fica com num sei quem e num sei quem fica com num sei quem. Que merda meu, ninguém vai a falência, ninguém fica rico, ninguém resolve nenhum mistério (excessão aos "quem matou Salomão Aiala" da vida), ninguém tira ninguém da cadeia provando a inocência de ninguém, ninguém descobre porcaria nenhuma, ninguém muda de ramo profissional, ninguém fica doente, ninguém se cura de doença, é só: num sei quem fica com num sei quem, num sei quem fica com num sei quem e num sei quem fica com num sei quem.

Agora, como passar por cima de itens tão , tão, tão, tão, tão insignificantes e conseguir ter um final de tarde e começo de noite com algum entretenimento? A impressão que eu tenho, é que ao assitir essas novelas, a televisão está enviando uma mensagem subliminar dizendo o seguinte: Você é burro! Você gosta de assistir video show! Você gosta de ouvir Zezé di Camargo e Luciano! Você acha que pensar da muito trabalho.....

26.3.09

começando... mais na querência do que na potência!

Faz tempo que quero escrever alguma coisa, colocar pra fora todas as ideias (agora é com acento ou sem?)que ficam calcificando em meu cérebro desde que abandonei a arte e fui atrás do dinheiro - apesar dos meus mais sinceros e intensos esforços, ambos nunca "ornaram" em minha vida. Então resolvi aproveitar este convite do Flávio para começar a postar alguma coisa no Ph0bia, que é um projeto que temos desde antes de sonharmos com algo parecido com internet. E ver se tiro um pouco da ferrugem de minha criatividade e habilidade em me expressar.
Não tenho a pretensão de falar sobre o mercado de Ilustração, do qual já estou afastado há mais de uma década, e no qual nunca fui exatamente um "expoente", mas dar minha opinião, fazer um contraponto em alguns tópicos e, talvez, divertir uma pouco a quem me lê. 
Não gosto de chegar em nenhum lugar sem me apresentar, mas as apresentações ficam para um próximo post. A luta pelo dinheiro tem me consumido muito tempo, e apesar de QUERER muito escrever, POSSO dispor de pouco tempo para isso. Mas espero dar minha contribuição. Um vasto amplexo a todos, e espero em breve me apresentar melhor e contribuir com algo que preste para este blog.

ControlAR

Esses dias eu entrei no tal site para agendar a inspeção que os caboclos irão fazer no meu carro para ver se ele está desregulado/poluindo ou não.

A questão que eu levanto é que se existe uma preocupação com a emissão de gazes, porque as regras dessa inspeção são tão incompatíveis com essa suposta preocupação?

Antes de mais nada, lendo atentamente às informações contidas no site, vê-se que o agendamento é obrigatório para automóveis fabricado à partir de 2003.

Curiosamente, os automóveis mais recentes são aqueles que já vem de fábrica com uma compleição a se poluir menos, por questões legais e também por uma questão de concorrência, aonde cada fabricante quer ter seu veículo mais "verde" possível.

Enquanto que automóveis que forma fabricado até o final dos anos oitenta não foram fabricados com essa preocupação. Aliás na época, muito pouca preocupação havia nesse sentido.

Então, porque eles não tornam obrigatório justamente a inspeção para veículos antigos?

Curioso....

Ainda mais que quanto mais tempo um carro tem de vida, mais o seu motor vai desregulando, pelo usso mesmo. Ou seja, um veículo fabricado com os mesmos padrões de diminuição de poluentes, o veículo mais antigo, ou o que for mais usado estará provavelmente mais desregulado, consequentemente poluindo mais do que o veículo mais novo ou menos utilizado.

Tudo realmente muito curioso....

Além do mais, tem uma tal de taxa de cinquenta e tantos reais que você é OBRIGADO a pagar, que depois que você fizer a isnpeção, o dinheiro será reembolsado inteirinho para você.

Alguém me diga uma coisa: SE ELES NÃO QUEREM O SEU DINHEIRO, ENTÃO PORQUE ELES TE OBRIGAM A PAGAR PARA FAZER A INSPEÇÃO????

Faz essa merda de graça!!!

Mas, sabe como é, mais de sessneta por cento das pessoas que pagaram o tal boleto não receberam e nem irão receber o reembolso. Pois é, é aquela coisa, poruqe tem que ter informações tudo ali certinho, contendo a conta corrente direitinho, o banco, o banco tem que ser conveniado, aí o cidadão se tiver algum pelo fora do lugar já roda...

O mais engraçado de tudo é que, para pagar não tem exxa burocracia, basta imprimir o boleto e beleza, mas para receber....

Agora, alguém pode com um argumento realmente convincente me explicar o porque dessa inspeção?

Será que SÓ EU percebo essas coisas?

Porque até agora eu não vi um único cidadão reclamar dessa isnpeção?

Até quando o braisleiro vai ser PAMONHA desse jeito?

Eu acho que vou me mudar desse paisinho de merda....

Se bobear, nem a Argentina deve ser tão ruim.

24.3.09

Matéria do Jornal do Senado

Educação
Círculo vicioso detém crescimento do mercado de livros
 
Brasil tem baixo nível de leitura, que se reflete no pequeno número de livrarias à disposição da população, especialmente nas pequenas cidades
 
 
Em 2007 foram comercializados no país mais de 329 milhões de livros, com um faturamento superior a R$ 3 bi. Mas o brasileiro ainda lê pouco: são, em média, 2,4 livros por ano
O mercado de livros do país vive um dilema: como escapar do círculo vicioso em que os pontos-de-venda para os cerca de 2 mil títulos lançados mensalmente pelas editoras vêm diminuindo, o que conduz a tiragens cada vez menores – com exceção de poucos best-sellers –, e, consequentemente, preços mais altos e menos leitores. Entidades do setor e senadores entendem que é preciso incentivar o hábito da leitura, como ponto de partida para mudar esse cenário.
 
Divulgada no fim do ano passado, sob o patrocínio conjunto do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e da Câmara Brasileira do Livro (CBL), pesquisa revelou que houve crescimento discreto nas vendas em 2007, mesmo com uma redução do número de títulos publicados. Porém, um dado mostra a fragilidade do mercado consumidor: quase metade dos exemplares produzidos foi vendida ao governo, para atendimento aos vários programas de livro didático, científico etc.
 
O brasileiro lê bem menos que os habitantes dos países desenvolvidos. Aqui, são, em média, 2,4 livros por ano, contra dez nos EUA e 15 em países como Suécia e Dinamarca. E apenas 0,9 desses 2,4 livros anuais lidos não são obras didáticas. As diferenças regionais brasileiras também conspiram contra o crescimento do hábito da leitura, já que só havia livrarias em 30% dos 5.564 municípios.
 
Não é exato o número de livrarias porque é fácil se obter um registro de funcionamento, mesmo que o negócio principal não seja livros. Mas é seguro afirmar-se que o Brasil tem hoje menos de 2.700 livrarias, 70% das quais são de pequeno e médio porte. Para a Organização das Nações Unidas (ONU), esse número é pequeno para um país com 190 milhões de pessoas.
 
Segundo Vitor Tavares, presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL), um número razoável seria de 4.900 livrarias. A ANL avalia que faltam incentivos para que mais livrarias sejam abertas e profissionalização para as já existentes.
 
– O Brasil é responsável por 50% da produção de livros da América Latina. O ideal seria o funcionamento de no mínimo 10 mil livrarias para atender de maneira razoável à população. No entanto, 89% dos municípios brasileiros não têm livrarias. É um quadro dramático que constrange aqueles que têm uma visão de nação – lamenta o senador Tião Viana (PT-AC).
 
Segundo a pesquisa da CBL e do Snel, em 2007 foram comercializados mais de 329 milhões de livros no país, gerando um faturamento que, pela primeira vez, rompeu a barreira dos R$ 3 bilhões. Levantamento mais recente pode indicar que o setor obteve resultado melhor em 2008. Ouvidas pela ANL, as livrarias apostam que o setor pode ter crescido 10,46%. Se a crise não atrapalhar, esperam repetir o desempenho este ano.
 
– O aquecimento do setor deve-se ao aumento do poder aquisitivo do brasileiro e às diversas campanhas e políticas de difusão do livro, muitas delas por iniciativas governamentais, que estimularam a leitura, principalmente a infanto-juvenil, segmento que mais cresceu. Não podemos deixar de destacar, ainda, a desoneração do PIS/Confins, que ajudou a manter o preço médio do livro abaixo da inflação – avalia o presidente da ANL, Vitor Tavares.

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Agora, imaginem que um país aonde eu já chegeui a ver em TV dizerem que 2/3 dos alunos são analfabetos funcionais (aqueles que mal sabem ler e escrever o próprio nome), frutos de um sistema de ensino que adota a aprovação automática, nõa existe prova, não existe reprovação, o professor não tem nenhuma autoridade em sala de aula. Num país aonde se vira bandido porque a vida não deu chnaces de estudar, ou porque a vida deu muitas chances de estudo.

Num país aonde parte-se do princípio que o sistema não precisa de pessoas que saibam resolver problemas, mas que os problemas acontecem e se resolvem por geração expontânea.

Numa sociedade aonde mais importância tem que tem a maior bunda e não quem tem o maior QI, aonde a verdade é apenas uma mentira contada várias vezes.

Em um mundo globalizado aonde o conhecimento e a cultura é a maior riquesa de um povo. Aonde quanto maior e melhor o conhecimento de uma sociedade, maior é a capacidade dela produzir tecnologias, produtos e soluções para os problemas existentes, imagine o tamanho do prejuízo que essa sociedade imbecilizadora e escravocrata do intelecto contrai para si mesma.

Esse texto fala apenas de mercado editorial, mas a questão se reflete também na produção cultural, intelecutal, tecnológica, comercial, institucional, jurídica, econômica, ecológica, moral e social desse país.

23.3.09

Est Crisis (?)

A coisa mais abestalhada que pode acontecer numa época de crise é o que vemos atualmente.

Empresas grandes que tratam seus clientes com dificuldades de pagar como seres inferiores, aonde a única coisa que interessa é ver a cor do dinheiro desses mal pagadores e aumentando o valor dos seus produtos para os clientes que ainda pagam em dia com a desculpa que o aumentp é justamente por causa da crise.

e

Essas mesmas empresas grandes (que tratam seus fornecedores que precisam que elas, por sua parte, paguem suas contas em dia e continuem os contratando, e, se possível negociando até mesmo um aumento no valor dos serviços contratados, já que a época de crise, se é um argumento para aumentar os seus preços, também é um argumento para que seus fornecedores igualmente aumente seus preços) ficando meses e meses sem pagar pelos serviços contratados, apgando somente quando querem, sendo que seus fornecedores quando são pagos são pagos apenas no valor normal, sem direito a um centavo de multa ou juros, e correndo o risco de, se procurar algum meio de defesa contra a inadimplência nunca mais ser contratada pela empresa, sem contar que muitas dessas mesmas empresas, quando o forncedor pensa em reajustar algum valor, ela simplesmente te dá um pé na bunda e procura outro fornecedor, mesmo que o serviço ou produto desse outro fornecedor seja muito pior do que o seu somente porque ele cobra menos do que você.

Grandes empresas costumam ganhar sempre. primeiro por serem um grupo pequeno de fornecedoras de certos serviços (como telefonia, internet, Tv a cabo, banco) o que obriga você a depender sempre das mesmas, sendo que TODAS elas abusam, TODAS elas, em algum momento te prejudicam, muitas vezes pra lá de injustamente, TODAS elas tem milhares de formas de se defender de você, mesmo quando você não causa nenhum mal para elas, sendo que você, como forncedor dessas mesmas empresas NUNCA consegue um valor justo pelo seu serviço, NUNCA consegue ter qualquer comportamento de fidelidade da empresa, NUNCA consegue ter a garantia que será remunerado e se não for remunerado NUNCA terá qualquer meio legal que te permita receber da empresa, e ainda continuar existindo como fornecedor, mesmo porque as empresas são sempre, as mesmas meia dúzia.

Vivemos um país aonde a industria automobilísitca cresce mais do que qualquer outro país na mesma época de crise, e justamente ela é quem recebe ajuda financeira.

Eu não vi uma única micro, pequena ou média empresa receber ajuda do governo. Eu não vi uma única ajuda indo para profissionais liberais, não existe nenhum programa de ajuda financeira a emprendedores, fornecedores de serviço, não existe uma única linha de crédito visando tirar um empresário pequeno do sufoco, e quando existe somente tem acesso empresários que não tem dívidas.

Agora eu pergunto: se o empresário não tiver dívidas, não estiver em dificuldades financeiras, então PRA QUÊ, ele vai precisar de ajuda???

É a mesma coisa que se os médicos resolvessem somente dar remédio para pessoas saudáveis, enquanto que os doentes fossem todos empilhados num montinho, para ver se esse bando de doente morre logo de uma vez.

Eu estaria sendo tendencioso?

Eu estaria distorcendo os fatos?

Institucionalmente, esse país sofre de uma covardia congênita, de pessoas que jamais apostam em idéias novas, sempre dão oportunidade para quem sempre teve oportunidades, empresas e grandes corporações que somente fazem parcerias com outras empresas e grandes corporações, muitas delas apinhadas de burocratas sem criatividade e sem coragem para apostar em coisa alguma.

Eu nunca vi uma grande empresa de comunicação fazendo parceria com pequenos estúdios, eu nunca vi uma grande empresa nacional ou multinacional fazer algum negócio conjunto com grupos de artistas jovens, você nunca vê bancos realizarem trabalhos conjuntos com novos movimentos artísticos ou populares, somente acontece algo parecido quando a relação é de patrocínio, de dependência do mais forte excercendo pressão sobre o mais fraco e o utilizando como isca para melhorar sua imagem e ter mais lucro, mas nunca vemos uma relação de igual para igual.

Não vemos empresas de informática investindo parcerias com micro emrpesas com idéias novas para que desenvolvam novas tecnologias voltadas para o consumidor final, todos sempre desenvolvem produtos para empresas grandes, pois não tem um sistema de logísitca para o público final, coisa que somente empresas grandes tem, mas não fazem jamais em parceria com pequenas empresas que tenham boas idéias pois, no Brasil uma ídeia não vale nada, o que vale é o dinheiro das grandes corporações.

Aliás, nem empresas de tecnologia, nem indústria química, nem instituições financeiras, nem montadoras de automóveis, nem grandes confecções, nem fábricas de brinquedo, nem empresas de comunicação, nem mesmo o governo.

Eu, pessoalmente imagino que essa crise possa servir para quebrar idéias pré concebidas imecis que a nossa coamda dominante da sociedade tem de jamais se aliar a criatividade, a inventividade, a capacidade de superação que muito brasileiro sem pedigree tem, e que a gente já ouviu tanto dizerem por aí, mais que as elites insistem em querer matar de inanição.

O mais importante não é o dinheiro, é a capacidade de criar; não é o poder, mas a coragem; não é o berço, mas a inteligência; não é o saldo bancário, mas a imaginação; não é o ter, é o acreditar.

Vivemos uma crise porque ninguém acredita, todos apenas querem; ninguém sonha, todos apenas esperam; ninguém olha ao lado, apenas olha para si; ninguém faz, mas espera que em algum lugar um milagre faça tudo o que deve ser feito.

Quantas vezes eu pude ouvir que atualmente as corporações sabem que não podem contar com a capacidade de realização, superação, criatividade, responsabilidade e coragem de seus empregados, diretores e acionistas e a anos se esforçam em montar sistemas aonde as peças são realmente incapazes e o mecanismo corporativo faz a parte cerebral do trabalho de seu corpo diretor, chefia e quadro de empregados, como se todos eles fossem apenas marionetes.

Me parece que a crise que todos falam não é exatamente aquilo que todos falam, mas apenas a manifestação material de um organismo canceroso que a anos vem apodrecendo, sendo que ainda muitos homens "esclarescidos" e formadores de opinião ainda não despertaram para essa hipótese, e mesmo que tenham pensado nisso provavelmente vão fazer questão de não levar essa hipótese à sério.

Só que uma coisa é certa: se o sistema, seguindo os parâmetros e padrões já adotados fosse bom, não estaria desenbocando em uma crise. afinal de contas conhece-se uma árvore pelos seus frutos.

Um comportamento egoísta gera resultados isolados, um comportamento ganancioso gera resultados miseráveis, um comportamento extrativista gera resultados estéreis, ninguém irá conseguir tirar frutos majestosos de uma planta que não for devidamente cuidada, tiver seu solo devidamente adubado, se não for devidamente regada, podada e tratada contra pragas.

É preciso saber cultivar novos comportamentos, para que os resultados no futuro sejam pelo menos, menos dolorosos do que os resultados de hoje.

6.3.09

Ser Reconhecido

Todos nós lutamos muuuito todo o santo dia para sermos apenas reconhecidos.

Seja você um ladrão, um santo, um homem de negócios, um artista ou seja lá o que for, o que TODOS nós queremos sempre, no final de tudo, é sempre a mesma coisa: RECONHECIMENTO.

Aí começam os problemas, pois todos se matam para que TODO MUNDO o veja da maneira como você quer que todo mundo o veja. Só que enquanto cada um de nós lutamos todo santo dia para criar o NOSSO espaço ao sol, não estamos tão interessados em reconhecer o esforço do outro que igualmente luta igual a um burro de carga para igualmente ser reconhecido.

Quando você começa a perceber esse princípio, então você dá uma parada e vai aos poucos prestando atenção nas coisas que os outros fazem, para de contrapartida forçar essas mesmas pessoas que você está notando a te notar.

Mas na verdade você quer é que te notem.

Daí surgem todas as politicagens e intrigas possíveis e imagináveis, pois um objetivo como o de ser notado, reconhecido, é apenas uma coisa sem nenhuma base ética, moral ou comprometimento com algo necessariamente bom ou positivo, apenas se você, por algum motivo, chegar à conclusão de que defender uma bandeira ética, moral ou simplesmente boa irá te fazer ser mais notado do que a maioria das pessoas.

Então cada um de nós começamos a defender princípios, e no início é sempre somente para que as pessoas prestem atenção em nós e assim nos sintamos admirados, valorizados, reconhecidos. Mesmo que depois quando nós tivermos a oportunidade de não estarmos sob holofotes, então nos despimos do ser "bonzinho" para sermos apenas "nós mesmos".

O que não percebemos é que desempenhando esse papel de seres "bonzinhos", tão querido e amados por todos, estamos na verdade apenas criando uam pessoa que todos reconhecem, mas essa pessoa não é você.

Você vive uma mentira.

A não ser que você se decida um dia, em se tornar aquela pessoa admirada.

Mas aí, todo dia, toda hora você terá que se esforçar ao máximo a ser 100% aquela pessoa gente fina que todos amam. Não haverá uma única oportunidade ser que você era, porque você está se comprometendo em ser alguém melhor do que você, um belo dia percebeu que era, e nunca mais voltar atrás e viver uma mentira novamente.

Por isso quem quer que seja que venha nos cobrar coerência de atos coroando nossos discursos não está de forma alguma errado e nenhum de nós tem o direito de achar ruim ou se sentir ofendido quando alguém nos coloca contra a parede.

Precisamos disso, sermos coerentes.

Toda vez que dizemso A para as pessoas e fazemos B, sabe o que conseguimoes realmente? Provar não que ser A é bom ou é o certo mas que para que você possa ser B com sucesso, precisa fingir que é A e que o mundo seja A por fora, para ser B por dentro.

Então o mundo inteiro será uma farsa.

Será que não é esse o mundo que muito de nós, sem mesmo perceber, construímos?

Não era para a gente perceber desde pequeno que o mundo do faz de conta é apenas uma forma de nos embriagarmos e esquecermos os verdadeiros problemas da vida e os verdadeiros propósitos que realmente nos realizam?

Por que, de uma vez por todas criamos "cascas", redes de influências inúmeras para "armar" uma realidade, como se a vida fosse um enorme circo?

Só que um dia o espetáculo acaba. O circo se fecha, as barracas se desarmam o a verdade aparecerá.

Ninguém ira conseguir impedir. Um dia nós não estaremos mais aqui, o fato de alguém reconhecer ou não, não terá absolutamente importância alguma.

A não ser que, ao invés de assumirmos papéis, assumamos ser pessoas reais, com propósitos reais e atitudes reais, realmente interessadas em modificar o mundo para melhor, não apenas maquear o mundo em troca de um mísero e fugaz "reconhecimento"?

Essa vida que vivemos, ou acreditamos viver é feita antes de mais nada de oportunidades de escolha. e precisamos estar o quanto antes atentos para percebemos se escolhemos algo real, mesmo que sej algo difícil de ser vivido, que nos exija esforço ou se escolhemos uma ilusão linda, mas falsa, capaz de se dissolver aos ventos da mudança do mundo.

A mudança sempre vem, quando temos a sorte de presenciarmos crises econômicas, desastres e outras descgraças não terminamos nossa ilusões com o peso da morte, que nem sequer poderão nos oferecer a oportunidade de recomeçarmos do zero, sem cometer os mesmos erros.

Podemos escolher não somente vivermos uma mentira, mas também sermos simplesmente que nós somos verdadeiramente, correndo o risco de quem sabe alguém, algum dia nos dê algum valor ou também nos esforçarmos para sermos melhores, pessoas com mais valores, com esperança, que teima em ser alguém melhor para, em sendo melhor, agir no mundo de maneira a fazer com que o mundo seja melhor como reflexo de nosso atos como pessoas mais responsáveis, mais conscientes, não para sermos reconhecidos, mas para sermos simplesmente melhores, sermos coerentes, sermos verdadeiros.

Você pode se perguntar, se o destino de todos é o mesmo, então porque sermos alguém assim ou assado? E eu retorno perguntando: e quem pode garantir que o destino de todos nós é realmente este que a maioria acredita ser? e Se for diferente? E se o nosso destino estiver intimamente ligado a nossa vida? E se não existir nada mesmo?

Bom, seja qual for a hipótese que você defende, a resposta é sempre a mesma: deixe e se esforçe por não querer apenas ser reconhecido, mas por ter mérito em ser reconhecido, se esforce em ser alguém melhor, mesmo se você não conseguir ser reconhecido, pelo menos uma coisa você terá no final de tudo, você terá vivido uma vida real, e não uma mentira.

27.2.09

Alguém Tem Que Fazer Alguma Coisa!!

É impressionante ver como entre as pessoas, não importa qual seja a sua profissão, não importa qual seja a sua origem, não importa qual seja a sua raça, o seu estado civil, a sua religião, a sua formação ou a sua região aonde more, uma coisa é certa: Ninguém gosta de fazer a sua parte para contribuir na melhora do mundo em que vivemos, apenas se a "sua parte" se limitar a algo bem fácil e simples, caso contrário, que o mundo morra.

E o curioso também é ver que apesar dessa postura bastante "confortável", na hora em que as injustiças do mundo aparecem, invariavelmente, ao invés de relfetir e perceber que apenas está sofrendo as consequências de sua própria indiferença, as pessoas que se comportam assim começam a levantar burburinhos, reclaminhos, protestos e indignação, e, uma vez na vida, essas pessoas percebem que são "macho" e ensaiam alguma ação de ser humano responsável. Mas, claro, até a página dois...

Pois sempre, no auge da indignação, quando todos aqueles que veem a situação de fora pensa que essas pessoas irão se levantar e, enfim, depois de um looooongo e tenebroso inverno irão empunhar ferramentas e colocar as mãos na massa, ei sque esse seres umbralinos dizem quase em coro: ALGUÉM TEM QUE FAZER ALGUMA COISA!

E continuam, dizas e dias, passam inclusive noites em claro, chamam a TV, rádio, internet, criam campanhas "caprichadinhas" e levam o lema "Alguém tem que fazer alguma coisa!" até os anais da história (anal mesmo, uma m$#@!).

Então vemos um tremenda mobilização, muita gente seguindo líderes de segunda linha empunhando a bandeira de liberdade, justiça e prosperidade. Movem céus e terras, mostram ao mundo um desfile de boas intenções e um suposto novo estilo de vida, até que aos poucos, cada um pela sua autopromoção arranjam grandes propostas de emprego, ou uma graninha legal para garantir que fiquem todos quietinhos, isso, quando no meio deles não aparece algum doido realmente sincero, que não irá aceitar desviar seu objetivo, mas que será facilmente tirado de circulação por alguma bala de chumbo ou alguma ruína financeira.

E, passado a tempestade, todos se realocam felizes e satisfeitos em seu quinhão de vida, de acordo com o mérito e sordidez ou renúncia de cada um e o que realmente muda?

NADA.

E porque tudo isso (supostamente) acontece dessa forma?

Porque ALGUÉM TEM QUE FAZER ALGUMA COISA, mas na verdade ninguém faz.

21.2.09

It's a long way...

De acordo com as coisas que eu andei lendo por aí, vendo acontecer, e ouvindo ultimamente eu resolvi redigir esse texto, procurando da melhor forma possível orientar de maneira segura as pessoas que estão procurando desde o ponto ZERO até quem está procurando melhorar a sua posição no mercado.

Tudo começou quando eu estava começando, fazia cerca de uma semana que eu estava trabalhando numa agência de propaganda, já entre na McCann Erickson, isso era o comecinho dos anos 90, quando os computadores estavam fazendo uma verdadeira revolução na publicidade.

Lógico que eles não me contrataram como ilustrador, eu comecei de baixo no estúdio, montando anúncio com dupla face e cola de benzina (que anos depois foi responsável por acabar de vez com o meu olfato).

Enquanto muita gente já naquela época ralava para, fazendo faculdade de propaganda, conseguir depois de uma fila de dois anos, uma estágio que durava apenas dois meses, eram dois meses que o caboclo teria para provar aos Bambambans da agência que tinha algum talento, e olha que até que não era uma coisa muito injusta, um amigo meu fez, na época estágio na DPZ e lá era de apenas 15, outro amigo meu fez estágio na DM9 e ele concorreu com mais de 2000 pessoas para ocupar míseras duas vagas de estágio.

Agora eu consegui, correndo por fora, ser já contratado como assistente de estúdio, sem faculdade, somente com curso de desenho e uma pastinha debaixo do braço.

Claro que não foi assim tão fácil, na primeira vez que eu havia mostrado minha pastinha sem vergonha, eu acordei as 5h00 da manhã tomei banho, me arrumei todo e sentei na porta de uma agência de propaganda até a hora de chegar o primeiro funcionário para abrir a agência e me dizer como eu teria que fazer para procurar um estágio. Era uma agência que ficava na Av. Rebouças, hoje em dia ela nem existe mais...

Foram uns três ou quatro meses ligando do orelhão para as agências, sempre ouvindo desculpas esfarrapadas, muitas vezes sem dinheiro para comprar ficha telefônica. Naquela época eu estava desempregado em São Paulo, com 18 anos, passando fome literalmente (não foi a primeira vez e aquela não seria a última), minha família em Sorocaba sem mínimas condições de me ajudar financeiramente e ainda por cima fazendo pressão para eu voltar para casa. Mas eu não voltaria por nada nesse mundo. Mesmo com toda fome, toda angústia e todo sofrimento, eu me sentia VIVO, vivo como nunca havia me sentido antes.

Um belo dia eu resolvi ligar na Talent, uma das grandes agências do país, já que era para levar fora, que fosse de alguma empresa grande.

Eu conversei com um Diretor de Arte chamado Marcelo Machado, a última vez que eu ouvi falar desse cara ele era Diretor de Criação de uma agência chamada QG. Ele marcou uma entrevista comigo para a semana seguinte.

Cheguei no horário, com uma camisa surrada, calça preta, cabeludo, 59 quilos, olhos fundos atrás de um par de óculos de aro grosso e lentes razoavelmente grossas.

Não sei o que o cara viu em mim ou no meu desenho, mas à partir daquele dia, a minha vida estava mudando. Até hoje eu não tive a oportunidade de encontrar esse cara para agradecer por tudo o que ele me fez. Uns meses depois eu estava marcando para mostrar a pastinha na McCann depois de inúmeras indicações de indicação de indicação.

Os caras gostaram do meu desenho na hora, pra mim parecia um milagre, que me dera eu, um Zé Mané sem ter um gato para puxar pelo rabo, com dois ilustradores profissionais meio que se acotovelando para ver o meu desenho.

Até que o Paulinho Bueno, grande ilustrador das antigas perguntou: O que você acha dele fazer estágio aqui com a gente?

Estavam abertas as portas que definiriam o meu futuro profissional, mas para essa vaga aparecer foi necessário quase um ano, sempre desenhando, indo lá e mostrando a minha evolução no desenho.

Pois bem, na primeira semana como contratado eu conheci um dos que para mim até hoje é o maior Ilustrador que eu já tive a oportunidade de conhecer, ter amizade, aprender e ver trabalhando que é o Pedro Mauro, ele estava trabalhando dentro da agência como freelancer e era o único que ficava depois das 18h00.

Uma hora eu me enchi de coragem e perguntei para ele?

O que eu preciso fazer para ser ilustrador?

Ele me disse:
"Você já tem tudo só precisa paciência..."

E eu vou te dizer uma coisa, quando se tem 18 anos tudo o que você não tem é paciência. Mas mesmo assim foram anos a fio montando anúncio, aprendendo a pintar, primeiro com ecoline, depois com guache, depois com tinta acrílica, depois aerógrafo, depois o computador, Painter. trabalhar com mesa de luz, Letratone, filetar letra, marcar letra, pintar em cima de xerox, usar papel Schoeller, Fabriano, aquarela, fazer mancha, criar personagens.

Que escola foi aquela!

Mesmo depois de cinco anos, mesmo ilustrado tudo o que visse e imaginasse, mesmo dominando as mais variadas técnicas e estilo, ainda assim eu não conseguia ser promovido a ilustrador.

Por causa da minha impaciência, eu fui demitido, e aí a coisa ferrou de vez. Não ter o que comer se transformou numa constante, que exceção era ter comida ou dinheiro para comer.

Foram muitos seis meses sem trabalho. Contratar ninguém queria. Mesmo com todo mundo falando que eu desenhava bem.

Então me apareceu uma oportunidade de trabalhar com internet, era uma coisa que a já existia a uns anos e poderia ser uma boa oportunidade de trabalho.

Eu ganhei muuito dinheiro na época, era elogiado, o único cara que desenhava para o mercado de internet que conseguia desenhar em vários estilos diferentes. Eu me fiz no mercado, até o momento que o mercado de internet foi afundando, afundando...

Uma vez eu percebi que já não desenhava a muuuito tempo, coordenava um projeto bastante ambicioso, ganhava relativamente bem, era famoso no meio, respeitado pelos maiores profissionais da época, e somente ficaria sem trabalho se eu quisesse.

Mas uma coisa me incomodava, um bichinho carpinteiro aqui dentro parecia que não me deixava em paz, eu, intimamente me sentia um excluído, um exilado. Eu já não dormia em paz, parecia que alguma coisa me faltava na vida.

Foi então que eu explodi de uma vez por todas, conhecia muuuuita mutreta no mercado de internet, estava envolvido em briga de gente grande e já não sentia nenhuma satisfação em viver daquela forma.

Eu joguei tudo pro alto. Fui embora e nunca mais voltei. Então eu me lembrei de ilustração.

Então eu resolvi arriscar tudo na vida para voltar como ilustrador, montei meu portfolio com ilustrações com mais de três anos de idade, ou de velhice, e seja lá o Deus quiser.

Em um mês eu estava de novo no mercado de propaganda, ilustrando na Carillo Pastore.

Mais de dez anos haviam se passado desde aquela noite em que o Pedro havia me dito que tudo o que eu precisava era "paciência".

Eu me lembrei então de todo o caminho feito, meio como que profeticamente não teve outro jeito, eu PRECISAVA ter paciência, eu precisava amadurecer, conhecer as coisas, apanhar, mudar, me melhorar como profissional e como pessoa e sempre tentar, jamais desistir.

Por isso, se tem um conselho que eu possa dar para vocês e que por sua vez foi o mais útil da minha vida e que por mais de dez anos eu reneguei, até a hora que eu me lembrei dele novamente e resolvi aceitar as coisas andaram é: tenham paciência.

Se por acaso vocês sentem que falta alguma coisa, falta melhorar o desenho, falta treinar mais, corram atrás se aprimorem, e tenham paciência. Os resultados não aparecerão de um dia para o outro, não vai ser do dia pra noite que iremos enxergas as coisas, que iremos ter as nossas sacadas, que amadureceremos.

A evolução não dá saltos, aprendam a fazer com que o tempo se transforme no seu maior amigo, seu maior aliado, não façam do tempo seu inimigo, de todos os inimigos que podemos ter o mais implacável, o mais cruel é o tempo.

Tenham paciência, aprendam, estudem, se esforcem, melhorem-se como pessoas e como profissionais, nos organizemos, estejamos em paz com as dificuldades do nosso tempo, sem haver conformação, mas sabendo que para todo problema existe uma solução, mas elas podem ser lentas.

Aliás sempre as melhores soluções são as lentas, não tenhamos pressa.

It's a long way...

19.2.09

Avante, filhos da pátria!

Verás que o filho teu...

na hora do vamo vê, põe o rabo entre as pernas, sai ganindo assustado, se borrando todo...

Igual a um franguinho!

15.2.09

Ilustração nos tempos da fama

Antigamente, muito antigamente costumava-se dizer, pensar e valorizar as
pessoas pela qualidade daquilo que faziam. Se um cara é bom como artista,
ele faz trabalhos bons e justamente por isso ganha bem. não só como artista,
mas também como médico, advogado, cientista, professor, empresário, etc.

Nessa época exatamente, ilustrador era uma coisa rara, desconhecida, mas
muito valorizada. pois para ilustrar o cara precisava necessariamente ter um
grau de domínio de desenho e de técnicas que pessoas com uma formação não
muito sólida sequer tinham condições de pensar em entrar no mercado. Não
havia nenhum curso que uma pessoa saía “pronta” em seis meses ou um ano. na
verdade nem hoje isso acontece, mas pelo menos um monte de gente vende essa
idéia e um monte de gente compra essa idéia.

Algumas décadas atrás, acredito eu que no início dos anos 80, começou a
haver uma pequena distorção desse tipo de valor, aonde a qualidade já não
estava mais sendo um parâmetro para um profissional ser considerado ou
valorizado. talvez porque a concorrência e a excelência de algumas áreas do
conhecimento humano já tivessem atingido o ápice, como as artes, pois
podemos tranqüilamente dizer sem pestanejar que tudo o que poderia ter sido
estruturado, inventado ou transgredido foi feito até essa época.

Com a complexidade dos sistemas econômicos e sociais, acabou havendo uma
certa distância entre o talento e trabalho, fazendo com que fosse necessário
criar-se alguns “atalhos”, mecanismos ou pessoas que fizessem a ponte entre
as pessoas com capacidade e os empregos que necessitassem dessas pessoas.

Foi justamente nesse momento em que muita gente começou a perceber que ser é
muito complicado, exige estudo, aplicação talento, força de vontade e tempo.
Mas, desde que consiga-se desvincular a capacidade do reconhecimento, “ter”
acaba sendo muito mais fácil do que “ser”, sem contar que quando se “tem”
fica mais fácil provar aos outro de que você “é”.

Então, como numa coqueluche, foi aparecendo muita gente de talento e
qualidade “duvidosas” se destacando como “grandes”, e sempre que o trabalho
dessas pessoas eram colocados em cheque, respondia-se na maior cara lavada:
“é, mas o cara tá ficando rico!”.

Com o tempo, acabou virando uma verdadeira bagunça, pois dado a relação
qualidade = reconhecimento, ninguém mais seria capaz de dizer de maneira
objetiva se uma coisa é boa ou não, criando até mesmo o sofisma de que não
existe certo e errado, não existe bom e nem ruim, não existe nada.

Aliás, com essa história toda, começaram a aparecer as primeiras notícias de
pessoas que estavam enriquecendo porque todos cobravam 1000,00 por um
trabalho e o cara começou a cobrar 900,00 (o problema é que com o passar do
tempo o cara dos 900,00 começou a perder trabalho porque tinha gente mais
“esperta”, cobrando 10,00 pelo mesmo trabalho), a história de gente que
começou a ficar rico porque pagava uma comissão “por fora” para seus
clientes começou a não ser mais nem novidade e nem motivo de escândalo.

O problema é que a longo prazo um sistema baseado no “maricurejo” não se
sustenta numa sociedade de consumo, aonde as pessoas querem coisas novas,
interessantes e boas para gastarem o seu rico dinheirinho.

Foi então, que os donos da “bufunfa”, criadores de moda e formadores de
opinião (curiosamente grande parte deles os mesmo espertos que ficaram rico
fazendo coisas de qualidade duvidosa) resolveram esse problema através de
uma moda, aliás muito em moda ultimamente, capaz de trazer o talento para o
lado deles sem que o talento ganhe qualquer coisa, mas garantindo que o
dinheiro continue indo para quem sempre gostou de dinheiro, mas nunca gostou
de coisa boa: a fama.

Assim, hoje em dia já não vemos mais a tão manjada frase “é, mas o cara tá
ficando rico!”, pois ela andou sendo trocada pela frase “é, mas o cara é
famoso!”.

Como muita gente percebeu uma sujeira desmedida entre as pessoas que nadam
em dinheiro e resolveram não se vender, não se prostituir, não “sujar” a sua
arte com dinheiro, com consumismo, etc. Curiosamente, acabaram se tornando
as vítimas favoritas dos “donos do mundo”, pois a fama, a divulgação do seu
trabalho acabou, com o tempo se transformando em moeda forte para o nosso
sistema econômico.

E o que vemos hoje em dia? Um infinidade de clientes que exigem que o seu
fornecedor “vista a camisa”, isto é, que trabalhe de graça, que entre em
concorrência junto com ele fazendo trabalhos no risco que em 99,9999% dos
casos jamais serão pagos.

Atualmente, trabalhar por amor a arte ou compromisso com o trabalho é
tratado como uma grande virtude de um profissional, querer ganhar pelo
trabalho que se realiza é uma espécie de câncer, aonde aqueles que se
comportam dessa maneira são tratados como escória, gente indigna,
malfeitores, inimigos públicos.

É muito comum ver clientes se referindo a ilustradores que cobram pelo seu
trabalho como mercenários, pessoas sem caráter e sem escrúpulos.

Quantos de nós já não ouvimos clientes camaradas argumentando que se você
fizer um preço bacana vai poder ser visto pelo trabalho, que irá gerar outro
trabalho, e todo mundo acaba ganhando? Ou então, quem já não ouviu cliente
dizer que ao invés de pagar, ele coloca o seu nome nos créditos, para
compensar, assim o cliente estará divulgando o seu nome...

E quantos não caem nessa TODO SANTO DIA?

Um cliente que você cobre um valor abaixo daquilo que é justo irá pelo resto
da sua vida exigir de você que cobre aquele valor como o MÁXIMO para aquele
trabalho, e, o pior, é que quando você tentar cobrar o valor justo, ele irá
te acusar de explorador, dizendo que você não está mais sendo “parceiro”.

Sabe o que é pior ainda? Esse cliente que te paga pouco, ou nem te paga irá
te indicar para muitos outros amigos dele que precisam de um trou... quer
dizer, de um ilustrador com o seu mesmo perfil monetário, para ir sugar o
seu sangue.

Resumo da ópera: quem cobra pouco corre grande risco de ser cercado por
inúmeros clientes que exigirão que você continue cobrando pouco, e aquela
viajem que você sonhava fazer com a patroa para a Europa, ou aquele carro,
casa que você sempre sonhou vai continuar no sue sonho, pois com esses
clientes o futuro que te espera é continuar morando na casa dos pais,
andando de busão para cima e para baixo e no máximo fazer uma viagem com a
patroa para Águas de Lindóia cuidar da coluna toda arregaçada de tanto
desenhar a troco de banana uma vez a cada dez ou doze anos,, além de, se
você tiver sorte e trabalhar muito, ganhar uma tendinite crônica que te
obrigue a se aposentar em dez ou doze anos, isso sem ter juntado dinheiro
suficiente para viver de renda.

Ah, e seu cliente terá outros inúmeros desenhistas necessitando divulgação
do nome para continuar ganhando em cima, mas talvez um dia ele se lembre do
seu nome, quando estiver fazendo piada e contando vantagem de como era fácil
passar a perna em você.

Tudo isso, é o simples reflexo de um sistema baseado, atualmente na fama, no
sucesso, ser conhecido, famoso, virar estrela, ser capa da revista Caras,
ser entrevistado pelo TV Fama, ir no programa do Faustão ou do Gugu, poder
encoxar e menina da banheira (nem sei se isso existe ainda, ou se já
inventaram coisa pior), ser convidado para coquetéis em vernissage, poder
escrever em blog e ser lido, ter fã, uau! E a conta bancária que se dane.

Por causa disso todo mundo quer ser modelo, ator, apresentador de televisão,
ter uma coluna em algum jornal ou revista, fazer programa de rádio, virar
humorista, cantor. Ninguém mais quer ser cientista, professor, médico,
químico, engenheiro, esse pessoal não aparece.

É preciso que possamos perceber essas nuances para que não nos tornemos
vítimas desse tipo de prática, tão em voga nos tempos atuais.

Mas, eu estou começando, como eu vou conseguir meu espaço ao sol se não me
sujeitar a esse tipo de coisa?

Realmente tudo é mais difícil para quem está começando, mas não é porque
VOCÊ está começando que é difícil, isso é assim com TODOS, quem não estiver
preparado para passar pelas dificuldades de ser um iniciante, não estará
apto a ser um profissional maduro nunca.

Todo profissional passou por momentos difíceis, alguns momentos mais
difíceis, outros menos, mas todos indiscriminavelmente, isso faz parte de um
processo maior no que nós mesmos, pois depende da situação econômica do
país, do tipo de trabalho que você faz, do seus amadurecimento como
desenhista e como profissional, sua mentalidade, a demanda atual do mercado,
e assim por diante.

Vemos em situações como trabalhar de graça, em troca de divulgação, ou
outros esquemas miraculosos um atalho para não sofrermos tanto pelo processo
de seleção natural, amadurecimento profissional, desenvolvimento do nosso
potencial artístico, nos esquecendo que eles IRÃO ACONTECER, ou hoje, ou
algum dia. No entanto quando estamos começando temos condições físicas,
psicológicas e materiais que nos permitem passar por essas dificuldades,
sendo que se a gente passar pelo mesmo tipo de experiência alguns anos mais
tarde , as chances de fracassar será maior, pois você terá mais idade e será
naturalmente considerável mais descartável para o mercado, terá mais
dificuldades de adaptação, não terá o mesmo preparo físico, já terá
desgastes com outras coisas e não poderá se dar ao luxo de passar fome
estando casado e com filho para criar, por exemplo.

Sem contar que quando estamos começando firmamos as bases do nosso futuro,
escolhemos os passos que daremos talvez no resto da nossa vida, mas não
percebemos isso. Quanta gente se envereda por uma prática profissional que o
encarcere num rótulo que irá te perseguir par ao resto da vida? O briguento
continuará sendo briguento, mesmo se passar anos a fio sem discutir com
ninguém, o desenhista que só faz trabalho meia boca vai continuar sendo
considerado desenhista meia boca por anos a fio, ilustrador que cobra pouco
vai carregar esse rótulo por muito tempo ainda e, na hora que aparecer um
cliente ou trabalho grande, essa sua fama poderá até mesmo fazer com que
você perca o trabalho bom que apareceu.

Um empresa séria que precise de alguém para fazer um trabalho importante não
vai deixar o seu trabalho nas mãos de um ilustrador qualquer, vai exigir que
o ilustrador seja responsável e sério o suficiente para ela pelo menos se
sentir mais à vontade de deixar o seu trabalho em “boas mãos”. Somente
clientes “aventureiros” procuram ilustradores “aventureiros”.

Pode ser que essa moda de ser “famoso” ainda dure muito tempo, e pode ser
que ainda cause muito mais estragos, mas conhecermos um pouco como as coisas
funcionam pode nos dar uma vantagem na forma como nos posicionamos no
mercado e, quanto mais gente se colocar com uma postura mais séria, menos
aventureira, o mercado como um todo será forçado a se modificar por uma
pressão natural.

Mas para que isso aconteça precisamos evitar certas “armadilhas” e sabermos
nos defender. Uma delas é a armadilha de querer achar atalhos que nos levem
diretamente ao “sucesso”, sem que saibamos que o sucesso de verdade é aquele
fruto do nosso esforço. Se você chegou lá sem conquistas não venceu ninguém,
apenas levantou uma taça.

14.2.09

Sofisma - no nosso dia a dia

Outro dia eu estava pesquisando na Wikipedia e encontrei esse texto.

É curioso que, pelo menos para mim, se encaixa como origem de muitos dos nossos problemas de argumentação sobre a nossa valorização profissional e também sobre princípios éticos da profissão.

A impressão que se tem é de que os sofismas são coisas bastante distante do nosso dia a dia. Embora o português escrito seja bem lusitano, vale a pena ler o link e refletir.

O que acontece é que a gente não se liga muito, e costuma passar batido sem perceber ligação de certas coisas com o que a gente faz ou o mundo em que vivemos.

Por exemplo: quando as pessoas justificam a diferença de que um ilustrador de fora de São Paulo deva ganhar menos do que um ilustrador de São Paulo, ou uma empresa de fora do eixo Rio-São Paulo para justificar não querer pagar o valor que um trabalho merece ter mesmo se a empresa vender para o país inteiro.

A idéia de que o valor de um trabalho é relativo, até mesmo para se justificar a utilidade de uma ilustração. É muito comum ver pessoas dizendo que uma ilustração tem um valor inerente ao fato dela existir como arte, embora o valor deveria ser lógico e exato como o potencial de retorno financeiro que uma ilustração tem.

Outro ponto bastante discutível e que se encaixa muito no principio do sofisma é o "valor do artista", tem artista que vale mais, tem artista que vale menos, e porquê? Porque simplesmente eu valho mais do que você... Será que eu me sinto mais artista do que você???? Ou então que todos tem o mesmo valor, desde o Picasso ao Zé da esquina, desde o Miquelângelo ao cara que desenha em guardanapo de papel. Nada pode ser comparado, nada pode ser avaliado. Não é assim, tem coisa boa e tem coisa ruim. O fato de um trabalho ser ruim não é porque eu tenho uma formação cultural que não me permita ver a beleza daquele desenho, mas é porque o ilustrador precisa evoluir no seu trabalho. Isso costuma gerar até mesmo melindres, e muita gente se esconde de não ouvir um NÃO atrás de um sofisma como esse.

Agora se nós procuramos nos profissionalizar, evoluirmos como profissional e como desenhistas, então é bastante pertinente que possamos avaliar os trabalhos, as práticas comerciais para que possamos escolher e criar saídas para a nossa realidade.

Nesse universo de formação profissional, esses sofismas acabam sendo argumentos que confundem e não esclarecem, costumam criar uma cultura de "castas" aonde alguns nasceram para brilhar e outros nasceram para ser pisoteados. Alguém vale mais como ilustrador porque desenha com bico de pena e o outro que desenha com caneta futura vale menos, por exemplo, embora o resultado de ambos sejam iguais, é uma idéia absurda.

Ou que um ilustrador iniciante, por ser iniciante deve cobrar R$50,00 por um trabalho que um ilustrador com 10 anos de carreira deve cobrar R$ 350,00, um com vinte anos R$ 500,00 e um com trinta R$ 1200,00, porque um é iniciante, outro tem dez anos de mercado e outro tem trinta, sendo que todos os três fazem o MESMO trabalho e levam o MESMO tempo para fazer o trabalho. Como se o imposto que o iniciante paga fosse menor, como se, quando o iniciante fosse comprar material da papelaria ele tivesse um desconto especial por ser iniciante.

Existe muita justificativa para puxar seus valores para baixo, ou porque você é iniciante, ou porque você é inexperiente, ou porque você é velho demais; ou porque você não sabe das coisas, ou porque tudo o que você aprendeu é ultrapassado; ou porque você não é o Brasílio, ou porque você não é o Benício; ou porque você nunca trabalhou com o cliente, ou porque você sempre trabalha com o cliente; ou porque você precisa de dinheiro, ou porque você não precisa de dinheiro; ou porque o trabalho não vai quase aparecer, ou porque o trabalho vai aparecer em tudo quanto é lugar.

E assim por diante.

Quando a gente percebe que qualquer que seja a sua posição, tem uma lógica que prove para você que você não tem valor; ou quando por mais que haja diferenças nunca elas serão suficiente para para tirar ou manter alguém em evidência, pode contar que o Sofisma está se alojando nesse meio e dando cria.

Esse é um tema complexo, que pode mecher com a suscetibilidade das pessoas, mas que, se for analisado sem afetação pode nos dar um tremendo empurrão profissional.

Eu particularmente vejo os adeptos dos Sofismas como inimigos da harmonia entre as coisas.

Outro exemplo, é que existem clientes que se baseiam descaradamente me lógicas extremamente distorcidas com objetivo de confundir o fornecedor, mas também existem ilustradores que igualmente se utilizam de fórmulas sofistas para "enrolar" os clientes.

Muito ilustrador que percebe que deveria fazer a sua lição de casa e não faz, que é investir em cursos, estudar e treinar para aprimorar a sua técnica, investir em infra estrutura e procurar adaptar o seu tipo de trabalho para as demandas de mercado, costumam se vender como seres, quase que imateriais, cujo trabalho está acima do bem e do mal.

Não aceitam refação, não aceitam mudar estilo ou técnica e não aceitam serem questionados.

Com o tempo esse tipo de ilustrador vai perdendo cliente, mas deixa um rastro de destruição aonde tenha passado, clientes que ficam até mesmo traumatizados e largam mão de usar ilustração porque acham que ilustrador é tudo temperamental, estrela, impositivo, orgulhoso, etc.

O pior de tudo é que o uso de sofisma para engambelar ilustradores com idéias de que trata-se de trabalho grande, o de projeção profissional é o resultado indireto do abuso de idéias sofistas por parte de ilustradores mais antigos. Quem nunca ouviu falar daquele ilustrador das antigas, bom pra caramba e que esconde o seu segredo, não mostra pra ninguém como ele trabalha? Isso com medo de perder mercado. Esconde tanto o ouro que esconde detalhes técnicos até dos clientes, que ao receber explicações pouco conclusivas sobre o seu trabalho, acabam se cansando de não compreenderem a lógica por trás do trabalho do cara e acaba trabalhando com foto, que é menos complicado.

Eu me lembro a uns dez anos atrás, eu era fornecedor de uma revista, desses que trabalhava regularmente, e a redação dessa revista recebeu, um belo dia a visita de um ilustrador figurão da época, que já havia ilustrado muito para revistas com temas de ufologia e ocultismo e tinha um trabalho já bastante conhecido.

O problema é que o cara foi "vender" o seu trabalho, mas o tipo de trabalho que o cara fazia, o trabalho não estava muito de acordo com a linha editorial da revista. Então o belo e formoso ilustrador figurão, em mais de duas horas de conversa com o editor ficou tentando de toda forma convencê-lo, não só a contratá-lo para ilustrar, porque ele era um cara importante, já tinha feito isso e aquilo, como estava tentando convencer o editora a editar uma revista nova, que não existia, só para essa revista ter uma linha editorial que condissesse com o trabalho do cara.

Que tremenda cara de pau!!

E eu ali só prestando atenção no showzinho do cidadão...

Resultado, hoje em dia ninguém mais se lembra do cara, nem eu consigo me lembra do nome dele para escrever aqui... Era um xarope cabeludo, meio bicho grilo.

Então a gente começa a ver que ser sério é não tentar enrolar o outro, seja cliente, seja quem for. Não se utilizar de técnicas de oratória ou retóricas avançadas para confundir o cliente. Ninguém gosta de ser tratado como criança. Se você algum dia não tiver explicação para vender o seu trabalho, vale mais a pena se calar e apenas ser cordial do que tentar tirar leite de pedra.

E a mesma coisa com relação a forma do cliente te tratar. Se alguma vez o cliente não for CLARO, não respeitar regras, dizendo o que ele quer, como ele quer, de que jeito ele quer e para qual finalidade, por qual prazo, respeitando o seu valor seja ele qual for e respeitando contratos, PULE FORA!

Muitas vezes a gente fica com dor na consciência de perder cliente que não quer pagar o seu valor, ou que não quer fazer contrato, ou quer que você já vá fazendo porque ele está com pressa antes de acertar valores e prazos, só que esse clientes costumam ser aquele que tomam seu tempo de impedem achar um cliente melhor, e quase NUNCA compensa porque ele te da o cano e te sacaneia. O pior de tudo é que o ilustrador nessa história é sempre a "mulher de malandro", sempre acha que o cara vai mudar e sempre leva pancada na cara.

Se o pessoal simplesmente aprendesse a evitar clientes assim, metade dos problemas dos ilustradores acabariam, pois os problemas na sua grande maioria são, ou de clientes que não te valorizam, ou falta de trabalho. Pelo menos, um dos problemas se resolvem.

13.2.09

Sobre Model Sheet

Não existe uma padronização no serviço de model sheet, mas existe uma base do que todo model sheet precisa ter.

Basicamente um model sheet precisa ter uma folha contendo o personagem de frente, perfil, três quartos de frente e de costas e também de costas, além de uma página contendo algumas expressões corporais e outra com expressões faciais.

Isso é o básico do básico. Em casos de model sheet com preços mais em conta, isso pode rolar numa boa.

O ideal é que as posições do personagem esteja em um cânone que marca proporção do personagem tendo como base o tamanho da cabeça, e também uma montagem do rascunho para se chegar ao desenho final em todas as posições.

Também um model sheet ideal precisa ter estudo de aplicação de cores, com cor chapada, degradê, aplicação de cores em RGB. CMYK, Pantone, etc.

Alguns casos também se fornece algumas artes já prontas para o cliente utilizar (mas isso depende da negociação feita).

Também existe a opção do style guide que é mais complexo ainda, que é um guia de utilização do personagem, seguindo os moldes de utilização de uma marca. Ou seja, utilização em fundo branco, preto, colorido, em foto, utilização em traço em cores, utilização com estampas e por aí vai.

Cada um desses trabalhos é uma coisa à parte, criação não necessariamente precisa ter fornecimento de model sheet. Se você está criando sob encomenda, uma ilustração já passa a idéia do personagem, o model sheet vai padronizar e permitir que mais pessoas possam utilizá-lo. E o style guide já é uma coisa a mais.

Embora possa parecer que para criar o personagem não haverá trabalho, esse é um engano muito comum, principalmente entre o pessoal mais inexperiente, pois para se fechar em um personagem, muitas vezes você terá que fazer inúmeros estudos, primeiro à lápis, para apresentar o traço ao cliente, o estilo do desenho, detalhes do personagem que imprimam as características psicológicas do personagem e assim por diante. Uma vez que o personagem com seus detalhes e o estilo da ilustração do personagem estiverem ok, então você finaliza. Esse trabalho poderá levar mais de um mês para ser feito, desde que se observe TODOS os parâmetros necessários para a criação do personagem.

O Model sheet, então passa a ser outro trabalho, igualmente difícil e lento, mas não irá te exigir o mesmo grau de criatividade e de testes quanto na criação.

O Style guide, ao meu ver já é um trabalho mais complexo ainda do que o model sheet.

Só para que as pessoas tenham uma idéia, não é incomum demorar dois meses para se criar um personagem ou quatro meses para além de criar o personagem montar um model sheet e até ultrapassar esse prazo, caso você também tenha que montar um style guide.

Outra coisa, ao contrário do que bastante gente possa pensar, model sheet e style guide não é frescura não, tem uma grande utilidade, mas somente compensa fazer quando o cliente já tem um planejamento sólido de aproveitamento do personagem. Caso contrário até mesmo a criação de um personagem sob encomenda se transforma numa perda de tempo e dinheiro.

12.2.09

Ilustradores Workaholic

É bastante comum vermos ilustradores que trabalham com certa frequência noite afora, nos finais de semana, sempre em dias e horários que somente malucos trabalhariam.

Alguns inclusive trabalham igual maluco, sem dormir, comer, ficando doentes e tudo mais e depois amargam meses sem um único desenhinho...

Eu tenho uma opinião formada sobre esse tipo de assunto, que pode até mesmo ser uma grande viagem, mas de repente vale apenas expor para que possamos ver se tem alguma procedência o meu modo de pensar.

Para exemplificar melhor a minha idéia, eu vou contar um pequeno causo histórico.

No século XVIII na Inglaterra foram criadas as primeiras fábricas da história, empregando cada vez mais gente para absorver a demanda já que desde aquela época o governo britânico sempre foi muito agressivo quando o assunto era vender seu produto para o mundo todo.

Naquela época qualquer pessoa poderia trabalhar numa linha de produção, qualquer mesmo, homem ou mulher, velho ou criança, saudável ou doente, o que importava era ter alguém que pudesse trabalhar para as fábricas continuarem a produzir.

Também não jornada horária, trabalhava-se 10, 12, 14, ou quantas horas fossem necessárias. Também não havia férias, 13º, fundo de garantia, vale transporte, vale refeição, salário base, licença prêmio ou licença maternidade, cesta básica, carteira de trabalho, aposentadoria ou um sistema de previdência social nem seguro desemprego.

A coisa era simples, você trabalha e ganha tanto. Se você não quiser sai da fila que tem um monte de gente que quer.

Quando a situação foi mudando? Quando, graças à esse sistema várias pessoas trabalhavam até morrer ou então ficarem inválidas e as fábricas simplesmente mandavam embora o inválido e contratava outra pessoa no lugar.

Quando a classe operária ficou cansada, a começaram a desejar trabalhar com uma certa dignidade e se unir para isso.

O resultado todo mundo sabe: salários melhores, previdência social, aposentadoria, férias, 13º, jornadas de trabalho de oito horas diárias, salário mínimo e base salarial, etc..

Hoje em dia muito se critica os socialistas e sindicatos, mas se não fossem eles todo mundo estaria trabalhando como escravo. Aliás, uma boa lição de casa para um ilustrador seria ler a obra de Karl Marx, ao invés de criticar idéias socialistas porque leu o Diogo Mainardi na Veja ou viu a entrevista do empresário sei lá qual na televisão ou leu sei lá quem na folha e repete o que os outros dizem igual papagaio.

Aí, a gente volta para a NOSSA questão... Voilá!

Parecemos os operários do início da revolução industrial. Trabalhamos muito, ganhamos pouco, alguns ficam doente de tanto trabalhar, na hora que o ilustrador entra em parafuso o cliente simplesmente troca de fornecedor como se tivesse trocado de roupa, contrata-se quem trabalha mais para ganhar menos. Varamos noites a fio e não podemos nos dar ao luxo de atrasar um único trabalho.

Ah, e também somos obrigados a pegar um trabalho por qualquer valor, já que se a gente não pegar, vem outro e pega. Sem conta nos maravilhosos CCDAS das editoras que nos tiram TUDO e um pouco mais.

Essa é a nossa realidade. Antigamente os ilustradores trabalhavam dentro das empresas, que tinham os seus estúdios, e lá dentro se aprendia muito, fazia-se uma carreira sólida e parecia que bastava tudo ficar sempre na mesma que ilustrador nunca riria desaparecer ou passar necessidade.

Hoje em dia, vemos que não ficou tudo na mesma, as empresas fecharam seus estúdios, passaram a contratar mão de obra terceirizada, praticamente não existem empresas que fornecem essa mão de obra, mas cada profissional é uma empresa de um único profissional.

Vivemos isolados no mundo, cheios de manias, se batendo contra os concorrentes, brigando por um pedaço de pão amanhecido, com uma rivalidade velada sobre o colega de profissão ao lado, defendendo o direito de se manter isolado, de não virar empresa, de não ter CNPJ, de não ter estúdio, de não ter equipe de trabalho, no máximo botando a família para trabalhar junto, já que parente a gente pode pagar pouco, defendendo o direito de somente pensar na casa, no trabalho esperando que alguma coisa caia do céu e melhore a nossa vida.

Se pegarmos a história de qualquer país, grupo étnico, classe social, profissão, time de futebol, bloco de países, região geográfica, grupo empresarial, grupo de trabalhadores, fabricantes, comerciantes, banda de rock, movimento artístico ou seja lá o que for, veremos que o sucesso de um grupo somente acontece se antes existe uma UNIÃO.

Mas união significa fazer parte de um grupo, mas de um grupo aonde existe participação, existe sinergia entre as pessoas, alguns pensam e muitos agem, aonde as pessoas se unem em torno de uma causa ou objetivo comum e todos trabalham gerando um movimento.

Não existe uma única história em que um grupo tenha sido bem sucedido porque somente uma pessoa, ou meia dúzia fez algo e a maioria está cada um pensando na sua vida. As guerras não são ganhas pelos líderes, mas pelos soldados. Revoluções não são feitas por mentores intelectuais mas por pessoas comuns e anônimas. Tanto é assim que Tiradentes não libertou o Brasil, nem Willian Wallace libertou a Escócia, nem Roosevelt ganhou a segunda guerra sozinho, nem o movimento impressionista foi bem sucedido porque apenas um pintor resolveu montar uma exposição independente.

Para mim esse negócio de trabalhar varando noites a fio, não ter horário pra nada, ser obrigado a aceitar exigências cada vez mais abusivas de clientes, ficar meses sem pegar trabalho é apenas o reflexo da nossa falta de união e participação.

Talvez as pessoas não estejam percebendo que estamos hoje semeando como será a nossa vida no futuro, se hoje eu pego um trabalho que custava 1500,00 para fazer opor 800,00, significa que amanhã eu também irei aceitar fazer o mesmo trabalho por 500,00, ou então alguém irá aceitar.

Se hoje eu aceito trabalhar 14 horas por dia, amanhã eu aceitarei trabalhar por 16 ou 18 horas por dia. Se hoje eu aceito um CCDA liberando tudo, quem não me garante que no futuro eu estarei pagando para colocar essa ilustração dentro de meu portfolio?

Acontece que para isso mudar, não é alguém que precisa fazer algo, mas eu mesmo. Quem tem que mudar sou eu e não o mercado, ilustrador não trabalha à noite porque tem insônia ou é notívago, mas porque aceita trabalhar à noite. Ilustrador sofre não porque é masoquista, mas porque acha que ceder é certo, porque se não pegar um trabalho que vai ficar 15 dias trabalhando em cima igual louco para ganhar 600,00 o cara vai ficar desesperado pensando que tem outro cara que topou pegar o trabalho, ao invés de dar graças à Deus por não ter entrado nessa enrascada.

Quem tem que mudar somos NÓS e não o mercado. Costumamos chamar o mercado de ingrato, de feroz, de injusto, de abusivo. Mercado NÃO existe, quem é ingrato, feros injusto e abusivo somos NÓS.

Entrar em neurose porque eu terei que cobrar menos pelo meu trabalho ou trabalhar igual louco para o trabalho compensar é loucura, insanidade, aí é que a gente realmente não vai ter tempo para fazer coisa alguma, nem participar de lista de discussão, nem de encontro de ilustrador, nem de fim de semana com a família, muito menos de Abipro.

Escolhemos todos os dias os caminhos que tomamos, todo dia damos um passo para qualquer direção, mas não percebemos qual a direção estamos tomando, assumimos uma cegueira que comprova a nossa incapacidade, pelo menos por enquanto, de decidir pelo nosso próprio futuro.

Não devemos ter uma postura de conformismo, mas de vontade de mudar, senão nada irá mudar, todos sabemos muito bem quais são os caminhos que o mercado irá trilhar caso nada aconteça, Todo dia entra mais e mais pessoas querendo ser ilustrador e nós mesmo estamos ensinando para ele que é assim mesmo, que tem mais é que varar noite, ganhar pouco, trabalhar de graça, acreditar em promessas de fama e sucesso, aceitar imposições absurdas, horários completamente for a da realidade, aceitar perder a convivência com nossos familiares e amigos.

Cabe a cada um de nós fazer a sua parte, sem esperar do outro, mas tendo a consciência de que EU estou fazendo isso porque, mesmo que o outro não faça, eu estou me diferenciando do outro, eu estou me postando no mercado de maneira diferenciada, impondo respeito a minha condição de profissional. Não adianta a gente ficar reclamando ou mesmo aceita calado e esperar que um dia algo extraordinário aconteça. Qualquer coisa, seja qual for somente acontece quando temos o mérito pelos nossos esforços. Ninguém irá resolver os nossos problemas e nos dar de presente.

Se esse tipo de coisa, trabalhar à noite, ganhar pouco e aceitar exigências absurdas fosse algo "normal", simplesmente TODAS as profissões em TODAS as partes do mundo já seriam assim.

Estamos com um grau de aceitação do que é normal, infelismente com padrões muito baixos.

Seria bom se todos pudessem refletir e reavaliar nosso padrões sobre o que é normal, o que é um ganho considerado normal para um ilustrador que é na verdade uma empresa, como se trabalha, com qual estrutura, quantas horas por dias e o que ou quanto se ganha por isso.

Refletir, reavaliar, penso eu, seria um ótimo começo.